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sábado, 27 de dezembro de 2014

A epopeia cubana: conquistas, reformas e desafios (Parte I)

Abaixo reproduzimos primeira parte de um artigo do economista argentino Claudio Katz sobre a Revolução Cubana e suas mudanças conjunturais. Apesar de ter críticas ao processo revolucionário cubano, sendo assim, um material a principio fora da linha editorial do "Solidários", entendemos que artigos como este ajudam a preparar os solidários na batalha contra o terrorismo midiático que Cuba sofre na mídia e na internet. Publicado na revista cubana Cubaahora

Fidel Castro discursa no centro de Havana - 1959
Por Claudio Katz em seu site/Tradução do Diário Liberdade

Cuba levou o maior ideal de transformação social a várias gerações de latino-americanos. Sua revolução comoveu a juventude, convulsionou as organizações políticas e sacudiu a esquerda.

Nos anos 60 o castrismo rompeu todos os dogmas ao demonstrar que um processo socialista era possível no continente. À 90 milhas de Miami, introduziu generalizadas nacionalizações para responder às conspirações do imperialismo. Posteriormente tentou uma heróica extensão regional da revolução.

A decisão cubana de resistir à restauração capitalista após o colapso da URSS foi assombrosa. A população afrontou um sufocante isolamento internacional e realizou imensuráveis esforços para manter sua independência.

A duração desse processo foi determinante da mudança que se registrou no cenário sul-americano. A reinstalação de uma colônia estadunidense em Cuba tinha obstruído a ressurreição dos processos radicais e limitado as vitórias conquistadas contra o neoliberalismo.

Leia também:

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Cuba ainda tem algo a dizer ao Brasil

Cuba só não virou pó graças ao planejamento, à organização social e à consciência política: a ilha ainda fala aos nossos dias e à realidade que nos constrange

Outdoor em Cuba: "Até a vitória sempre. Che"

Por Saul Leblon  na Carta Maior

Quem nunca entendeu porque Cuba ainda suscita tanta paixão e debate na política do século XXI está vivendo um novo espasmo de perplexidade.

O reatamento das relações diplomáticas entre Havana e Washington, anunciado na semana passada, dia 17/12, em pronunciamento casado de Obama, nos EUA, e Raúl Castro, em Cuba, tornou-se um dos assuntos mais importantes da agenda internacional, rivalizando com o derretimento do rublo e o mergulho nas cotações do petróleo.

Por que Cuba ainda magnetiza, a ponto de ostentar uma estatura geopolítica dezenas de vezes superior ao seu tamanho demográfico e territorial?

terça-feira, 25 de novembro de 2014

José Luis Rodríguez: 'A proposta de Cuba para o seu futuro não é um socialismo de mercado'


Por Rosa Miriam Elizalde no La Jornada/ Tradução: Diário Liberdade

José Luis Rodríguez, ministro de Economia de Cuba entre 1995 e 2009, é um dos poucos especialistas da ilha que mantém publicamente uma análise sistemática e rigorosa, partindo de posições socialistas, sobre as transformações que agitam a ilha.

Em um país que acorda quase todos os dias com um novo decreto na Gazeta Oficial que avança em direção a mudanças estruturais do modelo econômico, escuta-se apenas os funcionários explicando as medidas em linguagem popular, enquanto que no espaço digital – com uma altíssima presença na ilha apesar da frágil infraestrutura de internet – floresce todo o tipo de análise especulativa, frequentemente puxando a brasa para propostas neoliberais.

De qualquer forma, a economia é o principal tema no país. Cuba enfrenta um dilema complicado: ou atualiza, revisa e reconstrói sua estrutura econômica ou a Revolução corre o risco de sucumbir diante da pressão combinada de seus próprios erros e as agressões do bloqueio dos Estados Unidos, em um momento delicadíssimo de reacomodação do Consenso de Washington em relação à ilha.

Rodríguez, assessor do Centro de Investigações da Economia Mundial (CIEM), de Havana, responde a algumas perguntas de La Jornada, nas vésperas da última sessão plenária do ano no Parlamento cubano, que tem na agenda a análise dos resultados do chamado "processo de atualização" e os planos para 2015.

Qual será o caminho escolhido por Cuba

Por que atualização e não reforma econômica?

