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quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Cuba: fraude eleitoral ou democracia radical?

Cubano exercendo seu direito de voto em 2023 | Foto: ACN

Por José Manzaneda

Cuba sofre de uma grave crise econômica e sua principal causa são as sanções e a perseguição política por parte do governo dos EUA, de todas as receitas e investimentos na Ilha. E, como é óbvio, o desabastecimento gera descontentamento social (1).

Em alguns lugares do país houve pequenos protestos pedindo às autoridades, por exemplo, o fim dos apagões de energia elétrica (2). Enquanto isso, o governo que causa tudo isso, o dos Estados Unidos, paga milhões de dólares a vários atores políticos e de mídia, com o objetivo de converter esses incidentes em uma explosão social com orientação política. Até o momento, não conseguiu nem a esperada resposta repressiva, essencial para a escalada do conflito. Em qualquer outro país o cenário social seria de violência e caos, sem dúvida. 

No entanto, em Cuba ainda há grandes mobilizações de apoio à Revolução com milhões de pessoas na ruas, como as recentes, pelo Primeiro de Maio (3). E a grande maioria da população participou nos últimos seis meses de três processos eleitorais realizados em momentos de grave crise (4).

Que a participação tem sido menor que anos anteriores? Óbvio. Alguém pode pensar que com tamanha guerra econômica e com a brutal guerra comunicativa na mídia e nas redes sociais, destinadas a fazer com que a opinião pública cubana culpe seu governo pela situação, índices acima de 90% podem ser mantidos, como há uma década? Isso é impossível. 

Mas o que é surpreendente e, portanto, o que deveria ser notável e objeto de curiosidade jornalística, é que, mesmo em tais circunstâncias, 76% da população foi às urnas nas últimas eleições gerais (5). Um índice de participação muito alto em uma comparação internacional (6).

Assista:

Mas não. A imprensa corporativa prefere explicar isto dizendo que a democracia cubana é uma "farsa" (7) (8) (9). Uma farsa endossada, aparentemente, pela maioria do povo. 

quarta-feira, 19 de abril de 2023

Díaz-Canel é reeleito presidente de Cuba com 97% dos votos

Presidente de Cuba reeleito para um novo mandato de cinco anos | Foto: José Correia/Granma

Por Sturt Silva 

Miguel Díaz-Canel, atual presidente de Cuba e deputado reeleito na última eleição de 26 de março, foi reeleito hoje, 19 de abril de 2023, presidente de Cuba para um novo mandato de 5 anos. 

O presidente teve apoio de 97,66% dos 462 deputados presentes na Assembleia Nacional do Poder Popular (parlamento). Ou seja: 459 votos. Ao seu lado, Salvador Mesa foi reeleito vice-presidente com 93,4% de apoio, o que significa 439 votos. 

Os parlamentares que tomaram posse hoje foram eleitos no pleito ocorrido no dia 25 de Março, que contou com a participação de 75,87% dos cubanos. 

Miguel Díaz-Canel 

domingo, 16 de abril de 2023

Mulheres serão 55,74% do novo parlamento de Cuba

Mulheres cubanas nas ruas de Cuba | Foto: Osvaldo Goméz/Juventud Rebelde

Por Cid Benjamin na Revista Fórum 

Dada a desinformação na nossa grande imprensa a respeito do que há de positivo em Cuba, pouco se ficou sabendo sobre a recente eleição naquele país, ocorrida no último domingo de março, dia 26. Nela foram eleitos 470 deputados para um novo mandato na Assembleia Nacional, o Congresso daquele país.

Dentre os eleitores que foram às urnas, 90,28% votaram na lista de candidatos apresentada previamente. Essa lista foi composta depois de um processo que envolveu amplos debates em todo o território cubano. Sua composição não passou pelo Partido Comunista, que não se envolve diretamente na eleição. Os integrantes do partido que são candidatos, o são em caráter individual. 

Nem todos os eleitores apoiaram essa lista: 6,22% deles votaram em branco; e 3,50% anularam o voto. Dentre os demais votos, 72,10% foram na lista completa; já 27,90% foram votos seletivos, apoiando apenas parte da lista.

Chama a atenção o espaço ocupado por mulheres e jovens na nova composição da Assembleia Nacional. As mulheres são a maioria dos novos deputados eleitos: 262 (55,74%). E 93 dos eleitos têm menos de 35 anos (19,79% do total). A renovação também é alta: mais de um terço dos eleitos (167) serão deputados pela primeira vez.

segunda-feira, 27 de março de 2023

Cuba elege novo parlamento com 76% de participação do eleitorado

Cantor e compositor cubano vota nas eleições legislativas | Foto: Arnaldo Rodriguez 

Do Opera Mundi 

A presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) de Cuba, Alina Balseiro, informou na manhã desta segunda-feira (27/03) os resultados preliminares do processo eleitoral nacional de 2023 que ocorreu na ilha neste domingo (26/03).

