sábado, 7 de novembro de 2009

A ANEXAÇÃO DA COLOMBIA AOS ESTADOS UNIDOS - Reflexões do companheiro Fidel.


A ANEXAÇÃO DA COLOMBIA AOS ESTADOS UNIDOS

Qualquer pessoa medianamente informada compreende de imediato que o adoçado “Acordo Complementar para a Cooperação e a Assistência Técnica em Defesa e Segurança entre os governos da Colômbia e dos Estados Unidos”, assinado em 30 de outubro e publicado na tarde do dia 2 de novembro equivale a anexação da Colômbia aos Estados Unidos.

O acordo põe em dificuldades a teóricos e políticos. Não é honesto guardar silêncio agora e falar depois sobre soberania, democracia, direitos humanos, liberdade de opinião e outras delicias, quando um país é devorado pelo império com a mesma facilidade com que um lagarto captura uma mosca. Trata-se do povo colombiano, abnegado, trabalhador e lutador. Procurei no longo calhamaço uma justificação digerível e não encontrei razão alguma.

Nas 48 páginas de 21 linhas, cinco são dedicadas a filosofar sobre os antecedentes da vergonhosa absorção que torna a Colômbia em território de ultramar. Todas se baseiam nos acordos assinados com os Estados Unidos após o assassinato do prestigioso líder progressista Jorge Eliécer Gaitán no dia 9 de abril de 1948 e a criação da Organização de Estados Americanos em 30 de abril de 1948, discutida pelos Chanceleres do hemisfério, reunidos em Bogotá sob a batuta dos Estados Unidos nos dias trágicos em que a oligarquia colombiana truncou a vida daquele dirigente e desatou a luta armada nesse país.

O Acordo de Assistência Militar entre a República da Colômbia e os Estados Unidos, no mês de abril de 1952; o vinculado à “uma Missão do Exército, uma Missão Naval e uma Missão Aérea das Forças Militares dos Estados Unidos”, assinado no dia 7 de outubro de 1974; a Convenção das Nações Unidas contra o Tráfico Ilícito de Entorpecentes e Substâncias Psicotrópicas, de 1988; a Convenção das Nações Unidas contra a Criminalidade Organizada Multinacional, de 2000; a Resolução 1373 do Conselho de Segurança de 2001 e a Carta Democrática Interamericana; a de Política de Defesa e Segurança Democrática, e outras que são invocadas no referido documento. Nenhuma justifica transformar um país de 1 141 748 quilômetros quadrados, situado no coração da América do Sul, em uma base militar dos Estados Unidos. A Colômbia tem 1,6 vezes o território de Texas, segundo Estado da União em extensão territorial, arrebatado ao México, e que mais tarde serviu de base para conquistar a sangue e fogo mais da metade desse irmão país.

Por outro lado, transcorreram já 59 anos desde que soldados colombianos foram enviados até a longínqua Ásia para combaterem junto às tropas ianques contra chineses e coreanos no outubro de 1950. O que o império tenta agora é enviá-los a lutar contra seus irmãos venezuelanos, equatorianos e outros povos bolivarianos e da ALBA para destruir a Revolução Venezuelana, como tentaram fazer com a Revolução Cubana no mês de abril de 1961.

Durante mais de um ano e meio, antes da invasão, o governo ianque promoveu, armou e utilizou os bandos contra-revolucionários do Escambray, como hoje utiliza os paramilitares colombianos contra a Venezuela.

Quando o ataque de Bahia dos Porcos, os B-26 ianques tripulados por mercenários que operaram desde a Nicarágua, seus aviões de combate eram transportados para a zona das operações num porta-aviões e os invasores de origem cubana que desembarcaram naquele ponto vinham escoltados por navios de guerra e pela infantaria de marinha dos Estados Unidos. Hoje seus meios de guerra e suas tropas estarão na Colômbia não apenas como uma ameaça para a Venezuela senão para todos os Estados da América Central e da América do Sul.

É verdadeiramente cínico proclamar que o infame acordo é uma necessidade de combate ao tráfico de drogas e ao terrorismo internacional. Cuba tem demonstrado que não é preciso a presença de tropas estrangeiras para evitar a cultura e o tráfico de drogas e para manter a ordem interna, apesar de que os Estados Unidos, a potência mais poderosa da terra, promoveu, financiou e armou durante dezenas de anos as ações terroristas contra a Revolução Cubana.

A paz interna é uma prerrogativa elementar de cada Estado; a presença de tropas ianques em qualquer país da América Latina visando esse objetivo é uma descarada intervenção estrangeira em seus assuntos internos, que inevitavelmente provocará a rejeição de sua população.

A leitura do documento demonstra que não apenas as bases aéreas colombianas são postas nas mãos dos ianques, mas também os aeroportos civis e no fim das contas, qualquer instalação útil a suas forças armadas. O espaço radioelétrico fica também à disposição desse país portador doutra cultura e de outros interesses que não têm nada a ver com os da população colombiana.

As Forças Armadas norte-americanas gozarão de prerrogativas excepcionais.

Em qualquer parte de Colômbia os ocupantes podem cometer crimes contra as famílias, os bens e as leis colombianas, sem ter que responder perante as autoridades do país; a não poucos lugares levaram os escândalos e as doenças, como o fizeram com a base militar de Palmerola, nas Honduras. Em Cuba, quando visitavam a neocolônia, sentaram-se escarranchados sobre o colo da estátua de José Martí no Parque Central da capital. A limitação vinculada ao número total de soldados pode ser alterada a pedido dos Estados Unidos, sem restrição alguma. Os porta-aviões e navios de guerra que visitem as bases navais concedidas terão quantos tripulantes precisarem, e podem ser milhares em um só de seus grandes porta-aviões.

O Acordo será prorrogado por períodos sucessivos de 10 anos e ninguém pode alterá-lo senão no fim de cada período, comunicando-o com um ano de antecedência. O que farão os Estados Unidos se um governo como o de Johnson, Nixon, Reagan, Bush pai ou Bush filho e outros semelhantes recebesse a solicitação de abandonar Colômbia? Os ianques foram capazes de derrocar dezenas de governos em nosso hemisfério. Quanto duraria um governo na Colômbia se anunciasse tais propósitos?

Os políticos da América Latina têm agora perante si um delicado problema: o dever elementar de explicar seus pontos de vista sobre o documento de anexação. Compreendo que o que acontece neste instante decisivo das Honduras ocupe a atenção dos meios de divulgação e dos Ministros das relações Exteriores deste hemisfério, mas o gravíssimo e transcendente problema que acontece na Colômbia não pode passar inadvertido para os governos latino-americanos.

