Mostrando postagens com marcador Reflexões de Fidel Castro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reflexões de Fidel Castro. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Fidel Castro: O destino incerto da espécie humana

Uma enorme ignorância envolve não só esta, mas também suas infinitas formas de experiências. Inclusive as impressões digitais dos gêmeos univitelinos, nascidos de um mesmo óvulo, se diferenciam ao longo dos anos. Não é debalde que os Estados Unidos, o país imperialista mais poderoso que já existiu, se autoengana ao assumir como doutrina um parágrafo da Declaração Universal dos Direitos Humanos onde se afirma: “Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos, e, dotados como estão pela natureza de razão e consciência, devem comportar-se fraternalmente uns com os outros”.

Nada disso pode ser ignorado. Há muito mais qualidades nos princípios religiosos do que os que são unicamente políticos, apesar de que estes se referem aos ideais materiais e físicos da vida. Também muitas das obras artísticas mais inspiradas nasceram de mãos de pessoas religiosas, um fenômeno de caráter universal.

Os homens de ciência ocupam hoje um lugar privilegiado nos centros de pesquisas, laboratórios e na produção de medicamentos destinados à saúde humana, a vencer as distâncias, concentrar as energias, aperfeiçoar os equipamentos de investigação que possam operar na terra e no espaço. Alguém deveria poder explicar de forma sossegada por que se pode observar desde um observatório a cinco mil metros de altura sobre o nível do mar uma estrela cuja luz tardou 12 bilhões de anos luz; quer dizer, a 300 mil quilômetros por segundo, para chegar à terra. Uma insólita medalha de ouro! Como se pode explicar isso, especialmente quando se faz referência à união das estrelas que segundo eminentes cientistas deram lugar à teoria do Big Bang?

sábado, 13 de agosto de 2016

Reflexão de Fidel Castro: O Aniversário


Ninguém melhor que ele próprio para falar sobre como se sente no marco de seus 90 anos. Na noite desta sexta-feira (12), Fidel Castro publicou um artigo no veículo do Partido Comunista de Cuba, o Granma, sobre seu aniversário. Refletiu sobre sua infância, sobre a importância de se educar as crianças e sobre os crimes do imperialismo contra os povos do mundo. Uma vez mais, surpreende por sua lucidez e altivez. Com a palavra, o comandante:

Amanhã completarei 90 anos. Nasci em um território chamado Birán, na região oriental de Cuba. É conhecido com esse nome, embora nunca tenha aparecido no mapa. Devido a seu bom comportamento, era conhecido por amigos próximos e, desde já, por uma praça de representantes políticos e inspetores que se viam em torno de qualquer atividade comercial ou produtiva próprias dos países neocolonizados do mundo.

Em uma ocasião acompanhei meu pai a Pinares de Mayarí. Eu tinha então oito ou nove anos. Como ele gostava de conversar quando saía da casa de Birán! Ali era o dono das terras onde se plantava cana, pastos e outros cultivos agrícolas. Nos Pinares de Mayarí ele não era proprietário, mas arrendatário, como muitos espanhóis, que foram donos de um continente em virtude dos direitos concedidos por uma Bula Papal, cuja existência nenhum dos povos e seres humanos deste continente conhecia. Os conhecimentos transmitidos já eram em grande parte tesouros da humanidade.

A altitude era de até 500 metros aproximadamente, de colinas íngremes, pedregosas, onde a vegetação é escassa e por vezes hostil. Árvores e rochas obstruem o trânsito; repentinamente, a uma determinada altura, se inicia um planalto que calculo se estende aproximadamente sobre 200 quilômetros quadrados, com ricas jazidas de níquel, cromo, manganês e outros minerais de grande valor econômico. Daquele planalto se extraíam diariamente dezenas de caminhões de pinheiros de grande tamanho e qualidade.

Observe-se que não mencionei o ouro, a platina, o paládio, os diamantes, o cobre, o estanho e outros que paralelamente se converteram em símbolos dos valores econômicos que a sociedade humana, em sua etapa atual de desenvolvimento, requer.

Poucos anos antes do triunfo da Revolução meu pai morreu. Antes, sofreu bastante.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Fidel Castro: O povo cubano vencerá!

Discurso de Fidel Castro durante o encerramento do VII Congresso do Partido Comunista Cubano:

"É um esforço sobre-humano dirigir qualquer povo em tempos de crise. Sem eles[os dirigentes], as mudanças seriam impossíveis. Em uma reunião como esta, aos mais de mil representantes escolhidos pelo próprio povo revolucionário, que a eles delegou sua autoridade, significa a maior honra que receberam na vida, e a isso se soma o privilégio de ser revolucionário que é o resultado de nossa própria consciência. 

