sábado, 10 de dezembro de 2016

“Guantánamo é um punhal no coração dos cubanos”, afirma diretor colombiano

Segundo diretor de “Todo Guantánamo é nosso”, base militar em Cuba serve como recordação de que os EUA está por perto

Monumento em homenagem a Ramón Peña e Luis López 
em frente à Base Naval em Guantánamo, território ilegalmente 
ocupado pelos Estados Unidos em Cuba - 
Foto: Pablo Soroa/ACN
Por Mariana Pitasse no Brasil de Fato

Na última segunda-feira (5), aconteceu o lançamento oficial do documentário "Todo Guantánamo é nosso” no Brasil. O filme, dirigido por Hernando Calvo Ospina, trata sobre Guantánamo a partir das falas dos cubanos que moram perto da fronteira da base militar norte-americana em Cuba. A sessão de estreia lotou o cineclube Silvio Tendler, no Museu da República, no Catete. A atividade foi realizada pelo Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba e pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Rio de Janeiro.

Após a sessão, o Brasil de Fato conversou com o diretor Hernando Ospina (foto), jornalista e escritor colombiano, refugiado político na França. Atualmente é colaborador do jornal Le Monde Diplomatique e não pode voltar a seu país, por conta das ameaças de morte que recebeu depois de publicar o livro “Terrorismo de Estado na Colômbia”.

Brasil de Fato - Quais foram as suas principais motivações para fazer um documentário sobre Guantánamo? 

Hernando - Conheço Cuba e sua revolução há muitos anos. Porém, há uns dois anos, me dei conta de que Cuba tinha uma fronteira terrestre com os Estados Unidos. Foi como uma grande descoberta. Pode parecer bobo, mas foi assim. Então, quis saber o que pensam e como vivem os cubanos que moram perto dessa fronteira. Não foi necessário procurar figuras como Fidel, Raul Castro ou altos dirigentes para que me explicassem essa situação: em cada dia de filmagem os cidadãos me diziam tudo, com palavras muito simples.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Ignacio Ramonet: perseguido e censurado na Espanha e França por ser biógrafo de Fidel

Após publicar meu livro sobre Fidel, fui retaliado na França e na Espanha; me 'desapareceram' das páginas dos jornais El País, La Voz de Galicia e Le Monde
Ramonet em Cuba para apresentação do "Fidel Castro - uma biografia em duas vozes"
Por Ignacio Ramonet no Le Monde Diplomatique

A morte de Fidel Castro deu lugar – em alguns grandes meios – à difusão de quantidades de infâmias contra o comandante cubano. Isso me doeu. É sabido que eu o conheci bem. E decidi, portanto, trazer meu testemunho pessoal. Um intelectual coerente deve denunciar as injustiças. Começando por aquelas de seu próprio país.

Quando a uniformidade midiática sufoca toda diversidade, censura qualquer expressão divergente e sanciona os autores dissidentes é natural, efetivamente, que falemos de repressão. Como qualificar de outro modo um sistema que amordaça a liberdade de expressão e reprime as vozes diferentes? Um sistema que não aceita a contradição por mais embasada que ela seja. Um sistema que estabelece uma “verdade oficial” e não tolera a transgressão. Tal sistema tem um nome, se chama “tirania” ou “ditadura”. Não tem discussão.

Como muitos outros, vivi em minha própria carne os flagelos deste sistema... na Espanha e na França. É o que quero contar.

A repressão contra mim começou em 2006, quando publiquei na Espanha meu livro “Fidel Castro – Uma biografia em duas vozes” – ou “Cien horas con Fidel” – fruto de cinco anos de documentação e trabalho, e de centenas de horas de conversas com o líder da Revolução Cubana. Imediatamente fui atacado. E começou a repressão. Por exemplo, o jornal El País (Madri), em cujas páginas de opinião eu até então escrevia regularmente, me sancionou. Parou de me publicar. Sem me oferecer explicação alguma. E não só isso, mas também – na melhor tradição stalinista – meu nome desapareceu de suas páginas. Apagado. Não voltaram a resenhar um livro meu, não se fez nunca mais menção alguma de nenhuma atividade intelectual minha. Nada. Suprimido. Censurado. Um historiador do futuro que buscasse meu nome nas colunas do El País deduziria que faleci há uma década...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

"Todo Guantánamo é Nosso": documentário contra ocupação dos EUA em Cuba é exibido no Rio de janeiro

Documentário do colombiano  Hernando Ospina é exibido no RJ
Por Sturt Silva

No último dia 5 de dezembro ocorreu o lançamento oficial no Brasil do documentário sobre o território cubano ocupado ilegalmente pelos EUA na província de Guantánamo.

Produzido pelo Resumen Latinoamericano em parceria com Comitê Internacional Paz, Justiça e Dignidade aos Povos (antigo Comitê Internacional pela Liberdade  dos Cinco Antiterroristas Cubanos) "Todo Guantánamo é Nosso" foi exibido no cine-clube Silvio Tendler do Museu da República (veja fotos aqui).

