domingo, 20 de junho de 2021

O bloqueio dos EUA contra Cuba atinge todo povo cubano

Campanha "Bloqueio a Cuba não, Solidariedade sim" | Arte: Foro de São Paulo

Por Gleisi Hoffmann  no site do Foro de São Paulo

Em dezembro de 2019, tomamos conhecimento de uma nova doença que surgia na China e ficou conhecida por Covid-19. Já no início de 2020, ela começou a se espalhar pelo mundo e, em março, foi decretada uma pandemia pela Organização Mundial da Saúde.

Logo no início daquele ano tivemos uma mostra de que esta situação, que poderia ser usada para unir os povos para combater uma doença que atingia a todos, não teria o poder de alterar uma das maiores ilegalidades que presenciamos há décadas no cenário mundial: o bloqueio unilateral dos Estados Unidos da América (EUA) contra Cuba.

Em pleno avanço da pandemia, e ignorando os mais diversos apelos de variadas partes do mundo, o governo estadunidense, na pessoa do ex-presidente Donald Trump, demonstrou uma total falta de caráter humanitário ao incrementar os movimentos punitivos contra um país com grande necessidade de suprimentos, equipamentos médicos e medicamentos para seu sistema de saúde.

Este bloqueio econômico, comercial e financeiro foi exacerbado por uma escalada agressiva de Trump em plena pandemia, com mais de 200 novas medidas para impedir Cuba de relacionar-se com outras nações e empresas de forma livre e soberana.

Um exemplo desta situação foi a suspensão da venda de equipamentos de ventilação artificial, fundamentais para tratar pacientes com Covid-19, após duas empresas que os forneciam terem sido compradas por corporações estadunidenses.

Outro exemplo envolveu a doação de máscaras, kits de detecção e respiradores por parte de um empresário chinês, que não pode chegar à ilha porque a empresa transportadora estadunidense desistiu de fazê-lo no último momento devido às proibições.

Segundo relatório apresentado junto às Nações Unidas, pela primeira vez em 2020 os danos do bloqueio ultrapassaram os 5 (cinco) bilhões de dólares num único ano. Só no sistema de saúde, os valores chegam a 160 milhões de dólares, valor muito alto para um país pequeno como Cuba.

Apesar de todo o sofrimento causado, o povo cubano soube demonstrar uma enorme capacidade de resiliência em meio às adversidades e, inclusive, expressar sua solidariedade internacionalista a outros povos do mundo.

sexta-feira, 11 de junho de 2021

"Vacina é conquista da Revolução Cubana", afirma cientista [assista]

Marta Ayala, diretora do Centro de Engenharia, Genética e Biotecnologia
de Cuba | Foto: Opera Mundi

Por Camila Alvarenga no Opera Mundi 

No programa 20 MINUTOS INTERNACIONAL desta quinta-feira (10/06), o jornalista Breno Altman entrevistou Marta Ayala Ávila, bioquímica, pesquisadora e diretora geral do Centro de Engenharia, Genética e Biotecnologia de Cuba (CIGB, sigla em espanhol), sobre a produção da Abdala, uma das cinco vacinas cubanas atualmente em desenvolvimento contra Covid-19.

Ela relembrou que Cuba tem uma longa tradição na área de biotecnologia e desenvolvimento de vacinas, o que permitiu ao país "estar numa situação privilegiada, podendo desenhar uma estratégia cubana de combate à covid-19”. Ayala contou que o primeiro centro de desenvolvimento científico cubano na área farmacêutica, o Centro Internacional de Investigações Científicas, foi fundado em 1975.

“Poder desenvolver cinco vacinas é uma conquista da Revolução Cubana, do grande investimento em recursos humanos. Somos um país pequeno, com poucos recursos, bloqueado, então sabemos que temos de encontrar soluções próprias, e temos as condições intelectuais e tecnológicas para isso”, defendeu.

A pesquisadora relatou que, durante a pandemia, o governo coordenou o sistema de saúde com a indústria de biotecnologia do país para atender a população em nível imediato, com testagens e isolamentos localizados, e futuro, com as vacinas. “Essas conquistas só estão sendo possíveis porque somos um país socialista”, reforçou.

