Ninguém melhor que ele próprio para falar sobre como se sente no marco de seus 90 anos. Na noite desta sexta-feira (12), Fidel Castro publicou um artigo no veículo do Partido Comunista de Cuba, o Granma, sobre seu aniversário. Refletiu sobre sua infância, sobre a importância de se educar as crianças e sobre os crimes do imperialismo contra os povos do mundo. Uma vez mais, surpreende por sua lucidez e altivez. Com a palavra, o comandante:
Amanhã completarei 90 anos. Nasci em um território chamado Birán, na região oriental de Cuba. É conhecido com esse nome, embora nunca tenha aparecido no mapa. Devido a seu bom comportamento, era conhecido por amigos próximos e, desde já, por uma praça de representantes políticos e inspetores que se viam em torno de qualquer atividade comercial ou produtiva próprias dos países neocolonizados do mundo.
Em uma ocasião acompanhei meu pai a Pinares de Mayarí. Eu tinha então oito ou nove anos. Como ele gostava de conversar quando saía da casa de Birán! Ali era o dono das terras onde se plantava cana, pastos e outros cultivos agrícolas. Nos Pinares de Mayarí ele não era proprietário, mas arrendatário, como muitos espanhóis, que foram donos de um continente em virtude dos direitos concedidos por uma Bula Papal, cuja existência nenhum dos povos e seres humanos deste continente conhecia. Os conhecimentos transmitidos já eram em grande parte tesouros da humanidade.
A altitude era de até 500 metros aproximadamente, de colinas íngremes, pedregosas, onde a vegetação é escassa e por vezes hostil. Árvores e rochas obstruem o trânsito; repentinamente, a uma determinada altura, se inicia um planalto que calculo se estende aproximadamente sobre 200 quilômetros quadrados, com ricas jazidas de níquel, cromo, manganês e outros minerais de grande valor econômico. Daquele planalto se extraíam diariamente dezenas de caminhões de pinheiros de grande tamanho e qualidade.
Observe-se que não mencionei o ouro, a platina, o paládio, os diamantes, o cobre, o estanho e outros que paralelamente se converteram em símbolos dos valores econômicos que a sociedade humana, em sua etapa atual de desenvolvimento, requer.
Poucos anos antes do triunfo da Revolução meu pai morreu. Antes, sofreu bastante.