O órgão eleitoral declarou que 6.167.605 de 8.129.321 eleitores exerceram seu direito de voto, representando 75,87% de participação, segundo Balseiro. 

Do total de cédulas depositadas nas urnas, 90,28% eram válidas. As cédulas em branco representaram 6,22% do total, e 3,50% foram anuladas.

Balseiro afirmou que, do número total de votos válidos emitidos, 72,10% eram votos para todos os deputados e 27,90% eram votos seletivos.

A presidente do CNE cubano disse, então, que os resultados preliminares validam a eleição dos 470 candidatos propostos como deputados ao mais alto órgão do poder estatal, com mais de 50% dos votos válidos emitidos pelos eleitores.

sábado, 18 de março de 2023

Cuba elege novo parlamento, na última eleição comparecimento ficou acima de 80%

Eleitora vota em uma escola cubana | Foto: Rádio Baracoa

Por por André de Paula e Luis Mergulhão no Tribuna Livre

No Brasil, em que pese a presença de candidatos de esquerda, as eleições representam um dos momentos centrais de reprodução do controle político da classe dominante, gerando um Congresso que, a rigor, é a inversão da composição da sociedade, com a maioria representando os grandes empresários, latifundiários e banqueiros. Compreensível, portanto, que muitos setores do movimento popular qualifiquem todo esse processo como “farsa eleitoral”, e manifestem seu protesto através de votos nulos e brancos e, até, arriscando-se a não votar.

As eleições em Cuba, país socialista da América, são qualitativamente diferentes. Expressando a propriedade social das fábricas e das terras, estão vinculadas aos interesses da maior parte da sociedade, que controla o poder político e escolhe os seus caminhos: os trabalhadores do campo e da cidade que representam a base da democracia socialista.

Enquanto no Brasil, os partidos maiores têm mais propaganda, mesmo nos horários gratuitos, resultando que, no Congresso Nacional, haja duzentos grandes empresários contra quarenta e seis trabalhadores, nove agricultores e cinco indígenas, em Cuba, o voto não é obrigatório; os requisitos para que alguém seja candidato estão vinculados à sua participação na comunidade. Há que ser atuante e propositivo.

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Cuba elege representantes nas cidades; comparecimento às urnas foi de quase 70%

Cubano votando em um colégio eleitoral do país | Foto: Juventud Rebelde 

Por Sturt Silva 

Segundo dados do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) de Cuba, foram eleitos no último domingo (27/11) mais de 11 mil representantes para Assembleias Municipais, o que equivale às Câmaras de Vereadores no Brasil. 

A presidente do CNE, Alina Balseiro, informou que votaram 5.728.220 cubanos dos 8.351311, o que representa 68,58% de todo eleitorado nacional. Dos votos depositados nas urnas, 89,11% foram válidos, 5,22% em branco e 5,67% anulados. 

Estavam em jogo 12.427 cargos, sendo que neste domingo (28/11) foram eleitos 11.502 delegados. O restante deve serem eleitos no segundo turno, no próximo domingo. 
Resultado das eleições municipais de Cuba | Arte: CNE

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Cuba aprova novo Código das Famílias com mais de 66% de apoio popular

Jovem cubana vota em referendo do Código das Famílias, em Cuba | Foto: Diario Mayabeque

Por Sturt Silva 

Em referendo, realizado no último domingo (25/09), Cuba aprovou o novo Código das Famílias com apoio de 3,9 milhões de cubanos. 

Segundo resultados da Comissão Nacional Eleitoral, dos 8.457.978 eleitores aptos a votar, 6.269.427 exerceram o direito de voto. Ou seja, o comparecimento às urnas foi 74,12%. Já os votos válidos foram 94,25%, brancos 3,22% e nulos 2,51%.

A consulta perguntava ao eleitor: "Você concorda com o Código das Famílias?" - Sim ou não. Os resultados finais, divulgados hoje (04/11), mostraram que 66,85% (3.950.288) optaram pelo SIM e 33,15% (1.959.097) pelo NÃO. 

Para tornar-se lei, o novo Código das Famílias deveria ter apoio de pelo menos 50% dos votantes. O voto "sim" foi amplamente apoiado pelo governo socialista de Díaz-Canel e objeto de uma intensa campanha nas ruas, televisão e redes sociais. 

Resultados finais do referendo | Arte: Solidários a Cuba 

sábado, 30 de julho de 2022

Cubanos vão às urnas em setembro aprovar casamento gay

Fachada do Ministério da Saúde de Cuba em 2021 | Foto: Solidários a Cuba

Por Cezar Xavier no Vermelho 

A Assembleia Nacional de Cuba (parlamento) aprovou no último 22 uma ampla atualização de sua lei de família que abre as portas para permitir o casamento homoafetivo, maiores direitos das mulheres e maior proteção para crianças, idosos e outros membros da família.

