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segunda-feira, 1 de julho de 2013

Pequenas indústrias surgem na agricultura cubana

Fábrica de fruta em conserva
Foto: Jorge Luis Baños /IPS
Por Ivet González no Envolverde

Máquinas artesanais para moer frutas e selar latas de conserva, nascidas da criatividade de empreendedores, indicam um tímido auge de pequenas indústrias em alguns lugares de Cuba onde começa a surgir a produção de alimentos. “Começamos a fazer goiabada em barras com caldeiras rústicas. Tivemos resultado e construímos tudo isto”, contou à IPS o produtor independente Yoanky Pino, mostrando cada equipamento de sua mini-instalação, que produz até mil latas diárias de fruta em conserva.

Pino, dono da fazenda La Julia, trabalhava como soldador até que há seis anos apostou nesta empresa familiar no município de Ceballos, 434 quilômetros a leste de Havana, na província central de Ciego de Ávila. Seus conhecimentos em solda e a assistência técnica da estatal Empresa Agroindustrial Ceballos o ajudaram a criar as máquinas necessárias. Aos poucos foi construindo moinhos e máquinas que retiram a polpa das frutas, além de uma esteira que transporta as latas entre o vapor até atingirem a temperatura necessária para a selagem.

sábado, 9 de março de 2013

O poder da comunidade - como Cuba sobreviveu ao pico petrolífero [documentário]

Como Cuba sobreviveu ao pico do petróleo | Foto: Reprodução/youtube
Por Sturt Silva

Quando a União Soviética entrou em colapso em 1990, a economia cubana entrou em queda livre. Com as importações de petróleo cortadas em 50% e as importações de alimentos cortadas em 80%, as pessoas estavam desesperadas. 

Este filme encorajador e fascinante mostra como as comunidades reagiram juntas e criaram soluções e finalmente prosperaram.

No contexto das preocupações mundiais com o pico petrolífero, Cuba é uma visão inspiradora de esperança.


"O poder da comunidade - como Cuba sobreviveu ao pico petrolífero" (2006) - "The Power Of Community, How Cuba Survived Peak Oil" (2006).

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"The Community Solution" é uma organização sem fins lucrativos que desenvolve e ensina soluções de baixo consumo de energia para o atual modo de vida insustentável, baseado em combustíveis fósseis, industrializado e centralizado.

Leia também entrevista com biólogo Roberto Pérez Rivero.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Agroecologia em Cuba: O modelo de agricultura que poderia salvar o mundo

Muitas possibilidades se abrem para o futuro da agricultura em Cuba.
 Foto: Rádio Aguada

Por Ana Margarita González na 
Prensa Rural

O movimento agroecológico em Cuba é um esteio para garantir a segurança alimentar e substituir quantidades significativas de alimentos, combustíveis, agrotóxicos e adubos químicos. Mais de 110 mil camponeses aplicam essas técnicas em seus cultivos ou na criação de animais, e cerca de 120 mil praticam a agricultura orgânica. Orlando Lugo Fonte, presidente da Associação Nacional de Agricultores Pequenos (ANAP), fez essas colocações a "Trabajadores" (informativo da Central de Trabalhadores de Cuba) na cidade de Güira de Melena, no encerramento do II Encontro Internacional de Agroecologia e Agricultura Sustentável, ao qual assistiram uma centena de estrangeiros e 70 cubanos.

Os delegados constataram os avanços desse movimento nas propriedades e cooperativas de várias províncias do país e ficaram impressionados pelos resultados produtivos, que "não são ainda os ideais, mas são alentadores se comparados com os de dois anos atrás, quando assistiram ao I Encontro", assegurou o dirigente camponês. 

"Nós, os cubanos, somos, em todo o mundo, os mais obrigados a desenvolver e estender as práticas da agroecologia e da agricultura sustentável, por que temos um país e uma economia bloqueados há mais de 50 anos e dependemos da importação de grande quantidade de alimentos para manter os níveis adequados de nutrição que a população necessita. Esse tipo de agricultura produz alimentos mais baratos e sãos", assegurou o dirigente campesino.

Lugo Fonte destacou o desenvolvimento inicial da agricultura suburbana, que integrará milhares de camponeses e cooperativistas e que terá como premissa o uso da tração animal e os adubos e pesticidas orgânicos e biológicos. 