Por que eu me tornei um socialista, de forma mais clara, por que eu me tornei um comunista? Essa palavra que expressa o conceito mais distorcido e caluniado da história por aqueles que tiveram o privilégio de explorar os pobres, despossuídos uma vez que eles foram privados de todos os bens materiais que proporcionam o trabalho, talento e energia humana. Desde quando o homem vive neste dilema, ao longo do tempo, sem limite. Eu sei que vocês não precisam dessa explicação, mas talvez alguns dos ouvintes. 

Falo simplesmente para que se compreenda melhor que não sou ignorante, extremista, ou cego, ou que não adquirida a minha ideologia por conta própria estudando economia. 

Eu não tive preceptor, quando era um estudante de direito e ciência política, naquelas em que eles tem um grande peso. Desde que tinha ao redor de 20 anos, gostava de esportes e de escalar montanhas. Sem preceptor para me ajudar no estudo do marxismo-leninismo; não era mais do que um teórico e, é claro, tinha total confiança na União Soviética. A obra de Lenin seria ultrajada após 70 anos de revolução. Que aula de história! Podemos dizer que não devem transcorrer outros 70 anos para que ocorra outro evento como a Revolução Russa, para que a humanidade tenha outro exemplo de uma grande Revolução Social, [como a] que significou um grande passo na luta contra o colonialismo e seu ajudante, o imperialismo. 

Foto: Fidel Castro durante o discurso. Por Ismael Francisco/Cubadebate

terça-feira, 29 de março de 2016

Fidel Castro: "somos capazes de produzir os alimentos e as riquezas materiais de que necessitamos"

O líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Castro, escreveu na noite deste domingo (27) e o jornal Granma, órgão oficial do Partido Comunista de Cuba, publicou nesta segunda-feira (28) uma reflexão sobre a visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama realizada entre 20 e 22 de março. Leia na íntegra:

O irmão Obama

Os reis da Espanha nos trouxeram os conquistadores e donos, cujas impressões digitais ficaram nas faixas de terra entregues aos buscadores de ouro nas areias dos rios, uma forma abusiva e sufocante de exploração cujos vestígios se podem ver desde o ar em muitos lugares do país.

O turismo hoje, em grande parte, consiste em mostrar as delícias das paisagens e saborear os excelentes alimentos de nossos mares, e sempre que se compartilhe com o capital privado das grandes corporações estrangeiras, cujos , se não atingem bilhões de dólares per capita não são dignos de nenhuma atenção.

Já que me vi obrigado a mencionar o tema, devo acrescentar, principalmente para os jovens, que poucas pessoas se dão conta da importância de tal condição neste momento singular da história humana. Não direi que o tempo se perdeu, mas não vacilo em afirmar que não estamos suficientemente informados, nem vocês nem nós, dos conhecimentos e das consciências que deveríamos ter para enfrentar as realidades que nos desafiam. O primeiro a levar em conta é que nossas vidas são uma fração histórica de segundo, que ademais há que compartilhar com as necessidades vitais de todo ser humano. Uma das características deste é a tendência à supervalorização de seu papel, o que contrasta por outro lado com o número extraordinário de pessoas que encarnam os sonhos mais elevados.

Contudo, ninguém é bom ou mau por si mesmo. Nenhum de nós está desenhado para o papel que deve assumir na sociedade revolucionária. Em parte, os cubanos tivemos o privilégio de contar com o exemplo de José Martí. Pergunto-me inclusive se ele tinha que cair ou não em Dois Rios, quando disse “para mim é chegada a hora”, e fez carga contra as forças espanholas entrincheiradas em uma sólida linha de fogo. Não queria regressar aos Estados Unidos e não havia quem o fizesse regressar. Alguém arrancou algumas folhas de seu diário. Quem tem essa pérfida culpa, que foi sem dúvida obra de algum intrigante inescrupuloso? Conhecem-se as diferenças entre os chefes, mas jamais indisciplinas. “Quem tentar apropriar-se de Cuba recolherá o pó de seu solo afogado em sangue, se não perecer na luta”, declarou o glorioso líder negro Antonio Maceo. Reconhece-se igualmente em Máximo Gómez, o chefe militar mais disciplinado e discreto de nossa história.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Fidel Castro: Lutar pela paz é o dever mais sagrado de todos os seres humanos

Tristemente, quase todas as religiões tem tido que lamentar o feito destruidor das guerras e suas terríveis consequências. A essas tarefas tiveram que dedicar as maiores energias. A singular importância do encontro entre o Papa Francisco e patriarca Kirill em Havana suscitou a esperança dos povos do mundo. 

A paz tem sido um sonho dourado da humanidade e anseio dos povos em cada momento da história. Milhares de armas nuclear pendem sobre as cabeças da humanidade. Impedir a mais brutal das guerras que pode desatar tem sido, sem dúvida, o objetivo fundamental do esforço dos líderes religiosos das igrejas dirigidas por homens como o Papa Francisco, sumo pontífice da Igreja Católica e o patriarca Kirill, líder religioso de Moscou e toda a Rússia.

