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domingo, 16 de junho de 2019

Chernobyl: Cuba foi o único país que atendeu as vítimas da tragédia de forma gratuita e massiva

Criança ucraniana em Tarará, Cuba, no ano de 2010 | Foto: Desmond Boylan/Reuters

Da Revista Fórum 

O governo cubano manteve o programa gratuitamente por mais de 20 anos, arcando com um enorme gasto para cuidar das vidas daquelas crianças, apesar de sua crise econômica, e nunca aceitou revelar quanto gastou nos tratamentos. "É um dever, não estamos fazendo publicidade", disse Fidel Castro a respeito.

No dia 26 de abril de 1986, uma explosão no quarto reator da planta nuclear de Chernobil (Chernobyl em inglês) causou uma catástrofe que contaminou uma área mais de 130 quilômetros quadrados (que atingia territórios que hoje são da Ucrância, Rússia e Bielorrússia), onde vivia uma população de cerca de 7 milhões de cidadãos soviéticos, provocando uma onda de doenças causadas pela radiação.

A tragédia foi terrível, mas também houve quem trabalhasse depois para diminuir a dor dos que sobreviveram a ela, como estava um grupo de médicos cubanos que atuou nos cuidados das chamadas “crianças de Chernobil”.

O segundo capítulo dessa história viria somente em 1990, quando a Ucrânia pediu ajuda internacional para as crianças vítimas do acidente nuclear. “O pedido chegou numa quinta-feira, e no sábado já estávamos enviando a resposta: nós tínhamos os melhores especialistas em patologias mais frequentes em crianças, que poderiam viajar imediatamente”, respondeu Sergio López Briel, que era o cônsul cubano na União Soviética naquele então.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Cuba trata os doentes de Chernobil; Agora oferece ajuda ao Japão

Crianças recebendo tratamento em Cuba
Por Celino Cunha

Os últimos acontecimentos catastróficos ocorridos no Japão, terramoto, tsunami e agora a contaminação radioativa provocada pelas explosões na central nuclear, fizeram-me recordar o desastre de há 25 anos (26 de Abril de 1986) em Chernobil na Ucrânia e a importante assistência médica que Cuba já prestou a cerca de 26.000 crianças desse país que foram afetadas pelas radiações, apresentando inúmeras patologias. 

Através de um programa estabelecido em 1990, os menores de 8 a 15 anos começaram a viajar gratuitamente para Cuba numa ponte aérea semanal, sendo instalados no complexo de Tarará a cerca de 25 Km a este de Havana e aí tratadas de cancro da tiróide e da pele, leucemia, alopecia, bócio, psoriase e também reabilitados de problemas motores e psíquicos. 

O tempo de permanência tem variado de acordo com a gravidade das lesões e muitos deles acabam por ficar muitos meses até poderem regressar em definitivo ao seu país e às suas famílias. Estes são geralmente acompanhados pelas mães e com a vinda de professores ucranianos têm podido continuar os seus estudos enquanto se sujeitam aos tratamentos. 

Em 1992 tive oportunidade de visitar estas instalações de Tarará, falar com alguns e verificar a felicidade estampada naqueles rostos (alguns desfigurados pelas queimaduras) mas demonstrando uma enorme vontade de viver, retribuindo com sorrisos o esforço e dedicação que todos os técnicos de saúde estavam a fazer para que pudessem ter um futuro e uma vida bem melhor e mais digna. 

De 1990 até 1998, um dos períodos mais críticos da economia cubana, todos os gastos com este programa foram suportados por Cuba e só daí para cá é que a Ucrânia paga as despesas aéreas e os salários dos professores, porque toda a assistência e as despesas de instalação continuam a ser gratuitas. 
Algumas crianças chegaram em cadeira de rodas e regressaram a andar, graças aos tratamentos recebidos, incluindo o transplante de medula e de rins. 

Neste momento as autoridades cubanas já se disponibilizaram para ajudar o Japão em tudo o que estiver ao seu alcance, dando mais uma vez o exemplo daquilo que deve ser uma verdadeira e desinteressada solidariedade internacional.