Não tenho a menor dúvida sobre a reação dos povos; sentirão o punhal que se crava no mais profundo de seus sentimentos, especialmente no profundo da Colômbia: eles opor-se-ão, jamais se resignarão a essa infâmia!

O mundo encara hoje graves e urgentes problemas. A mudança climática ameaça a toda a humanidade. Líderes da Europa quase imploram de joelhos algum acordo em Copenhague que evite a catástrofe. Apresentam como realidade que na Cúpula não se alcançará o objetivo de um convênio que reduza drasticamente a emissão de gases estufa. Prometem continuar a luta por consegui-lo antes de 2012; existe o risco real de que não se possa conseguir antes que seja demasiado tarde.

Os países do Terceiro Mundo reclamam com razão dos mais desenvolvidos e ricos centenas de milhares de milhões de dólares anuais para custear as despesas da batalha climática.

Tem algum sentido que o governo dos Estados Unidos dedique tempo e dinheiro na construção de bases militares na Colômbia para impor aos nossos povos sua odiosa tirania? Por esse caminho, se um desastre ameaça o mundo, um desastre maior e mais rápido ameaça o império e tudo seria resultado do mesmo sistema de exploração e saqueio do planeta.


Fidel Castro Ruz

6 de novembro de 2009

10h39

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A direita solapa Obama - Honduras, o acordo está rompido


06/11/2009

E o acordo está rompido

Exatamente uma semana depois de sua assinatura, Manuel Zelaya declarou hoje fracassado o acordo assinado na sexta-feira passada com o governo interino para viabilizar a sua restituição e avisou que não reconhecerá as eleições nacionais do dia 29, faltando apenas três semanas.

O rompimento foi anunciado no começo da madrugada de hoje em Honduras (4h a menos do que Brasília), depois de terminado o prazo para a formação de um governo de unidade e reconciliação. Um novo gabinete chegou a ser anunciado unilateralmente por Roberto Micheletti em cadeia nacional de rádio e TV, mas sem nenhum reconhecimento pelo outro lado.

O fracasso é consequência de um texto ambíguo, que dava a margem a vários tipos de interpretação, principalmente com relação à forma como seria instalado o governo de unidade.

E o que parecia o maior êxito diplomático do governo Barack Obama na região está se transformando num grande fracasso. O acordo, lembre-se, foi intermediado por uma missão liderada por Thomas Shannon, o chefe diplomático dos EUA para a América Latina. E a Comissão de Verificação teve a presença da secretária de Trabalho, Hilda Solis, que aliás deixou Tegucigalpa antes do prazo final para a conformação do tal governo.

Ao mesmo tempo em que a comunidade internacional fracassa sucessivas vezes para mediar o acordo (Costa Rica, OEA e agora EUA), internamente o impasse está aumentando bastante a tensão política, com o registro de três atentados a bomba nos últimos dias. E Honduras ainda terá de suportar a chegada da tormenta tropical Ida.

Com a palavra, o Departamento de Estado.

FONTE: Da embaixada - blog da folha de são paulo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

RELAÇÕES COMERCIAIS BRASIL - CUBA

Cuba e Brasil buscam ampliar colaboração econômica e comercial.

Havana 5 nov (Prensa Latina) Autoridades de Cuba e do Brasil realizarão hoje a primeira reunião do grupo de trabalho para assuntos econômicos e comerciais, com o objetivo de ampliar a cooperação nesses setores.

Será uma oportunidade para examinar o ponto em que nos encontramos e traçar novas metas para o futuro, afirmou o ministro cubano de Comércio Exterior e Investimentos Estrangeiros, Rodrigo Malmierca.

Durante a inauguração do Pavilhão do Brasil no contexto da 27ª edição da Feira Internacional de Havana que se efetua na ExpoCuba, Malmierca explicou que ambas as nações trabalharão juntas na zona de desenvolvimento integral da localidade do Mariel, nas proximidades da capital, que se converterá na obra insígnia de nossas relações.

Pontualizou que o projeto inclui a ampliação do porto de Mariel, construção e reparo de ferroviárias e estradas para facilitar um melhor acesso e a criação de uma zona de atividades logísticas e entre outros objetivos estratégicos.

O setor turístico -agregou- será beneficiado com a aquisição de equipamento para remodelar hotéis e ampliar a gama de serviços, além de que se avança em outros planos que abarcam a indústria básica, agricultura e as áreas de biotecnologia e farmacêutica.

De acordo com dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, no período janeiro-setembro 2009, a cesta de exportação do país sul-americano para a maior das Antillas foi de 61,8 por cento de bens industrializados e 38,2 por cento de produtos básicos.

A importação é concentrada em poucos produtos, sobretudo extratos biológicos para uso medicinal (72,9 por cento do total) e cimento Portland (23,5 ), informa um relatório entregue à Prensa Latina.

Até setembro do ano em curso, 364 empresas brasileiras efetuaram vendas para Cuba e 15 compraram de entidades da ilha caribenha, indica o documento.

lac/joe/bj

Fonte: PRENSA LATINA

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

REFLEXÕES DO COMPANHEIRO FIDEL


A MELHOR HOMENAGEM À MÃE DE UM HERÓI

Ontem faleceu Carmen Nordelo Tejera, a abnegada mãe do Herói da República de Cuba Gerardo Hernández Nordelo, injustamente sancionado a duas prisões perpétuas e 15 anos de cárcere.


O insólito é que faz apenas 12 dias a justiça ianque pôs em liberdade a Santiago Álvarez Fernández-Magriñá, a quem lhe foram ocupadas armas de guerra, explosivos e outros meios destinados aos planos terroristas contra o nosso povo.

Tratava-se de armas ocupadas a esse agente da CIA, quem ao serviço do governo dos Estados Unidos da América dedicou grande parte da sua vida ao terrorismo contra Cuba.

Valeria a pena que os assessores de Barack Obama, que tanto difundem os seus discursos pela televisão, solicitaram e lhe mostraram cópia do vídeo da Mesa- Redonda de Cubavisión onde se tratou a ridícula sanção de quatro anos num cárcere de mínima segurança aplicada a Santiago Álvarez, pelas armas ocupadas, e o pior foi que lhe diminuíram a condena, após entregar à Procuradoria norte-americana outro grupo de armas maior que o anterior . O sujeito, aliás, enviou um grupo que se infiltrou em Cuba, ao qual entre outras acções, encomendou fazer estalar uma carga explosiva no Cabaré Tropicana, sempre cheio de espectadores. Existe prova documental irrebatível dessa instrução.

Ao outro terrorista de origem cubana, Roberto Ferro, aliado à máfia terrorista de Posada Carriles e Santiago Álvarez, em Julho de 1991 lhe foram ocupadas 300 armas de fogo, detonadores e explosivos plásticos. Foi sancionado a dois anos. Em Abril de 2006 lhe foram ocupadas, em compartimentos ocultos da sua casa, 1 571 armas e granadas de mão.