Lutar pela paz é o dever mais sagrado de todos os seres humanos, quaisquer que sejam suas religiões ou país de nascimento, a cor da pele, a idade ou a juventude.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Fidel Castro: mensagem ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

Querido Nicolás,

Me uno à opinião unânime dos que te felicitaram por seu brilhante e valente discurso na noite de 6 de dezembro, quando se conheceu o veredito das urnas.

Na história do mundo, o mais alto nível de glória política que podia alcançar um revolucionário correspondeu ao ilustre combatente venezuelano e Libertador da América, Simón Bolívar, cujo nome não pertence mais somente a esse país irmão, mas a todos os povos da América Latina.

Outro oficial venezuelano de pura estirpe, Hugo Chávez, o compreendeu, admirou e lutou por suas ideias até o último minuto de sua vida. Desde pequeno, quando estava na escola primária, na pátria onde os herdeiros pobres de Bolívar tinham também que trabalhar para ajudar o sustento familiar, desenvolveu o espírito em que se forjou o Libertador da América.

As milhões de crianças e jovens que hoje frequentam a maior e mais moderna rede de escolas públicas no mundo são os da Venezuela. O mesmo pode se dizer de sua rede de centros de assisência médica e atenção à saúde de um povo valente, mas empobrecido graças a séculos de saque por parte da metrópole espanhola, e mais tarde pelas grandes transnacionais que extraíram de suas entranhas, durante mais de cem anos, o melhor da imensa reserva de petróleo com que a natureza dotou esse país.

A história também deve lembrar constantemente que os trabalhadores existem e são os que fazem possível o usufruto dos alimentos mais nutritivos, as medicinas, a educação, a segurança, a moradia e a solidariedade do mundo. Podem também, se desejarem, perguntar à oligarquia: sabem de tudo isso?

domingo, 28 de novembro de 2010

Fidel Castro: O discurso de Chávez


O fato ocorreu poucos dias antes da reunião de Ministros da Defesa dos países do hemisfério, em Santa Cruz, na Bolívia, onde o presidente Evo Morales fez sua forte denúncia, em 22 de novembro.

Mas não se tratava de uma campanha midiática caluniosa - algo comum na política imperialista -, mas de uma atividade conspiratória que, certamente, conduziria a Venezuela a um derramamento de sangue inevitável.

Pela experiência vivida ao longo de muitos anos, eu não tenho a menor dúvida do que iria acontecer na Venezuela, se Chávez fosse morto. Isso não teria que partir de um plano prévio contra o presid\ente; bastaria vir de um perturbado mentalmente, um usuário habitual de drogas ou a violência imposta nelo narcotráfico nos países da América Latina, para gerar na Venezuela um problema extremamente grave.
Analisando o fato do ponto de vista político, as atividades e os hábitos da oligarquia reacionária, dona de poderosos meios de comunicação, incentivada e financiada pelos Estados Unidos, conduziriam inevitavelmente a confrontos sangrentos na ruas da Venezuela, como é a intenção clara da oposição venezuelana, semeadora de ódio e atos de violência a olhos vistos.

Guillermo Zuloaga - proprietário de um canal de televisão opositor à revolução bolivariana e um fugitivo da justiça venezuelana - é um dos conspiradores que participaram da reunião de congressistas convocada por Connie Mack e Ileana Ros-Lehtinen - de origem cubana e filiação batistiana -, mais conhecida pelo nosso povo como "a loba feroz", por sua conduta repugnante na época do seqüestro de Elián González e sua recusa a entregar a criança ao pai.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Fidel Castro: O discurso de Evo Morales


Há momentos na história que exigem um discurso, ainda que tão breve quanto “Alea jacta est”, de Júlio César quando atravessou o Rubicão. Teve que atravessá-lo nesse dia, justamente quando os ministros da defesa dos Estados soberanos do Hemisfério Ocidental estavam reunidos na cidade de Santa Cruz, onde os ianques têm encorajado o separatismo e a desintegração da Bolívia.

Era segunda-feira e as agências de notícias estavam dedicadas à divulgação e comentários sobre a reunião da Otan [Organização dos países do Tratado Atlântico Norte] em Lisboa, onde essa instituição belicosa, em linguagem arrogante e rude, proclamou seu direito de intervir em qualquer parte do mundo onde sentirem ameaçados os seus interesses.

Ignorava-se por completo o destino de milhares de milhões de pessoas, e as verdadeiras causas da pobreza e do sofrimento da maioria dos habitantes do planeta. O cinismo da Otan merecia uma resposta, e ela veio na voz de um índio aymara da Bolívia, no coração da América do Sul, onde uma civilização mais humana floresceu antes que a conquista, o colonialismo, o desenvolvimento capitalista e o imperialismo impusessem a lei da força bruta, com base no poder das armas e das tecnologias desenvolvidas.

