sábado, 12 de janeiro de 2019

Cuba termina 2018 com a menor taxa de mortalidade infantil de sua história

Cuba consegue manter taxa de mortalidade infantil abaixo de 4 | Foto: Ladyrene Pérez/ Cubadebate
Por Sturt Silva

Cuba atingiu em 2018, pelo 2º ano consecutivo, e com 4 mortes a menos que em 2017, a menor taxa de mortalidade infantil de sua história, com 3,9 mortes para mil nascidos vivos. Em 1970 a  taxa era de 38,7.

Em números exatos: em 2007 a taxa era 4,044 óbitos por mil nascidos vivos, agora, em 2018, foi reduzida em 0,081 e caiu para 3,963 mortes.

Segundo dados da Direção de Registros Médicos e Estatísticas de Saúde de Cuba, em 2018 houve 116.320 nascimentos na ilha (1.349 a mais do que em 2017) e 461 mortes de crianças menores de um ano (4 a menos que em 2017). Em 1970 mais de 9 mil crianças morriam antes de completar esta idade.
Taxa de mortalidade infantil em Cuba: arredondado para 4 em 2018 | Infográfico: Granma
Em declarações para o jornal Granma, o Doutor Roberto Álvarez Fumero, chefe do Departamento Materno Infantil do Ministério da Saúde de Cuba, disse que os verdadeiros protagonistas de tal sucesso são os trabalhadores do sistema público de saúde do país.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Veja o que aconteceu com o casamento gay na nova constituição de Cuba

Movimento LGBTs retratado em documentário que aborda a temática em Cuba | Reprodução: HBO
Por Sturt Silva

Segundo Francisco Rodríguez, ativista homossexual, militante do Partido Comunista Cubano e autor do blog "Paquito el de Cuba", a nova constituição, aprovada no último dia 22 de dezembro e que deve ser referenciada no próximo dia 24 de fevereiro, não definirá o matrimônio como como união de duas pessoas, como apresentava o projeto que vinha sendo discutido nas assembleias nos últimos meses de 2018. A  Constituição não vai mais definir que sujeitos integram o matrimônio, e a lei - que no caso será o Código da Família - definirá posteriormente como se constituirá de forma mais específica o casamento em Cuba.

O tema foi o mais debatido pela população nas mais de 130 mil assembleias realizadas pelo país. Leia um trecho de um dos seus artigos que ele escreveu sobre o tema:

"Tratemos de avaliar com imparcialidade os acontecimentos. O artigo 68 do projeto constitucional [veja no final do texto como era] que discutimos foi o que gerou mais polêmicas em todo o texto, com 192.408 mil alterações, 24.57% do total, e o único que alcançou uma quantidade de seis dígitos. O matrimônio foi objeto de debate em 88.066 mil assembleias, 66% das que aconteceram. 

É verdade que nem todas as opiniões foram contrárias, nem mesmo houve como registrar quem estava a favor. Mas, para além disso, a consulta foi um êxito, ao permitir pela primeira vez abordar em uma discussão nacional os direitos das pessoas LGBTI, exorcizar os velhos demônios da homofobia e identificar os prejuízos que ainda continuam com muita força." 

Agora a discussão passa para artigo 82 [veja no final como ficou] no novo projeto e aborda a questão da seguinte maneira:

"O novo conceito de matrimônio está agora em um capítulo totalmente novo que aborda as famílias no plural, que reconhece suas mais diversas formas, incluindo as nossas. Também incorpora em outros de seus artigos o direito das pessoas de fundar uma família, em seus diferentes tipos e mediante outras formas que não necessariamente são em matrimônio, quando detalha que as famílias se constituem por vínculos jurídicos ou de fato. Ou seja, haverá um reconhecimento também das uniões consensuais nessa nova Constituição, e isso deverá incluir tanto os casais heterossexuais quanto os homossexuais".

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Falece Capitão que comandou as tropas cubanas na invasão da Baía dos Porcos

José Ramón Fernández junto a Fidel em "Playa Giron", abril 1961
Foto: Granma

José Ramón Fernández Alvarez, um dos heróis da Revolução Cubana conhecido como "El Gallego" Fernández, morreu neste domingo (06/01) aos 95 anos em Cuba. O militar comandou as forças cubanas, sob a liderança de Fidel Castro, no episódio da Baía dos Porcos [batalha de Giron], repelindo uma invasão apoiada pelos Estados Unidos. 

Fernández faleceu nas primeiras horas da manhã, informou a mídia estatal cubana. A causa da morte não foi divulgada. Ele teria estado em más condições de saúde nos últimos anos e foi hospitalizado há vários meses. 

