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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Jornalista pode ser preso por denunciar sanções contra Cuba

Câmera da TV na Praça da Revolução, em Havana | Foto: Cubadebate

Por Sturt Silva 

O coordenador do portal Cubainformación, José Manzaneda, e associação Euskadi-Cuba de solidariedade com Cuba, do País Basco, proprietária do site até 2020, serão julgados na Espanha, por um texto jornalístico. 

Cubainformación é um meio de comunicação com sede em Bilbau e especializado em temas sobre a realidade cubana. Condena as sanções dos EUA contra o país socialista e é solidário à Revolução Cubana. 

A publicação que virou alvo de ação judicial é "Criar uma crise sanitária em Cuba: o objetivo da guerra contra sua cooperação médica", que pode ser lido aqui (procure a versão em português). 

No blog Solidários a Cuba já traduzimos vários artigos e alguns vídeos de Cubainformación.

Assista o vídeo abaixo sobre o caso:

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Revolução socialista cubana resiste aos bilhões dos EUA

Cubana participa de manifestação com quadro de Fidel Castro | Foto: Lysi Suarez

Por Sturt Silva 

Em entrevista exclusiva ao blog Solidários a Cuba, o Cônsul Geral de Cuba no Brasil, Pedro Monzón, aborda quais armas o povo e o governo revolucionário de Cuba têm para se defender dos ataques dos EUA, que no caso desta entrevista foram abordados os midiáticos. 

Confira:

É na internet e nas plataformas digitais que cada vez mais as pessoas se informam e se comunicam. Também é neste campo que os EUA e as Direitas agem contra Cuba revolucionária. Quais planos o governo e os revolucionários cubanos têm para enfrentar essa batalha cultural e ideológica?

Resposta: Para enfrentar essa batalha cultural e ideológica temos muitos recursos, que outro país não tem. Os mais importantes são:

  • Um povo e, particularmente, uma juventude com alto nível educacional, cultural e político.
  • Os meios de comunicação nacional por TV e imprensa são do Estado Cubano e não permitem a difusão de noticias falsas ou manipuladoras.
  • As escolas são do Estado cubano e oferecem uma educação integral e patriótica.
  • Existem múltiplas organizações políticas e de massas nas quais estão inclusos quase todo o povo e respaldam à Revolução. 
  • O governo tem uma ampla comunicação com o povo. Não há separação entre o governo e o povo. A revolução é o povo, por isso resistimos.
  • No terreno das redes sociais avançamos muito. Numerosas publicações revolucionárias cubanas já estão nas redes e se multiplicaram os youtubers cubanos revolucionários, tanto em Cuba como em outros países.
  • O povo está informado e alertado sobre a enxurrada de fakes news grosseiras sobre Cuba que são publicadas nas redes.
  • Cada vez com mais rapidez nossos órgãos de comunicação e organizações desmentem publicamente as fakes news, que abundam.
  • Existe uma resolução cubana que condena a publicação em Cuba de fake news por qualquer cidadão. As noticias falsas, entram ao país principalmente através do estrangeiro pelas redes.
  • E o mais importante a maioria do povo de Cuba apoia à Revolução devido ao que implica no terreno da justiça social e por sua ideologia política. 
  • De todas as maneiras há que estar alertas porque a ofensiva é imensa e continua.
Leia também outras partes dessa entrevista:
Cinco anos depois do golpe contra Dilma: como está a relação entre Cuba e Brasil?

2. Uma vez li em uma entrevista que o dinheiro que o governo dos EUA destina em relação a Cuba no campo midiático é maior que todo orçamento em Cuba para o setor de Comunicação. Isso é verdade? Pode falar um pouco sobre isso?

Eleições em Cuba: sem dinheiro e sem partidos políticos

Mural em referência aos Comitês de Defesa da Revolução | Foto: Gerardo Nordelo 

Por Sturt Silva 

Em entrevista exclusiva ao blog Solidários a Cuba, o Cônsul Geral de Cuba no Brasil, Pedro Monzón, nos contou um pouco mais sobre o regime político da ilha socialista. Segundo ele a democracia socialista é diferente de outras democracias capitalistas. Ele também afirmou que as eleições, em seu país, são livres, que o Partido Comunista (único) não interfere e nem as controla. O processo de escolha dos representantes em Cuba é feito pelo povo, nos bairros, através das organizações sociais onde cerca de 80% da população participa. Por fim ele fala sobre as próximas eleições e sobre a imprensa cubana.