O novo Código das Famílias será votado em referendo em 25 de setembro, depois de ser debatido em reuniões comunitárias no início deste ano, onde os organizadores disseram que 62% dos participantes expressaram seu apoio. 

Na consulta popular, cujos resultados foram conhecidos em 15 de maio, participaram 6.481.207 cubanos (75,93% da população total), 61,96% dos quais se manifestaram a favor do texto. Como resultado desse processo, 47,93% do texto geral e 49,15% do total de artigos foram modificados.

Os opositores à mudança de regra incluem muitas igrejas.

O novo código legaliza o casamento entre pessoas do mesmo sexo e as uniões civis, permite que casais do mesmo sexo adotem crianças e promove o compartilhamento igualitário das responsabilidades domésticas. Também permite acordos pré-nupciais e gravidezes de aluguel sem fins lucrativos.

Os pais teriam “responsabilidade” em vez de “custódia” dos filhos, e seriam obrigados a “respeitar a dignidade e a integridade física e mental das crianças e adolescentes”.

Cuba já é líder continental em direitos das mulheres. As mulheres chefiam quase 50% das famílias e representam 60% dos profissionais, têm acesso gratuito ao aborto e podem reivindicar até dois anos de licença-maternidade.

Mariella Castro

Na opinião de Mariela Castro, este é um momento emocionante para um povo comprometido com as ideias mais avançadas da Revolução. A diretora do Centro Nacional de Educação Sexual (Cenesex) qualificou o documento como admirável, por ser resultado de “um processo impecável de participação popular, de exercício democrático”.

Ela agradeceu a participação do povo, que fortaleceu sua cultura neste processo de consulta. “Houve quem não acreditou que este código fosse possível”, disse, e lembrou que este passo foi cuidadosamente alcançado, em diálogo permanente.

Ela destacou a geração histórica da Revolução, “que deu oportunidades de avançar em todos os elementos que estamos colocando em nossa vida coletiva, superando preconceitos”.

“Não se pode culpar ninguém, porque todos os processos de conquista de direitos são complexos”, acrescentou.

Mariela Castro agradeceu a Fidel, Raúl e Vilma o amor que lhe incutiram, o compromisso com a Revolução e a história de Cuba, a capacidade de ouvir, dialogar e colocar em prática na vida familiar muitos dos princípios que hoje apóia a Código familiar.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Eleições em Cuba: sem dinheiro e sem partidos políticos

Mural em referência aos Comitês de Defesa da Revolução | Foto: Gerardo Nordelo 

Por Sturt Silva 

Em entrevista exclusiva ao blog Solidários a Cuba, o Cônsul Geral de Cuba no Brasil, Pedro Monzón, nos contou um pouco mais sobre o regime político da ilha socialista. Segundo ele a democracia socialista é diferente de outras democracias capitalistas. Ele também afirmou que as eleições, em seu país, são livres, que o Partido Comunista (único) não interfere e nem as controla. O processo de escolha dos representantes em Cuba é feito pelo povo, nos bairros, através das organizações sociais onde cerca de 80% da população participa. Por fim ele fala sobre as próximas eleições e sobre a imprensa cubana.

Confira: 

Muitas vezes escutamos que Cuba não é democrática. Pode falar sobre isso?

Resposta: O conceito de democracia tem diferentes significados. 

A mais conhecida se deriva da concepção predominante em países capitalistas do Ocidente cujo defeito principal (segundo nossa convicção) é que não se baseia realmente na participação do povo no governo e o destino das nações. Por tanto é um contra sentido, os feitos não se correspondem com a retórica. 

Na democracia capitalista o verdadeiro governo é exercido por oligarquias poderosas economicamente que determinam:

  • A persistência de um sistema que polariza a riqueza e os benefícios sociais de todo tipo. Poucos têm muito e a maioria tem pouco. 
  • O resultado das eleições depende do dinheiro, não das posições políticas declaradas dos candidatos partidários, apesar da existência de múltiplos partidos. A final, os ganhadores têm que satisfazer as necessidades de quem contribuem com o dinheiro e têm o poder. O multipartidarismo não é garantia de democracia. Isso não quer dizer que nós pensamos que em outros países devem estabelecer-se sistemas monopartidários. Cada país tem que buscar soluções próprias que garantam uma democracia participativa legítima.
  • As oligarquias mantem o controle do Estado em seu conjunto e das forças repressivas, segundo seus interesses. 
  • Também controlam as políticas editoriais dos meios fundamentais de comunicação, por tanto não há verdadeira liberdade de imprensa.
  • Em muitos destes países o nível de educação cultural e político da população é muito pobre, é baixo, por tanto o povo não pode exercer um verdadeiro governo. Não tem acesso à política, nem sabe como fazê-lo.

