segunda-feira, 4 de maio de 2020

O trabalhador e seus direitos no Socialismo de Cuba

Manifestação no dia do trabalhador em Cuba - 2019 | Ismael Francisco/CubaDebate 

A orientação socialista da revolução cubana teve o desafio de aliar soberania nacional, crescimento econômico e igualdade real através do planejamento econômico e da propriedade estatal/social, apresentando diversos resultados objetivos para a ilha e seu povo admirados em todo o mundo. 

Tendo o ser humano como centro do desenvolvimento, o governo revolucionário deu a todo o cubano o acesso à caderneta de alimentação, a “libreta”, rompendo a grande chagada da fome, que assolava a ilha e até hoje se faz presente nos outros países do nosso continente. 

O forte investimento do governo revolucionário em saúde e educação públicas e gratuitas deu ao cubano mais humilde melhor qualidade de vida, uma alta formação profissional e um nível de conhecimento da realidade, que efetivou o sonho de Martí, “ser culto para ser livre”. 

A construção do socialismo também criou as bases para a superação de antigas e arraigadas heranças da sociedade patriarcal e racista. Mesmo com um caminho longo a percorrer – é preciso dizer que esse combate é assumido pelo governo cubano – as mulheres já representam 53,2 % da Assembleia Nacional, enquanto os negros 40 %, havendo uma discussão, cada vez mais profunda, sobre os direitos dos LGBTs. 

O socialismo caribenho não trouxe somente o avanço dos direitos econômicos e civis para todos os cubanos. Diferente da democracia burguesa, que é limitada à esfera da representação parlamentar e ao controle empresarial, os cubanos construíram uma forma de participação política muito mais avançada: qualquer pessoa, sem precisar pertencer ao partido comunista ou qualquer outra organização, pode candidatar-se ao parlamento, sendo indicadas em cada circunscrição pelo próprio povo, gerando, na Assembleia Nacional, cerca de 40 por cento de deputados escolhidos pela base. 

Todas as propostas de mudanças, como foi o caso do novo modelo econômico e da recente reforma constitucional, foram discutidas por todo o povo em milhares de assembleias construídas pelas diversas organizações da sociedade civil socialista. Depois desse intenso processo, foram os cubanos convocados para referendar a nova Constituição, contando com a participação de 84,4 % da população, deixando claro que o voto na ilha é optativo. A Nova Constituição, que sustenta, do ponto de vista legal, o novo socialismo cubano. foi aprovada por 85 % dos votantes.

Os sindicatos também ganham crescente importância na participação do socialismo cubano. Além de salvaguardar os interesses e direitos dos trabalhadores, fazem parte decisiva da produção, criando caminhos não só para uma gestão cada vez mais democrática, como também para ampliar o processo de socialização econômica e política.

Assista: Manifestação do Primeiro de Maio em Cuba - 2018 


O Governo cubano empenha o seu maior esforço para garantir, apesar das condições difíceis impostas pelo bloqueio que sofre por parte dos EUA há 60 anos, os direitos trabalhistas conquistados pela Revolução:

sábado, 2 de maio de 2020

Coronavírus evidencia falta dos médicos cubanos

Muitos ignoram mas Cuba tem os melhores indicadores de saúde do mundo, afirma médico brasileiro
Por João Marcelo Goulart  no Brasil de Fato

Em meio a pandemia do coronavírus o que realmente importa é preservar a vida. No entanto, em um mundo globalizado onde milhões de famílias passam fome ou morrem por não terem saneamento básico a prioridade parece ser outra.

No Brasil, “liderado” por Bolsonaro essa realidade é pior ainda. Tínhamos o exemplo de outros países do mundo que falharam ao ignorar o isolamento social para não parar a economia. Essa se tornou uma estratégia genocida e falida em todo o mundo, mesmo assim, Bolsonaro e seus seguidores insistem em atentar contra a saúde do povo brasileiro mandando-os para a rua.

Sempre sou questionado das minhas razões de ter ido estudar medicina em Cuba. Poucos sabem, outros negam e maioria é desinformado, mas Cuba tem os melhores indicadores de saúde do mundo.

Isso só é possível porque eles possuem um sistema público eficiente, que é voltado para evitar que sua população adoeça. Ora, nada mais lógico do que isso, certo? Diferentemente do Brasil que segue o modelo “hospitalocentrico” norte-americano de mero assistencialismo, a formação médica cubana é voltada para a promoção de saúde e prevenção de doenças. Prevenir sempre, inclusive aos que já estão doentes.