Evo Morales, presidente do país, eleito pela grande maioria do seu povo, com argumentos, dados e realizações irrefutáveis, talvez até mesmo sem conhecer o infame documento da Otan, deu resposta à política que o governo dos EUA pratica historicamente com os povos da América Latina e no Caribe.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Fidel Castro: A reforma sanitária dos EUA

Barack Obama é um fanático crente do sistema capitalista imperialista imposto pelos Estados Unidos ao mundo. "Deus abençoe os Estados Unidos”, conclui seus discursos.

Alguns de seus fatos feriram a sensibilidade da opinião mundial, que viu com simpatia a vitória do cidadão afro-americano perante o candidato da extrema direita desse país. Apoiando-se em uma das mais profundas crises econômicas que tem conhecido o mundo e na dor provocada pelos jovens norte-americanos que perderam a vida ou que foram feridos ou mutilados nas guerras genocidas de conquista de seu antecessor, obteve os votos da maioria do 50% dos norte-americanos que votaram dignamente nesse  país democrático.

Por elementar sentido ético, Obama devia ter-se abstido de aceitar o Prêmio Nobel da Paz, quando já tinha decidido enviar quarenta mil soldados a uma guerra absurda no coração da Ásia.

A política militarista, o saqueio dos recursos naturais, a troca desigual da atual administração com os países pobres do Terceiro Mundo, em nada se diferencia da política de seus antecessores, quase todos da extrema direita, salvo algumas exceções, ao longo do século passado.

O documento antidemocrático imposto na Cúpula de Copenhague à comunidade internacional – que deu crédito na sua promessa de cooperar na luta contra a mudança climática – foi outro dos fatos que causaram desapontamento para muitas pessoas no mundo. Os Estados Unidos, o maior emissor de gases do efeito estufa, não estava disposto a realizar os sacrifícios necessários apesar das palavras melosas prévias de seu Presidente.

Seria interminável a lista de contradições entre as ideias que a nação cubana tem defendido com enormes sacrifícios durante meio século e a política egoísta desse colossal império.

terça-feira, 9 de março de 2010

Fidel Castro: Os perigos que nos ameaçam

Não se trata de uma questão ideológica relacionada com a esperança irremediável de que um mundo melhor é e deve ser possível.

É conhecido que o homo sapiens existe há aproximadamente 200 mil anos, o que equivale a um minúsculo espaço do tempo decorrido desde que surgiram as primeiras formas de vida elementares em nosso planeta há por volta de três mil milhões de anos.

As respostas perante os mistérios insondáveis da vida e da natureza têm sido fundamentalmente de caráter religioso. Careceria de sentido pretender que fosse de outra forma, e estou convencido de que nunca deixará de ser assim. Enquanto maior for o aprofundamento da ciência na explicação do universo, do espaço, do tempo, da matéria e da energia, das infinitas galáxias e das teorias sobre a origem das constelações e das estrelas, os átomos e frações dos mesmos que deram origem à vida e a brevidade da mesma, e os milhões e milhões de combinações por segundo que regem sua existência, mais perguntas se fará o homem na busca de explicações que serão cada vez mais complexas e difíceis.

Enquanto mais se dedicam os seres humanos em procurar respostas a tão profundas e complexas tarefas que se relacionam com a inteligência, mais valerá a pena os esforços por tirá-los de sua colossal ignorância sobre as possibilidades reais que nossa espécie inteligente tem criado e resulta capaz de criar. Viver e ignorá-lo é a negação total de nossa condição humana.

terça-feira, 2 de março de 2010

Fidel Castro: O último encontro com Lula

O conheci em Managua, em julho de 1980, há 30 anos, durante a celebração do primeiro aniversário da Revolução Sandinista, graça a meus contatos com os partidários da Teologia da Libertação, que foram iniciados no Chile quando no ano 1971 visitei o presidente Allende.

Por Frei Betto sabia quem era Lula, um líder operário no qual os cristãos de esquerda punham desde cedo suas esperanças.

Tratava-se de um humilde operário da indústria metalúrgica que se destacava pela sua inteligência e prestígio entre os sindicatos, na grande nação que emergia das trevas da ditadura militar imposta pelo império ianque, na década de 60.

As relações do Brasil com Cuba tinham sido excelentes até que o poder dominante no hemisfério as fez sucumbir. Passaram décadas desde então até que voltassem lentamente a ser o que são hoje.

Cada país viveu sua história. Nossa pátria suportou inusitadas pressões nas etapas incríveis vividas desde 1959, em sua luta perante as agressões do mais poderoso império que existiu na história.

Por isso a reunião que acaba de concluir em Cancun e a decisão de criar uma Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe são de uma enorme importância para nós. Nenhum outro fato institucional de nosso hemisférico, durante o último século, reflete semelhante transcendência.