Em Cuba socialista é muito diferente:

  • Desde o inicio da Revolução se deu participação ao povo em tudo. A nossa democracia é uma democracia verdadeiramente participativa.
  • Qual ditadura dá ao povo a arma da educação generalizada e gratuita, de igual forma sua formação cultural e política? Estas armas são a garantia mais importante da democracia. Um povo educado é crítico, tem consciência do que passa ao seu redor, não se deixa manipular.
  • Que ditadura treina os cidadãos, em sua grande maioria, para o uso de armas, táticas e estratégias militares, cujo propósito é a defesa contra uma invasão estrangeira?
  • Que ditadura consulta com as massas para a aplicação de medidas econômicas e sociais diversas, que inclui o referendo constitucional?
  • Que ditadura mobiliza massiva e sistematicamente as massas educadas e politizadas em praças públicas para apoio ao sistema? 
  • Que ditadura é capaz de mobilizar voluntariamente educadores e médicos na ordem de centenas de milhares, para enviar em solidariedade a outros países do mundo?
  • Que ditadura é capaz de mobilizar voluntariamente centenas de milhares de cidadãos comuns para a defesa armada de outros países que lutam por sua independência e peçam, como foi o caso no caso de Angola?
  • Em Cuba se eliminou todas as diferenças sociais legais e estruturais que poderiam dividir o povo, incluindo as raciais e de gênero. Por isso, nos perguntamos, que ditadura propicia a unidade do povo?
Leia também outras partes dessa entrevista:

Sistema eleitoral cubano:

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Por que a direita não ganha eleição em Cuba

Jovem cubana vota em referendo que aprovou a nova constituição de Cuba, em 2019 | Foto: UCI-Cuba

Por Hélio Doyle no Expresso 61

A oposição [direita] ao governo e ao socialismo em Cuba representa, aproximadamente, entre 20% e 25% dos eleitores. Não passa disso. É pouco, para os que acham que a maioria dos cubanos deseja derrubar o regime e voltar ao capitalismo. E, principalmente, que seja capaz de executar esse projeto.

O baixo índice de oposicionistas radicais não quer dizer que entre os 75% e 80% que querem manter o governo e o sistema não haja insatisfações, frustrações e críticas, algumas bem fortes — há, e muitas, mas são feitas nos marcos do sistema implantado em 1959 e não significam querer a sua derrubada. Como se diz em Cuba, o sistema tem de ser aperfeiçoado, não destruído.

Por ser pequena e espalhada em várias organizações com poucos membros e pouco enraizamento na sociedade, essa oposição antissocialista sabe que só conseguirá derrubar o governo cubano com a ajuda dos Estados Unidos. O plano não é original: sanções econômicas que provoquem uma situação de caos social que leve à repressão por forças policiais e militares e sirva como pretexto para uma intervenção “humanitária” de tropas estrangeiras.

Por isso, os oposicionistas radicais recebem ajuda financeira, material e ideológica do governo e de organizações estadunidenses, e de alguns países europeus, para se manter e provocar situações que criem instabilidade social e repercussão no exterior. E, em um país boqueado, atacado e hostilizado por uma potência estrangeira que assume declaradamente a intenção de derrubar seu governo, os oposicionistas alinhados a esse projeto são considerados inimigos, e não adversários.   

As eleições

Mas, como é possível avaliar esses percentuais se a oposição em Cuba não é institucionalizada, não há disputa entre partidos políticos e não se tem notícias de pesquisas de opinião? Resposta: analisando-se os resultados eleitorais. Sim, há eleições em Cuba, muito mais democráticas, em vários aspectos, do que as realizadas no Brasil e em outros países. É um sistema diferente do que a que estamos habituados, com defeitos também, mas que permitem avaliar com bastante precisão o apoio e a rejeição ao governo e ao sistema.

Para entender como é possível mensurar a oposição, é importante conhecer algumas características das eleições em Cuba, onde vigoram o parlamentarismo e o voto distrital, e não há partidos na disputa eleitoral — o Partido Comunista de Cuba, de acordo com o modelo leninista, tem papel dirigente da sociedade e não eleitoral.

Em resumo: 

— Os candidatos às eleições locais, para compor as assembleias municipais do Poder Popular, são escolhidos pelos moradores de cada área das circunscrições eleitorais dos 169 municípios, que se reúnem especialmente para isso. Todos os cidadãos residentes em cada área da circunscrição podem indicar candidatos ou serem indicados, sendo as candidaturas decididas pelo voto dos moradores. Os chamados delegados municipais são eleitos por maioria absoluta dos votos nas circunscrições eleitorais do município. Se nenhum consegue maioria absoluta, há um segundo turno uma semana depois.

— Os candidatos à Assembleia Nacional do Poder Popular (ANPP), com 605 deputados, são escolhidos pelos delegados municipais e pelas principais entidades da sociedade civil, entre as quais a Central dos Trabalhadores de Cuba, a Federação das Mulheres e as federações dos estudantes universitários e dos estudantes secundaristas. Metade dos candidatos à ANPP, em cada município, tem de ter sido eleita delegada municipal. O eleitor pode votar em todos os candidatos apresentados ou em um ou mais deles, deixando de votar em algum. O eleito tem de ter mais de 50% dos votos dos eleitores do município.