Exemplo: para um paciente diabético e hipertenso, nós somos muito enfáticos na prevenção de desenvolvimento de complicações como AVC, insuficiência renal e infartos. Nós aprendemos, em Cuba, sobre as doenças dentro das comunidades, conhecendo a realidade das pessoas. Suas dificuldades e limitações, características do bairro e geografia, etc. É muito mais fácil ter êxito nos indicadores de saúde quando estamos inseridos no dia a dia dessas pessoas. A informação chega mais rápido e mais vezes. No Brasil, aprendemos o que é hipertensão já com o paciente numa unidade de terapia intensiva (UTI) após ter desenvolvido as complicações.

Não basta o caráter social e humanitário da formação medica cubana, também se faz necessário um Estado que investe em saúde. Em Cuba o acesso às medicações de uso contínuo é praticamente gratuito. A população tem acesso a exames de alta complexidade, sempre e quando necessários. É aqui que ter investido na prevenção faz a diferença. Ao termos uma população bem atendida na atenção primária à saúde, temos poucos doentes com necessidade de exames e procedimentos caros, aliviando muito os gastos.

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Covid-19: 51 países pediram ajuda médica a Cuba para combater a pandemia

Quase 1.500 médicos para 23 países nos últimos meses; no total são mais de 28 mil médicos em 65 países
Médicos cubanos chegam à África do Sul | Foto: Presidência da África do Sul
Por Sturt Silva

Até o último dia 27 de abril, médicos cubanos tinham atendidos aproximadamente 2.517 pacientes com COVID-19 no mundo. As informações foram dadas por Marcia Cobas Ruíz, vice-ministra do Ministério de saúde de Cuba, em entrevista ao programa Mesa Redonda da TV cubana.  

Segundo Cobas, nos últimos meses, Cuba recebeu pedido oficial de ajuda médica de 51 países e é a partir deles que as brigadas são enviadas. Assim, até o momento, foram enviadas 1.466 profissionais para 23 países. Todas as brigadas são do contingente Henry Reeve, grupo de médicos formado por especialistas em epidemias e desastres naturais. 

"É um resultado não apenas dos contingentes de "Henry Reeve", mas de todas as brigadas que estavam ajudando e as que se juntaram. Estamos falando dos 59 que cooperam tradicionalmente, além daqueles que se juntaram para trabalhar em regiões italianas como a Lombardia e Piemonte e o Principado de Andorra ”, disse a cubana. 

A vice-ministra afirmou que Cuba possui brigadas em 30 países da África, 10 da Ásia e Oceania, 4 do Oriente Médio e 15 da América Latina. Além de 2 na Europa. No total a ilha socialista tem cerca de 28.400 profissionais de saúde em 61 países (veja no vídeo abaixo).


Entretanto, o Ministério das Relações Exteriores de Cuba divulgou nesta terça (05/05) novas informações sobre a cooperação médica cubana no mundo. Não seria apenas 61 países, mas 65. Assim há 31 países com médicos cubanos na África, 5 na Ásia/Oceania, 5 no Oriente Médio, 2 na Europa e 22 na América Latina e Caribe.

Desde que começou a pandemia, Cuba enviou brigadas médicas para 23 países. As primeiras nações a receber profissionais da brigada Henry Reeve foram Nicarágua (5) e Venezuela (6). Depois Suriname (51), Granada (5), Haiti (22) e Jamaica (138) também tiveram suas solicitações de ajuda atendidas. Ainda na América Latina outros 8 países receberam ajuda. São eles: Santa Lúcia (113), São Cristóvão e Neves (34), Dominica (35), São Vicente e Granadinas (16), Antígua e Barbuda (26), Belize (58), Honduras (20), Barbados (101) e Trinidad e Tobago (11). Os 7 primeiros receberam médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde, enquanto que os dois últimos foi apenas enfermeiras.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

A história da solidariedade médica cubana: 600 mil especialistas em 160 nações

Escola Latino-americano de Medicina | Foto: Cuba Debate
Por Rolando Antonio Gómez Gonzáles no Vermelho

Desde que Cuba enviou uma brigada médica para ajudar as vítimas do terremoto que atingiu o Chile em 1960 – ainda no meio da deserção maciça de 50% dos médicos que abandonaram seus pacientes – até o passado ano 2019, o país colaborou com mais de 600 mil especialistas em 160 nações como ajuda na área da saúde, principalmente de forma gratuita. Desse número, em 2020, continuaram trabalhando em 67 países 37.472 especialistas.

