| Ato de despida em Havana, capital de Cuba | Foto: @MMarreroCruz |
Por Sturt Silva
| Presidente de Cuba discursa no enterro das vítimas dos EUA : Foto: Presidência de Cuba |
| Ato de despida em Havana, capital de Cuba | Foto: @MMarreroCruz |
| Presidente de Cuba discursa no enterro das vítimas dos EUA : Foto: Presidência de Cuba |
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| Guerra biológica contra Cuba | Foto: by BrAt82/Shutterstock |
Um novo conjunto de documentos recentemente desclassificados, conhecidos como “Arquivos JFK”, trouxe à tona evidências de que o aparato de inteligência dos Estados Unidos empregou estratégias de manipulação midiática e possíveis ataques biológicos para isolar e prejudicar Cuba durante a Guerra Fria. Os registros revelam como as agências militares e de inteligência americanas utilizaram a imprensa, epidemias e restrições econômicas para minar o governo revolucionário de Fidel Castro.
Campanhas midiáticas e pressão diplomática
Um documento classificado como “secreto”, identificado como DA Memo 64, detalha uma operação coordenada pela estação de inteligência dos EUA na Cidade do México para disseminar informações sobre surtos de febre aftosa e varíola em Cuba. Essa estratégia visava desencorajar a participação de arquitetos mexicanos no Congresso da União Internacional de Arquitetos, realizado em Havana, em um esforço para limitar a influência cubana no cenário internacional. De acordo com o documento, 52 dos 60 arquitetos mexicanos inicialmente inscritos desistiram de comparecer devido às supostas ameaças sanitárias.
Ainda não está claro se essas epidemias foram reais ou se a campanha de desinformação teve êxito em propagar a falsa ideia de uma crise sanitária. Além disso, não há confirmação sobre se os surtos ocorreram naturalmente ou se foram deliberadamente provocados como parte de um programa de guerra biológica.
Uso de armas biológicas contra Cuba
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| Manifestação em Havana contra sanções dos EUA e em defesa do socialismo, no final de 2024 | Foto: @DíazCanel |
Poucas horas após sua posse como presidente dos Estados Unidos na segunda-feira (20), Donald Trump assinou uma ordem executiva que reincorpora Cuba à lista de “Estados Patrocinadores do Terrorismo” elaborada unilateralmente pelo Departamento de Estado dos EUA.
De maneira injustificada, a medida anula a decisão de 14 de janeiro, quando, a menos de uma semana do fim de seu mandato, o ex-presidente Joe Biden retirou a ilha caribenha da lista, depois que o próprio Departamento de Estado afirmou ter “constatado que o governo de Cuba não havia fornecido nenhum apoio ao terrorismo internacional”.
Na noite de segunda-feira, assim que a notícia da decisão foi divulgada, o Brasil de Fato conversou com jovens cubanos sobre a decisão do novo presidente dos EUA.
'Nosso povo é o que mais sofre'
Diego de la Torre Castro conta que ficou sabendo da decisão ao verificar as notícias quando saía de seu trabalho em uma filial da Cruz Vermelha em Havana.
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| Câmera da TV na Praça da Revolução, em Havana | Foto: Cubadebate |
O coordenador do portal Cubainformación, José Manzaneda, e associação Euskadi-Cuba de solidariedade com Cuba, do País Basco, proprietária do site até 2020, serão julgados na Espanha, por um texto jornalístico.
Cubainformación é um meio de comunicação com sede em Bilbau e especializado em temas sobre a realidade cubana. Condena as sanções dos EUA contra o país socialista e é solidário à Revolução Cubana.
A publicação que virou alvo de ação judicial é "Criar uma crise sanitária em Cuba: o objetivo da guerra contra sua cooperação médica", que pode ser lido aqui (procure a versão em português).
No blog Solidários a Cuba já traduzimos vários artigos e alguns vídeos de Cubainformación.
