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| Julgamento cubano na mídia internacional é pura hipocrisia | Foto: site bisexto |
Por Marcia Choueri
Entre os dias 30 e 31 de maio deste ano, foram julgados pelo Tribunal Municipal Popular de Centro Habana, em Cuba, os acusados Luis Manuel Otero Alcántara, Maikel Castillo Pérez, Félix Roque Delgado e as acusadas Juslid Justiz Lazo e Reina Sierra Duvergel.
O primeiro e o terceiro foram condenados a cinco anos de privação de liberdade; o segundo, a nove anos; as duas últimas, a 3 anos, mas vão cumpri-los em liberdade.
As acusações são de atentado, desacato, resistência ante a autoridade, desordem pública, difamação das instituições e organizações dos heróis e mártires, e ultraje aos símbolos da pátria.
Para quem não se lembra – e é fácil ter esquecido, por sua absoluta falta de importância – eles são membros do chamado Movimento San Isidro, nome que adotaram porque residem nas cercanias dessa rua de Centro Havana. Mas eles não foram julgados pela má qualidade artística de suas obras e músicas, já que isso é questão de gosto pessoal, e muito menos pelo que pensam ou expressam politicamente. Não são presos de consciência, nem presos políticos, como a grande mídia internacional, inclusive a brasileira, quer nos convencer.
Um dos atos de que eles foram acusados – quando praticaram atentado, desacato, resistência e desordem –, falando em bom brasileiro, foi o seguinte: eles armaram pro policial. Fizeram uma cena em Centro Habana, provocando a polícia, para poder fazer vídeos e divulgá-los pelas redes sociais.
Isso aconteceu em 4 de abril de 2021. Naquele momento, aqui em Cuba era obrigatório o uso de máscaras em locais públicos. Juslid passou com o rosto desprotegido bem do ladinho de uma viatura. Quando o policial, sem nem descer do carro, alertou-a para que pusesse a máscara, o Maikel Castillo foi em direção a ele e começou a gritar, para formar confusão. Até tentou entrar na viatura, mas não conseguiu.
O policial saiu do carro e lhe pediu os documentos, que ele se recusou a entregar, dizendo que não tinha, e gritando mais ainda, para aumentar o show. O policial tentou contê-lo e levá-lo para viatura, e foi quando os outros entraram em cena. Rasgaram a farda dos dois policiais – porque aí também já estava o parceiro, afinal eles andam em duplas é para isso mesmo -, bateram nos agentes, tentaram roubar a arma, enfim, um espetáculo para as mídias. Tudo isso está registrado nos próprios vídeos que eles gravaram, ninguém inventou nada.
Os crimes de difamação das instituições e organizações, e dos heróis e mártires de Cuba, eles praticaram de forma reiterada, por suas redes sociais.
E, no caso do Otero Alcántara, ele praticou o crime de ultraje aos símbolos pátrios várias vezes. Ele diz que é arte, mas o que fez foi divulgar fotos usando a bandeira cubana como toalha, inclusive sentado no vaso sanitário. Fez isso entre 15 de agosto e 5 de setembro de 2019 (foto abaixo).
O que eu descrevi são fatos comprovados com imagens publicadas pelos próprios acusados, então, ninguém pode dizer que estou falseando. Eles foram julgados por um tribunal legítimo, sem pressa – veja as datas dos fatos – e receberam as penas previstas no Código Penal em vigor. Como é óbvio, eles estavam conscientes do peso de seus atos e das consequências, porque a lei é pública.




