Durante os primeiros anos a assistência foi dada prioritariamente aos países que lutavam pela sua libertação e que, por sua vez, apresentavam situações sanitárias críticas. Assim, duas das brigadas médicas mais importantes dirigiram-se à Guiné e à Tanzânia. Entre os anos 1970 e 1980, o maior impacto se concentraria em Angola e Etiópia.

Nos anos 90 foi estabelecido o Programa Integral de Saúde que deu um enfoque mais efetivo à assistência proporcionada por Cuba incluindo no mesmo os medicamentos, equipamentos médicos e preparação de pessoal.

O enfrentamento de desastres naturais a partir dos furacões que atingiram a América Central e o Haiti em 1998-99, contou com o envio de brigadas médicas integradas por centenas de especialistas que possibilitaram uma maior eficiência no trabalho assistencial.

A estrutura mais especializada foi criada com a Brigada Henry Reeve em 2005, que ofereceu seus serviços ao governo dos EUA para enfrentar os efeitos do furacão Katrina em Nova Orleans, oferta que não foi aceita. Mas a brigada cumpriu até 2019 missões em 22 países diferentes e em 2014-2015 desempenhou um papel importante no controle do Ebola na África.

Atualmente 21 brigadas compostas por mais de 1.200 especialistas estão cumprindo missões de apoio em 20 países, desde Angola até a Itália, no combate contra o COVID-19 [1].

Os médicos cubanos combatem o novo coronavírus em 65 países

Médicos cubanos antes de deixar Cuba para combater o coronavírus na Itália | Foto: Reuters/Alexandre Meneghini
Por Sturt Silva 

Segundo o Ministério das Relações Exteriores de Cuba, atualmente 65 países contam com atendimento de médicos cubanos em suas redes públicas de saúde. 
Cooperação médica cubana está em 65 países | Arte: Diplomacia cubana
São eles: África do Sul, Antígua e Barbuda, Angola, Argélia, Andorra, Arábia Saudita, Barbados, Bahrein, Bahamas, Burkina Faso, Botsuana, Belize, Cabo Verde, Chade, China, Congo, Curação, Djibouti, Dominica, Eritreia, Etiópia, Suazilândia, Gâmbia, Gabão, Gana, Granada, República da Guiné, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Guiana, Guatemala, Haiti, Honduras, Itália, Jamaica, Lesoto, Quênia, Kiribati, Kuwait, Mauritânia, México, Moçambique, Mongólia, Namíbia, Nicarágua, Níger, Catar, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, São Cristóvão e Neves, São Tomé e Príncipe, Seychelles, República Árabe Saaraui Democrática, República Dominicana, Suriname, Tanzânia, Timor Leste, Trinidad e Tobago, Togo, Turquia, Uruguai, Uganda, Venezuela,Vietnã e Zimbábue.


Novas brigadas médicas contra a covid-19 

Desde que começou a pandemia, Cuba já enviou médicos e profissionais de saúde para 23 países. Os primeiros foram Nicarágua e Venezuela. O caso mais marcante a receber ajuda cubana é da Itália, que passou a ser o primeiro país europeu desenvolvido a contar com assistência médica cubana. Até o México recebeu médicos especialistas para ajudar a criar políticas públicas para combater a epidemia no país. 
Veja os países beneficiados e quantos profissionais cada um recebeu
Arte: Diplomacia Cubana

América Latina e Caribe

terça-feira, 21 de abril de 2020

Covid-19: Cuba está pronta para enviar médicos e exportar medicamento à Alemanha

Interferon Alfa-2b: interesses políticos não devem prevalecer sobre salvação de vidas humanas
Médicos cubanos chegam a Turim para combater Covid-19 na Itália | Foto: Heidy Villuendas Ortega

A Sputnik Alemanha falou com Georg Scheffer, diretor-geral da empresa alemã Profumed Deutschland, que quer importar de Cuba um medicamento que mostrou ser eficaz contra a COVID-19.

O empresário declarou à Sputnik Alemanha que sua empresa - que se dedica à produção de material médico à base de celulose - colabora com Cuba há três anos. Após o início da pandemia de COVID-19, Schaeffer entendeu que era necessário "fazer algo para salvar vidas humanas" e este foi o momento em que ele se inteirou sobre a existência do dito medicamento.

"Entendemos que o desenvolvimento e a produção de outros fármacos ou agentes serão impossíveis em um futuro próximo", declarou Scheffer, que agregou que sua empresa está trabalhando na obtenção de uma permissão para importar o medicamento cubano.

"Não queremos que na Alemanha se repita o mesmo que aconteceu na Itália, e a evolução da situação na Itália nos demonstra que temos razão: agora, ali trabalham especialistas de Cuba e da China, salientou.