Recebeu uma sanção de cinco anos.

Nunca será suficiente o que se diga sobre o cinismo da política dos Estados Unidos da América, que inclui Cuba na lista de países terroristas, aplica a Lei assassina de Ajuste Cubano com carácter exclusivo a nossa nação, e a bloqueia economicamente, proibindo inclusive a venda de equipamentos médicos e medicamentos.


Ontem, a Mesa-Redonda da nossa televisão, ao mesmo tempo que enumerava os crimes de Santiago Álvarez, exibia programas de televisão de Miami onde um conotado agente dos Estados Unidos da América, António Veciana, narrava os planos com explosivos e balas para o assassinato de líderes cubanos, nomeadamente Camilo e o Che, que estavam comigo num nutrido acto de centenas de milhares de pessoas na frente do antigo Palácio Presidencial, ou o meu assassinato numa entrevista de imprensa em Chile quando visitei o presidente Salvador Allende. No fim das contas, como confessa o mercenário, na altura da acção os assassinos ao serviço da CIA ficaram amedrontados em ambos os casos. Tratava-se apenas de dois dos tantos planos magnicidas do governo desse país.


Tais horríveis acções podem ser recordadas com sangue frio, salvo se, como neste caso, a narração coincide com a notícia da morte, após uma longa doença, de uma mãe honesta e valente como Carmen Nordelo Tejera, cujo filho tem sido injustamente condenado a duas prisões perpétuas e 15 anos de cárcere isolado e cruel e numa prisão de alta segurança. Que dor mais dura podia existir para ela que a injusta prisão perpétua do seu filho por delitos que nunca cometeu?


Não é possível colocar sobre o seu féretro uma flor sem denunciar, mais uma vez, o repugnante cinismo do império.

Junta-se a isto outra notícia atroz escutada essa mesma tarde: a assinatura oficial do acordo em virtude do qual os Estados Unidos da América impõe sete bases militares no coração da Nossa América, com as que ameaça não apenas a Venezuela, mas também a todos os povos do Centro e do Sul do nosso hemisfério. Não se trata de um acto do governo de Bush; é Barack Obama quem subscreve esse acordo, violando normas legais, constitucionais e éticas, quando ainda os frutos da funesta base militar ianque de Palmerola, em Honduras, são exibidos perante o mundo. O golpe militar nesse país centro-americano foi levado a cabo sob a actual administração.


Nunca se tratou com maior desprezo os povos latino-americanos deste hemisfério.

Um país como Cuba conhece muito bem que depois que os Estados Unidos de América impõe uma das suas bases militares, vai embora caso o desejar, ou permanece pela força como já o fez com Guantánamo há mais de cem anos. Ali erigiu o odioso centro de torturas cujas masmorras, com numerosos presos, o nosso flamante Prémio Nobel ainda não tem podido eliminar. A devolução de Manta em Equador foi seguida de imediato pela oficialização das sete bases militares impostas ao povo da Colômbia. Como pretexto foi utilizada a luta contra o comércio de drogas que, como o terrível flagelo do paramilitarismo, surgiu do gigantesco mercado norte-americano de cocaína e outras drogas. As bases militares ianques na América Latina surgiram muito antes do que as drogas, com fins intervencionistas.

Cuba demonstrou durante meio século que é possível lutar e resistir. Está errado o Presidente dos Estados Unidos, e estão errados os seus assessores, se continuam o seu caminho sórdido e depreciativo com os povos da América Latina. Os nossos sentimentos, sem nenhuma hesitação , estão inclinados para o povo bolivariano de Venezuela, para o seu presidente Hugo Chávez e para o seu Ministro das Relações Exteriores, denunciando o pacto militar infame imposto ao povo colombiano, cujas cláusulas expansionistas os seus autores não tem tido sequer o valor de publicar.

Cuba continuará cooperando com os programas de saúde, educação e o desenvolvimento social dos países irmãos que, apesar de obstáculos, avanços e retrocessos serão cada vez más irredutivelmente livres.


Como afirmou Lincoln: “… não se pode enganar todo o povo todo o tempo.”

Não apenas colocaremos flores sobre o túmulo de Carmen Nordelo. ¡Prosseguiremos a luta sem descanso pela liberdade de Gerardo, António, Fernando, Ramón e René, desmascarando a infinita hipocrisia e o cinismo do império, defendendo a verdade!


Só deste modo honraremos a memória da legião de mães e mulheres como ela, que em Cuba tem sacrificado o melhor e mais prezado da sua vida pela Revolução e o Socialismo.


Fidel Castro Ruz
Novembro 3 de 2009 12h35

terça-feira, 3 de novembro de 2009

OS REAIS EFEITOS DO BLOQUEIO CONTRA CUBA

OBAMA DECIDE MANTER BLOQUEIO**

Bruno Rodríguez Parrilla Publicamos hoje o discurso na íntegra do ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, proferido no passado dia 28 de Outubro na Assembleia-Geral da ONU, uma poderosa denúncia do criminoso acto de guerra e genocídio levado a cabo pelos EUA contra o povo e o Estado cubanos.
Bruno Rodríguez Parrilla*
(Ministro das Relações Exteriores de Cuba)
- 03.11.09

Senhor Presidente, senhores Representantes Permanentes e Delegados:

Alexis Garcia Iribar nasceu em Cuba, na província de Guantánamo, com uma doença cardíaca congênita. Já com 6 anos de idade, depois de sucessivos adiamentos e de complicações, teve que ser operado em 9 de março de 2009, com o coração aberto, porque o governo dos Estados Unidos proíbe que as empresas NUMED, AGA e Boston Scientific vender a Cuba os dispositivos Amplatzer e Embolização Coil para o cateterismo pediátrico que substitui a cirurgia. Eu poderia citar outros 12 casos, com idades entre 5 meses e 13 anos, todos tratados com um procedimento semelhante há um ano e meio, e dois deles em 20 de janeiro.

As crianças cubanas que sofrem de leucemia linfoblástica e rejeitam a medicação padrão não podem ser tratadas com o produto norte-americano "Elspar" criado especificamente para os casos de intolerância. Como resultado, sua expectativa de vida é reduzida e aumenta o seu sofrimento. O governo dos E.U.A. proíbe a empresa Merck and Co. fornecimento para Cuba.

Não é possível adquirir um equipamento analisador de genes, essenciais para o estudo da origem do câncer de mama, cólon e próstata, produzido pela Applied Biosystems (ABI).

Lactalis USA, um fornecedor de produtos lácteos, foi multado em 20 mil dólares pelo governo Eestadunidense.