 

A atividade que foi organizada pelo Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba também homenageou Fidel Castro, exibindo um vídeo com música de Silvio Rodriguez e imagens de Fidel com a gravação de sua voz do discurso de 1º de maio de 2000, na Praça da Revolução em Havana, onde o Comandante sintetizou "O que é Revolução".
Foto: Comitê Carioca
Leia nota do Consulado de Cuba em São Paulo sobre o evento:

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Vitória de Cuba contra o intervencionismo da UE: chega ao fim "posição comum" de 96

União Européia vai assinar primeiro acordo bilateral com Cuba
Mogherini e Rodríguez - Foto: Ismael Francisco/Cubadebate
Do Opera Mundi

O Conselho de Ministros da União Europeia (UE) decidiu nesta terça-feira (06/12) revogar a "posição comum" imposta a Cuba em 1996. Essa política, que termina oficialmente no dia 12 de dezembro, restringia qualquer negociação com o governo cubano enquanto não houvesse o que o bloco chamava de “avanços” no campo dos direitos humanos dentro da ilha.

Além disso, também em dezembro, será assinado o primeiro acordo bilateral com Cuba. Segundo o Conselho de Ministros, esse pacto será submetido ao Parlamento Europeu. O texto prevê o fortalecimento do diálogo político, a melhora da cooperação bilateral e o desenvolvimento de ações conjuntas em fóruns multilaterais.

Este acordo só entra em vigor, no entanto, depois que Havana e Bruxelas forem notificados da aplicação. Dois meses depois dessa notificação, inicia-se a aplicação provisória do acordo. A implementação total, no entanto, acontecerá quando os parlamentos nacionais dos países da UE derem sinal verde, já que se trata de um tratado de natureza "mista" e algumas de suas partes devem ser aprovadas diretamente pelos governos.

As negociações do acordo começaram em abril de 2014 e terminaram em março deste ano, após sete encontros. No dia 11 de março, a chefe de Política Externa do bloco, a italiana Federica Mogherini, esteve em Havana para participar da sétima reunião oficial de diálogo político entre UE e Cuba, durante a qual foi firmado o pacto negociado.

Cinco músicas para recordar Fidel Castro


Por Mariana Serafini no Vermelho 

Fidel Castro partiu no último dia 25 de novembro, aos 90 anos. Dedicou a vida a lutar pela liberdade, pela soberania e trabalhou com afinco para reduzir as desigualdades e promover a justiça social.

O comandante foi um grande amante das artes. Em seu governo, desenvolveu o Balé Cubano ao máximo, fomentou políticas públicas voltadas para a educação e para os esportes e, contam os amigos do tempos de colégio, “era o melhor em tudo”.

Seu legado inspirou cantores e compositores de toda a América Latina. O Vermelho selecionou cinco canções de artistas de diferentes países em homenagem ao líder máximo da revolução cubana.

 Ouça as canções: 

1 – El elegido – Sílvio Rodríguez 

Sílvio Rodríguez é um dos maiores cantores e compositores cubanos de todos os tempos. Sua poesia canta o amor e a liberdade. Nesta canção, faz uma singela homenagem a Fidel Castro, quem qualifica como “um ser de outro mundo”.

2 – A Cuba – Victor Jara 


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Mais de 140 países homenagearam Fidel Castro na ONU

Secretário Geral do ONU presta homenagens a Fidel Castro - Foto: ACN
Do Opera Mundi 

A embaixadora cubana Ana Silvia Rodríguez agradeceu nesta segunda-feira (05/12) as mensagens de solidariedade recebidas por representantes de mais de 140 países membros da ONU pela morte do ex-presidente e líder revolucionário cubano Fidel Castro.

Representantes internacionais e funcionários da ONU prestaram homenagem a Fidel na Missão Permanente de Cuba nas Nações Unidas, com sede em Nova York, onde assinaram o livro de condolências pela morte do líder cubano.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, foi uma das autoridades a oferecer suas condolências ao povo cubano. “Fidel Castro foi uma figura emblemática da revolução cubana e uma energética voz a favor da justiça social, que deixou uma importante marca no seu país e na política global”, disse Ban.

Leia mais:
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"Fidel nos ensinou que podemos superar qualquer obstáculo na construção do socialismo" 
Assista ao discurso de Rául Castro na cerimônia a Fidel em Havana

Rodríguez também citou a visita de António Guterres, próximo secretário-geral da ONU que assumirá a partir de janeiro de 2017, e de Peter Thomson, presidente da Assembleia Geral da organização, que afirmou que Fidel Castro foi “um dos líderes mais ilustres do século 20”.

“Foi um defensor incansável da igualdade no cenário internacional e uma inspiração para os países em desenvolvimento, sua dedicação para o avanço, especialmente no âmbito da saúde, será sempre lembrado”, disse Thomson em reunião da Assembleia Geral. 