"El Gallego" Fernández será cremado de acordo com seu próprio testamento e, posteriormente, os funerais serão realizados, disse o jornal oficial Granma. 

Fernández se juntou aos militares cubanos na década de 1940 e recebeu treinamento nos EUA. Passou a integrar a oposição à ditadura de Fulgencio Batista nos anos 1950, mas foi capturado e preso em 1956, onde permaneceu até a Revolução Cubana triunfar em 1959.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Frei Betto: "Longa vida à Revolução Cubana"

Revolução completa 60 anos | Reprodução: You Tube
Por Frei Betto no Dominicanos

1º de janeiro de 2019, 60 anos da Revolução Cubana. Quem diria? Para a soberba dos serviços de inteligência dos EUA a ousadia dos barbudos de Sierra Maestra, ao livrar Cuba da esfera de domínio de Tio Sam, era um “mau exemplo” a ser o quanto antes apagado das páginas da história. A CIA mobilizou e treinou milhares de mercenários e Kennedy mandou-os invadir Cuba (1961). Foram vergonhosamente derrotados por um povo em armas. E, de quebra, a hostilidade da Casa Branca levou Cuba a se alinhar à União Soviética. O tiro saiu pela culatra. Mexer com Cuba passou a significar aquecer a Guerra Fria, como o demonstrou a crise dos mísseis (1962).

Tio Sam não botou as barbas de molho. Transformou cubanos exilados em Miami em terroristas que derrubaram aviões, explodiram bombas, promoveram sabotagens. E investiu uma fortuna para alcançar o mais espetacular objetivo terrorista: eliminar Fidel. Foram mais de 600 atentados. Todos fracassados. Fidel faleceu na cama, cercado pela família, em 25 de novembro de 2016, pouco antes de a Revolução completar 58 anos. Havia sobrevivido a 10 ocupantes da Casa Branca que autorizaram operações terroristas contra Cuba: Eisenhower, Kennedy, Johnson, Nixon, Ford, Carter, Reagan, Bush pai, Clinton e Bush filho.

Fracassada a invasão da Baía dos Porcos, impôs-se o bloqueio a Cuba (1961). Medida criticada por três papas em visita a Havana: João Paulo II (1998), Bento XVI (2012) e Francisco (2015). Porém, a Casa Branca não escuta vozes sensatas. Prefere se isolar, ao lado de Israel, a cada ano em que a Assembleia da ONU vota o tema do bloqueio. Pela 27ª vez, em 2018, 189 países se manifestaram contra o bloqueio a Cuba.

Com a queda do Muro de Berlim e o desaparecimento da União Soviética (1989), os profetas da desgraça prenunciaram o fim do socialismo cubano. Não falharia a teoria do dominó... Equivocaram-se. Cuba resistiu, suportou o Período Especial (1990-1995) e se adaptou aos novos tempos de globalização.

Leia também:
A nova constituição de Cuba: ampliação de direitos e manutenção do caráter socialista
Revolução Cubana desenvolveu desde o início um sentimento de solidariedade aos povos

Muitos se perguntam: por que os EUA não invadiram Cuba com tropas convencionais (já que os mercenários foram derrotados), como fez na Somália (1993), Granada (1983), Afeganistão (2001) e Iraque (2003), Líbia (2011), Síria (2017), Níger (2017), e Iêmen (2018)? A resposta é simples: uma potência bélica é capaz de ocupar um país e derrubar-lhe o governo. Mas não derrotar um povo. Esta lição os estadunidenses aprenderam amargamente no Vietnã, onde foram escorraçados por um povo camponês (1955-1975). Atacar Cuba significaria enfrentar uma guerra popular. Após a humilhação sofrida no Sudeste Asiático, a Casa Branca prefere não correr o risco.

Após 60 anos, Cuba é um país livre, independente e dono do seu destino, diz ex-presidente

Raúl Castro discursa em Santiago de Cuba | Foto: Estudios Revolución
O ex-presidente e atual Primeiro-Secretário do Partido Comunista de Cuba, Raúl Castro, pronunciou no último dia 1º de janeiro, em Santiago de Cuba, o discurso oficial pelo aniversário dos 60 anos da Revolução Cubana.

Raúl Castro disse que o país, depois de seis décadas, é livre, independente e dono do seu destino.

“Após 60 anos de lutas, sacrifícios, esforços e vitórias, vemos um país livre, independente e dono de seu destino. Ao imaginar o amanhã, a obra realizada nos permite vislumbrar um porvir digno e próspero para a pátria”, afirmou.