Desde a eleição do presidente Obama, não houve nenhuma alteração na aplicação do bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba. Permanece intacto.

O bloqueio continua a ser uma política absurda que provoca escassez e sofrimento. É uma violação massiva, flagrante e sistemática dos direitos humanos. Na Convenção de Genebra de 1948, é definido como um ato de genocídio. É eticamente inaceitável.

O bloqueio é um ato arrogante e ignorante. Recentemente, o governo norte-americano impediu a Orquestra filarmônica de Nova York de se apresentar em Cuba. Artistas cubanos não podem receber remuneração por suas apresentações ao público norte-americano. Como a criação artística pode ser considerada um crime?

A Microsoft bloqueou o acesso ao Windows Live para Cuba, porque, segundo se lê ao abrir a ferramenta, assim é "para os usuários em países sob embargo dos E.U.A.” O mesmo se aplica as páginas da Web "Cisco Systems", "SolidWorks" e "Symantec".

O bloqueio restringe a banda larga e a conectividade em Cuba. Se proíbe nossa conexão aos cabos submarinos de fibra óptica que passam ao longo das nossas costas.

Por que o governo E.U.A. impede o livre fluxo de informações e o acesso às novas tecnologias?

Mas essas proibições, desumanas e inapropriadas nesta época, não se aplicam apenas a Cuba, mas também a todos os países que vocês representam.

Philips Medical descumpriu o fornecimento de peças sobressalentes para equipamentos médicos comprados no valor de $72,7 milhões, instalados em Cuba e na Venezuela. Ela também foi multada em duzentos mil dólares. É uma empresa da Holanda a que o governo estadunidense aplica, extraterritorialmente, o bloqueio.

Hitachi diz que não pode vender a Cuba um microscópio eletrônico de transmissão, que é essencial em estudos de anatomia patológica, e a Toshiba diz o mesmo sobre uma câmara-gama, equipamentos de ressonância magnética e ultra-som de alta precisão. Estas são as empresas no Japão em que os Estados Unidos aplicam o bloqueio.

À Sensient Flavors, do setor de alimentos, o governo E.U.A. proíbe exportar para Cuba, pois é uma filial registrada e com sede no Canadá.

A Siemens, empresa alemã, nos recusou a vender um transformador de 125 MVA, segundo eles, porque tem "a obrigação de seguir algumas regras dos Estados Unidos". Sua subsidiária, com sede na Dinamarca, não poderia fornecer equipamentos para uma fábrica de cimento em Cuba sob proibição E.U.A.

Na Austrália e Nova Zelândia Bank Group (ANZ), com sede na Austrália, recebeu uma multa milionária por fazer negócios com Cuba.

No Relatório do Secretário-Geral das Nações Unidas, incluindo o que foi apresentado por Cuba, existem muitos outros exemplos.

Os representantes E.U.A. estão mentindo quando dizem que o bloqueio é uma questão bilateral. A aplicação extraterritorial das leis do bloqueio, como o "Helms-Burton" e "Torricelli" contra os Estados representados aqui, é uma violação grave do direito internacional, à Carta das Nações Unidas, à liberdade de comércio e navegação. No último período, as medidas do bloqueio foram aplicadas contra, pelo menos, 56 países. Assim, cabe à Assembléia Geral lidar com esta questão.

76% dos norte-americanos, de acordo com pesquisas recentes das instituições deste país, se opõe ao embargo. Ignorar a vontade de mudar e manter o bloqueio é antidemocrático.

Em tempos de desemprego e crise econômica, os empresários norte-americanos têm proibido o mercado cubano. Eles são proibidos de investir em Cuba. Companhias do mundo não têm concorrência norte-americana em Cuba, porque o governo E.U.A. proíbe.

O que teria de errado que os norte-americanos tenham acesso a produtos cubanos? A quem iria prejudicar abrir novos postos de trabalho nos portos dos E.U.A. como resultado do desenvolvimento das relações comerciais normais entre os dois países? Porque os norte-americanos não podem ter acesso aos medicamentos cubanos de última geração para o câncer ou diabetes, e as tecnologias para produzi-los, disponível apenas em Cuba? Por que a empresa Bacardi, que pagou o lobby da Lei Helms-Burton, evita a concorrência e força os norte-americanos a comprar mais caro, uma imitação pobre de rum cubano? Por que um charuto deve ser inatingível e exótico neste país?

O presidente dos Estados Unidos pareceu preso ao passado, quando em 11 de setembro prorrogado por mais um ano o bloqueio baseando-se "no interesse nacional dos Estados Unidos" e com base na Lei de Comércio com o Inimigo de 1917, que se aplica apenas em situações de guerra, e vigente unicamente contra Cuba.

Nenhuma pessoa séria pode argumentar que Cuba é uma ameaça à segurança nacional da única superpotência. Toda a nossa força é a do direito, da verdade e da razão. Parar a inclusão espúria de Cuba na lista de suspeitas de Estados patrocinadores do terrorismo, que é o suporte de algumas medidas do bloqueio e conceder a liberdade aos Cinco Heróis antiterroristas presos injustamente nesse país.

Cuba abriu seu espaço aéreo e aeroportos em 11 de setembro de 2001, de modo que qualquer aeronave estadunidense tinha um lugar para pousar, e ofereceu desde plasma e pessoal de saúde, e em seguida antibióticos e equipamentos contra o antraz, e voltou a fazer uma generosa oferta de médicos quando o furacão Katrina atingiu Nova Orleans.

Cuba é o país hospitaleiro que convida os norte-americanos a visitá-la, chama à cooperação intelectual, acadêmica, científica e ao rico debate, chama seus artistas para construir pontes e as empresas norte-americanas ao comércio e ao investimento.

Senhor Presidente:
Nós todos aplaudimos, alguns dias atrás, quando o presidente Obama disse nesta tribuna: "O direito internacional não é uma promessa vazia (...) Nenhum país pode dominar outras nações."

Não é nem pode ser aceitável para a comunidade internacional que aqueles que governam em Washington sentem-se com a autoridade para aplicar medidas econômicas coercitivas e leis extraterritoriais, contra Estados soberanos.

O presidente Obama tem a oportunidade histórica de liderar a mudança na política para Cuba e para a eliminação do bloqueio. Ele ainda tem os poderes de execução que lhe permitem, agora e por si próprio, alterar o pedido do bloqueio mediante "licenças gerais”, isenções ou dispensas, exceções por razões humanitárias ou de interesse nacional, mesmo que não fossem mudadas as leis que estabelecem proibições.

Quem se opôe, e desafia com razão o egoísmo e a insensibilidade da direita conservadora, como o presidente Obama fez no Congresso, porque "... um homem de Illinois perdeu sua cobertura (seguros) no meio de quimioterapia ... e morreu por causa dela não podia, sem violar a uma ética elementar, impedir que as crianças cubanas que sofrem de câncer ou doença cardíaca, recebam medicamentos e equipamentos médicos.