Informou ainda que este ano deve concluir com a produção de 100 mil toneladas de húmus de minhocas e 150 mil toneladas de adubos orgânicos, números que serão uma garantia para a produção agroecológica. 

Também comunicou que, em todo o país, há mais de 800 pessoas dedicadas a dar assistência à agroecologia, e que em muitas cooperativas já existem técnicos capacitados para assessorar essa atividade, razão pela qual é factível continuar ampliando essas práticas.

Peter Rosset, especialista da organização internacional Via Campesina, afirmou que Cuba é um farol do movimento agroecológico mundial, por que percebeu precocemente a necessidade de colocar a família camponesa como protagonista das transformações de sua própria realidade. 

O pesquisador norte-americano defende a teoria de substituir o uso de produtos químicos e a mecanização nos processos agropecuários, pelos danos irrecuperáveis que causam aos solos, ao meio ambiente e consequentemente ao ser humano. 

Reconheceu a dinâmica alcançada pelos agricultores cubanos para reverter essa política, e a integração com os centros científicos de pesquisa para enfrentar desafios maiores.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Cuba, exemplo na agroecologia

Agroecologia em Cuba | Foto: Coletivo Cidade 

Por Livia Rodríguez no Granma 

Cuba é um farol que ilumina os países do mundo na tarefa de atingir a soberania alimentar, afirmou em Havana o especialista da Comissão Internacional de Agricultura Sustentável, Peter Rosset, da organização internacional Via Camponesa, a qual aglutina inúmeras associações de todo o mundo.

O especialista, que participou do 2º Encontro Internacional de Agroecologia, elogiou a estratégia desenvolvida pela Associação Nacional de Agricultores Pequenos (ANAP), para produzir alimentos duma maneira mais sadia, conforme ao meio ambiente e mais a serviço dos consumidores do país.

O importante — indicou —- é como a ANAP percebeu a necessidade de colocar a família camponesa como protagonista da transformação de sua própria realidade, a partir do início do movimento agroecológico em Cuba nos finais da década de 1990.

Rosset precisou que em apenas 10 anos, 110 mil famílias transformaram sua produção até uma mais ecológica, as quais não se limitam somente aos membros da Associação, há um efeito também em seus vizinhos, de maneira que muito mais da metade da família camponesa cubana já aplica práticas agroecológicas; diminuíram sua dependência dos insumos importados, e incrementaram a produção com um alimento muito sadio.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Como Cuba superou a dependência do petróleo?

Horta urbana em Cuba | Foto: The Power Of Community 

Por Ricardo Coelho no Esquerda Net 

Uma delegação de Cuba tem estado presente no Fórum pelo Clima para dar alguns workshops sobre a sua experiência com a superação da dependência do petróleo e a promoção da agricultura biológica e das hortas urbanas. Falei com Roberto Pérez Rivero, permacultor, sobre a sua experiência, que tem inspirado tantos defensores da agricultura sustentável por todo o mundo. Apesar da minha posição crítica em relação ao regime político cubano, creio que este é um exemplo que devemos seguir e estudar atentamente.

Pode falar-me da experiência cubana com a superação da dependência do petróleo?

Depois do colapso da União Soviética, estando nós ainda a sofrer com o bloqueio dos EUA, tivemos de encontrar soluções para a nossa independência energética. Um dos nossos enfoques foi a mudança do nosso sistema de produção agrícola, seguindo os princípios da permacultura, um sistema de agricultura sustentável. Reduzindo a utilização de máquinas e de fertilizantes químicos (feitos com base em petróleo) reduzimos muito o nosso consumo energético. Também alteramos os nossos hábitos alimentares, de modo a comer menos carne e mais vegetais.

Ao mesmo tempo, investimos muito em medidas de eficiência energética. Por exemplo, o governo distribuiu gratuitamente lâmpadas de baixo consumo por toda a gente. Ao mesmo tempo, a rede de transportes públicos gratuitos foi ampliada e o uso do automóvel privado é algo raro hoje em Cuba. O governo deu o exemplo tornando obrigatório que os seus membros dêem boleia a quem lhes pede nas suas deslocações de automóvel.

domingo, 17 de maio de 2009

50 anos de reforma agrária em Cuba

Fidel Castro cortando cana em fevereiro de 1961 | Foto: AP/CTV News


Em 17 de maio de 1959, na Sierra Maestra, Fidel Castro disse: "Nós entendemos que esta lei inicia uma fase inteiramente nova em nossa vida econômica e que um futuro brilhante aguarda o nosso país, se todos dedicarmos ao trabalho com afinco”.