Confira: 

Muitas vezes escutamos que Cuba não é democrática. Pode falar sobre isso?

Resposta: O conceito de democracia tem diferentes significados. 

A mais conhecida se deriva da concepção predominante em países capitalistas do Ocidente cujo defeito principal (segundo nossa convicção) é que não se baseia realmente na participação do povo no governo e o destino das nações. Por tanto é um contra sentido, os feitos não se correspondem com a retórica. 

Na democracia capitalista o verdadeiro governo é exercido por oligarquias poderosas economicamente que determinam:

  • A persistência de um sistema que polariza a riqueza e os benefícios sociais de todo tipo. Poucos têm muito e a maioria tem pouco. 
  • O resultado das eleições depende do dinheiro, não das posições políticas declaradas dos candidatos partidários, apesar da existência de múltiplos partidos. A final, os ganhadores têm que satisfazer as necessidades de quem contribuem com o dinheiro e têm o poder. O multipartidarismo não é garantia de democracia. Isso não quer dizer que nós pensamos que em outros países devem estabelecer-se sistemas monopartidários. Cada país tem que buscar soluções próprias que garantam uma democracia participativa legítima.
  • As oligarquias mantem o controle do Estado em seu conjunto e das forças repressivas, segundo seus interesses. 
  • Também controlam as políticas editoriais dos meios fundamentais de comunicação, por tanto não há verdadeira liberdade de imprensa.
  • Em muitos destes países o nível de educação cultural e político da população é muito pobre, é baixo, por tanto o povo não pode exercer um verdadeiro governo. Não tem acesso à política, nem sabe como fazê-lo.

Em Cuba socialista é muito diferente:

  • Desde o inicio da Revolução se deu participação ao povo em tudo. A nossa democracia é uma democracia verdadeiramente participativa.
  • Qual ditadura dá ao povo a arma da educação generalizada e gratuita, de igual forma sua formação cultural e política? Estas armas são a garantia mais importante da democracia. Um povo educado é crítico, tem consciência do que passa ao seu redor, não se deixa manipular.
  • Que ditadura treina os cidadãos, em sua grande maioria, para o uso de armas, táticas e estratégias militares, cujo propósito é a defesa contra uma invasão estrangeira?
  • Que ditadura consulta com as massas para a aplicação de medidas econômicas e sociais diversas, que inclui o referendo constitucional?
  • Que ditadura mobiliza massiva e sistematicamente as massas educadas e politizadas em praças públicas para apoio ao sistema? 
  • Que ditadura é capaz de mobilizar voluntariamente educadores e médicos na ordem de centenas de milhares, para enviar em solidariedade a outros países do mundo?
  • Que ditadura é capaz de mobilizar voluntariamente centenas de milhares de cidadãos comuns para a defesa armada de outros países que lutam por sua independência e peçam, como foi o caso no caso de Angola?
  • Em Cuba se eliminou todas as diferenças sociais legais e estruturais que poderiam dividir o povo, incluindo as raciais e de gênero. Por isso, nos perguntamos, que ditadura propicia a unidade do povo?
Leia também outras partes dessa entrevista:

Sistema eleitoral cubano:

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Conheça a Rádio Rebelde, emissora criada por Che e Fidel contra ditadura de Batista


A Rádio Rebelde foi fundada em 1958 | Arte: Brasil de Fato

Por Beatriz Pasqualino no Brasil de Fato

¡Aquí Radio Rebelde, desde el território libre de Cuba! 

Com essa chamada radiofônica, amplamente conhecida pelo povo cubano ainda nos dias atuais especialmente na voz da locutora Violeta Casal, a Rádio Rebelde transmitiu clandestinamente a ação guerrilheira [1] comandada por Fidel Castro direto da Sierra Maestra contra a ditadura de Fulgêncio Batista, iniciada em 1952. As emissões clandestinas, realizadas de 24 de fevereiro de 1958 a 1º de janeiro de 1959, eram feitas diariamente em dois horários à noite nas bandas de 20 e 40 metros.