Assista o vídeo abaixo sobre o caso:
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| Manifestação de americanos condenando ataque terrorista à Embaixada de Cuba | Foto: @lianystr |
📺Veja o momento em que a Embaixada de Cuba nos EUA sofre um ataque terrorista. 🇺🇸👇 https://t.co/Bc7XBH71Nd
— Solidários a Cuba 🇧🇷🇨🇺 (@blogsolidarios) September 26, 2023
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| Entrevista com o cubano Luis Calallero | Arte: Laura Sabino/Youtube |
Os governos dos EUA gostam de rotular líderes e povos resistentes ao seu domínio de "diabólicos". Não precisa ser de orientação socialista ou comunista, basta apenas buscar uma alternativa política livre daquela imposta por eles ou contrariar os princípios do liberalismo e do capitalismo estadunidense.
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| Arte contra o bloqueio dos EUA a Cuba | Foto: Cinthya Garcia/Cuba Debate |
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| Manifestação contra o bloqueio dos EUA a Cuba | Foto: Miguel Díaz-Canel |
Por Sturt Silva
Mesmo depois da saída de Trump, o governo dos EUA insiste em colocar Cuba em lista de países "que não combatem o terrorismo". A medida foi assinada no último dia 25 de maio, por Antony Blinken - Secretário de Estado - onde o governo estadunidense afirma que Cuba, ao lado de Síria, Coreia do Norte, Irã e Venezuela "não estão cooperando plenamente com os esforços antiterroristas dos Estados Unidos”.
O governo cubano, através de seu Ministério das Relações Exteriores, divulgou nota dois dias depois repudiando a decisão do governo Biden.
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| 60 anos da vitória cubana em Playa Girón; do duelo Kennedy X Castro: vitória do socialismo. Foto: Impera Productions |
Por Anjuli Tostes no Viomundo
Hoje completam-se 60 anos da vitória de Cuba contra a invasão financiada e executada pelos EUA em Playa Girón.
Em 17 de abril de 1961, um grupo de cerca de 1.500 dissidentes e mercenários recrutados, treinados e fortemente armados pelo governo estadunidense aportou em duas praias da Baía dos Porcos, Playa Larga e Girón.
Tropas cubanas, formadas por militares e civis, se mobilizaram para defender sua pátria esmagaram os invasores em menos de 72 horas. Os mercenários, por sua vez, não tiveram praticamente nenhum apoio do povo cubano.
O episódio entrou para a história como a primeira grande vitória militar contra o imperialismo norte-americano na América Latina, contrastando com os diversos governos que sucumbiram diante de golpes de estado articulados pelos EUA na região.
Uma pequena ilha derrotou a maior potência mundial, mostrando a força da Revolução Cubana.
O evento acabou gerando um efeito contrário ao almejado pelos EUA e serviu para consolidar o caráter socialista da revolução – proclamado dias antes, em 16.04, após uma série de atentados terroristas norte-americanos.
O povo cubano saiu deste importante episódio mais coeso em torno da revolução.
O que Che Guevara diz em uma carta a Kennedy, em agosto daquele ano, resume: “Obrigado por Playa Girón. Antes da invasão, a revolução era fraca. Agora está mais forte do que nunca”.
Cuba segue sendo um símbolo da luta e resistência contra o imperialismo e das conquistas sociais do socialismo.
Mesmo diante de um cruel embargo comercial, econômico e financeiro pela maior potência do mundo há 6 décadas, os avanços da Revolução Cubana são inegáveis.
Os indicadores em educação, saúde, expectativa de vida e segurança continuam sendo os mais altos da América Latina, com um IDH de dar inveja a muitos países considerados desenvolvidos.
Viva a Revolução Cubana!
Animação sobre a batalha de Girón:
Anjuli Tostes é advogada. Doutoranda em Direito e Economia na Universidade de Lisboa. Membro da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia.