— A campanha eleitoral limita-se à apresentação do nome, foto e currículo do candidato em locais públicos, e nenhum candidato pode participar de uma reunião com eleitores sem a presença dos demais. O voto é secreto, sendo a cédula preenchida em cabines indevassáveis e colocado na urna, sendo a apuração feita no local de votação e aberta a quem quiser assistir.

Esse método explica porque a oposição não elege delegados municipais nem deputados nacionais. Para ser candidato a delegado municipal, o oposicionista teria de ser aprovado pela maioria dos moradores de sua área na circunscrição, o que nunca aconteceu, pois são minoritários. E para ser deputado nacional teria de já ter sido eleito delegado municipal ou indicado por uma das entidades nacionais de trabalhadores, estudantes, agricultores, mulheres e jovens, ou pelos Comitês de Defesa da Revolução em cada quadra — das quais os oposicionistas não participam, ou, quando participam, são minoritários.

sábado, 17 de julho de 2021

Democracia: Como funcionam as eleições em Cuba?

Eleição em Cuba seria mais democrática que nos EUA ou no Brasil | Arte: Laura Carvalho/Youtube

Por Sturt Silva 

A grande mídia e a direita brasileira vive chamando Cuba de "ditadura". Para justificar seus argumentos repetem o discurso dos EUA e ignora a participação política do povo cubano e as eleições no país socialista. 

Assista ao vídeo da historiadora Laura Sabino sobre as eleições em Cuba:


O vídeo foi feito durante a época das eleições nos EUA (2020). Recentemente Cuba aprovou uma nova constituição e fez algumas mudanças no seus sistema político e eleitoral. O processo foi o ato político mais popular dos últimos 40 anos e teve aprovação de quase 90% da população. Essas novas medidas ainda estão implantadas no momento.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Miguel Díaz-Canel é eleito novamente presidente de Cuba

Presidente de Cuba | Foto: Irene Pérez/Cuba Debate
Por Sturt Silva

A Assembleia Nacional do Poder Popular de Cuba (ANPP) elegeu, hoje (10), o deputado Miguel Díaz-Canel para presidir Cuba até 2023. Díaz-Canel que teve 579 votos, já governa o país desde abril de 2018, quando foi eleito Presidente dos Conselhos de Estado e Ministros, substituindo o Comandante da Revolução de 1959, Raúl Castro, no cargo desde 2006. 

A nova constituição do país, aprovada em dezembro de 2018 pela ANPP (parlamento) e referendada pelo povo em fevereiro de 2019, acabou com o cargo de presidente dos dois conselhos e criou os cargos de Presidente da República, a partir de hoje ocupado por Díaz-Canel, e de Primeiro-Ministro.


Na mesma seção também foram eleitos: Salvador Valdés Mesa como vice-presidente da República; Esteban Lazo Hernández como presidente da ANPP e de um novo Conselho de Estado; e Ana María Machado como vice-presidenta dos dois órgãos.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Díaz-Canel presidente de Cuba reflete a força da democracia socialista cubana

Novo presidente em evento sobre cultura digital, realizado ano passado| Foto: Radio Reloj

As contínuas pressões políticas e, acima de tudo, as operações de ‘intensidade limitada’ da CIA e do Departamento de Estado dos EUA, realizadas em quase todos os países da América Latina, estão deteriorando a situação política e a estabilidade de muitos países latino-americanos, de forma que a conjuntura política e a econômica do continente são cada vez mais complexas.

Durante a Cúpula das Américas (Cumbre das Américas), realizada em Lima, evidenciou-se que os Estados Unidos estão tentando desintegrar tudo o que os governos progressistas criaram nos últimos anos, das reformas sociais aos projetos de cooperação regional (Mercosul, Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e União de Nações Sul Americanas (Unasul).

Um contexto que, por analogia histórica, volta a propor a presença e o papel político de Cuba com a função de defensor extremo da soberania e da independência de todos os países latino-americanos. Por esta razão, a eleição de Miguel Diaz-Canel, como presidente da República de Cuba, foi de extrema importância por duas razões. A primeira, pelo processo revolucionário socialista e martíano - que o imperialismo norte-americano gostaria de extinguir - continuará promovendo a evolução econômica e a dinâmica política da Revolução iniciada em 1959. De fato, se trata de um processo revolucionário que, respeitando a lógica do socialismo, ampliou o conceito de democracia popular, vivendo todas as fases da evolução histórica, nas quais tem havido contínuos ensaios para melhor sistematizar o planejamento do bem público e dos elementos programáticos”.

A segunda, porque o governo, o Estado e o povo de Cuba começaram a viver a terceira fase de uma Revolução, que è única no tempo e cada vez mais moderna.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Miguel Díaz-Canel eleito novo presidente de Cuba

Días-Canel faz seu primeiro discurso como presidente eleito de Cuba | Foto: Irene Pérez/Cubadebate
Por Sturt Silva 

Miguel Díaz-Canel foi eleito nesta nesta quinta (19/04) presidente de Cuba. Ele recebeu 603 dos 604 votos possíveis na Assembleia Nacional do Poder Popular (parlamento), o equivalente a 99,83% do total.