Naquela época e ainda mais hoje, 58 anos após tal feito, fica claro o relevante papel desempenhado pela emissora com vistas ao triunfo da Revolução. Se os meios de comunicação legalizados em Cuba estavam a serviço e/ou sob controle da ditadura de Batista, na Sierra Maestra - desde 1956 - os rebeldes providenciaram sua rede de informações e comunicações voltadas aos próprios guerrilheiros e ao povo cubano. Uma dessas ferramentas (na verdade, praticamente uma arma) foi a Rádio Rebelde.

A ideia da utilização da rádio pelo Exército Rebelde foi de Ernesto Che Guevara, que também comandou o traslado dos equipamentos e a instalação da emissora.

Para saber mais sobre a história da Rádio Rebelde, ouça o radiodocumentário "A Radio Rebelde como arma de guerrilha do Exército Rebelde", produzido pela jornalista Beatriz Pasqualino como material complementar à dissertação defendida no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Unicamp, sob orientação do professor Marcelo Ridenti.

sábado, 10 de outubro de 2015

Cuba: "para entender o país, só conhecendo", afirma jornalista cubano


Por Pedro Neves da Agência Jovem de Notícias

Alcides Carrazana, um cubano que está no Brasil junto à (ALBA) Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América, veio na Viração bater um papo sobre Cuba e Educomunicação. Alcides é jornalista e professor de Teorias da Comunicação em seu país. Conversamos sobre estigmas da comunicação, tecnologia em Cuba, as reaberturas do país com os Estados Unidos, sobre o governo cubano e liberdade de imprensa.

Ele está no Brasil há três meses e pretende ficar até novembro do ano que vem. Alcides faz parte da comunicação da ALBA, uma plataforma de cooperação internacional baseada na ideia da integração social, política e econômica entre os países da América Latina e do Caribe.

Confira nossa conversa:

AJN: Como professor de Teorias da Comunicação, como definir essa palavra?

Alcides, por Joka Madruga/Terra Sem Malas
Alcides: A comunicação é um conceito que se define pela prática, não pela teoria. As teorias são muito baseadas na Europa e Estados Unidos, levamos esses conceitos como os certos e aí surgem variáveis, como a Educomunicação, comunicação popular, comunicação educativa. Tais conceitos se diferem nas teorias, porém, na prática, a essência é a mesma. Uma comunicação contra os princípios mais hegemônicos, conservadores e tradicionais. São essas novas vertentes que vem para mostrar que as teorias tão consagradas são, na verdade, fruto de uma comunicação popular.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A democracia socialista no centro do debate em Cuba

Praça da Revolução em Havana Foto: Portal Vermelho
Por Hideyo Saito na Carta Maior

A mobilização atual da sociedade cubana é um esforço declarado, pelo menos de parte da intelectualidade e de dirigentes políticos, pelo aprofundamento da democracia e do socialismo no país em favor de uma maior participação popular nas decisões. Esse clima se reflete também na imprensa, acusada nos debates populares de omitir assuntos considerados inconvenientes e de não retratar adequadamente a realidade do país.

Mas, se é verdade que a mídia cubana deixa a desejar na cobertura das grandes questões nacionais, é igualmente verdade que ela tem sido sensível às críticas da sociedade. 

O que escondem as autoridades e dirigentes de empresas cubanas, empenhados em dificultar o trabalho de jornalistas e fotógrafos que tratam de oferecer informação pública à população?

Como fazer do direito à informação, uma realidade cotidiana em Cuba?

Essas perguntas foram feitas em matéria de destaque publicada no jornal Granma, porta-voz do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, na edição de 23 de novembro de 2009. No texto, assinado pela jornalista Katia Siberia García e intitulado Jornalismo com fobias, são citados exemplos de autoridades que dificultam o acesso à informação por parte da imprensa. De acordo com Katia García, geralmente esses dirigentes exigem que o repórter mostre autorização escrita dos escalões superiores para aceitarem responder a seus questionamentos.

Outro artigo, este de 29 de agosto de 2009, assinado pelo colunista do Juventud Rebelde, José Alejandro Rodríguez, denunciou a “obsessão doentia” de autoridades de diversos escalões em não fornecer informações negativas para pretensamente cuidar da imagem do país, do ministério, da empresa ou da província. Todas se escudam em desculpas de que as críticas depreciam as conquistas da revolução. O jornalista, porém, atribui essa concepção a “oportunistas e indolentes”, argumentando que “as sociedades também necessitam de espelhos para se olhar e perceber suas rugas, que são reversíveis, ao contrário das que marcam os rostos humanos.” Nesse sentido, escreve ele, o pior desserviço à revolução “é o silêncio, a simulação, a dupla moral, o conformismo, a complacência diante dos problemas que se armam sob os nossos olhos”.