Abdala 

Das cinco vacinas sendo produzidas em Cuba atualmente, o CIGB é responsável pela Abdala. Esta, junto com a vacina Soberana 02, está em fase três. Isto é, na última etapa, de análise dos resultados dos testes clínicos, antes de poder pedir a aprovação das agências reguladoras para começar a vacinação em massa.

Ayala detalhou as três fases. A primeira consistiu de um estudo clínico com 132 pessoas, aplicando a vacina e o placebo de forma aleatória para verificar sua eficácia. A segunda foi outro teste clínico, com 160 voluntários recebendo a vacina ou o placebo. E a fase três contou com 48 mil indivíduos. 

“Atualmente estamos coletando as informações desse grupo. Dependemos agora de que os voluntários da fase três se contagiem com o vírus, testem positivo, para analisar os sintomas que vão apresentar. Quando tenhamos uma amostra significativa, saberemos a taxa de proteção da vacina e poderemos pedir a autorização para começar a aplicá-la”, explicou.

Cuba inicia testes clínicos de vacina contra covid-19 para crianças

Fórmula desenvolvida será aplicada em 350 crianças
Foto: Rafael Martínez

Por Michele de Melo no Brasil de Fato 

Cuba iniciou ensaios clínicos de uma vacina própria contra a covid-19 para crianças. A Soberana Pediátrica seria o sexto imunizante contra o novo coronavírus desenvolvido pela biomedicina cubana, logo depois da Soberana, Soberana 2, Soberana Plus, Mambisa e Abdala. 

A nova fórmula será aplicada a 350 crianças e adolescentes, divididos em dois grupos: um com pacientes de três a 11 anos e outro de 12 a 18 anos.

Nesta fase, o objetivo é avaliar a segurança, reações adversas e a produção de anticorpos. A Soberana Pediátrica, fabricada pelo Instituto Finlay, é uma combinação da Soberana 2 (dose dupla) e da Soberana Plus (dose única).

Os candidatos não podem sofrer qualquer doença crônica ou deficiência física e mental, ter realizado transfusão de sangue ou ter passado por tratamentos com outro medicamentos no último mês.

O diretor do Instituto Finlay, Vicente Vérez assegurou que a decisão de iniciar as provas de laboratório se deve à "segurança comprovada de ambos medicamentos". 

Cuba já iniciou a vacinação nacional com a Soberana 2 e a Abdala. Cerca de 2 milhões de cubanos já foram imunizados nesta fase que é chamada de "intervenção sanitária". Foram dispostos 11 mil postos de vacinação no país e a promessa do governo é imunizar toda a população até o fim do ano.

A ilha acumula 153.578 infectados e 1.057 falecidos pelo novo coronavírus, segundo Ministério de Saúde Pública.

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Aula pública: A história da saúde em Cuba [assista]

Arte do programa Cubanias, de Lina Noronha | Foto: Kotter TV

Por Sturt Silva 

Era para ser uma entrevista do médico Leandro Bertoldi, professor de medicina da Universidade Estadual do Sudoeste de Bahia e formado em Cuba, à Lina Noranha na TV Kotter, mas acabou virando uma aula sobre a história da saúde em Cuba. 

Na exposição, Bertoldi fez um histórico sobre os avanços das políticas públicas sobre saúde e da medicina em Cuba dos anos 50 até os dias hoje. 

Assista na íntegra: 

 

5:30 Início da aula pública | Leandro Bertoldi, professor e médico formado em Cuba;

Cuba pede na ONU pela 29ª vez o fim do bloqueio dos EUA

Arte cubana pedindo para eliminar o bloqueio, pois a política dos EUA também é um vírus | Foto: Sacha Llorenti

Por Márcia Choueri no Brasil de Fato  

Neste mês de junho, será votada na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), pela 29ª vez consecutiva, um projeto de resolução chamado “Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba”. Essa votação deveria ter sido no final do ano passado, mas foi adiada, por causa da pandemia.

Faz 29 anos que os governos norte-americanos – um após outro – desobedecem à decisão da Assembleia Geral da ONU em relação ao bloqueio. Em todas as votações, a resolução é aprovada pela imensa maioria dos países, mas os ianques simplesmente ignoram.

Em 2019, além dos Estados Unidos e de Israel, passamos a vergonha internacional de ver o Brasil votar também contra Cuba, gesto que, aliás, está sendo questionado judicialmente.