Díaz-Canel foi eleito pela Assembleia, órgão legislativo cujos deputados, eleitos pela população, tomaram posse na quarta (18/04). A Assembleia é a responsável por eleger, por sua vez, o Conselho de Estado, o organismo que governa o país. O Conselho é formado por 31 deputados – e o presidente do órgão, eleito pela assembleia, se torna, também, presidente da nação. Além dele, fazem parte do conselho um primeiro-vice-presidente, mais cinco vices, um secretário e mais 23 deputados.

Veja o anúncio do resultado no parlamento cubano:


O novo presidente ocupava, até ontem, o cargo de primeiro-vice-presidente. Díaz-Canel substitui Raúl Castro que estava no comando do país desde 2006. No entanto, Castro continuará como secretário-geral do Partido Comunista de Cuba, cargo que ocupa desde 2011 e no qual deve ficar até 2021.

A eleição de Díaz-Canel acontece em um dia simbólico para o pais: neste 19 de abril marca o 57º aniversário da vitória na tentativa de invasão da baía dos Porcos, ocasião em que um grupo paramilitar treinado e armado pela CIA tentou invadir a ilha para derrubar Fidel Castro. 
Novo presidente em evento sobre cultura digital, realizado ano passado| Foto: Radio Reloj
Quem é o novo presidente de Cuba?

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Parlamento cubano toma posse e indica candidatura de Miguel Díaz-Canel à presidência de Cuba

Assembleia Nacional do Poder Popular, o parlamento cubano | Foto: Irene Pérez/Cuba Debate
Por Sturt Silva

A nova Assembleia Nacional do Poder Popular de Cuba (parlamento), eleita em março passado, tomou posse nesta quarta-feira (18). 

Logo em seguida foi apresentada as candidaturas para a mesa diretora da casa. O atual presidente, Esteban Lazo Hernández e a atual vice-presidente, Ana María Mari Machado, foram eleitos por unanimidade.

Veja no vídeo da TV Cubana:


Uma vez eleita, e constituída, a Mesa Diretora do parlamento, foram nomeadas as candidaturas para a presidência, primeira vice-presidência, 5 vice-presidências e demais altos cargos do Conselho de Estado, órgão ligado à Assembleia e que governa o país.

Díaz-Canel | Foto: AFP
Para presidente foi indicado como candidato Miguel Díaz-Canel, engenheiro eletrônico, de 57 anos. Atual vice-presidente do país, Díaz foi dirigente estudantil e secretário da União da Juventude Comunista (UJC) na província de Villa Clara. Na década de 90 comandou o Partido Comunista Cubano (PCC) em Villa Clara e Holguín. Nos anos 2000 se destacou como dirigente nacional sendo nomeado ministro da educação superior em 2009, vice-presidente do Conselho de Ministro (órgão executivo do país) em 2012 e eleito vice-presidente do Conselho de Estado em 2013.

Para vice-presidente foi indicado Salvador Valdés Mesa, engenheiro agrônomo, de 68 anos. Ex-ministro do trabalho, na década de 90, Valdés comandou o partido em Camagüey e presidiu a Central dos Trabalhadores Cubanos (CTC) entre os anos de 2006 e 2013.

Leia também:
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Cuba vai mudar, mas não deixará de ser socialista, afirmam revolucionários de 1959
Não existe transição em Cuba, só a continuação do socialismo, defende Cônsul de Cuba 

Para as outras cinco vice-presidências foram indicados Ramiro Valdés Menéndez, Roberto Tomas Morales Ojeda, Gladys María Bejerano Portela, Inés María Chapman e Beatriz Jhonson Urrutia.

terça-feira, 13 de março de 2018

Eleições em Cuba tiveram participação de mais 85% dos eleitores

Outdoor: "Por cuba - Eleições Gerais - 2017-2018: Genuína demostração de democracia" | Foto: Mariana Almeida
Por Sturt Silva

Em Cuba, aproximadamente de 7 milhões e 400 mil, que representam 85,6% dos habilitados a votar (segundo informações do Granma de 19 de março), foram às urnas no último domingo (12) para eleger os representantes que, em abril, irão escolher o novo presidente e os maiores cargos políticos do país. 

Foram eleitos 605 deputados do Parlamento e os 1.265 delegados das 15 Assembleias Provinciais do Poder Popular. O voto, livre, secreto e facultativo foi exercido em 24.470 colégios eleitorais.

Segundo Alina Balseiro, presidenta da Comissão Nacional Eleitoral (CEN), 94,4% foram de votos válidos e o restante distribuídos entre votos nulos (1,2%) e brancos (4,3%).