O bloqueio de Cuba é também, usando as palavras do senador Edward Kennedy sobre a reforma da saúde, "uma questão moral" que põe a prova testes de "caráter" dos Estados Unidos da América.

Senhor Presidente:

É verdade que Cuba adquire grandes volumes de produção agrícola nos Estados Unidos. No entanto, os representantes dos E.U.A. mentem quando dizem que esse país é um parceiro comercial de Cuba e silenciam que essas operações violam as normas do sistema de comércio internacional, com pagamentos em dinheiro e antecipadamente, sem acesso ao crédito privado pela proibição do transporte de cargas em embarcações cubanas, com procedimentos caros e discriminatórios e que enfrentam constantes manobras para apreender a carga. Ele não pode ser chamado de operações de comércio sem a menor reciprocidade para Cuba exportar seus produtos para os Estados Unidos. Um país que bloqueia outro país não pode ser um parceiro de negócios.

É uma vergonha que os representantes do governo dos E.U.A. Mintam ao dizer que este país é o maior doador de ajuda humanitária a Cuba. Os dados utilizados são falsos. Misturam, em números fantasiosos e maliciosos, a quantidade de supostas licenças e operações que não produzem, e que ocorrem com a ajuda de exilados cubanos que vivem aqui, enviadas por seus próprios esforços, de suas famílias. Sucessivas administrações dos E.U.A. têm perseguido e assediado ONGs que enviam ajuda humanitária a Cuba e, como resultado, metade deles pararam.

Nem mesmo um ano atrás, quando Cuba foi devastada por três furacões que causaram perdas equivalentes a 20% do nosso PIB, a administração Bush respondeu ao nosso pedido para que as empresas dos E.U.A., excepcionalmente, nos vendessem materiais de construção, telhados e empréstimos privados.

Senhor Presidente:

Os delegados dos Estados Unidos, em várias reuniões, indicaram as medidas tomadas pelo seu governo para eliminar as restrições mais brutais que aplicou George W. Bush às viagens dos emigrantes cubanos e o envio de ajuda aos seus familiares, bem como a retomada das conversações bilaterais sobre a migração e a mala direta.

Essas ações são positivas, mas extremamente limitadas e insuficientes. A realidade é que nem mesmo voltou à situação que prevaleceu até o início de 2004, quando a América do Norte permitiu um certo nível de intercâmbio acadêmico, cultural, científico, desportivo com homólogos cubanos, que continuam proibidos.

Algumas propostas vagas na área de telecomunicações são simplesmente inaplicáveis, enquanto não forem eliminadas algumas das restrições em vigor e pôr fim à prática de roubar fundos cubanos das operações no campo, congelados em bancos norte-americanos, na implementação das decisões de juízes venais que violam suas próprias leis.

Ao restaurar o direito dos residentes de origem cubana de viajar para a ilha, resulta ainda mais absurdo a proibição de norte-americanos viajarem a Cuba, o único lugar vetado a eles em todo o planeta. Os cidadãos norte-americanos que pagam impostos não têm a liberdade de viajar à Cuba, apesar da Constituição estadunidense supostamente o garantir. Os norte-americanos não têm direito de receber informações em primeira mão sobre Cuba.

* Ministro das Relações Exteriores de Cuba

** Título da responsabilidade de odiario.info

Tradução de Daniel Oliveira

Fonte: ODIARIO.INFO

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

REVOLUÇÃO CUBANA - 50 ANOS.


NAQUELE 26 DE OUTUBRO DE 1959
Visto que querem nos derrotar por meio do terror e da fome, apenas temos uma alternativa: defendermos a Pátria

• EM frente do Palácio Presidencial, mais de um milhão de cubanos se tinha reunido naquele 26 de outubro de 1959.

Fidel chegou às 16h18, num helicóptero que sobrevoou essa área da cidade e aterrissou finalmente em frente da Iglesias del Ángel, a um lado do Palácio Presidencial. Sua chegada provocou o frenesi popular. Logo depois, saiu ao terraço norte para presidir o ato, que durou algumas horas, enquanto o clamor popular exigiu constante e veementemente: Paredão!, em clara alusão à necessidade de acirrar o enfrentamento à contrarrevolução.

A indignação pelo covarde ataque aéreo de Díaz Lanz, pelas ações terroristas em execução e pela traição de Hubert Matos despertaram o fervor revolucionário. Os operários proclamaram sua determinação de doar um dia de salário para financiar a compra de armas para defender a Revolução.

Nessa noite, a voz de Camilo e seu discurso aceso, virtualmente seu testamento revolucionário, foi uma denúncia contundente à traição.

A contrarrevolução e o próprio Hubert Matos recorreram às insinuações ou mentiras mais inescrupulosas para criar dificuldades à Revolução, acusando-a de assassina. O fato verdadeiramente insólito era que elaborassem o dossiê da criminalidade dos revolucionários cubanos, quando todos eles, particularmente, Hubert Matos, sabiam com a escrupulosidade que sempre se agiu no tratamento aos prisioneiros e no respeito físico ao inimigo derrotado. Isto explica por que o Che denunciou perante o povo que, ao amparo da liberdade de imprensa e de expressão, a esposa de Hubert Matos tinha publicado uma carta onde insinuava que este seria assassinado numa cela:

(...) Nunca matamos um só prisioneiro de guerra nos momentos mais difíceis. Agora somos acusados de tentativa de assassinato numa cela, de tentativa de assassinato a quem poderíamos levar ao paredão por traidor à Revolução.

Para Raúl, apenas findava um capítulo do filme Três Mosqueteiros: Díaz Lanz, Urrutia e Hubert Matos. Denunciou que, enquanto a contrarrevolução se tornava mais agressiva e perigosa, a punição judicial dos convictos de terrorismo e subversão era lento demais. Em suas palavras finais pediu a Fidel que lembrasse a reinvindicação popular de "sacodir a árvore", referindo-se à necessidade de depurar as estruturas do governo de contra-revolucionários e timoratos.

Fidel anunciou a criação das Milícias Nacionais Revolucionárias (MNRs). Pouco depois da vitória da Revolução externou a determinação de treinar militarmente o povo, se necessário, para defender a Revolução. Em março de 1959, a partir de uma iniciativa do Círculo dos Trabalhadores de San Antonio de los Baños de reunir, em pelotões de milícias, operários, camponeses, estudantes, profissionais e donas-de-casa para protegerem locais de trabalho e centros educacionais da incipiente atividade contra-revolucionária, a formação de embriões das que chegariam a ser as MNRs se espalhou por todo o território nacional. No final de agosto, na gruta de Santo Tomás, surgiu o primeiro e emblemático pelotão de milícias camponesas: Los Malagones. Na verdade, eram 12 camponeseses da província de Pinar del Río, os quais tinham a missão de desmantelar, após um rápido treinamento militar, o bando do ex-cabo Luis Lara Crespo, criminoso da tirania de Fulgencio Batista, condenado à morte e foragido da justiça revolucionária. Fidel lhes tinha dito que se triunfavam, então haveria milícias em Cuba. Numa vintena de dias, o bando de Lara era história.