Isso pode ser explicado por duas razões. Por um lado, foi preciso enfatizar que todas as mudanças que estão sendo propostas supõem a atualização de um modelo socialista, classificado também como socialismo possível. Por outro lado, optou-se por tomar distância das reformas, em que em nome do aperfeiçoamento, o socialismo foi levado ao seu colapso na Europa.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A luta de Cuba contra a corrupção leva à prisão centenas de políticos e empresários


Cuba acabou de ser classificada entre os cinco países menos corruptos da América Latina, atrás do Uruguai, Chile, Porto Rico e Costa Rica, de acordo com o Índice de Percepção da Corrupção (IPC) da ONG alemã Transparency International.

A sua posição pode estar relacionada com a intensa campanha contra o crime de colarinho branco que levou à prisão centenas de líderes políticos, gestores e grandes empresários estrangeiros. As acções são direccionadas a partir da Contraloría General de la República, que reporta directamente ao presidente Raúl Castro. A repressão da criminalidade económica é tão grande que está mudando a composição racial das prisões com a chegada de muitos mais brancos.

Circulam por Cuba imagens das principais operações de combate à corrupção que ocorrem no país. Algumas incluem operações policiais e declarações dos principais arguidos confessando os seus crimes e explicando como realizavam as suas estafas.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Cuba: fim da "sociedade igualitária", fim dos “sacrifícios” e mudança de tática na luta

Resumindo: se os "predestinados" a serem os de "cima" no futuro, estão pautando suas políticas em pautas especificas e individuais, portanto cabem também aqueles que serão os de "baixo", na visão desses primeiros, fazerem o mesmo.


Por Aloísio Silva no Diário Liberdade 

Ao contrário de alguns setores da esquerda, inclusive aqueles que defendem o tal "socialismo democrático" para o Brasil, que acham que Cuba é uma ditadura ou é uma "ditadura" - devido ao "estado de sítio" que o país vive devido ao bloqueio e a pressão dos ianques -, sempre defendi que o regime cubano é democrático.

E é uma democracia peculiar. E é, também, um regime socialista. No entanto, até pelas condições que temos na ilha, principalmente econômicas e naturais, Cuba não passa de um estado operário burocratizado. Em outras palavras: a construção do socialismo se encontra degenerada. Ou seja, o socialismo democrático cubano foi até certo estágio e parou, em algumas questões, até retrocedeu. Agora tenta recuperar elementos, que foram descartados antes, com o processo chamado de "atualização do socialismo".

domingo, 29 de setembro de 2013

O novo modelo cubano continua sendo socialista

Atualização do modelo econômico suscita críticas e controvérsias. Sem renunciar a seu modelo, a ilha preserva suas conquistas


Com as reformas recentes, Cuba está abandonando o socialismo?

NÃO

Por  Salim Lamrani no Opera Mundi

Desde 2011, Cuba está pondo em marcha a “atualização de seu modelo econômico”. O projeto inicial, elaborado em novembro de 2010, foi submetido a um amplo debate popular (com 8 milhões de participantes) que durou cerca de cinco meses até abril de 2011 e foi adotado durante o VI Congresso do Partido Comunista de Cuba.

Alguns acreditam que se trate de uma volta ao capitalismo, por causa da introdução de alguns mecanismos de mercado na economia nacional. Na realidade, o objetivo dos cubanos é aperfeiçoar seu sistema para preservar suas conquistas sociais, únicas na América Latina e no Terceiro Mundo. Para isso, devem superar dois grandes desafios: os recursos naturais, muito limitados, e as sanções que os Estados Unidos impõem desde 1960, que constituem o principal obstáculo ao desenvolvimento nacional. A isso convém somar as falhas próprias do sistema, como a burocracia ou a corrupção. O presidente Raúl Castro foi claro a esse respeito: “A batalha econômica constitui hoje, mais que nunca, a principal tarefa e o centro do trabalho ideológico dos quadros, porque dela depende a sustentabilidade e a preservação do nosso sistema social”.