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| Raúl Castro na abertura do VIII Congresso do Partido Comunista de Cuba | Foto: Estudios Revolución |
Documentos secretos divulgados na semana em que ocorre o VIII Congresso do Partido Comunista de Cuba, que marca a aposentadoria política de Raúl Castro, confirmam a tentativa de assassinato dos líderes da Revolução Cubana, ex-presidentes do país, Fidel Castro (1976-2006) e Raúl Castro (2006-2018), na década de 60.
A CIA contratou um piloto para matar Raúl Castro num voo entre Praga e Havana. A intenção era simular um acidente de avião e acabar com a vida do líder cubano. Felizmente, o piloto de nome José Raúl Martínez, recrutado pela CIA como informante em Cuba, não teve oportunidade de arrumar um acidente como haviam combinado com os estadunidenses.
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| Gerardo Hernández, Fernando González, Antonio Guerrero, René González e Ramón Labañino | Foto: TeleSUR |
| Penélope Cruz (centro), Wagner Moura e Pedro Pascal (à esquerda), Edgar Ramirez e Gael García Bernal (à direita) |
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| Possada carriles, o cubano que trabalhou para a CIA contra seu próprio povo | Foto:Norelys Morales |
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| Arte pela liberdade de Ana Belén Montes | Facebook |
| Mural contra o bloqueio a Cuba | Foto: Prensa Latina |
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| Museu de Praia Girón em Cuba | Foto: Rádio 26 |
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| Os Últimos Soldados da Guerra Fria de Fernando Morais | Foto: Nocaute |
Por Nildo Ouriques
O primeiro livro sobre Cuba que eu li foi A Ilha, de Fernando Morais, no final da década de setenta. Em perspectiva, aquele livrinho – que na época cumpriu extraordinário papel educativo – hoje seria desnecessário. O acesso a internet, a possibilidade de viajar diretamente a Havana, a presença de intelectuais e dirigentes políticos cubanos em eventos no Brasil, permite conhecimento mais preciso sobre um país que durante nossa longa ditadura – 21 anos – seria impossível. A Ilha, na verdade, uma espécie de livro-reportagem, introduzia o leitor no conhecimento das reformas iniciadas pela Revolução Cubana, este fenômeno histórico que é um verdadeiro divisor de águas na política e na consciência mundial e latino-americana.
Atualmente, a “imprensa livre” segue em uníssono a campanha contra o sistema político cubano sem mudar um átomo daquele enfoque típico do período chamado de “guerra fria”. Exceto pelo fato de que qualquer pessoa pode ler na edição dominical do Estadão os textos de Yaomy Sánchez, a “dissidente” que publica artigos com todo tipo de críticas ao sistema político cubano (falsas e/ou verdadeiras), um verdadeiro luxo que nenhum proscrito pela ditadura brasileira jamais teve.
Nestes dias, li de “um tirón” o novo livro de Fernando Morais. À exemplo de A Ilha, do qual minha memória guarda apenas uma cálida recordação, “Os últimos soldados da guerra fria. A história dos agentes secretos infiltrados por Cuba em organizações de extrema direita nos Estados Unidos” é também um livro reportagem, embora de muito maior fôlego, repleto de informação – e pesquisa – acesso privilegiado a documentos de Estado, pitadas de novela, estilo direto e agradável. E mais importante, é também um livro de análise das relações internacionais (sobre o poder dos estados nacionais), sobre o terrorismo de estado e as formas de combatê-lo.