A Revolução recorreu nessa noite à democracia direta e o povo aprovou o endurecimento d a legalidade para se defender diante da barbárie contrarrevolucionária e da traição.

"Visto que temos que defender a Pátria da agressão — disse Fidel em seu discurso —, visto que estão nos bombardeando, visto que querem nos derrotar por meio do terror e da fome, apenas temos uma alternativa: defendermos a Pátria, e nós somos homens que cumprimos o nosso dever." (Extraído do livro "Gobierno Revolucionario Cubano, primeros pasos", de Luis M. Burch e Reinaldo Suárez) •

Fonte: Granma

FEIRA INTERNACIONAL DE HAVANA

Desde hoje, FIBA 2009

Silvia Martínez Puentes

HOJE, 2 de novembro, de manhã, será inaugurada no recinto Expocuba a 27ª Feira Internacional de Havana (Fihav 2009), que acolherá, durante seis dias, mais de 1.600 especialistas reunidos em 652 empresas representantes de 51 países.

Uma intensa jornada de Feira, numa área de mais de 17 mil metros quadrados, com 24 pavilhões, distinguem a Fihav 2009, a qual, desde o preâmbulo, supera as edições anteriores, apesar da grave situação econômica internacional, prova do crescente interesse pelo mercado cubano.

A maior presença na Fihav 2009 é da Espanha, Canadá, China, Rússia e Venezuela, estes três últimos países com 14%, 226% e 13% de crescimento, respectivamente, em comparação com a Feira passada. Itália, Alemanha, México e Brasil têm forte presença.

A parte cubana está representada por 111 firmas expositoras dedicadas fundamentalmente à exportação de produtos, bens e serviços, basicamente saúde e turismo. Substituir importações e propiciar investimentos, que garantam o mercado e a tecnologia, fazem parte da estratégia cubana neste evento comercial.

De 2 a 6 de novembro, as visitas serão para os profissionais, e as dos convidados, das 10h às 18h. No sábado, estará aberta ao público das 14h às 18h.

Fonte: Granma

domingo, 1 de novembro de 2009

DOIS ASPECTOS DO ACORDO EM HONDURAS.

Dois aspectos do acordo em Honduras.

Inicialmente, é preciso que o acordo firmado esta semana, entre os golpistas e o presidente Zelaya, se confirme na principal questão: o retorno de Zelaya à presidência.

Confirmado este retorno, ao nosso ver, os dois arquivos disponíveis no sítio RESISTIR.INFO:
CHÁVEZ DESTACA "VICTÓRIA MORAL" DE ZELAYA
e
Honduras: Washington forçou um acordo lesivo
revelam os dois aspectos mais importantes do acordo:

O primeiro, a derrota da direita em nosso continente, pois novamente, um golpe na América Latina, não se consolida. O acordo assinado reconhece, inclusive, que houve um golpe, algo que os gorilas nunca reconheciam. O retorno de Zelaya será também uma vitória da ALBA.

O segundo aspecto, refere-se ao impedimento, ao menos momentaneamente, de uma Constituinte, o que sem dúvida, contraria a proposta da Resistência e representa uma vitória da oligarquia hondurenha.

Contudo, a história não está encerrada. A resistência popular, como pode ser constatado no Comunicado 32, que traduzimos abaixo, parece ter ganho um objetivo claro: a "Assembléia Nacional Constituinte" que promova "a refundação da sociedade, para que seja justa, igualitária e verdadeiramente democrática".

O futuro de Honduras dependerá de diversos fatores, sendo preponderante a força e o caráter da luta popular, desencadeada pelo golpe.

Aliás, talvez a organização popular alcançada pela luta contra os golpistas, tenha sido o resultado mais positivo de todo este processo, até o presente momento.

Robson Luiz Ceron


Comunicado n º 32.
A Frente Nacional da Resistência contra o golpe de Estado, diante da iminente assinatura do acordo entre a comissão representante do legítimo presidente Manuel Zelaya Rosales e representantes do regime de facto, informamos a população de Honduras e a comunidade internacional:


1. Celebramos como uma vitória popular sobre os interesses estreitos da oligarquia golpista, o retorno próximo do presidente Manuel Zelaya Rosales. Esta vitória foi obtida ao longo de 4 meses de luta e sacrifício do povo, que, apesar da selvagem repressão desencadeada pelo Estado repressivo, nas mãos da classe dominante, soube resistir e crescer em consciência e organização até converter-se em uma força social imparável.

2. A assinatura, por parte da Ditadura, do documento que afirma que "recuperar a titularidade do poder executivo ao seu status anterior a junho de 28", representa a aceitação expressa que, em Honduras, houve um golpe de Estado, que deve ser desmontado, para retornar a ordem institucional e assegurar um marco democrático em que o povo possa fazer valer o seu direito de transformar a sociedade.


3. Nós exigimos que os acordos que se assinem sejam de tramitação acelerada no Congresso. Nesse sentido, alertamos todos os nossos companheiros e companheiras, em todo o país, para fazer pressão para que isto ocorra imediatamente, como registado no documento final elaborado na mesa de negociação.


4. Reiteramos que a Assembléia Nacional Constituinte é uma aspiração inabalável do povo hondurenho e um direito inegociável, pelo que vamos continuar a lutar nas ruas, até lograr a refundação da sociedade, para que seja justa, igualitária e verdadeiramente democrática.
"A 125 dias de lut, aqui nada se rende" Tegucigalpa, M.D.C., 30 de Outubro de 2009.

Original encontra-se em
:
FRENTE NACIONAL DE RESISTENCIA CONTRA EL GOLPE DE ESTADO.
Tradução: Robson Luiz Ceron.

sábado, 31 de outubro de 2009

REFLEXÓES DO COMPANHEIRO FIDEL


NOTICIAS RELEVANTES

Em dias recentes tiveram lugar em nosso país importantes acontecimentos.

No dia 28 de outubro, às 07h30 foi comemorado o 50º aniversário da desaparição física de Camilo Cienfuegos. O triste sucesso aconteceu num entardecer tempestuoso quando viajava de avioneta da província de Camagüey para a capital, pelo norte de Cuba.