O acordo se alcança no meio da mais grave crise econômica que têm notícia no mundo globalizado, coincidindo com o maior perigo de catástrofe ecológica de nossa espécie, e ao mesmo tempo, com o terremoto que destruiu Porto Príncipe - capital de Haiti - o mais doloroso desastre humano da história de nosso hemisfério, no país mais pobre do continente e o primeiro onde foi erradicada a escravidão.

Quando escrevia esta Reflexão, a apenas seis semanas da morte de mais de duzentas mil pessoas, conforme cifras oficiais naquele país, chegaram notícias dramáticas dos prejuízos causados por outro sismo no Chile, que provocou a morte de pessoas cujo número está por volta de mil, segundo cifras das autoridades, e enormes danos materiais. São comoventes especialmente as imagens dos sofrimentos de milhões de chilenos afetados material ou emocionalmente por aquele golpe cruel da natureza. Chile, felizmente é um país com mais experiência nesse tipo de fenômeno, é muito mais desenvolvido economicamente e com mais recursos. Se não tivessem infraestruturas e edificações mais sólidas um incalculável número de pessoas, talvez dezenas ou inclusive centenas de milhares de chilenos, teriam falecidos. 

Fala-se de dois milhões de vítimas e possíveis perdas que oscilam entre 15 e 30 bilhões de dólares. Em sua tragédia conta também com a solidariedade e as simpatias dos povos, entre eles o nosso, ainda que conforme o tipo de cooperação que precisa é pouco o que pode fazer Cuba, cujo governo foi um dos primeiros em expressar ao do Chile seus sentimentos de solidariedade, quando as comunicações estavam ainda colapsadas.

O país que hoje coloca a prova a capacidade do mundo para encarar a mudança climática e garantir a sobrevivência da espécie humana é sem dúvidas o Haiti, por constituir um símbolo da pobreza que hoje padecem milhares de milhões de pessoas no mundo, incluída uma parte importante dos povos de nosso continente.

O acontecido no Chile com o terremoto da incrível intensidade de 8,8 na escala de Richter, ainda com mais profundidade que aquele que destruiu Porto Príncipe, obriga-me a enfatizar a importância e o dever de estimular os passos de unidade conseguidos em Cancun, ainda que não me faço ilusões sobre a difícil e complexa que será nossa luta de ideias face ao esforço do império e seus aliados, dentro e fora de nossos países, por frustrar a tarefa unitária e independentista de nossos povos.

Desejo deixar testemunho escrito da importância e o simbolismo que para mim teve a visita e o último encontro com Lula, desde o ponto de vista pessoal e revolucionário. Ele disse que, próximo a finalizar seu mandato, desejava visitar seu amigo Fidel; qualificativo honroso que recebi da sua parte. Creio conhecê-lo bem. Não poucas vezes conversamos fraternalmente dentro e fora de Cuba.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Fidel Castro: A Revolução Bolivariana e as Antilhas

Eu gostava da história como quase todos os rapazes. Também gostava das guerras, uma cultura que a sociedade semeava nas crianças do sexo masculino. Todos os brinquedos que recebíamos eram armas.

Na minha infância fui enviado para uma cidade, onde nunca me levaram ao cinema. Naquela época não existia a televisão e na casa onde eu morava não havia rádio. Eu tinha que usar a imaginação.

Na primeira escola a qual fui enviado como interno, lia com espanto sobre o Dilúvio Universal e a Arca de Noé. Mais tarde, achei que era, talvez, um vestígio que a humanidade guardava da última mudança climática na história da nossa espécie. Foi, possivelmente, o fim do último período glacial, que supostamente aconteceu há muitos milhares de anos.

Como se presume, mais tarde li com avidez as histórias de Alexandre, César, Aníbal, Bonaparte e, evidentemente, todo livro que caia nas minhas mãos sobre Maceo, Gómez, Agramonte e outros grandes soldados que lutaram pela nossa independência. Não tinha cultura suficiente para compreender o que havia por trás da história.

Posteriormente focalizei a minha atenção em Martí. Na verdade, a ele lhe devo os meus sentimentos patrióticos e o conceito profundo de que "Pátria é humanidade". A audácia, a beleza, o valor e a ética de seu pensamento ajudaram a me  tornar no que eu acho que sou: um revolucionário. Sem ser martiano, não se pode ser bolivariano; sem ser martiano e bolivariano, não se pode ser marxista, e sem ser martiano, bolivariano e marxista, não se pode ser anti-imperialista; sem ser as três coisas não se podia conceber uma Revolução em Cuba na nossa época.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Fidel Castro: Enviamos médicos, não soldados

Na reflexão do dia 14 de janeiro, dois dias após a catástrofe no Haiti, que destruiu este país irmão e vizinho, eu escrevi: 

"Cuba, apesar de ser um país pobre e bloqueado, há anos coopera com o povo haitiano. Cerca de 400 médicos e especialistas em saúde oferecem gratuitamente a cooperação àquele povo. Em 127 das 137 municípios do país, nossos médicos trabalham todos os dias. Além do mais, nada menos que 400 jovens haitianos  formaram-se em Medicina em nossa Pátria. Agora trabalharão com o reforço de nossos médicos que viajaram ontem para salvar vidas em críticas situações. Pode-se mobilizar, sem esforço especial, até mil médicos e especialistas em saúde que já estão quase todos lá e prontos para cooperar com qualquer outro Estado que queiram salvar vidas haitianas e na reabilitação dos feridos".