Além do livro de condolências, os integrantes da missão cubana assinaram o juramento de lealdade ao “conceito de revolução” expressado pelo ex-presidente em 2000. 

Rául Castro deposita as cinzas do Comandante em cemitério de Santiago - Foto: Juvenal Balán

Presidente de Cuba recebeu lideranças sociais da América Latina

Raúl Castro recebeu grupo de latino-americanos que viajaram a Cuba para despedir de Fidel 

Do Nocaute

Neste domingo, 4 de dezembro, horas depois do sepultamento das cinzas do Comandante Fidel Castro, o presidente Raúl Castro recebeu um pequeno grupo de latino-americanos que tinham viajado a Cuba para as despedidas de Fidel. 

Na foto: na primeira fila, da esquerda para a direita: Wagner Freitas (Presidente da CUT), Lula, Daniel Ortega, Dilma Rousseff, Raúl Castro, Nicolás Maduro e Evo Morales. Segunda fila: Guillaume Long (chanceler do Equador), Guilherme Boulos (MTST), Fernando Morais (Nocaute), Monica Valente (secretária de Relações internacionais do PT) e Raúl Guillermo Castro (neto de Raúl Castro). Terceira fila: David Choquehuanca (chanceler da Bolívia), Olímpio Cruz Neto, João Pedro Stédile (MST) e Breno Altman (Opera Mundi). No alto, Miguel Diáz-Canel (vice-presidente de Cuba), Delcy Rodríguez (chanceler da Venezuela) e Bruno Rodríguez (chanceler de Cuba).

domingo, 4 de dezembro de 2016

Assine o livro online de condolências pela morte de Fidel Castro

Do Vermelho 

Aqueles que desejam enviar uma mensagem de solidariedade ao povo cubano, mas não estão próximos da embaixada ou de algum consulado da ilha no Brasil podem assinar o livro de condolências pela morte de Fidel Castro online.

As mensagem publicadas no livro serão enviadas a Cuba e ficarão à disposição do povo cubano. 

Além do livro, os consulados e a embaixada no Brasil abriram suas portas a todo cidadão brasileiro que desejasse render uma homenagem ao comandante máximo da revolução cubana. 

40 anos com Fidel Castro: lembranças do escritor Fernando Morais

Julho de 1980: Moraes junto a Fidel a bordo do Iliushyn (Barbarroja ao fundo, à direita), a caminho de Manágua

Durante quarenta anos Fernando de Morais esteve dezenas de vezes em Cuba, como jornalista, escritor e ativista político. Nesse período aproximou-se do principal líder da Revolução Cubana, Fidel Castro. Neste texto especial para o blog Nocaute, Morais relembra alguns dos momentos de seu convívio com Fidel, falecido no último dia 25 de novembro, aos 90 anos.

Trancado num hotel por semanas sem fim, esperando Fidel

O tropel dos coturnos pretos sobre o chão de mármore do casarão silencioso me deu a certeza de que era ele quem chegava. Já passava da meia-noite, no final de março de 1975. Eu terminava minha entrevista com o vice-presidente cubano, Carlos Rafael Rodriguez e na manhã seguinte embarcaria de volta ao Brasil, depois de passar quase três meses esquadrinhando Cuba para a reportagem que redundaria no livro “A Ilha”.
Primeiro encontro de Morais com Fidel, 1977
Fidel apareceu com o frescor de quem acabara de sair do banho. Puxou uma cadeira, acendeu um charuto e pediu desculpas por não conceder a entrevista que eu pedira. “Ainda é cedo para falar para uma revista brasileira”, desculpou-se. “Mas prometo que a primeira entrevista para o Brasil será dada a você”. Com o gravador desligado, passou os quarenta minutos seguintes me entrevistando sobre as impressões que eu levava de Cuba. “Em muitos anos você é o primeiro brasileiro que aparece aqui que não seja para aprender a dar tiros”, gracejou “e agora quero saber o que achou da nossa ilhota”. Ao final levantou-se, pegou uma garrafa de rum em uma estante, encheu um cálice, tomou a bebida de uma só talagada e sumiu nos corredores semi-iluminados.

Eu só voltaria a vê-lo dois anos depois. Sob um calor infernal, centenas de milhares de pessoas se espremiam na praça da Revolução, em Havana, naquela manhã de 1º de maio de 1977. Um segurança me encaminhou pela arquibancada de madeira e indiciou que eu deveria sentar ao lado de um senhor discreto, de cabelos brancos, óculos de grau e, como a maioria dos presentes, com um chapéu de palha protegendo-o do sol. Era o argentino Ernesto Guevara Lynch, 77 anos, pai do guerrilheiro Ernesto Che Guevara, morto dez anos antes. A seu lado estava Luís Carlos Prestes, secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro e, em seguida, o Comandante Fidel Castro.