O evento aconteceu no Cemitério de Santa Ifigênia, onde se encontram os mausoléus de líderes revolucionários como Fidel Castro, José Martí e outros. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, que sucedeu a Raúl, também estava presente.

“O povo heroico de ontem e hoje, orgulhoso de sua história, comprometido com seus ideais e a obra da Revolução, soube resistir e vencer nas seis décadas ininterruptas defendendo o socialismo”, disse Raúl. “A autoridade política e moral de Cuba está sustentada na história”.

“A Revolução não envelheceu”, disse, ao falar sobre o papel da juventude do país. “Sentimo-nos profundamente satisfeitos, felizes e confiantes ao ver, com nossos próprios olhos, como as novas gerações assumem a missão de construir o socialismo, única via para a independência”.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Viva a Revolução Cubana! Longa vida ao socialismo e ao povo de Cuba!

Desfile do Primeiro de Maio; Havana - 2018 | Foto: Irene Pérez/Cubadebate
Por Eduardo Vasco

Manter uma Revolução durante 60 anos, nas barbas do império mais poderoso que o mundo já viu, é um heroísmo digno de todas as reverências. Por isso, considero o sistema cubano o mais próximo da perfeição entre todas as experiências de orientação socialista que a classe trabalhadora já teve.

A Revolução Russa foi a maior e mais completa de todas, do ponto de vista do marxismo-leninismo. E no maior país do mundo. Um fenômeno surpreendente e mágico. No entanto, embora tenha durado mais de 70 anos, a ditadura do prolerariado soviético vivenciou, ao longo de seu longa experiência, degenerações e erros cada vez mais agudos que levaram à derrocada do socialismo em todo o Leste Europeu e na maior parte do mundo.

Cuba, uma ilha do Caribe, região extremamente pobre e com poucos recursos econômicos, conseguiu manter sua Revolução. Sem o mesmo desenvolvimento das forças produtivas que ocorria em outros países como a URSS, a China, a Tchecoslováquia, a Polônia, a RDA, etc., Cuba sobreviveu.

Foi um tapa na cara dos economicistas, que restringem a revolução socialista ao desenvolvimento das forças produtivas. Do ponto de vista econômico, Cuba sempre foi mais atrasada do que todos os países do Leste Europeu. Só conquistou sua independência em 1898, e mesmo assim, até 1959, era uma semicolônia dos Estados Unidos. Isolada em meio a ditaduras títeres do imperialismo estadunidense, em um continente sem qualquer governo amigo, e longe de seus poucos parceiros comerciais, com escassos recursos naturais, era praticamente impossível que Cuba conseguisse um grande êxito no desenvolvimento de sua economia.

Com o fim da União Soviética, Cuba perdeu todos os seus parceiros. Os EUA aproveitaram o momento para asfixiar a ilha economicamente, aumentando o bloqueio econômico e as ações desestabilizadoras. Para piorar, furacões devastaram a ilha ao longo da década de 1990. Cuba não tinha mais de quem comprar o que ela precisava e não podia produzir por não ter os recursos e por causa dos desastres naturais. O Período Especial foi o mais duro desafio do povo cubano, que aguentou firme e lutou pela recuperação do país, sem abandonar a bandeira do socialismo.

Como a Revolução Cubana resistiu ao fim da URSS:


Mas então, como Cuba conseguiu manter a sua Revolução intacta e a chama do socialismo acesa?

Revolução Cubana completa 60 anos

Há 60 anos, ditador cubano era derrubado e tropas revolucionárias tomavam Havana; na imagem Fidel e Che | Arte: Gabriela Lucena
Por Fania Rodrigues no Brasil de Fato

Há 60 anos, o Exército Rebelde cercava a cidade de Santiago de Cuba, na última batalha liderada pelo comandante Fidel Castro, no final de dezembro de 1958. Ao amanhecer do dia 1º de janeiro de 1959, o ditador Fulgencio Batista abandonava a ilha. Com a destituição do ditador alinhado aos Estados Unidos, consolidava-se assim a Revolução Cubana.

Naquele início de ano seis décadas atrás, bastaram algumas horas para os militares do Quartel de Moncada anunciarem a rendição diante dos guerrilheiros da Sierra Maestra. Essa batalha no oriente do país, também chamada de Operação Santiago, definiu o triunfo da Revolução Cubana. Era o mesmo lugar onde, cinco anos antes, havia começado a luta contra a ditadura de Batista, com o assalto ao Quartel de Moncada, no dia 26 de julho, data que deu origem ao nome do movimento guerrilheiro.