O novo modelo econômico introduz mecanismos de mercado, mas segue baseado na “planificação socialista” em todos os níveis e na “empresa estatal socialista como forma principal da economia nacional”. Não obstante, o país se abre aos investimentos estrangeiros — para atrair os capitais indispensáveis para o desenvolvimento da nação —, mediante empresas mistas, nas quais o Estado cubano sempre dispõe de uma maioria de ao menos 51%. Este modelo atualizado de gestão econômica promove também as cooperativas, as pequenas propriedades agrícolas, os usufrutuários e os trabalhadores independentes em todos os setores produtivos, com a finalidade de reduzir o papel do Estado nos campos estratégicos.

Leia mais:50 verdades sobre a Revolução Cubana

segunda-feira, 22 de julho de 2013

25 verdades de Raúl Castro sobre Cuba

Por Salim Lamrani no Opera Mundi

Como de costume, o presidente cubano, Raúl Castro, se mostrou muito crítico durante sua intervenção, no dia 7 de julho de 2013, diante do Parlamento local. Firma-se, uma vez mais, em seu papel de primeiro dissidente do país.

1. Com a legalização do dólar em 1993, depois da grave crise econômica que atingiu Cuba após o desmoronamento do bloco soviético, estabeleceu-se um sistema de dualidade monetária no país. Em 2002, além do peso cubano e do dólar, introduziu-se o peso conversível (CUC) na ilha. De 2002 a 2004, circularam três moedas em Cuba até o desaparecimento do dólar, em 2004. Agora, o peso cubano convive com o peso conversível, com uma diferença de valor de 1 a 24. Essa dupla moeda é fonte de desigualdade na nação, na medida em que a maioria dos cubanos recebe seu salário em pesos cubanos, e não em CUC, reservados ao setor turístico. Raúl Castro está consciente dessa realidade. Segundo ele, “o fenômeno da dualidade monetária se constitui como um dos obstáculos mais importantes para o progresso da nação”.

2. O presidente cubano é um ferrenho detrator da indolência e incompetência que, às vezes, caracterizam os cubanos, e enfatiza “a necessidade de uma luta enérgica e sem trégua contra os maus hábitos e os erros que, nas mais diversas esferas, acometem diariamente muitos cidadãos, inclusive militantes”.

3. A crise econômica que engendrou o Período Especial, iniciado em 1991, teve um impacto sumariamente negativo nos valores da sociedade cubana, que agora é menos solidária e mais egoísta. “Percebemos, com pesar, […] o crescente deterioramento dos valores morais e cívicos, como a honestidade, a decência, a vergonha, o decoro, a honradez e a sensibilidade ante os problemas dos demais”.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Raúl Castro, o verdadeiro dissidente

Por Salim Lamrani no Opera Mundi

No Ocidente, Cuba é representada como uma sociedade fechada em si mesma, na qual o debate crítico é inexistente e a pluralidade das ideias é proibida por quem está no poder. Na realidade, Cuba está longe de ser uma sociedade monolítica que compartilharia um pensamento único. Com efeito, a cultura do debate se desenvolve mais a cada dia e é simbolizada pelo Presidente cubano Raúl Castro (foto à esquerda), que se converteu no primeiro a falar dos reveses, das contradições, aberrações e injustiças presentes na sociedade cubana.

A necessidade de mudança e do debate crítico


Em dezembro de 2010, em uma intervenção diante do Parlamento cubano, Raúl Castro fez um discurso mais alarmista e colocou o governo e os cidadãos frente às suas responsabilidades: “Ou retificamos ou já acabou o tempo de seguir à beira do precipício, nos afundamos, e afundaremos”1.  Também acrescentou pouco tempo depois: “É imprescindível romper com a barreira psicológica colossal que resulta de uma mentalidade arraigada em hábitos e conceitos do passado”2.

Raúl Castro também reprovou duramente a debilidade do debate crítico em cuba. Também reprovou os silêncios, a complacência e a mediocridade. Lançou um chamado para maior franqueza: “Não é preciso temer a discrepância de critérios […], as diferenças de opiniões, que […] sempre serão mais desejáveis do que a falsa unanimidade baseada na simulação e no oportunismo. Trata-se de um direito do qual ninguém deve ser privado”. Castro denunciou “o excesso de secretismo a que nos habituamos por mais de 50 anos” para ocultar erros, falhas e equívocos. “É necessário mudar a mentalidade dos quatros e de todos os compatriotas, acrescentou 3.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

“Nosso imperialismo” (brasileiro) chega a Cuba

Por Sérgio Domingues no Pílulas Diárias

“Odebrecht chega a Cuba”, diz Fernando Caulyt em reportagem publicada no Deutsche Welle, em 03/01. A empreiteira brasileira recebeu a concessão de uma empresa açucareira por 13 anos. Trata-se do primeiro investimento estrangeiro no setor agrícola desde a Revolução de 1959. Seria a “abertura do agronegócio no país”, segundo o artigo.