Em Yaguajay tinha participado em seu último combate vitorioso contra a tirania nos fins de dezembro de 1958. Ali foi inaugurado um mausoléu, onde jazem os restos dos tombados durante a guerra na Frente Norte da província de Las Villas ou daqueles que morreram depois de 1 de Janeiro de 1959 e jazerão os que fizeram parte de sua Coluna Invasora ou aqueles que se uniram a ela no centro do país e que ainda vivem. Alguém o chamou de Herói de Yaguajay e esse título ainda perdura. Era além do mais: o Herói da Coluna Invasora Antonio Maceo. O audaz comandante, no avanço de sua coluna ligeira, tinha como destino a província de Pinar del Río, e até suas montanhas poderia ter chegado se não recebesse a ordem de não continuar, e lutar juntamente com o Che e sob a suas ordens, na zona central do país. Não era necessário expô-lo a risco nessa missão, que constituía uma interpretação incorreta das circunstâncias históricas. Em 2 de janeiro iniciou com o Che a marcha histórica para a capital. Quanto poderia ser investigado e reflexionado sobre isso!

Por decisão do Partido e do Governo, a partir deste 50º Aniversário sua silhueta de aço ilumina, junto à do Guerrilheiro Heróico, o fundo da Praça da Revolução, ambas montando guarda perante a estátua de Nosso Herói Nacional José Martí.

Também o 28 de outubro, às 9h00, o azar quis que começasse o debate sobre a resolução apresentada por Cuba contra o bloqueio econômico, financeiro e comercial dos Estados Unidos a nossa Pátria. Foram escutadas as palavras emotivas dos representantes de numerosos países do Terceiro Mundo, que deixaram constância de sua grande estima ao país insubordinável e solidário que durante meio século tem enfrentado o império desapiedado e desumano erigido nas proximidades de nossa ilha. Grande número de países vira na resistência de Cuba uma luta por seu próprio direito à soberania.

A obra discreta e solidária de nosso povo desde os primeiros anos da Revolução, e sua heróica resistência perante o criminoso bloqueio dos Estados Unidos, não foram esquecidas pela maioria esmagadora dos 192 Estados soberanos do mundo.

Os argumentos irrefutáveis de nosso chanceler, Bruno Rodríguez, ressoavam como marteladas naquela sala localizada no coração de Nova Iorque e muito próxima de Wall Street.

Pela primeira vez, em muitos anos de debates, todos os Estados membros das Nações Unidas participaram da discussão do embaraçoso e comprometedor tema.

Até os aliados europeus da OTAN e os membros da comunidade européia, desenvolvidos, consumistas e ricos, sentiram a necessidade de expressar sua inconformidade com o bloqueio econômico a Cuba. A réplica de nosso Chanceler ao discurso justificativo e lamentoso da representação dos Estados Unidos foi contundente.

Quando o Presidente da Assembléia realizou a votação, dos 192 Estados, apenas três delegações votaram contra o projeto de Cuba: a dos Estados Unidos; a do Israel, seu aliado no holocausto palestino e a da ilha de Palau. Um advogado norte-americano com cidadania israelita que representa Palau, um território no Oceano Pacífico de 450 quilômetros quadrados que esteve sob a administração ianque por quase 50 anos, votou na ONU a favor dos Estados Unidos. Dois Estados se abstiveram e 187 condenaram o bloqueio.

Contudo, estes fatos, por azar, não foram os únicos dois importantes para os cubanos nesse dia. Em horas da tarde finalizava a visita a nossa Pátria da doutora Margaret Chan, Diretora Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), acompanhada de Mirta Roses, Diretora da Organização Pan-americana da Saúde (OPS). Ambas representam os dois organismos internacionais mais importantes que assumem a responsabilidade por essa vital tarefa. Terça-feira passada, 27, eu tive a honra de conversar com elas.

Considerando o fato de que o tema da epidemia de gripe AH1N1 é de grande interesse para todos os povos, principalmente para os do Terceiro Mundo — os que mais têm sofrido as conseqüências da exploração e do saqueio —, solicitei-lhes um encontro dentro se seu apertado programa.

Apesar da preocupação e dos esforços de nosso Ministério da Saúde Pública, e seus programas de informação a os nossos cidadãos, considerei oportuno aprofundar no tema da epidemia.

A saúde pública foi uma das causas que fizeram necessária uma revolução em Cuba. Não é meu objetivo expor os avanços obtidos, os quais nos colocam como o país com maior quantidade de médicos per capita no mundo — um exemplo daquilo que pode ser feito em favor de outros povos —, apesar de ser durante meio século uma nação bloqueada e agredida pelo poderoso império. Nossa Pátria não só foi vítima do roubo atroz de cérebros, mas também alvo das agressões biológicas do governo dos Estados Unidos, que não se limitou ao uso de vírus e bactérias contra plantas e animais, ademais os utilizou contra a própria população. O dengue afetou mais de 300 mil pessoas, e o sorotipo número 2 foi introduzido em Cuba e no hemisfério quando ainda não estava presente como epidemia em nenhum outro país.

Omitindo muitos outros dados, com o objetivo de ser breve, é suficiente lembrar aos efeitos desta reflexão que o dengue é transmitido pelo mosquito, porém a gripe AH1N1 expande-se muito mais fácil e diretamente através das vias respiratórias.

Nossa população deve conhecer que, depois de finalizada a Primeira Guerra Mundial, uma epidemia de gripe matou dezenas de milhões de pessoas numa etapa em que a população do planeta apenas ultrapassava os 1 500 milhões de habitantes. Os recursos científicos e técnicos da humanidade eram muito menos do que hoje.

Esta realidade não nos deve induzir a um excesso de confiança. Quando surgem epidemias dessa índole precisa-se de recursos que ajudam a prevê-las ou combatê-las, mesmo como aconteceu com a febre amarela, a poliomielite, o tétano e outras, como as vacinas que há anos protegem as crianças e a população em geral de numerosas doenças extremamente daninhas.

Além disso, atualmente existem outros tipos de vacinas, em especial as que protegem a população contra os vírus gripais e são aplicadas aos casos de maior risco por causas transitórias ou permanentes.

Nossos cidadãos devem ter presente que as vacinas contra determinados vírus são mais difíceis devido às mutações genéticas dos mesmos, como os associados à gripe AH1N1 e outros.

Os países mais desenvolvidos e ricos possuem laboratórios bastante sofisticados e custosos. Cuba, apesar do subdesenvolvimento e do bloqueio ianque, foi capaz de criar alguns laboratórios para a produção de vacinas e medicamentos.