Composição democrática do novo parlamento

Dos 605 deputados eleitos 53% são mulheres, o que converte a Assembleia Nacional Cubana no segundo parlamento com mais mulheres. Também foram eleitos 13% de jovens e 40,6% de pessoas que tem menos de 50 anos. Na composição étnico-racial, 59,5% são brancos e 40,5% são negros e pardos.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Em Cuba quem decide sobre as coisas é o povo

Votação em Pinar del Río | Foto: Belkys Pérez Cruz 
Por Elaine Tavares no site do IELA

Aviso aos navegantes. Cuba é um país socialista, então não esperem os espetáculos pirotécnicos nas eleições gerais. Lá, quem manda não é o dinheiro, muito menos grupos de empresários ou multinacionais. Lá, quem manda é a população organizada e atuante. O sistema não se organiza como nas ditaduras capitalistas, nas quais existem vários partidos – muitos deles apenas legendas de aluguéis - que, na prática, são dominados por grupos de interesses. No Brasil, por exemplo, temos os fazendeiros, os pastores, os empresários, que conformam os núcleos mais poderosos dentro do Congresso Nacional e nos governos. A vontade popular se expressa apenas nas eleições e, no geral, manipulada pelo poder da propaganda. Ou seja: o partido que tem mais dinheiro é o que aparece mais sedutor na televisão, além de comprar descaradamente os votos.

Em Cuba é diferente. Lá, a população se organiza por bairro e o processo de poder é capilar. A participação não se dá apenas na eleição, ela é cotidiana e sistemática. Existem comitês de defesa da revolução por rua, existem movimentos de massa, existem as instâncias municipais, estaduais e nacionais, todas conduzidas pela vontade popular. Os representantes são escolhidos em assembleias de bairro e escolhidos pela sua ação na comunidade. Impensável alguém que não tem trabalho comunitário comprovado atuar como representante de alguma região.

Assim que as eleições gerais realizadas nesse domingo – que a mídia comercial tripudia chamando de “combinadas” – são eleições de referendo de decisões tomadas anteriormente, nos debates de bairros e municipais. Nesse sentido podemos dizer que são combinadas mesmo. A diferença é que a combinação não é feita numa sala fechada, visando os interesses de grupos bem específicos. É uma combinação que a população faz consigo mesma. A mídia comercial brasileira trata de ridicularizar porque se ela disser a verdade pode fazer com que as pessoas comecem a querer viver numa democracia como a cubana. Porque lá, quem mada são as gentes organizadas. O índice de presença nas urnas registrado nesse domingo foi de 68% [1].

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Como o presidente é eleito em Cuba?

E a combinação popular também já tem bastante claro que Cuba precisa avançar. A ilha ainda vive o bloqueio criminoso imposto pelos Estados Unidos, que impede o país de negociar com muitos parceiros, encarecendo assim a vida e provocando a escassez. Ainda assim Cuba vem resistindo bravamente por conta do compromisso do seu povo com a revolução.

Democracia socialista: confira como foram as eleições deste domingo em Cuba

Eleições eram para o parlamento nacional e para as assembleias provincianas | Foto UCI
Por Fania Rodrigues do Brasil de Fato

Os cubanos foram às urnas nesse domingo (11) para participarem das eleições para a Assembleia Nacional do Poder Popular e as Assembleias Provinciais. Mesmo o voto não sendo obrigatório, os centros eleitorais se mantiveram cheios em Havana desde às 7h.

O Brasil de Fato visitou alguns dos centros de votação para acompanhar o processo eleitoral e conversar com o eleitores cubanos. A dona de casa Mercedes Cabrera Rodriguez contou que saiu cedo de casa para exercer seu direito ao voto. “Nosso voto hoje é importante. Vamos escolher os dirigentes que terão a tarefa de melhorar todas as coisas boas que temos em Cuba, como o estudo gratuito, saúde pública, proteção social para os aposentados e muitas outras coisas”, disse.

Já o estudante Jonatas Ramirez Rey, 19 anos, espera que os legisladores gerem novas oportunidades para os jovens. “Esses deputados vão nos representar na Assembleia Nacional do Poder Popular. Esperamos que eles batalhem para gerar mais oportunidades de trabalho. No meu caso gostaria de poder me desenvolver melhor na carreira que estou estudando”, diz o estudante de engenharia aeronáutica

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Diferente de eleições em outras partes do mundo, em Cuba, os candidatos não podem fazer propaganda eleitoral. No centro de votação, um cartaz informa quais são os candidatos e a biografia de cada um deles. Dessa forma, as eleições cubanas se tornam muito discretas e para os turistas que visitam o país, quase imperceptíveis.

sábado, 10 de março de 2018

Cubanos vão às urnas neste domingo para escolher um novo parlamento; entenda o processo

Assembleia Nacional reunida em 2015 | Foto: Ismael Francisco/Cubadebate
Por Elaine Tavares no site do IELA

Mais oito milhões de cubanos estão aptos para votar nas eleições que acontecem no próximo domingo em Cuba. Serão escolhidos os deputados da Assembleia Nacional [parlamento] e também os delegados das Assembleias Provinciais de Poder Popular. Lá, o sistema de escolha dos representantes populares obedece a regras bem diferentes da democracia burguesa. O debate acontece nos bairros, rua por rua, e é a comunidade quem escolhe os candidatos que deverão depois concorrer, pelo voto direto, a um posto na assembleia provincial. Os requisitos para que alguém seja candidato estão vinculados a sua participação na comunidade. Há que ser atuante.