Especialistas divergem sobre o real significado da medida. Mas o professor da Universidade de Brasília, Carlos Eduardo Vidigal, é otimista. Ele acredita numa abertura progressiva e calculada ao mercado internacional. E cita como exemplo a China, que teria desenvolvido “seu projeto de potência econômica sem abandonar o comunismo".

O fato é que os cubanos precisam encontrar uma saída para uma crise que já dura décadas. Não apenas devido ao criminoso boicote estadunidense. A ilha está pagando um preço muito elevado pela equivocada dependência em relação à falecida União Soviética.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Cubanas são destaque no processo de atualização do sistema econômico

Por Ivet González da Envolverde/IPS

Beatriz Lemes demorou a se decidir e finalmente aceitou, “com muito medo”, assumir a chefia de uma empresa que caminha para a autonomia financeira, sistema que se estende em Cuba e que, entre outras coisas, coloca à prova as capacidades femininas. “O autofinanciamento pode funcionar, mas é preciso mudar a mentalidade das pessoas. É preciso sentir seu trabalho como sendo seu”, explicou Beatriz, subdiretora econômica da Estação Territorial de Engenharia Agrícola nas províncias de Mayabeque e Artemisa, ambas vizinhas de Havana.

Agora, com “mais responsabilidades, exigências e tensões”, esta contadora, com 30 anos de experiência profissional, prevê novos desafios para seu coletivo quando no começo de 2013 sua empresa deixar de integrar o orçamento do Estado. “Minhas trabalhadoras estão preparadas, mas para nós é mais difícil por causa do peso da família”, disse Beatriz à IPS. As reformas na economia, iniciadas em 2007, impactam de maneira diferenciada mulheres e homens.

“Embora as medidas adotadas não sejam discriminatórias de gênero, não constituem, necessariamente, oportunidades para as mulheres”, afirmam as pesquisadoras Dayma Echevarría e Teresa Lara. Há mais de 50 anos os cubanos participam de uma economia estatizada em sua maioria, que o governo de Raúl Castro vem transformando desde 2007. Por isso, são redefinidas, entre outras, as políticas de assistência social e o papel do Estado, que antes garantia pleno emprego e salários básicos por rendimento produtivo.

domingo, 24 de junho de 2012

Eu sou um dissidente!

Por Vicenzo Basile
Adaptado para o português-brasil por Solidários. 

Em Cuba não há discordância. Pelo que eu tenho aprendido, durante minha estada na ilha, cada cidadão é duas vezes dissidente. Dissidente por duas razões fundamentais. 

Em primeiro lugar, os cubanos, como tal, são inquietos e inconformados, eternamente insatisfeitos e perenemente descontentes. O cubano tem que reclamar, você pode amar ou pode odiar, mas é assim. É de sua natureza, talvez por desgraça, talvez por sorte, talvez por que seja  a mistura correta.

Em segundo lugar, o cubano é revolucionário (em sentido amplo e completo da palavra) e a revolução é sinônimo de mudanças. O revolucionário fala, critica, ele não concorda. O revolucionário, o verdadeiro revolucionário, portanto, é um eterno dissidente. Ele nunca está satisfeito; sempre tem que encontrar algo a dizer, algo que corrija o que o rodeia. É por isso que o cubano é dissidente duas vezes.

