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segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Salvando o planeta: o exemplo do socialismo de Cuba

Cienfuegos, cidade cubana como conhecida como a "Pérola do sul" | Foto: Cuba Travel

Por Helen Yafee na  Revista Jacobin

Cuba, uma pequena ilha socialista sitiada pelos Estados Unidos, está tomando medidas concretas para reorientar sua economia na luta contra a crise climática. É um exemplo que o mundo inteiro deveria levar a sério - sobretudo após o fiasco da COP26.

Embora Cuba seja responsável por apenas 0,08% da emissão global de CO2, essa pequena ilha caribenha é desproporcionalmente assolada pelos efeitos das mudanças climáticas. A frequência e a severidade dos eventos climáticos extremos — furacões, secas, chuvas torrenciais, enchentes — tem aumentado, causando danos no ecossistema, na produção de alimentos e na saúde pública. Se nada for feito para proteger as regiões litorâneas do aumento do nível do mar, mais de 10% do território cubano irá submergir até o fim deste século. Isso ameaça varrer do mapa cidades costeiras, poluir sistemas de abastecimento de água, destruir terras agricultáveis, destruir praias turísticas e forçar a realocação de um milhão de pessoas — cerca de 9% da população.

Entretanto, ao contrário de diversos outros países, onde a ação climática é sempre uma promessa para o futuro, em Cuba ações concretas estão sendo levadas adiante agora. Entre 2006 e 2020, vários relatórios internacionais identificaram a ilha como a líder em desenvolvimento sustentável. E na primavera de 2017, o governo cubano aprovou o Tarea Vida (“Tarefa de Vida”), seu plano de longo prazo para enfrentar a mudança climática. O documento identifica regiões e populações em risco, formulando uma hierarquia de “áreas estratégicas” e “tarefas” nas quais cientistas do clima, ecologistas e cientistas sociais trabalham em conjunto com comunidade locais, especialistas e autoridades para oferecer respostas a ameaças específicas. Planejada para ser progressivamente implementado em etapas, de 2017 a 2100, o Tarea Vida também incorpora ações de mitigação como a mudança para fontes de energia renovável e a aplicação legal de proteções ambientais.

No verão de 2021, fui para Cuba para aprender sobre o Tarea Vida e produzir um documentário para ser exibido durante a conferência internacional de mudança climática da COP26, em Glasgow [1]. Minha visita coincidiu com o surto de casos de COVID-19 na ilha, as medidas de saúde pública para redução do contágio, bem como os protestos de 11 de julho. Apesar dessas condições, nos movemos livremente por Havana, entrevistando cientistas sociais e do clima, formuladores de políticas públicas, líderes da Defesa Civil cubana, pessoas nas ruas e comunidades vulneráveis às mudanças climáticas.

No litoral de Santa Fé, em Havana, encontrei com um pescador que vivia com sua família em prédios abandonados. Ele descreveu como, quanto a água inunda o terreno, sua casa fica como um barco no mar. Apesar da ameaça, eles pretendem permanecer: “Essa casa pode ser reduzida a um único tijolo e não vou sair”, ele disse. A primeira “tarefa” na Tarea Vida inclui a proteção das comunidades vulneráveis através de realocação de habitações ou de assentamentos inteiros. O Estado cubano paga pela realocação, incluindo a construção de novas casas, serviços sociais e infraestrutura pública. Contudo, não é algo obrigatório, o que significa que os residentes devem estar envolvidos no processo de construção e de tomada de decisão. Também existem exemplos de comunidades que propõem suas próprias estratégias adaptativas, que as possibilitem permanecer na costa. 

Tarea Vida é a culminância de décadas de regulações de proteção ambiental, da promoção de desenvolvimento sustentável e de investigação científica. No país, é concebido como uma nova base para o desenvolvimento, parte de uma mudança cultural e um processo mais amplo de descentralização de responsabilidades, poderes e orçamentos para comunidades locais. Aqui, nós vemos que as considerações ambientais são integrais às estratégias de desenvolvimento nacional de Cuba ao invés de uma preocupação lateral. A necessidade também é um motor do Tarea Vida; a mudança climática já afeta a vida na ilha. “Hoje, em Cuba, o clima do país passa por uma completa transição de características tropicais úmidas para um clima sub-úmido, no qual os padrões de chuva, disponibilidade de água, condições do solo e temperaturas serão diferentes”, explica Orlando Rey Santos, um consultor ministerial que lidera a delegação de Cuba na COP26. “Teremos que nos alimentar de um jeito diferente, construir diferente, nos vestir diferente. É muito complexo”.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Cuba é o melhor país do mundo em desenvolvimento sustentável

De acordo com os números mais recentes, desde 2015, Cuba está no topo!
Praça da Revolução em Havana; ao fundo, Che | Foto: Civitatis
Por Sturt Silva

Cuba é o país que apresenta os melhores índices de desenvolvimento sustentável do planeta, segundo o Índice de Desenvolvimento Sustentável (SDI em sua sigla inglês). 

Projetado pelo antropólogo e escritor Janson Hickel, o índice calcula seus resultados levando em consideração a pontuação de desenvolvimento humano (expectativa de vida, saúde e educação) e elementos relacionados a poluição do planeta como emissões de CO2.

O SDI foi criado para atualizar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), desenvolvido pelo economista paquistanês Mahbub ul Haq, utilizado pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (Pnud) desde 1990.