"A situação é difícil - relatou a chefe da Brigada Médica Cubana - mas já começamos a salvar vidas".

Hora após hora, dia e noite, nas poucas instalações que permaneceram de pé, em tendas ou em parques e espaços abertos, com medo da população de novos tremores, os profissionais de saúde cubanos começaram a trabalhar incansavelmente.

A situação era mais grave do que inicialmente imaginada. Dezenas de milhares de feridos clamavam por ajuda nas ruas de Porto Príncipe. Um número incalculável de pessoas, vivas ou mortas, estavam sob as ruínas de barro ou adobe, material das casas da maioria da população. Edifícios, inclusive os mais fortes, desmoronaram. Ademais, foi necessário localizar, no meio de bairros destruídos, os médicos haitianos formados na ELAM, muitos dos quais foram direta ou indiretamente afetados pela tragédia.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Fidel Castro: O Haiti coloca a prova o espírito de cooperação

As notícias que chegam do Haiti configuram o grande caos que era de esperar na situação excepcional criada pela catástrofe.

Surpresa, espanto, comoção nos primeiros instantes, vontades de prestar ajuda imediata nos cantos mais afastados da Terra. O quê enviar e como fazê-lo para um canto do Caribe, desde a China, a Índia, o Vietnã e de outros pontos localizados a dezenas de milhares de quilômetros? 

A magnitude do terremoto e da pobreza do país gera nos primeiros instantes ideias de necessidades imaginárias, que dão origem a todo o tipo de promessas possíveis que depois se tenta fazer chegar por qualquer via.

Os cubanos compreendemos que o mais importante nesse instante era salvar vidas, para o qual estávamos treinados não apenas perante catástrofes como essa, mas também contra outras catástrofes naturais relacionadas com a saúde.

Ali estavam centenas de médicos cubanos e, adicionalmente, um bom número de jovens haitianos de origem humilde, convertidos em profissionais da saúde bem treinados, uma tarefa na qual temos cooperado durante muitos anos com esse irmão e vizinho país. Uma parte dos nossos compatriotas estava de férias e outros de origem haitiana treinavam-se ou estudavam em Cuba.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Fidel Castro: A lição Haiti

Desde há dois dias, quase às 18h:00, hora de Cuba (já era de noite no Haiti devido a sua posição geográfica), as emissoras de televisão começaram a veicular notícias de que um violento terremoto de uma intensidade 7,3 na escala Richter tinha devastado Porto Príncipe. O fenômeno sísmico originou-se numa falha tectônica situada no mar, localizada a apenas 15 quilômetros da capital haitiana, uma cidade onde 80 por cento da população haitiana mora em casas frágeis construídas de adobe e barro.

As notícias continuaram quase ininterrompidamente durante horas. Não havia imagens, mas afirmava-se que muitos prédios públicos, hospitais, escolas e instalações de construção mais sólida tinham colapsado. Eu li que um terremoto de uma intensidade 7,3 equivale à energia liberada por uma explosão igual a 400 mil toneladas de TNT.

Descrições trágicas eram veiculadas. Os feridos nas ruas pediam aos gritos ajuda médica, rodeados de ruínas com famílias sepultadas. No entanto, ninguém conseguiu transmitir nenhuma imagem durante muitas horas.

A notícia surpreendeu-nos a todos. Muitos escutávamos com frequência informações sobre furacões e grandes cheias no Haiti, mas ignorávamos que o vizinho país corria o risco de sofrer um grande terremoto. Nesta oportunidade saiu à tona que há 200 anos essa mesma cidade tinha sofrido um grande terremoto, quando talvez a cidade tinha alguns poucos milhares de habitantes.

Às 24h:00 ainda não se conhecia uma cifra aproximada de vítimas. Altos chefes das Nações Unidas e vários chefes de Governo falavam sobre os comovedores acontecimentos e anunciavam o envio de brigadas de socorro. Como lá tem desdobradas tropas da MINUSTAH, forças das Nações Unidas de diversos países, alguns ministros de defesa falavam de possíveis baixas entre seu pessoal.

Foi verdadeiramente na manhã de ontem, quarta-feira, quando começaram a chegar as tristes notícias sobre as enormes perdas humanas na população e inclusive instituições como Nações Unidas mencionavam que algumas de suas edificações naquele país tinham colapsado, um termo que não diz nada por si próprio ou que podia significar muito.