Nesse sentido, foi dissidente o pai de meu amigo cubano,  que me hospedando durante a minha primeira viagem a Cuba, me disse: “rapaz, aqui as coisas são o inferno (1)“.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Empresas não estatais na economia cubana Construindo o socialismo? (segunda parte)

Por Camila Piñeiro Harnecker*

Fonte: ODIARIO.INFO


Neste segundo estudo (leia o primeiro aqui) que publicamos de Camila Piñeiro Harnecker sobre as novas empresas não estatais cubanas, depois de analisar as diversas, e por vezes contraditórias, correntes de opinião na sociedade cubana, a autora conclui:

«Só democratizando ou socializando a economia, materializando a propriedade social sobre ela, poderemos avançar para uma sociedade que tenha como horizonte o desenvolvimento humano e não só a redistribuição da riqueza. Se não, corremos o risco de – com o pretexto de criar benefícios materiais – a lógica do lucro se converter em natural e inevitavelmente chocar com a intenção redistributiva e que assim, um dia, o mais «racional» seja abandonar o horizonte socialista.»

Uma das mudanças mais significativas que se estão a verificar na sociedade cubana, como parte do processo de «actualização» do modelo económico, é a expansão do sector empresarial não estatal. Este termo não se refere apenas a formas de propriedade privada, [1] mas também àquelas formas de propriedade colectivas, como as cooperativas. [2] Com isto também se sugere que uma empresa administrada por pessoas que não sejam representantes de instituições estatais não tem que ser, necessariamente, «privada». Isto é, responder apenas a estreitos interesses individuais ou contraditórios com as necessidades e expectativas da sociedade em geral. O tema chave de uma sociedade comprometida com a construção socialista, onde o crescimento económico não é um fim mas um meio ao serviço da sociedade, é precisamente como fazer que o sector não estatal responda a interesses sociais.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Riscos da expansão de empresas não Estatais na economia Cubana e recomendações para os evitar


Por Camila Pinheiro Harnecker*
Fonte: O Diário, através do Diário Liberdade
Tradução de José Paulo Gascão.

Este trabalho pretende lançar um alerta para as consequências negativas mais importantes que a decisão recentemente anunciada de permitir a livre contratação de trabalho assalariado pode provocar na sociedade cubana. Atreve-se também a propor algumas medidas que aumentem as possibilidades de as novas sociedades não estatais contribuírem para o desenvolvimento da economia cubana que consolide a nossa construção socialista, isto é, a criação de uma sociedade mais justa e humana. Esta é uma síntese actualizada da comunicação «Novas formas empresariais na economia cubana, escrita para o seminário «Economia e Administração», organizado pela Faculdade de Economia da Universidade de Havana e a Universidade de Humbolt em 24 e 25 de Setembro de 2010.

Risco: a expansão de práticas e valores capitalistas

Como se poderá ver argumentado noutros trabalhos, a empresa socialista (isto é aquela onde se materialize a «propriedade social») não é necessariamente uma empresa administrada pelo Estado. O que define uma empresa socialista é a sua administração ou gestão serem controladas pela sociedade: tanto pelo seu colectivo de trabalhadores como pelas comunidades onde estão localizadas e por outros grupos sociais sobre os quais a actividade da empresa tem impacto. Como se analisa depois a intensidade e o alcance do controlo que os representantes dos interesses sociais afectados necessitarão de exercer sobre a gestão democrática de um colectivo de trabalhadores (que são os principais afectados), dependerá da actividade da sua empresa e dos interesses sociais.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Autocrítica, porque a construção do socialismo não é um processo linear.


Respondendo a Ricardo Torres
por Richards Levins [*] e Aurora Levins Morales [**]

Entramos nesta discussão com alguma timidez. Para julgar as decisões económicas da nova viragem é necessário um conhecimento íntimo da realidade cubana, que não temos por haver estado ausente durante quatro ano e porque mesmo com visitas frequentes aprende-se apenas um esboço dela. E o que é mais importante, nós, que somos solidários com Cuba, não somos cubanos; os fenómenos da ilha que nos inspiraram não são os mesmos que agora preocupam os seus cidadãos. 

Neste caso, por que nos atrevemos a comentar? Porque cada comunidade olha a realidade com lentes próprias e traz tanto visões acertadas como erros. Todos nós, os cubanos e os aliados, entendemos essas questões com a nossa própria perspicácia e a nossa própria cegueira. Quando nos encontramos, cada parte traz seus erros típicos e sua razão acertada. Para que uma discussão se torne frutífera, um bom ponto de partida é que ambas as partes indiquem que consideram seu próprio padrão de erros e os de seus camaradas, arraigados nas suas condições de vida e de luta. 