Depois da fuga do ditador Batista, Fidel Castro e sua tropa levaram sete dias para chegar à capital cubana. No dia 8 de janeiro de 1959, mais de mil combatentes rebeldes fizeram uma entrada triunfal em Havana, em cima de tanques e carros blindados do exército de Batista.

Para marcar a data, a reportagem do Brasil de Fato resgatou fatos históricos e conversou com pessoas que participaram da resistência naqueles dias e mantêm viva ainda hoje a memória da luta na ilha caribenha.

Fulgencio Batista

Fulgencio Batista foi presidente de Cuba entre 1940 e 1944. Depois do mandato, foi viver nos Estados Unidos e voltou à ilha para concorrer à presidência em 1952. Foi derrotado e liderou um golpe militar para tomar o poder, onde permaneceu até ser derrubado pelos revolucionários liderados por Fidel Castro.

Logo no início, os Estados Unidos reconheceram oficialmente o regime de Batista, apesar das denúncias de abuso de poder, como o aumento do próprio salário, que passou de 26 mil dólares anuais para 144 mil dólares, um dos maiores do mundo. Na comparação, à época, o salário do presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman, era de 100 mil dólares por ano.

Batista alinhou-se com os latifundiários ricos do país, que possuíam as maiores plantações de açúcar, e conduziu a ilha para um abismo social, com economia estagnada e um aumento cada vez maior da desigualdade social entre cubanos ricos e pobres. Além disso, a corrupção e o autoritarismo eram a tônica da gestão.

Com um governo cada vez mais corrupto, as máfias estadunidenses passaram a ter grande influência no país, controlando a distribuição de drogas, jogos de azar e a prostituição. Simultaneamente, as grandes multinacionais com sede nos Estados Unidos mantinham contratos lucrativos com o governo de Fulgencio Batista.

A insatisfação popular cresceu e ficou ainda mais evidente com o apoio demonstrado pela população às forças rebeldes que, comandadas por Fidel Castro, derrubaram o governo.

Apoio popular

domingo, 30 de dezembro de 2018

60º aniversário da Revolução Cubana: 12 brigadas de solidariedade visitarão Cuba em 2019

Cuba recebeu em 2018 o apoio de várias organizações internacionais de solidariedade
Foto: Leysi Rubio/Cubadebate
Do Granma 

Cuba recebeu em 2018 o apoio de amigos e organizações de solidariedade do mundo todo, em sua luta para eliminar o bloqueio econômico, comercial e financeiro criminoso imposto pelos Estados Unidos, há quase 60 anos, e em outras causas realizadas na arena internacional.

Neste ano, por 27 vezes consecutivas, outra vitória foi alcançada na Assembleia Geral das Nações Unidas - com a condenação da política unilateral dos Estados Unidos - votada por 189 países a favor, dois contra e nenhuma abstenção.

O triunfo também tem a contribuição dos grupos de solidariedade que mostram um grande otimismo e força, ganham espaços graças às suas ações rebeldes e informativas, desenvolvem seu trabalho em meio à crise estrutural do capitalismo e às políticas reacionárias e neoliberais.

Esta luta é combinada com a maneira rápida e eficaz para desmistificar as informações da grande mídia internacional, que procura maximizar só as dificuldades cubanas e minimizar o projeto social de desenvolvimento, apesar da política genocida de bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos e as novas medidas tomadas pela administração de Donald Trump.

Muitos movimentos de solidariedade apoiaram as moções parlamentares em seus países contra o bloqueio econômico estadunidense a Cuba e pediram numerosas manifestações em frente às embaixadas e consulados dos EUA em território europeu e estadunidense.

Essas ações são parte de um programa projetado em reuniões nacionais ou continentais de solidariedade com o a Ilha maior das Antilhas, onde participa a maioria das associações de amizade, embora haja muitos amigos e simpatizantes da Revolução Cubana que não se integram às organizações, mas que demonstram com vários gestos de solidariedade seus sentimentos em relação à Ilha caribenha.

É válido salientar o dia de solidariedade que acontece todo ano em Washington, no mês de setembro, organizado pelo Comitê Internacional da Paz, Justiça e Dignidade dos Povos, pelo Instituto de Estudos Políticos (IPS) [com sede em Washington DC], e pela Rede Nacional de Solidariedade com Cuba (NNOC). A rede é composta por cerca de 40 organizações, incluindo a Fundação Inter-religiosa (IFCO) Pastores pela Paz.