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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Agroecologia em Cuba: O modelo de agricultura que poderia salvar o mundo

Muitas possibilidades se abrem para o futuro da agricultura em Cuba.
 Foto: Rádio Aguada

Por Ana Margarita González na 
Prensa Rural

O movimento agroecológico em Cuba é um esteio para garantir a segurança alimentar e substituir quantidades significativas de alimentos, combustíveis, agrotóxicos e adubos químicos. Mais de 110 mil camponeses aplicam essas técnicas em seus cultivos ou na criação de animais, e cerca de 120 mil praticam a agricultura orgânica. Orlando Lugo Fonte, presidente da Associação Nacional de Agricultores Pequenos (ANAP), fez essas colocações a "Trabajadores" (informativo da Central de Trabalhadores de Cuba) na cidade de Güira de Melena, no encerramento do II Encontro Internacional de Agroecologia e Agricultura Sustentável, ao qual assistiram uma centena de estrangeiros e 70 cubanos.

Os delegados constataram os avanços desse movimento nas propriedades e cooperativas de várias províncias do país e ficaram impressionados pelos resultados produtivos, que "não são ainda os ideais, mas são alentadores se comparados com os de dois anos atrás, quando assistiram ao I Encontro", assegurou o dirigente camponês. 

"Nós, os cubanos, somos, em todo o mundo, os mais obrigados a desenvolver e estender as práticas da agroecologia e da agricultura sustentável, por que temos um país e uma economia bloqueados há mais de 50 anos e dependemos da importação de grande quantidade de alimentos para manter os níveis adequados de nutrição que a população necessita. Esse tipo de agricultura produz alimentos mais baratos e sãos", assegurou o dirigente campesino.

Lugo Fonte destacou o desenvolvimento inicial da agricultura suburbana, que integrará milhares de camponeses e cooperativistas e que terá como premissa o uso da tração animal e os adubos e pesticidas orgânicos e biológicos. 

Informou ainda que este ano deve concluir com a produção de 100 mil toneladas de húmus de minhocas e 150 mil toneladas de adubos orgânicos, números que serão uma garantia para a produção agroecológica. 

Também comunicou que, em todo o país, há mais de 800 pessoas dedicadas a dar assistência à agroecologia, e que em muitas cooperativas já existem técnicos capacitados para assessorar essa atividade, razão pela qual é factível continuar ampliando essas práticas.

Peter Rosset, especialista da organização internacional Via Campesina, afirmou que Cuba é um farol do movimento agroecológico mundial, por que percebeu precocemente a necessidade de colocar a família camponesa como protagonista das transformações de sua própria realidade. 

O pesquisador norte-americano defende a teoria de substituir o uso de produtos químicos e a mecanização nos processos agropecuários, pelos danos irrecuperáveis que causam aos solos, ao meio ambiente e consequentemente ao ser humano. 

Reconheceu a dinâmica alcançada pelos agricultores cubanos para reverter essa política, e a integração com os centros científicos de pesquisa para enfrentar desafios maiores.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Cuba, exemplo na agroecologia

Agroecologia em Cuba | Foto: Coletivo Cidade 

Por Livia Rodríguez no Granma 

Cuba é um farol que ilumina os países do mundo na tarefa de atingir a soberania alimentar, afirmou em Havana o especialista da Comissão Internacional de Agricultura Sustentável, Peter Rosset, da organização internacional Via Camponesa, a qual aglutina inúmeras associações de todo o mundo.

O especialista, que participou do 2º Encontro Internacional de Agroecologia, elogiou a estratégia desenvolvida pela Associação Nacional de Agricultores Pequenos (ANAP), para produzir alimentos duma maneira mais sadia, conforme ao meio ambiente e mais a serviço dos consumidores do país.

O importante — indicou —- é como a ANAP percebeu a necessidade de colocar a família camponesa como protagonista da transformação de sua própria realidade, a partir do início do movimento agroecológico em Cuba nos finais da década de 1990.

Rosset precisou que em apenas 10 anos, 110 mil famílias transformaram sua produção até uma mais ecológica, as quais não se limitam somente aos membros da Associação, há um efeito também em seus vizinhos, de maneira que muito mais da metade da família camponesa cubana já aplica práticas agroecológicas; diminuíram sua dependência dos insumos importados, e incrementaram a produção com um alimento muito sadio.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Como Cuba superou a dependência do petróleo?

Horta urbana em Cuba | Foto: The Power Of Community 

Por Ricardo Coelho no Esquerda Net 

Uma delegação de Cuba tem estado presente no Fórum pelo Clima para dar alguns workshops sobre a sua experiência com a superação da dependência do petróleo e a promoção da agricultura biológica e das hortas urbanas. Falei com Roberto Pérez Rivero, permacultor, sobre a sua experiência, que tem inspirado tantos defensores da agricultura sustentável por todo o mundo. Apesar da minha posição crítica em relação ao regime político cubano, creio que este é um exemplo que devemos seguir e estudar atentamente.

Pode falar-me da experiência cubana com a superação da dependência do petróleo?

Depois do colapso da União Soviética, estando nós ainda a sofrer com o bloqueio dos EUA, tivemos de encontrar soluções para a nossa independência energética. Um dos nossos enfoques foi a mudança do nosso sistema de produção agrícola, seguindo os princípios da permacultura, um sistema de agricultura sustentável. Reduzindo a utilização de máquinas e de fertilizantes químicos (feitos com base em petróleo) reduzimos muito o nosso consumo energético. Também alteramos os nossos hábitos alimentares, de modo a comer menos carne e mais vegetais.

Ao mesmo tempo, investimos muito em medidas de eficiência energética. Por exemplo, o governo distribuiu gratuitamente lâmpadas de baixo consumo por toda a gente. Ao mesmo tempo, a rede de transportes públicos gratuitos foi ampliada e o uso do automóvel privado é algo raro hoje em Cuba. O governo deu o exemplo tornando obrigatório que os seus membros dêem boleia a quem lhes pede nas suas deslocações de automóvel.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Cubanos são mais felizes que norte-americanos, diz estudo inglês

Povo cubano nas ruas de Cuba | Foto: Lídice Cienfuegos 

Por Pascual Serrano no Cuba Debate 

A Fundação New Economics, com sede em Londres, apresentou do dia 04 de julho, o chamado Índice do Planeta Feliz - IPF, um indicador de bem-estar humano alternativos aos tradicionais cânones desenvolvimentistas. O estudo é baseado em dados de 143 países, representando 99% da população mundial.

Para realizar a classificação, a pesquisa recorre a três parâmetros: a expectativa de vida, a satisfação expressa pelos cidadãos de cada país e as pegadas ecológicas (huellas ecológicas 1) que deixam. Assim, obtêm o nível de vida que consideram necessário para ser feliz.

E é que, segundo destacam os analistas, nenhum país mencionado no relatório alcança os três objetivos, mas as diferenças entre as nações mostram que é possível viver vidas prolongadas e felizes com pegadas ecológicas bem menores do que as pegadas ecológicas nas nações com maior consumo. Para muitos, no Ocidente, a luta para aumentar a nossa renda tem sido feita à custa de nosso capital social e de nossa saúde mental. O desafio para o Ocidente, diz o relatório, não é continuar aumentando nossas rendas financeiras, mas assegurar vidas significativas e fortes laços sociais. Muitas vezes, para atingir estes objetivos significa reduzir o enfoque no consumo e dedicar mais tempo para outros interesses. O IPF mostra que de verdade é possível obter vidas que custem um mundo.