Como de costume, “Os últimos soldados da guerra fria” foi recebido pela crítica brasileira com ceticismo e desaprovação. O jornal Folha de São Paulo sugeriu que se tratava de um livro débil e indicou como prova cabal duas ou três informações errôneas, como se fosse possível realizar um trabalho relativamente longo e importante de pesquisa sem erros. Eu mesmo encontrei que Luis Miguel, o cantor de boleros mexicanos nasceu, segundo Morais, em Porto Rico. Apesar de errônea, qual a importância desta informação para o argumento central da trama? Há, em quase todos os livros sobre América Latina, grandes e pequenos erros, especialmente quando se trata de relatos que envolvem muitos personagens e longos períodos históricos. Recordo a respeito que “A utopia desarmada”, de Jorge Catañeda, foi um livro aclamado com enorme entusiasmo pelo jornalismo nacional e contém – este sim! – graves erros históricos e não poucas falsificações que comprometem derradeiramente seu argumento central. O livro não poderia ser mais desastroso e a crítica recebeu bastante bem, mas obviamente fazia parte da campanha mundial contra o radicalismo de esquerda na América Latina.
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| Praga destrói plantação de tabaco cubano | Foto: Fernando Lezcano/Granma |
Desde os primeiros anos da Revolução, Cuba sofreu o impacto negativo econômico que provocou a guerra biológica silenciada pelos monopólios da informação a serviço da campanha midiática dos Estados Unidos contra a Ilha.
O caso de Cuba como nação pobre, em via de desenvolvimento e localizada a só 90 milhas do país capitalista mais poderoso do mundo, tem um caráter excepcional e único na história do terrorismo internacional e das estratagemas midiáticas.
Apesar de desde 1962 o governo estadunidense ter utilizado o ataque biológico como arma silenciosa na guerra suja contra esta nação caribenha, os fatos permanecem guardados em um closet diante da mudez dos grande meios internacionais de difusão.
No dia 18 de janeiro desse mesmo ano, Washington oficializou a modalidade quando assinalou na tarefa 21 do Projeto Cuba que a Agência Central de Inteligência (CIA) criaria um plano para promover fracassos nas colheitas de alimentos nesta nação.
A partir de então ao menos 10 administrações estadunidenses têm realizado uma longa corrente de ações de terrorismo biológico, com sensíveis afetações à economia, à saúde e à vida dos cubanos.
Em 1971 a agressão biológica provocou o sacrifício e destruição de meio milhão de porcos.
Dez anos mais tarde, a introdução da dengue hemorrágica na ilha ocasionou 344.203 vítimas e 158 falecimentos, entre eles 101 crianças.
No dia 6 de julho de 1982 registraram-se 11.400 casos de dengue em um só dia.
A grande maioria dessas ações foram preparadas na Flórida pela extrema direita de origem cubana, organizada e financiada pela CIA.
Em maio de 1997 a comunidade internacional conheceu a denúncia formulada por Cuba diante das Nações Unidas sobre a introdução no país do Thrips Palmi, diminuto e voraz inseto, depredador de diversos cultivos agrícolas. A acusação cubana oferecia detalhes a respeito da procedência, momento e métodos empregados para colocar em território nacional o perigoso agente.
No dia 21 de outubro de 1996, tripulantes da Cubana de Aviação observaram ao cruzar sobre o ocidental corredor aéreo Girón um avião monomotor que pulverizou de maneira intermitente substâncias desconhecidas.
Segundo os registros de controle aéreo, no momento assinalado sobrevoava o corredor Girón na direção descrita a aeronave de esterilização modelo S2R, com matrícula N3093M dos Estados Unidos, operada pelo Departamento de Estado dessa nação.
Em dezembro aparecem na região os primeiros indícios da presença de uma praga Thrips Palmi em cultivos de batata, quando o Laboratório Central de Cuarentena confirma que o inseto analisado é de origem asiático, até esse instante desconhecido e ausente em Cuba.
Mas a praga do Thrips Palmi, já se encontrava disseminada nas províncias de Matanzas e Havana, em dois municípios da província de Cienfuegos, em alguns de Pinar del Rio e na Ilha de La Juventud.
Esse tipo de inseto é muito difícil de controlar mediante insecticidas tradicionais, e resulta um agente biológico ideal para causar graves afetações à base alimentar agrícola, segundo as autoridades sanitárias.