No dia 13 de março passado, o Partido dos Trabalhadores (PT) entrou, ante o Supremo Tribunal Federal (STF), com uma ação contra a postura do governo brasileiro na ONU, na votação da proposta de Resolução 74 de Cuba, por entender que o voto violou os artigos 1º e 4º da Constituição Federal Brasileira de 1988 (CF/88).

É aí que entra, por exemplo, o cínico relatório do Departamento de Estado norte-americano, apresentado em abril, que acusa Cuba da realização de torturas e execuções extrajudiciais. Sem apresentar nenhuma prova, aliás. Esse relatório foi precedido “casualmente”, na véspera da apresentação, por uma declaração de Luís Almagro, secretário-geral da OEA, de que o governo cubano praticaria “terrorismo de Estado”.

Outra iniciativa nesse sentido do governo estadunidense, em maio passado, foi a qualificação de Cuba como país que não combate o terrorismo. Isso serve para incluir a Ilha na famosa lista – autoritária e unilateral – de países que apoiam o terrorismo.

Esses que cinicamente acusam Cuba de práticas contra os direitos humanos e a favor do terrorismo são os mesmos que apoiam o governo colombiano, omisso e cúmplice ante as chacinas cometidas por grupos paramilitares, contra ativistas e ex-guerrilheiros que já depuseram suas armas. São os mesmos que apoiam o governo chileno, cuja polícia pratica tiro contra os olhos dos manifestantes, deixando-os cegos. São os mesmos que mantêm centenas de pessoas presas ilegalmente na base de Guantánamo. Os mesmos que financiam a política genocida de Israel contra o povo palestino.

terça-feira, 8 de junho de 2021

Brasileiros reafirmam solidariedade e defesa de Cuba Socialista

XXV Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba | Arte: CEBRAPAZ

Por Sturt Silva 

Entre os dias 3 e 6 de junho, o Movimento Brasileiro de Solidariedade a Cuba se reuniu e renovou seu compromisso de luta em defesa da Revolução Cubana e do socialismo cubano. 

Organizado, nesta edição, pela Associação Cultural José Martí da Paraíba (ACJM-PB), o evento ocorreu de forma online e lançou a Carta de João Pessoa. 

Durante 3 dias uma vasta programação e painéis diversos discutiram as consequências do bloqueio dos EUA contra Cuba; os trabalhos das brigadas de solidariedade; as questões econômicas e o sistema de saúde de Cuba; a participação da mulher cubana e a juventude no processo revolucionário; os 60 anos da Revolução Cubana; o movimento brasileiro de solidariedade a Cuba e as propostas para próxima edição do encontro, que será realizada em Belém (Pará) em 2023. 

Leia a Carta de João Pessoa:

CARTA FINAL DA XXV CONVENÇÃO NACIONAL DE SOLIDARIEDADE A CUBA  
JOÃO PESSOA | JUNHO DE 2021 

A XXV Convenção Nacional de Solidariedade com Cuba, realizada no modo remoto entre os dias 03 e 06 de junho de 2021, a partir da cidade de João Pessoa (Paraíba), renova seu compromisso de luta em defesa da autodeterminação, soberania, amizade, cooperação e solidariedade com Cuba. 

Inspira-nos o pensamento de José Martí e os feitos objetivados pela Revolução Cubana, que transcendem as fronteiras da Ilha de Fidel, pois, como dizia José Martí, Pátria é Humanidade. 

Num mundo marcado por profundas distorções socioestruturais, Cuba se destaca pela remoção dos entraves históricos ao seu desenvolvimento pleno e soberano, com foco nos interesses sociais e na construção de uma nova realidade, que ilumina os caminhos dos povos em busca de sua libertação, em paz e harmonia com a Mãe Terra.

O criminoso bloqueio imperialista contra Cuba, que perdura há mais de seis décadas, jamais abateu o espírito de luta do povo cubano, que segue avante no seu processo de transformação, vencendo enormes obstáculos, jamais registrado na História da Humanidade.

