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domingo, 11 de outubro de 2015

"Os cubanos continuarão sendo os autores do seu modelo econômico"

Editado a partir da Capa de Cuba, de la palabra a la defensa.
Sem versão em português
Por Tarik Bouafia na Investig’Action/Tradução: ADITAL

Que impacto terá o restabelecimento das relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos? Obama teria renunciado ao desejo histórico do imperialismo estadunidense de derrubar o governo cubano, ou estamos somente diante apenas uma mudança de tática? A normalização dessas relações poderá afetar o modelo revolucionário cubano? O especialista em Cuba e autor do recente livro "Cuba, de la palabra a la defensa", Salim Lamrani responde nossas perguntas.

Em seu novo livro, que será publicado este mês (setembro de 2015) e cujo título é "Cuba, de la palabra a la defensa” [Cuba, da palavra à defesa], faz-se perguntas a 10 personalidades relacionadas com Cuba, por exemplo, Eusebio Leal ou também Alfredo Guevara. Após o anúncio do restabelecimento das relações diplomáticas e comerciais entre Cuba e Estados Unidos, qual é a opinião geral em relação ao futuro da Revolução cubana, de suas instituições, seu modelo social e das reformas econômicas anunciadas? Há de se temer adiante uma forma de imperialismo econômico e cultural dos Estados Unidos contra Cuba?

Salim Lamrani: Cuba sempre declarou estar disposta a normalizar suas relações com os Estados Unidos, com a condição de que estas se baseiem em três princípios fundamentais: igualdade soberania, reciprocidade, e a não ingerência nos assuntos internos. Convém lembrar que, no conflito entre Havana e Washington, a hostilidade é unilateral. Os Estados Unidos são quem impõem sanções econômicas obsoletas, cruéis, sem eficácia, e que martirizam o povo cubano desde 1960. Os Estados Unidos foram quem invadiram militarmente Cuba, em abril de 1961. Os Estados Unidos foram quem ameaçaram Cuba com uma desintegração nuclear, em outubro de 1962. Os Estados Unidos são quem financiam uma oposição interna, em Cuba, para conseguirem uma mudança de regime. Os Estados Unidos são quem emitem programas de rádio e de televisão ilegais e subversivos em direção a Cuba e com a meta de desestabilizar a sociedade. Por fim, os Estados Unidos são quem conduzem uma guerra política, diplomática e midiática contra Cuba.

Por sua vez, Cuba nunca agrediu os Estados Unidos, em toda sua história. Ao contrário; já em 1959, Fidel Castro expressou sua vontade de ter relações cordiais e pacíficas com Washington. Como resposta, os Estados Unidos aplicaram contra Cuba uma política de uma brutalidade extrema.

A decisão do presidente Barack Obama de restabelecer as relações diplomáticas com Cuba, assim como a abertura das embaixadas em Washington e em Havana, constitui um passo positivo adiante, no processo de normalização das relações. A questão está em saber se trata-se de uma mudança estratégica, ou seja, se Washington decidiu renunciar à sua meta: destruir a revolução cubana e, sim, aceitar, por fim, a realidade – uma Cuba soberana e independente, ou bem trata-se somente de uma mudança tática, mudar uma política fundada na violência, na ameaça e na chantagem, para um enfoque mais suave, fundado no diálogo e na sedução, mas sem mudar o objetivo: tornar Cuba uma nação satélite. Minha convicção profunda é que somente se trata de um mero ajuste tático, já que os Estados Unidos têm a incapacidade psicológica de aceitarem a realidade: uma Cuba livre e emancipada da tutela ianque. Mas os cubanos não estão deslumbrados e estão preparados, como nos explicam em conversações transcritas em "Cuba, da palavra à defesa”.

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

A democracia no estilo estadunidense acaba não sendo opção para Cuba

A abertura das relações entre Estados Unidos e Cuba tem sido muito debatida. Aqui, Avi Chomsky traduz as vozes de intelectuais cubanos, excluídos da mídia ocidental

Outdoor em Cuba: Pátria ou morte! Venceremos!
Por Avi Chomsky no ROAR Magazine / Tradução: Guerrilha GRR

No dia 17 de dezembro de 2014, o presidente Barack Obama anunciou que estava ordenando “mudanças mais significativas nas relações entre Cuba e os EUA”, e que o povo norte-americano estava “mudando a sua relação com o povo de Cuba”. Embora apenas o Congresso possa acabar com o embargo, as mudanças anunciadas por Obama eram de fato significativas: o re-estabelecimento de relações diplomáticas, a abertura de uma revisão da designação de Cuba como um “patrocinador do terrorismo de Estado”, e facilitar as viagens entre turistas, o comércio e a ajuda humanitária entre ambos os países.

O discurso veio na esteira de uma série de embaraçosos projetos e ações dos Estados Unidos, como os programas secretos desajeitados destinador a promover a “sociedade civil” em Cuba, como foram revelados pelo WikiLeaks, onde deixava claro o apoio financeiro do governo norte-americano com dissidentes. Obama reiterou a meta dos EUA para mudar as políticas nacionais e internacional com Cuba, mas explicou que os 50 anos de hostilidade não havia atingido a sua meta, portanto, era a hora de uma nova abordagem. No entanto, “vamos continuar a apoiar a sociedade civil cubana”, assegurou o presidente. “Eu respeito a sua paixão e compartilho com seu compromisso com a liberdade e democracia”.