Como Cuba tem apenas um partido é bastante comum ouvir que lá é uma ditadura. Mas, isso nada mais é do que o completo desconhecimento do sistema de participação que vigora na ilha desde a revolução. Ao contrário do que acontece nos países de democracia formal burguesa, não é o poder financeiro quem comanda, tampouco é o partido quem apresenta os candidatos. Quem comanda tudo é a população. Lá, para representar a comunidade, a pessoa tem de ter um longo histórico de luta e de participação na vida política do bairro. Os candidatos são escolhidos em assembleias populares, diretas, organizadas pelas Comissões de Candidaturas, e só depois de decidido quem são os que representarão a comunidade é que os candidatos são lançados para a eleição geral. Essa, acontece coordenada pela Comissão Eleitoral Nacional.

Todo o processo de eleição, que começa lá na base, na comunidade, é acompanhado de perto pela população. No dia das eleições quem faz a vigilância das urnas são as crianças.

As Assembleias Provinciais do Poder Popular são renovadas a cada cinco anos e esse é o período de duração do mandato dos seus delegados. As pessoas eleitas não recebem salários milionários como acontece nos sistemas de democracia burguesa. Cada um segue recebendo o salário que recebe na sua profissão de origem, bem como segue trabalhando normalmente no seu setor. O cargo público é visto como um serviço à comunidade e não se presta a jogos econômicos e de poder. Um delegado eleito tem que prestar contas de sua gestão pelo menos duas vezes por ano, numa assembleia popular.

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A Assembleia Nacional do Poder Popular é unicameral e formada por 612 membros diretamente eleitos também por cinco anos. Para se considerar eleito o candidato deve ter mais de 50% dos votos válidos emitidos na circunscrição a qual representa. Se isto não acontece, a vaga fica aberta até que se realize nova eleição chamada especialmente pelo Conselho de Estado.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Como o presidente é eleito em Cuba?

A próxima eleição no país acontecerá no dia 11 de março de 2018; entenda o processo
Atualmente o mandato de presidente em Cuba é de 5 anos
Do Brasil de Fato

Em junho de 2017, o Conselho de Estado de Cuba anunciou, por meio de uma nota, a convocatória de eleições gerais para escolher os delegados das assembleias municipais, das assembleias provinciais e os deputados da Assembleia Nacional do Poder Popular.

A primeira etapa - da eleição para as Assembleias Municipais - aconteceu em outubro do mesmo ano. Já em março deste ano serão eleitos os representantes das assembleias provinciais e da Assembleia Nacional do Poder Popular (ANPP), órgão legislativo do país, responsável pela eleição do próximo presidente e do Conselho de Estado.

Em entrevista concedida ao jornal Granma, o presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais e Jurídicos da Assembleia Nacional do Poder Popular (ANPP) e professor titular da Universidade de Havana, José Luis Toledo Santander, explicou como as eleições devem acontecer no país e, consequentemente, como o presidente do país será eleito.

Confira a matéria completa:

Não é preciso procurar muito para encontrar a resposta. A Lei Eleitoral número 72, de 29 de outubro de 1992, é clara e a explicação do doutor José Luis Toledo Santander, presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais e Jurídicos da Assembleia Nacional do Poder Popular (ANPP) não permite rodeios: “o presidente do Conselho de Estado em Cuba é eleito em eleições de segundo grau, ou seja, os deputados, eleitos pelo povo, representando o povo, aprovam a candidatura e depois votam, de maneira direta e secreta, quem integrará o Conselho de Estado, isto é, o presidente, o primeiro vice-presidente, os demais vice-presidentes, o secretário e os demais membros do conselho”.

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Segundo Toledo Santander, às vezes escutamos algumas opiniões, nem sempre ditas com boas intenções, que questionam “se a eleição do presidente responde a uma expressão popular direta. No entanto, [essas pessoas] desconhecem que, para que alguém chegue a esse cargo em Cuba, é preciso passar por diferentes etapas eleitorais, nas quais o povo participa diretamente ou participam seus representantes eleitos”.

Durante a conversa com o Granma, o professor titular da Universidade de Havana diz que prefere diferenciar cada etapa, de tal modo que seja possível perceber o trajeto, iniciado, segundo a sua explicação, quando “o companheiro (ou companheira) é apresentado como pré-candidato a deputado à Assembleia Nacional durante as assembleias das organizações de massas”.