Na generalidade, Cuba enfrenta uma situação económica urgente. E sabemos que a urgência reduz os horizontes não apenas temporais, como também do âmbito dos problemas e das fronteiras intelectuais. Quando os cubanos se vêem obrigados a envolver-se no comércio internacional capitalista, são muito vulneráveis aos vocabulários e aos conceitos da economia neoliberal que reinam neste ambiente. Estudam o marxismo, mas comparados com as necessidades de negociações no mundo capitalista, os princípios marxistas ficam relegados aos cursos universitários, cada vez mais afastados da experiência vivida, até que se desvanecem. Por isso, os erros teóricos vão projectar-se na prática, pressionados pela urgência. Nós os amigos de Cuba destacamos o longo prazo e por vezes subestimamos as urgências actuais, a partir de uma perspectiva utópica e um tanto ignorante. Como aliados estrangeiros, não podemos julgar se uma decisão é ou não correcta. Mas podemos, sim, notar os problemas colaterais, as consequências nocivas, que as melhorias políticas ainda acarretam. 

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Enfrentar a corrupção, um desafio para o mundo



As causas da corrupção e os mecanismos para combatê-la figuram hoje nas análises e preocupações de governos, povos e especialistas que buscam a necessária erradicação desse mal com efeitos negativos em várias esferas sociais.

Para muitos, trata-se de um fenômeno complexo impossível de ser enfrentado somente em âmbito nacional, pois modalidades como a lavagem de dinheiro se converteram em assuntos globais que incidem para além das fronteiras de qualquer país.

Com respeito a esse tema, o vice-ministro cubano de Relações Exteriores Abelardo Moreno afirmou que os sérios desafios impostos pela corrupção requerem mudanças reais nas relações internacionais e maiores avanços na cooperação.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Cuba registra 63 mortes por acidentes de trabalho em 9 meses.


Este post é dedicado àqueles que acreditam que: em Cuba nenhuma crítica é possível; nenhum fato negativo é noticiado e a imprensa é apenas um fantoche de uma "ditadura castrista". O jornal dos operários cubanos, expondo um problema sério. Evidentemente, que a notícia no Trabajadores não estava destinada a fomentar as pretensões imperialistas, (tal a intensão da fonte em português),  mas apresentar dados concretos para solução de problemas concretos.
   
Fonte: TERRA

Cuba registrou nos primeiros nove meses deste ano 63 mortes por acidentes de trabalho, informou nesta segunda-feira o jornal oficial Trabajadores.

A publicação advertiu que por não serem registrados corretamente, não há controle adequado dos acidentes, o que pode gerar novos problemas. Outra crítica diz respeito aos cursos de capacitação, considerados incompletos.

Nos últimos anos, os setores que contabilizam o maior número de acidentes fatais são os de agricultura, construção, indústrias açucareira e de aço, enquanto as províncias de Havana e Santiago de Cuba lideram nas estimativas.

Técnicos e autoridades de segurança e saúde do trabalho em Havana criticaram os sindicatos pelo descumprimento das legislações e denunciaram que muitas vezes o financiamento para os investimentos só aparece quando o acidente é iminente ou já aconteceu.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Cuba e sua autocrítica!


Reunião ampliada do Conselho de Ministros
Fonte: GRANMA
• A falta de controle ampara o esbanjamento e as negligências
"MUITOS dos problemas atuais de nossa economia são provocados pelo desrespeito que hoje impera nas relações contratuais estabelecidas entre nossas empresas e organismos", reiterou, no sábado 29 de outubro, o presidente Raúl Castro Ruz, na reunião ampliada do Conselho de Ministros, que nesta ocasião se concentrou no exame de complexos problemas que incidem no funcionamento da economia e dos serviços à população.

 Mecanismos insuficientes de controle do número de cabeças de gado e a vigilância deficiente por parte das empresas estatais, unidades pecuárias e proprietários individuais, são duas das condições principais que propiciam o delito contra o gado bovino. A operação iniciada permitiu devolver a seus proprietários 1.187 animais, de uns aproximadamente 3 mil que foram confiscados. Porém, esse é ainda um problema a ser resolvido.