Os países com forte desenvolvimento humano e um impacto ambiental mais baixo obtêm classificações mais altas. Os países com menores expectativas de vida e taxas de alfabetização, e também aqueles que excedem os limites ecológicos, obtêm as classificações mais baixas.

De acordo com os números mais recentes, desde 2015, Cuba está no topo com uma pontuação de 0,859. O SDI começou coletar dados em 1990, sendo que os dados mais recentes são de 2015. Nesses 25 anos Cuba sempre ficou nas três primeiras colocações (veja a série histórica aqui). Iniciou em 1990 na terceira colocação, ocupou a liderança por 19 anos (de 1993 até 2000 e a partir de 2004) e foi vice líder durante 5 anos (1991, 1992, 2001, 2002 e 2003). Nova Zelândia (1990), Eslovênia (1991/92) e Argentina (2001/02/03) foram os outros países que já lideraram o rank.
SDI - 1990 a 2015 | Para ver o histórico de cada país clique aqui
Atualmente Cuba é seguida de perto pela Costa Rica e Sri Lanka. O Top 10 das nações mais sustentáveis do mundo ainda tem: Albânia, Panamá, Argélia, Geórgia, Armênia, Azerbaijão e Peru fecha o Top 10.

sábado, 16 de junho de 2012

Cuba - “Este país é um laboratório de desenvolvimento social”

“Este país é um laboratório de desenvolvimento social”, afirmou representante da Unicef em Havana
por Lisandra Fariña Acosta
Fonte: GRANMA

OUTRO 1º de junho, Dia Internacional da Infância. Segundo as estatísticas, 20 mil crianças morrerão nesse dia, como qualquer outro, por causas evitáveis. As notícias sobre a infância continuam sem ser animadoras para uma humanidade que precisa repensar-se e fechar a brecha da desigualdade, se quiser sobreviver. A esses que são a esperança, o mundo ainda deve muito.

“Cuba comemora a data de modo diferente”, afirmou o representante em Cuba do Fundo das Nações unidas para a Infância (Unicef) José Juan Ortiz Brú, ao conversar com o Granma Internacional sobre os desafios que enfrentam as nações para garantir o cumprimento pleno dos direitos da criança.

Investir na infância e reduzir todo tipo de desigualdades continua sendo hoje uma disciplina pendente...


“Desde a Convenção sobre os Direitos da Criança do ano 1989, progrediu-se, mas a situação imperante continua gerando desigualdades. Sendo hoje mais desenvolvido o planeta, é radicalmente injusto que ainda haja milhões de crianças com carências gravíssimas. Se o sistema não gera essa igualdade, é necessário mudá-lo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Cuba é lugar melhor para se ter um filho do que Brasil, diz pesquisa


No país comunista, apenas uma em cada 1400 mulheres correm risco de morrer durante o parto ou a gravidez
Fonte: OPERAMUNDI
  
Cuba é um lugar melhor que o Brasil para se ter um filho. É o que revela um ranking divulgado nesta terça-feira (08/05) pela organização não-governamental Save the Children, que elencou os melhores países do mundo para se tornar mãe. Enquanto o país comunista figura na 44ª posição, o Brasil surge dez colocações atrás, na 54ª posição. Noruega e Islândia assumiram a primeira posição da lista. Já Níger superou o Afeganistão e foi classificado como o local com piores condições para se ter um filho.

O relatório lembra que países como o Brasil "alcançaram um enorme progresso nas últimas duas décadas, reduzindo em 60% suas taxas de desnutrição". Ainda assim, ressalta que, em Cuba, apenas uma em cada 1400 mães correm o risco de morrer durante a gestação ou o parto.

A ilha caribenha também fica à frente de outros países qualificados como de desenvolvimento humano intermediário, entre eles Israel. No que diz respeito ao número médio de anos de estudo, as mulheres de Cuba foram consideradas mais escolarizadas que as israelenses. As cubanas estudam, em média, 17 anos, enquanto as israelenses 16. No Brasil, esse número cai para 14.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Desenvolvimento Humano em Cuba

DESENVOLVIMENTO É, PRIMEIRO, UMA IDEIA

No ano em que o bloqueio megalomaníaco dos Estados Unidos a Cuba completa 50 anos, vemos a mídia hegemônica brasileira dar pulos de excitação ao poder dizer que “a liberdade e o desenvolvimento” chegarão, então, ao país de Fidel Castro. Ambos termos, muitos usados quanto se fala de qualquer sociedade que não segue à risca os dítames ‘ocidentais’, são extremamente amplos e podem ser interpretados de várias formas. Já aí depomos o reinado de palavras que soam tão livres e doces na boca daqueles em quem, pior que sua própria ideologia escrota, só sua alienação a ela mesma. Enfim, o que significa desenvolvimento? É possível planejá-lo e mensurá-lo?

A primeira ligação que fazemos é entre as palavras ‘desenvolvimento’ e ‘pessoa’. À nossa época, pelo menos suponho, falamos prioritariamente de gente quando nos referimos a desenvolvimento. Assim, temos o campo do ‘desenvolvimento humano’, já tão famoso nas universidades dos supostos países de ‘primeiro mundo’, onde as consciências nacionais são tão pesadas que os ‘outros mundos’ se tornam objeto de estudo para suas penitências cristã-profissionais. No sítio da ONU (Organização das Nações Unidas), Amartya Sen, professor de Economia na Universidade Harvard, nos EUA, e ganhador do Nobel de Economia em 1998, proclama que: