Na última quinta-feira (17) completou-se um ano da reaproximação entre EUA e Cuba. Abaixo postamos entrevista com Silvio Rodrígues sobre o reatamento dos cubanos com EUA e de como isso tem afetado a cultura, a música e os acontecimentos em Cuba
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| Silvio Rodríguez. Foto: El Telégrafo |
Por Fernando Ravsberg no site
Publico. Tradução: Inês Castilho/
Outras Palavras.
“Cabe perguntar-se o que pode significar para Cuba sair do bloqueio e cair nas mãos do FMI. Seja como for, há que ser muito valente para declarar que não renunciamos ao socialismo”, é o que diz o cantor Silvio Rodríguez que, com mais de 40 anos de carreira, é hoje um dos nomes mais importantes da cena cultural cubana. Anunciada há um ano, em 17 de dezembro de 2014, a reaproximação entre Cuba e os Estados Unidos gera ampla discussão dentro e fora da ilha comunista.
Em entrevista ao site espanhol Publico, Rodríguez comenta a aproximação dos Estados Unidos a seu país. No âmbito cultural, ele ressalta que “sempre houve intercâmbio com os Estados Unidos em nível cultural. Criar condições para que esse intercâmbio se amplie será como levantar barreiras para que tudo flua com mais naturalidade” e ressalta: “Não se pode subestimar a centelha dos cubanos. Basta ver o crescimento vertiginoso dos restaurantes e outros serviços. Se chegar a Cuba, não duvido que o McDonald’s acabe vendendo pão com carne de porco”.
Quanto à Revolução Cubana, da qual participou ativamente, Silvio Rodríguez considera que “foi uma realidade imensa, reconhecida com um legado inquestionável. Fui uma partícula desse turbilhão o tempo todo. Não duvido que haja outra revolução no futuro. Mas, até que chegue esse momento extraordinário, o que nos cabe é evoluir”.
Confira a íntegra da entrevista:
A aproximação de Cuba e Estados Unidos abre muitas possibilidades, mas também representa desafios para a cultura cubana.
Sempre houve intercâmbio com os Estados Unidos em nível cultural. Criar condições para que esse intercâmbio se amplie será como levantar barreiras para que tudo flua com mais naturalidade. Se há algo frustrante, não é porque o contato seja negativo, mas porque a ilusão das pessoas propensas a deslumbrar-se acriticamente poderia aumentar. Digamos que o mimetismo pode tornar-se ainda mais pedestre, se é que isso é possível.
Cuba é também uma potência cultural, mas sem o poder econômico da cultura estadunidense. Você não teme que a cultura cubana se veja obrigada a “passar pelo aro” para acessar o mercado dos Estados Unidos?
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| Público no concerto gratuito do cantor cubano Silvio Rodríguez na inauguração da Cúpula dos Povos - Universidade do Panamá, 09 de abril de 2015 |