"A violação dos contratos alicerça na pouca exigência e na falta de controle existente em muitos lugares; quando estes contratos são assinados, devem ser cumpridos, e quem não o fizer deverá assumir sua responsabilidade", enfatizou.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

PC cubano elabora documento para limitar permanência em cargos políticos


Segundo agências internacionais o Partido Comunista Cubano (PCC) formalizou em um documento a proposta para limitar a permanência em cargos de direção do governo e do Estado em dois mandatos de cinco anos. O assunto foi trazido à tona pelo presidente Raúl Castro durante o VI congresso do partido em abril deste ano.

 “Projetar a renovação paulatina nos cargos de direção e definir os limites de permanência por tempo e idades, segundo as funções e complexidades de cada responsabilidade," diz o texto, que será analisado pelos militantes comunistas na 1ª Conferência Nacional do PCC, a realizar em janeiro de 2012.

A conferência de janeiro vai acontecer em meio à implementação de mais de 300 reformas que visam reativar a economia cubana e atualizar o modelo socialista da ilha.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

“Imagino um socialismo democrático, sem dogmas nem preconceitos”

Fonte: PCB
Entrevista de Mariela Castro, diretora do Centro Nacional de Educação Sexual (CENESEX) de Cuba, filha de Raul Castro.
Redação Cafefuerte
ENTREVISTA DE MARIELA CASTRO COM O PROGRAMA “A SÓS” DE ATUALIDADE RT, 2 DE JUNHO DE 2011.
ELENA ROSTOVA: Muito obrigada por ter aceitado a compartilhar experiências mais pessoais conosco. Você é a filha de Raul Castro e sobrinha de Fidel Castro. Na vida cotidiana, isso não te afeta, não te limita?
Mariela Castro: Afeta. Desde um ponto de vista é incomodo, mas desde outro ponto de vista é bonito, porque tenho recebido muita gratificação espiritual, agradecimento, mensagens muito bonitas de agradecimento muito sincero de pessoas não somente em Cuba mas de outros lugares do mundo justamente por isso. Ou seja, me tem dado gratificações espirituais.
ER: Você nasceu pouco depois do triunfo da revolução cubana. Como lembra o ambiente que reinava sua infância?
MC: Eu lembro minha infância muito feliz. Realmente meus pais me deixavam isso de explorar, eu lembro que sempre estava pendurada numa árvore, pendurada em qualquer coisa, subindo colunas... não havia essa limitação de por ser menina não podia fazer coisas de menino, ainda que sempre havia alguém que me dizia: “desce das árvores que isso é coisa de menino”. Mas sinto que havia liberdade, que recebiam com simpatia qualquer questionamento que fazia, sempre houve a possibilidade de dialogar, de buscar o espaço familiar do dialogo, inclusive do questionamento, de eles a nós e nós a eles, da própria sociedade, da história...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Cuba: VI Congresso do PCC e as mudanças necessárias

por Narciso Isa Conde
Adaptado para português - Brasil por Solidários

 
As tendências da política econômica e social apresentados originalmente à sociedade cubana para ser considerados pelo VI Congresso do Partido Comunista de Cuba, foram sensivelmente modificados nos seus aspetos mais negativos, pelo que a sua emenda e aprovação constituem um significativo passo de avanço em relacionamento com as propostas iniciais.

O mérito nesses resultados há que atribuí-lo à inteligência coletiva das bases do partido e da sociedade cubana, à sua intelectualidade revolucionária e aos seus melhores quadros políticos; como também à receptividade da sua atual direção em frente à avalanche crítica provocada pelas propostas mais incompatíveis com a necessária reafirmação da orientação anticapitalista e pró-socialista da revolução iniciada há 50 anos.

Inclusive antes do Congresso recém concluído, as medidas mais questionadas, algumas delas em processo de execução, foram sabiamente detidas para ser reformuladas.

O Relatório ao VI Congresso do PCC a cargo do comandante Raúl Castro revelou a riqueza do debate previamente realizado, ainda com os seus limites quanto à expressão nos meios de comunicação de massas; bem como as mudanças positivas introduzidos ao documento original, finalmente aprovado com todas as emendas assinaladas nesse relatório.