Rodríguez lembra que houve muita resistência em aceitar a ideia que a corrupção estivesse incubada na sociedade cubana, mas graças aos que insistiram em denunciar o assunto, o país acabou criando em meados de 2009 uma Controladoria Geral para cuidar especificamente do assunto. O jornalista, por fim, adverte: o socialismo europeu desapareceu porque permitiu que prevalecesse essa atitude de avestruz diante dos problemas que se avolumavam.

Um terceiro jornalista cubano, Manuel David Orrio, concentrou sua crítica no funcionamento da própria imprensa, ao comentar uma nota publicada na BBC Mundo sobre um filme cubano que aborda o assunto de forma contundente. Trata-se do curta-metragem Brainstorm, de Eduardo del Llano, exibido em abril de 2009 no Festival de Cinema Pobre, realizado anualmente na cidade de Gibara (a quase 800 km de Havana). A película mostra o conselho de direção de um jornal discutindo qual será a manchete do dia, até que a conversa é encerrada por uma chamada telefônica ao diretor, em que alguém de fora determina a escolha. O correspondente da BBC, Fernando Ravsberg, escreve que a sátira de Llano não é nada exagerada: na vida real, ninguém se atreve a publicar uma notícia politicamente importante sem que haja um claro sinal de cima.

O diretor da película é um jovem realizador, autor de vários filmes polêmicos, alguns exibidos em festivais cubanos com bastante sucesso, mas nenhum ainda apresentado em circuito regular de cinema. Sobre o tema de Brainstorm, ele declara: “O jornalismo cubano muitas vezes está de costas para a realidade ou a enfeita demais. Não é um jornalismo combativo como o que queremos. Não queremos algo meramente informativo e didático”. 

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Há autocrítica em Cuba?

Primeira Página do jornal Juventude Rebelde em 23 de agosto | Foto: Juventud Rebelde

Por Robson Ceron 

O Jornal Juventude Rebelde, editado pela juventude do Partido Comunista de Cuba, publicou no último dia 29 de agosto um texto crítico sobre o processo político cubano. 

Assinado pelo colunista José Alejandro Rodríguez, o artigo denunciou "a obsessão doentia" de funcionários e responsáveis que censuram a informação e impedem a análise dos problemas sob o pretexto de "proteger a imagem do país".

"A obsessão doentia de proteger a imagem de Cuba, de um ministério ou de uma empresa" é "mais frequente do que a preocupação perante as dificuldades reais", afirma a publicação. 

O socialismo europeu desapareceu porque perdeu de vista o que se passava na realidade. Esta lição não deve ser esquecida", concluiu o cubano. 

Para ler o texto clique aqui

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Cuba: o jornalismo e a comunicação

Che Guevara - fundador da Rádio Rebelde de Cuba | Foto: Rádio Rebelde

Por Elaine Tavares

Dezembro de 1956. A pequena ilha de Cuba fervilhava diante da possibilidade de uma mudança radical. A ditadura de Fulgêncio Batista recrudescia, como é comum aos regimes que estão morrendo. 

No começo do mês, um pequeno grupo de homens iniciou uma caminhada que só teria fim com o triunfo da revolução. Apesar da chegada trágica, com o barco encalhando e muitas vidas se perdendo, 22 dos 82 que vieram do México conseguiram montar um foco guerrilheiro ao pé da Sierra Maestra. Junto com eles estava o argentino Che Guevara que, em muito pouco tempo na selva, tratou de inventar um jeito de divulgar notícias que fizessem o contraponto à mídia cortesã. Ele sabia que perdendo a guerra informativa, perdia tudo. Assim, no meio da floresta criou a primeira célula da imprensa rebelde com um velho mimeógrafo no qual imprimia manifestos e até um jornal.

Logo o argentino conheceu o sistema cubano responsável pela transmissão de informações do MR-26, movimento do qual saíra Fidel: a rádio bemba, espécie de boca-a-boca, eficiente e eficaz, que percorria toda a região rural da ilha. Então teve a idéia de criar, desde a sierra insurgente, uma rádio de verdade, a Rádio Rebelde