A nível internacional tem surgido um lógico medo com a mencionada gripe, por sua capacidade de disseminação e seus efeitos em determinadas pessoas mais vulneráveis. Além dos aspectos relacionados com a cooperação internacional de nossos médicos — que têm feito com que Cuba ganhe grande autoridade e prestígio —, desejava juntamente com a Diretora Geral da OMS fazer uma análise do tema da epidemia AH1N1. Ela reiterou-me que a dificuldade com as vacinas é devido a que os laboratórios capazes de produzi-las na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá estão a obter muito menos volume de vacinas do que as necessárias; que a demanda nos países desenvolvidos era grande e as primeiras vacinas disponíveis para os outros países não estariam prontas até finalizar o ano, e seus preços tendem a aumentar consideravelmente. Entre os países que devem ser priorizados ela incluiu Cuba por sua cooperação internacional e sua capacidade de aplicar logo as vacinas a pessoas priorizadas através de sua rede hospitalar.

A doutora Chan sabe que, onde quer que estejam os médicos cubanos cooperarão na rápida aplicação das vacinas.

São notícias logicamente positivas para nosso povo. Apesar disso, devemos ter presente determinadas circunstâncias.

As primeiras vacinas tardarão várias semanas em chegar, ou quem sabe dois ou três meses.

Para a OMS sua maior inquietação é que a capacidade mutante do vírus da epidemia ultrapasse rapidamente o efeito das vacinas e seja necessário iniciar novamente a busca de outra vacina eficaz. Isso, segundo a minha opinião, determina a importância de uma rede adequada de serviços médicos como a que existe em nosso país, e a orientação sistemática de uma população que possui altos níveis de educação para que coopere com as medidas pertinentes.

A carência de serviços médicos adequados em muitos países, incluídos os Estados Unidos, onde quase 50 milhões de pessoas não recebem atendimento médico, eleva consideravelmente o número de possíveis vítimas. Nesse país foi declarada a Emergência Sanitária. Há dois dias escutava a notícia de que nos Estados Unidos, de novembro até março a Gripe AH1N1 poderia causar a morte de 90 mil pessoas, visto que os meses de frio favorecem o desenvolvimento da epidemia. Oxalá esses cálculos resultem equivocados e o dano seja menor. Com uma população que ultrapassa pelo menos 27 vezes a população de Cuba, seria equivalente a mais de 3 mil falecidos em nosso país, e a muitos milhões de pessoas no mundo, apesar dos avanços da ciência.

Os sintomas iniciais d AH1N1 surgiram no México desde o primeiro trimestre do presente ano e quase, simultaneamente nos Estados Unidos e no Canadá. Daí passou para a Espanha, um dos primeiros países da Europa onde se estendeu a epidemia.

Quando o atual Presidente dos Estados Unidos levantou as restrições aos cubano-americanos para as viagens a Cuba, em grande número de Estados dessa nação já a epidemia tinha-se expandido. Desta forma resultou que os quatro países que mais geram turismo ou viagens a nosso país por outras causas, eram aqueles nos quais, em maior grau, estendeu-se a epidemia pelo mundo.

Os primeiros casos portadores do vírus foram viajantes vindos do estrangeiro. As pessoas contagiadas em nosso país eram relativamente poucas, durante meses não houve um só falecimento. Mas na medida em que o vírus foi se estendendo por todas as províncias, principalmente naquelas com maior número de familiares residentes nos Estados Unidos, foi necessário adquirir novos equipamentos para fazer análises para o Instituto de Medicina Tropical “Pedro Kourí”, e multiplicar o esforço ao mesmo tempo em que se lutava contra o dengue.

Foi assim que se produz o estranho caso de que os Estados Unidos, por um lado, autorizou as viagens do maior número de pessoas portadoras do vírus e, por outro, proíbe a aquisição de equipamentos e medicamentos para combater a epidemia. Logicamente não penso que foi essa a intenção do governo dos Estados Unidos, porém é a realidade que resulta do absurdo e vergonhoso bloqueio imposto a nosso povo.

Com os equipamentos de outras procedências estamos em condições de conhecer, com absoluta precisão, o total de afetados pela epidemia e o número de pessoas cuja morte esteja relacionada com a presença do vírus que a origina.

Felizmente, além dos serviços e do pessoal médico bem capacitado de nosso país, no mercado internacional existe um medicamento antiviral eficaz, especialmente se é aplicado às pessoas com inconfundíveis sintomas de serem possíveis portadoras do vírus e àquelas das quais recebem atendimento direto.

Dispomos de esse antiviral e também da matéria-prima necessária para continuar produzindo uma cifra similar à disponível, e para contar com as doses indispensáveis realizar-se-á todo o esforço necessário.

Embora em muitos países, devido à ausência de redes de serviço e de pessoal médico, não se ofereça aos organismos internacionais a informação respeitante sobre a epidemia, conhecemos o firme propósito de nosso governo de comunicar com toda precisão, a esses organismos, o número de casos e as mortes associadas à epidemia, como sempre temos feito com os dados referentes à saúde pública de Cuba.

Nosso país, por seu lado, conta afortunadamente com uma rede de serviços de saúde; a possibilidade de oferecer atendimento imediato às pessoas afetadas é real, e dispõe do número suficiente e da qualidade de seus médicos, muitos dos quais têm cumprido honrosas e inesquecíveis missões internacionalistas.

Fidel Castro Ruz
Outubro 30 de 2009
14h52

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

CABO SUBMARINO ENTRE CUBA E VENEZUELA


Cuba vai se beneficiar com acesso mais barato à Internet.

O embaixador cubano na Venezuela, Rogelio Polanco, disse que nas últimas semanas avançado questões jurídicas e negociações de contratos para a execução do cabo submarino entre este país e a Ilha.

Segundo o diplomata, tal cenário cria expectativas de um projeto de integração maior.

Esperamos, nas próximas semanas, poder anunciar o início das obras, que é muito importante para ambos os territórios, disse Polanco, em entrevista coletiva.

Segundo ele, Cuba vai se beneficiar com um acesso de baixo custo à Internet e aos serviços de telecomunicações.

Especialistas do Ministério venezuelano da Ciência e Tecnologia explicaram que a conexão se dará pelo mar, através de dois pares de fibra óptica, sob responsabilidade da empresa mista Telecomunicaciones Gran Caribe (Telecom Venezuela e Transbit de Cuba).

O cabo atravessará 1.630 quilômetros entre a área Camuri, perto do porto de La Guaira no estado de Vargas, e praia Siboney, nos arredores de Santiago de Cuba, para o qual foram investidos 63 milhões de dólares.

Duas bifurcações permitirão a conexão com a República Dominicana, ilhas do Caribe Oriental, Jamaica e América Central, indicou um comunicado de imprensa repassado pelo ministério venezuelano.

Clique na imagem para aumentar:

Original encontra-se em: CUBA DEBATE

Tradução: Robson Luiz Ceron