Esse memorável dia será para sempre lembrado em Cuba, pois no local onde existira um acampamento do Exército Rebelde na Serra Maestra, o Comandante-em-Chefe assinou a Lei de Reforma Agrária, passo definitivo da Revolução que havia triunfado a pouco mais de quatro meses e meio.

O país estava em uma situação agrária muito precária: 1,5% dos proprietários detinham mais de 46% do território nacional, enquanto outras 11 mil destas extensões eram inferiores a 26,8 hectares e ocupavam menos de 12% da superfície de Cuba.

Cerca de 150 mil famílias trabalhavam nas terras como parceiros, arrendatários ou colonos e outras formas de posse que não envolviam a propriedade direta da terra, o que levava a viver em perene temor de despejo.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

O sucesso da agricultura urbana em Havana

O modelo de agricultura urbana em Havana é exemplo | Foto: Natália Diniz
Por Sinan Koont em Monthly Review

Durante os últimos quinze anos, Cuba desenvolveu um dos exemplos mais bem-sucedidos de agricultura urbana no mundo. Havana, a capital de Cuba, com uma população de mais de dois milhões de pessoas, tem protagonizado um papel proeminente, se não dominante, na evolução e na revolução deste tipo de agricultura. A expressão "agricultura urbana em Cuba" tem um significado algo diferente, simultaneamente mais e menos restritivo do que pode parecer à primeira vista. É mais inclusiva, visto que ocupa extensões mais amplas, franjas urbanas e terrenos suburbanos. 

Por exemplo, toda a área cultivada da província Cidade de Havana está ocupada com agricultura urbana. A definição inclui terreno que é muito mais rural que urbano – alguns dos municípios da cidade nas partes este e sudoeste têm densidades populacionais relativamente baixas, cerca de 2300 a 3500 pessoas por milha quadrada [1 milha quadrada=2,59 quilômetros quadrados. N.T. ], contra 50 000 a 100 000 pessoas por milha quadrada nas partes mais densamente povoadas. Como resultado, mais de 35 000 hectares (mais de 87 000 acres) de terra estão a ser utilizados com agricultura urbana em Havana [1]! O desenvolvimento sério da agricultura urbana em Cuba começou em simultâneo com o desaparecimento de petroquímicos, como fertilizantes e pesticidas, dos mercados cubanos. Consequentemente, a produção urbana utiliza apenas fertilizantes biológicos e técnicas de controlo de pragas biológicas e culturais. As quantidades limitadas de petroquímicos disponíveis são empregues numas poucas culturas não-urbanas como o açúcar, as batatas e o tabaco. Em Cuba, a distinção entre orgânico e urbano é difícil de fazer, visto que quase toda a agricultura urbana segue práticas orgânicas.

A necessidade sentida por Cuba de se virar para a agricultura urbana e orgânica no início dos anos 1990 é bem conhecida e compreendida. O colapso da União Soviética e o fim do comércio no âmbito do COMECON em condições bastante favoráveis ditaram o fim da agricultura industrial de tipo soviético, de larga escala, que Cuba vinha praticando desde, pelo menos, os anos 1970. Quase de um dia para o outro, o gasóleo, a gasolina, caminhões, maquinaria agrícola, peças sobressalentes para caminhões e maquinaria, bem como fertilizantes e pesticidas de base petroquímica, tornaram-se bastante escassos. Perante a crise severa na produção de alimentos, uma viragem para a agricultura urbana pareceu ser uma solução óbvia e necessária: a produção urbana minimizava os custos de transporte e a produção de pequena escala minimizava a necessidade de maquinaria. A produção agro-ecológica (aplicando os princípios da ecologia às práticas agrícolas), em parte, necessitava de zonas de produção perto das áreas de habitação de grande concentração de pessoas e, ao mesmo tempo, evitava a utilização de fertilizantes e pesticidas petroquímicos tóxicos que haviam deixado de estar disponíveis.