Durante horas ininterrompidas continuaram chegando notícias cada vez mais traumáticas sobre a situação nesse irmão país. Eram discutidas as cifras das vítimas mortais que oscilam, segundo versões, entre 30 mil e 100 mil. As imagens são devastadoras; é evidente que o desastroso acontecimento tem recebido ampla difusão mundial, e muitos governos, sinceramente comovidos, realizam esforços por cooperar na medida de seus recursos.

A tragédia comove de boa fé a grande número de pessoas, especialmente as que são de caráter natural. Mas, talvez, poucas pessoas se põem a pensar por que o Haiti é um país tão pobre. Por que a sua população depende quase em 50% por cento das remessas familiares que são recebidas do exterior? Por que não analisar também as realidades que conduzem à situação atual do Haiti e  seus enormes sofrimentos?

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Fidel Castro: O mundo meio século depois

Ao cumprir-se há dois dias o 51º aniversário do triunfo da Revolução, vieram a minha mente as lembranças daquele 1º de janeiro de 1959. Nenhum de nós imaginou nunca a peregrina ideia de que depois de meio século, que passou voando, estaríamos lembrando-nos disso como se fosse ontem.

Durante a reunião na usina açucareira "Oriente", no dia 28 de dezembro de 1958, com o Comandante em Chefe das forças inimigas, cujas unidades elites estavam cercadas e sem nenhuma saída, ele reconheceu a sua derrota e fez um apelo a nossa generosidade para encontrar uma saída decorosa ao resto de suas forças. Conhecia de nosso trato humano aos prisioneiros e feridos sem exceção alguma. Aceitou o acordo que lhe propus, embora o tenha advertido que as operações em andamento continuariam. Mas viajou para a capital e instigado pela embaixada dos Estados Unidos promoveu um golpe de Estado.

Nos preparávamos para os combates desse dia 1º de janeiro, quando na madrugada chegou a notícia sobre a fuga do tirano. O Exército Rebelde recebeu ordens de não admitir um cessar fogo e continuar os combates em todas as frentes. Através de Rádio Rebelde convocaram-se os trabalhadores para realizarem uma Greve Geral Revolucionária, apoiada imediatamente por toda a nação. A tentativa golpista foi derrotada e já à tarde desse próprio dia as nossas tropas vitoriosas entraram em Santiago de Cuba.

O Che e Camilo receberam instruções de avançarem rapidamente pela estrada, nos veículos motorizados com suas aguerridas forças para La Cabaña e para o Acampamento Militar de Columbia. O exército adversário, golpeado em todas as frentes, não teria capacidade de resistir. O próprio povo sublevado ocupou os centros de repressão e as delegacias. No dia 2, à tarde, acompanhado por uma pequena escolta, me reuni num estádio de Bayamo com mais de dois mil soldados dos tanques, da artilharia e da infantaria motorizada, contra os que tínhamos combatido até o dia anterior. Ainda portavam o seu armamento. Tínhamo-nos ganho o respeito do adversário com nossas audazes, mas humanitários métodos de guerra irregular. Assim, em apenas quatro dias – depois de 25 meses de guerra que reiniciamos com alguns fuzis-, aproximadamente cem mil armas de ar, mar e terra e todo o poder  do Estado ficou nas mãos da Revolução. Em apenas poucas linhas relato o acontecido naqueles dias há 51 anos.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Fidel Castro: O direito da humanidade de existir


A mudança climática já causa danos consideráveis e centenas de milhões de pobres sofrem as consequências. 

Os centros de investigações mais avançados garantem que resta muito pouco tempo para evitar uma catástrofe irreversível. James Hansen, do Instituto Goddard da NASA, assevera que um nível de 350 partes do dióxido de carbono por milhão ainda é tolerável; contudo, hoje ultrapassa a cifra de 390 e cada ano incrementa-se a ritmo de duas partes por milhão, ultrapassando os níveis de há 600 mil anos. As últimas duas décadas têm sido, cada uma delas, as mais calorosas desde que se têm notícias do registro. Nos últimos 150 anos o mencionado gás aumentou 80 partes por milhão.

O gelo do Mar Ártico, a enorme camada de dois quilômetros de espessura que cobre a Groenlândia, os glaciais da América do Sul que nutrem suas fontes principais de água doce, o volume colossal que cobre a Antártida, a camada que resta do Kilimanjaro, os gelos que cobrem a Cordilheira do Himalaia e a enorme massa gelada da Sibéria estão a se derreter visivelmente. Cientistas notáveis temem saltos quantitativos nestes fenômenos naturais que originam a mudança.