Avi Chomsky
A mídia norte-americana procurou reações nas ruas de Miami e Havana, e entre os poucos escolhidos “dissidentes” em Cuba. A grande mídia geralmente ignora os estudiosos e acadêmicos cubanos que foram lançando as bases para a melhoria das relações ao longo de várias décadas, visitando os Estados Unidos (quando o Departamento de Estado concordou em deixá-los), em colaboração com colegas norte-americanos que, participavam ativamente com pesquisas e deixando clara sua oposição às políticas dos Estados Unidos, e insistindo no direito de Cuba ter a sua própria maneira de tratar a política e seu próprio ritmo, não como manda seu vizinho do norte.

A revista cubana “Temas” reuniu críticas de intelectuais cubanos desde o início de 1990. Não se trata dos “dissidentes” apoiados e promovidos pelo Departamento de Estado dos EUA, e sim de cubanos progressistas que estão envolvidos nacional e internacionalmente em debater as mudanças, forçadas e desejadas, que vêm ocorrendo em Cuba desde a queda do bloco soviético.

sábado, 26 de outubro de 2013

Uma reflexão do Che sobre os intelectuais, por Atilio Borón

 
Por Atilio Borón no Resumo Latino-Americano
 
Em seu magnífico escrito, O Socialismo e o Homem em Cuba, o Che sentou as bases de alguns das mais importantes contribuições recentes para o pensamento marxista ao resgatá-lo do asfixiante “economicismo” das versões canônicas da teoria. Para Guevara o projeto socialista era multifacetado e integral. Um de seus componentes essenciais era a criação do homem e a mulher novos, além da construção de uma nova cultura que contrastasse com os quinhentos anos de “deseducação” para a submissão e a resignação sofridos por nossas sociedades, desde os primórdios do capitalismo. Precisamente para destacar o caráter integral do projeto socialista, irredutível a seu único componente econômico, Che lançou mão repetidamente de sentenças, tais como “o socialismo como fórmula de redistribuição de bens materiais não me interessa” ou “o socialismo econômico sem a moral comunista não me interessa”.
 
No texto acima citado, Che faz uma menção aos intelectuais que quero compartilhar com todos vocês. Está falando de seu papel em Cuba, na Cuba revolucionária; porém, o fundo de seu argumento vai mais além e é pertinente para compreender também o papel e as contradições dos intelectuais latino-americanos no momento atual. Sobretudo dos intelectuais em países como Bolívia, Equador e Venezuela, comprometidos com a construção do socialismo no século XXI e de seus homólogos em países que, sem que sejam propostas de seus governos, essas metas cruzam – como Argentina, Brasil e Uruguai –, através de processos de mudanças, cujos reflexos no plano internacional os aproximam dos primeiros. Por isso, os convido a refletir sobre suas sábias palavras no marco dos 46 anos de seu covarde assassinato.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Alfredo Guevara: lealdade, compromisso e lucidez

Por Pedro de la Hoz no Granma

Fidel com Guevara, quando lhe entregaram o título de Doutor Honoris Causa, pelo Instituto Superior de Arte, em 1994.
Alfredo Guevara, fundador do cinema cubano da Revolução e um dos principais promotores do Novo Cinema Latino-Americano, morreu em Havana na sexta-feira, aos 87 anos, como consequência de uma doença cardíaca agravada nas últimas semanas.

Poderia ter sido exclusivamente um homem de cinema e isso lhe bastaria para figurar entre as personalidades de maior relevo na cultura cubana ao longo do século 20. Mas também foi um homem da política, um defensor e difusor infatigável das ideias socialistas, um combatente leal e lúcido, comprometido entranhavelmente com o pensamento e a ação de quem foi para ele, do mesmo momento em que o conheceu nos prédios universitários, seu guia e paradigma, Fidel Castro.

Amador e conhecedor da chamada sétima arte, da qual foi promotor na Sociedade Cultural Nosso Tempo, Guevara compartilhou com Julio García Espinosa e Tomás Gutiérrez Alea os avatares da filmação de El mégano, filme sequestrado pela tirania perante sua forte carga de denuncia social.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Morre aos 87 anos o destacado intelectual cubano Alfredo Guevara

O intelectual Alfredo Guevara, fundador do Instituto de Cinema de Cuba e presidente do Festival de Novo Cinema Latino-americano, faleceu nesta sexta-feira em Havana, aos 87 anos de idade devido a um infarto, informou a imprensa local.

Guevara, um dos intelectuais mais reconhecidos na ilha após o triunfo da revolução castrista e muito vinculado desde sua época de estudante universitário a Fidel Castro, teve uma longa trajetória como promotor do cinema cubano e latino-americano e é autor de vários livros e ensaios.

O intelectual nasceu em Havana no dia 31 de dezembro de 1925, foi embaixador de Cuba na Unesco em 1983 e tinha recebido a Ordem Comendador da Legião de Honra, máxima condecoração outorgada pelo governo da França.

Guevara iniciou sua atividade no cinema na década de 50, e naquela época foi assistente de produção de diretores como Manuel Barbachano e Luis Buñuel. Ele também participou da fundação da Sociedade Cultural Nuestro Tiempo, instituição que agrupou a vanguarda da intelectualidade cubana durante nos anos 50.