Scheffer comentou que sua empresa necessita do apoio de outras do setor que tenham permissão para importar o Interferon Alfa-2b, já que na União Europeia a importação do dito fármaco só é autorizada na Espanha. O empresário alemão salienta que Cuba sempre "teve algo a mostrar" quanto a suas pesquisas médicas, e até exportou medicamentos à República Democrática da Alemanha durante a Guerra Fria.

As empresas farmacêuticas cubanas BioCubaGarma e Labiofam estão dispostas a oferecer ajuda à Profumed, divulgou o entrevistado. Para além disso, Cuba está pronta a enviar seus médicos à Alemanha ou autorizar a produção do medicamento no país europeu.

Bloqueio comercial 

Scheffer expressou sua esperança de que "os interesses políticos dos EUA e o bloqueio comercial a Cuba não prevaleçam sobre questão de salvar vidas humanas".

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Com a Covid-19, EUA fortalece o bloqueio contra Cuba: saiba como fazer sua doação

Câmara Empresarial Brasil-Cuba está organizando envio de doações para Cuba | Arte: Blog Solidários a Cuba
Por Antonio Mata Salas

Estimados Companheiros (as):

Recebemos pedidos de informação, de amigos e de diferentes setores, sobre como fazer determinadas doações a Cuba, considerando a grave situação criada pelo COVID-19, no marco do reforço do bloqueio (econômico/comercial) dos Estados Unidos contra o Povo Cubano.

Oportunamente, a Câmara Empresarial Brasil-Cuba, registrada como entidade sem fins lucrativos, encabeçada pelo bom amigo de Cuba, Vladimir Guilhamat, já está carregando um contêiner com recursos que serão enviados a Cuba aproximadamente, a partir de doações feitas por empresários e outras fontes diversas.

Adicionalmente, a Câmara, também por sua própria nobre iniciativa, criou uma conta bancária para receber doações em dinheiro que serão utilizadas para adquirir produtos necessários em Cuba, que também serão agrupados para enviar no contêiner a nossa ilha.

A Câmara levará um registro contábil estrito, que pode ser auditável, de todas as doações, assim como da forma na qual será utilizada as aquisições de recursos.

Conforme nos informa a Câmara Empresarial Brasil-Cuba, a conta bancaria:

Banco do Brasil S.A.
Titular da Conta: Câmara Empresarial Brasil-Cuba,
AGENCIA 4770-8
CONTA CORRENTE 13.844-4
CNPJ 34.131.511/0001-64

O comprovante de depósito deve ser enviado ao correio/e-mail: vladimir@brasilcuba.com
Agradecemos, antecipadamente a solidariedade de todos vocês, queridos amigos ♥.

Antonio Mata Salas,
Consulado Geral de Cuba em São Paulo.

Em Cuba quem governa é o povo!

Jovem cubana vota em referendo que aprovou a nova constituição de Cuba, fevereiro de 2019 | Foto: UCI-Cuba
Por Sturt Silva

Em entrevista ao site Tutaméia, o Cônsul Geral de Cuba em São Paulo, Pedro Mónzon, disse que Cuba é uma democracia legítima (assista no vídeo abaixo). 

Claro que há conceitos diferentes de democracia. Há democracias onde quem governa é o dinheiro; há vários partidos, e os candidatos que têm sustentação monetária podem promover sua imagem e sair presidente ou conquistar algum cargo, de maneira que se estabelece uma relação direta entre ter o dinheiro e o poder político. Portanto, o governo é do dinheiro. 

 Isso não é uma democracia. Democracia significa governo do povo, não o governo do dinheiro. 

Em Cuba, quem governa é o povo. Quem elege é o povo. Os dirigentes chegam ao poder porque têm o respaldo do povo.

As eleições em Cuba são organizadas a nível de bairros. As candidaturas para representantes ou cargos no governo se baseiam nas virtudes das pessoas. As propostas não vêm do poder do dinheiro e sim do próprio povo. Se vota de forma secreta e voluntária, sem intervenção das instituições. Cerca de 90% da população participa das eleições cubanas. Os eleitos não ganham salários, se mantem com  o salário de seu trabalho antigo. No sistema eleitoral cubano não flui dinheiro, os políticos defendem  os interesses do povo.

A construção da nova constituição do país se iniciou com debates nas ruas e bairros que participaram  milhões de cubanos.

No final a carta magna do país teve aprovação unânime do parlamento e quase 90% da população em um referendo.

Fidel Castro ficou no poder por décadas, mas isso só foi possível por que o povo cubano quis.

O regime cubano é democrático.

Socialismo X Capitalismo