Por Robinson Ayres
No dia 18 de maio, de 8h às 18h, aconteceu, no 7° andar da Prefeitura Municipal de Ipatinga, a Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba, 2013. Em seu encerramento, uma atividade cultural na Área da Feirarte. Uma alegre noite de salsa, típica música cubana, animada por “La Noche Cubana”, banda de BH.
Quando os companheiros da Casa Latina-BH me procuraram e propuseram que a Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba acontecesse em Ipatinga, num esforço de descentralizar sua realização, tirando-a de BH e levando-a para o interior do Estado, não pude me recusar a colaborar. Mais que por um sentimento abstrato de solidariedade, Ipatinga deveria se empenhar na manifestação de sua solidariedade ao povo cubano por um simples dever de gratidão. Afinal, quando organizamos o Mova-Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos de Ipatinga, nossa Cidade ostentava índices de analfabetismo assustadores, chegando a beirar os 25%, isso lá pelo ano de 1990. Com a implementação do Mova, hoje, 23 anos depois, Ipatinga figura entre os municípios mais alfabetizados de Minas Gerais e do Brasil. E o Mova foi organizado sob a inspiração do pensamento de Paulo Freire e do movimento de erradicação do analfabetismo desenvolvido em Cuba, imediatamente após a revolução de 1959. O Mova foi desenvolvido com o acompanhamento direto de Maria Dolores Ortiz, minha amiga e educadora Cubana, hoje com seus quase noventa anos, que, ainda jovem, participou daquele movimento. Maria Dolores esteve em Ipatinga, por duas vezes, dialogando conosco, avaliando nosso projeto e nos iluminando com sua experiência prática e competência teórica; e com o que mais a distingue, sua extrema ternura, quando estávamos construindo o Mova. Na festa de lançamento do Mova, lá estava Maria Dolores, no campo do Ideal, no Bom Jardim, acompanhando um Jogo de futebol de atletas veteranos, dentre eles Reinaldo e Romeu, ex-jogadores do Atlético Mineiro, que estiveram aqui, a nosso convite. Eu, médio volante, com óculos amarrados à nuca e Chico Ferramenta, um ponta-direita, que o time não poderia entrar incompleto. E, ainda me lembro, ali no Trevo do Panorama, Maria Dolores, colocada na carroceria de um caminhão, garoa persistente sobre as nossas cabeças, falando para um pequeno grupo de pessoas. Em Espanhol, e o sotaque cubano, mas o que ela nos queria dizer se traduzia numa linguagem universal por isso de fácil entendimento: Sigam, vamos em frente!
Além disso, não sei se do conhecimento de muitos, mas inúmeros profissionais aqui da nossa Cidade e Região, fizeram seus cursos de pós-graduações e seus mestrados, sobretudo na áreas de Saúde e Educação, em Universidades Cubanas. Professores cubanos aqui, defesas de teses em Havana. Quantos?