A humanidade pôs grandes esperanças na Cimeira de Copenhague, depois do Protocolo de Kyoto subscrito em 1997, que começou a vigorar no ano 2005. O estrondoso fracasso da Cimeira deu lugar a vergonhosos episódios que precisam ser esclarecidos.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Fidel Castro: A verdade sobre o acontecido na Conferência de Copenhague (COP-15)


Aos jovens, interessa mais do que qualquer coisa, o futuro.

Até pouco tempo, discutíamos sobre o tipo de sociedade que viveríamos. Hoje, se discute se a sociedade humana sobreviverá.

Não se trata de frases dramáticas. É preciso se acostumar com os fatos reais. A última coisa que os seres humanos podem perder é a esperança. Com a verdade nas mãos, homens e mulheres de todas as idades, especialmente os jovens, travaram uma batalha exemplar na COP-15, oferecendo ao mundo uma grande lição.

O principal agora é que eles saibam, tanto quanto possível, em Cuba e no mundo, o que aconteceu em Copenhague. A verdade tem uma força que ultrapassa a inteligência midiatizada e, muitas vezes, desinformada, daqueles que detêm em suas mãos o destino do mundo.

Se na capital dinamarquesa algo aconteceu de importante foi que, através da mídia de massa, o mundo pôde observar o caos político criado e o tratamento humilhante aos Chefes de Estado e de Governo, ministros e milhares de representantes de movimentos sociais e instituições, que cheios de sonhos e esperanças foram para o local da Conferência.

A brutal repressão contra manifestantes pacíficos, por parte das forças de segurança, lembrou o comportamento das tropas de assalto nazistas, que ocuparam vizinha Dinamarca, em abril de 1940.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Fidel Castro: A hora da verdade


As notícias que chegam da capital dinamarquesa refletem o caos. Os anfitriões, após conceberem um evento no qual participariam por volta de 40 mil pessoas, não têm jeito de cumprir sua palavra. 

Evo [Morales], que foi o primeiro dos dois Presidentes da ALBA a chegar, expressou profundas verdades que emanam da cultura milenar de sua raça.

Assegurou, segundo as agências de notícias, que tinha um mandato do povo boliviano no sentido de bloquear qualquer acordo, se o texto final não satisfazer as alternativas. Explicou que a mudança climática não é a causa, mas sim o efeito, que éramos obrigados a defender os direitos da Mãe Terra, frente a um modelo de desenvolvimento capitalista, a cultura da vida frente à cultura da morte. Falou da dívida climática que os países ricos devem pagar aos países pobres, e devolver-lhes o espaço atmosférico arrebatado.

Qualificou de ridícula a soma de US$ 10 bilhões anuais, oferecidos até o ano 2012, quando na realidade são precisos bilhões a cada ano, e acusou os Estados Unidos de gastarem trilhões exportando o terrorismo ao Iraque, ao Afeganistão e criarem bases militares na América Latina.

O Presidente da República Bolivariana da Venezuela falou no dia 16 na Cúpula, às 8h40, hora de Cuba. Pronunciou um discurso brilhante, que foi muito aplaudido. Os seus parágrafos eram lapidários.

Impugnando um documento proposto à Cúpula pela Ministra dinamarquesa, a qual presidia a Conferência, expressou:

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Fidel Castro: Mensagem ao Presidente da República Bolivariana da Venezuela

Caro Hugo [Chávez]:

Completam-se hoje 15 anos do nosso encontro na Aula Magna da Universidade de Havana, em 14 de dezembro de 1994. Na noite anterior tinha esperado você ao pé da escada do avião que lhe trouxe a Cuba.

Conhecia do seu levantamento em armas contra o governo pró ianque da Venezuela. Em Cuba tinham chegado notícias de suas ideias quando estava na cadeia, e tal como nós, consagrava-se ao aprofundamento do pensamento revolucionário que o levou ao levantamento de 4 de fevereiro de 1992.

Na Aula Magna, de forma espontânea e transparente, você exprimiu as ideias bolivarianas que levava dentro de si, e que lhe conduziram, nas condições específicas do seu país e da nossa época, à luta pela independência da Venezuela contra a tirania do império. Depois do esforço de Bolívar e demais colossos, que cheio de sonhos, lutaram contra o jogo colonial espanhol, a independência da Venezuela foi ridícula na aparência.

Nenhum minuto da história é igual a outro; nenhuma ideia ou acontecimento humano pode ser julgado fora de sua própria época. Tanto você quanto eu partimos de conceitos que foram evoluindo ao longo de milênios, mas têm muito em comum com a história longínqua ou recente em que a divisão da sociedade em donos e escravos, exploradores e explorados, opressores e oprimidos sempre foi antipática e odiosa. Na época atual constitui a maior vergonha e a principal causa da infelicidade e do sofrimento dos seres humanos.

Quando a produtividade do trabalho, apoiada hoje na tecnologia e na ciência, multiplicou-se por dezenas e em alguns aspectos centenas e até milhares de vezes, tais e tão injustas diferenças deviam desaparecer.