Esse criminoso bloqueio tem sido sistematicamente acompanhado de expedientes não menos cruéis, que visam a minar o sopro criador da Revolução, como assassinatos de dirigentes, atentados terroristas contra pessoas e a infraestrutura física do país, o uso de armas químicas e biológicas para introduzir doenças na sociedade e pragas nos rebanhos e na agricultura. Bilhões de dólares são dissipados pelo Império e seus asseclas na guerra ideológica assimétrica e híbrida, com o uso de recursos midiáticos, suborno, espionagem e conspirações usuais, visando a isolar Cuba e aplastar as chamas da Revolução.

Tudo isso tem, como consequências, incomensuráveis prejuízos materiais e agrava as condições de vida da população, enquanto tempera a resistência do povo, validando o princípio martiano de que as  “trincheiras de ideias valem mais que trincheiras de pedra”. Os Estados Unidos têm uma extensão territorial 90 vezes maior que a cubana e abriga uma população 25 vezes maior. É imensamente desproporcional o poderio econômico e militar entre as duas realidades. Apesar disso, os imperialistas não conseguem derrotar Cuba.

A recessão econômica mundial, agravada com medidas de garroteamento adotadas durante o governo protofascista de Donald Trump (e que continuam no governo de Joe Biden), além da crise sanitária da pandemia da Covid-19, exigiram, como contrapartida, medidas e ações visando ao fortalecimento do socialismo, consagrado na nova Constituição Cubana de 2019, para reverter o quadro adverso e impulsionar a retomada de transformação revolucionária em bases político-institucionais compatíveis com as necessidades históricas presentes. 

Apesar das dificuldades circunstanciais, Cuba continua prestando imprescindível solidariedade internacional, enviando pessoal médico com suas Brigadas Henry Reeve para ajudar os povos irmãos, inclusive os desassistidos de atenção sanitária nos países ricos. Os laboratórios cubanos produzem vacinas, entre outras, contra a COVID-19, que são compartilhadas com os mais necessitados. E, não paradoxalmente, mas por força da lógica do capital, isso acontece na contramão dos esforços dos grandes laboratórios mundiais, que tiram proveito da miséria para ampliar o seu estoque de riquezas acumuladas.

O período complexo e desafiador da economia, em Cuba, nos seus aspectos mais gerais, enquadra-se na moldura de uma crise mundial do capitalismo decadente em crise estrutural. Cuba encontrou a sua solução no socialismo. Os povos oprimidos do mundo também encontrarão respostas para a superação de seus problemas.

A XXV Convenção Nacional de Solidariedade com Cuba reafirma o compromisso que orienta o movimento mundial de solidariedade com Cuba e a Revolução Cubana: 

terça-feira, 1 de junho de 2021

Covid-19: Mais de 1 milhão de cubanos já foram vacinados com uma dose

Soberana 2 e Abdala são as duas vacinas cubanas | Arte: Partido dos Trabalhadores
Por Sturt Silva 

Segundo o site Cuba Debate, 1.070.165 pessoas em Cuba receberam pelo menos uma dose de uma das duas vacinas em teste na ilha: Soberana 02 ou Abdala. O número inclui aqueles que foram vacinados como parte dos ensaios clínicos, estudos de intervenção em grupos de risco e a intervenção sanitária em grupos e territórios de risco, que está sendo realizada no momento. Desse total, 615.016 já receberam a segunda dose e 142.390 já completaram o esquema de vacinação com as três doses. 

As informações são de José Angel Portal, Ministro da Saúde de Cuba, e foram apresentadas ontem (31/05) em reunião do grupo de trabalho para a prevenção e controle do novo coronavírus, com a presença do Primeiro-Ministro cubano, Manuel Marrero e do presidente do país, Miguel Díaz-Canel.

Cuba tem cerca de 143 mil casos confirmados de Covid-19 e 967 mortes, sendo que 136 mil (95%) dos infectados foram curados. 

Cuba foi vítima de 713 atos terroristas dos EUA

Manifestação contra o bloqueio dos EUA a Cuba | Foto: Miguel Díaz-Canel

 
Por Sturt Silva 

Mesmo depois da saída de Trump, o governo dos EUA insiste em colocar Cuba em lista de países "que não combatem  o terrorismo". A medida foi assinada no último dia 25 de maio, por Antony Blinken  - Secretário de Estado - onde o governo estadunidense afirma que Cuba, ao lado de Síria, Coreia do Norte, Irã e Venezuela "não estão cooperando plenamente com os esforços antiterroristas dos Estados Unidos”.

O governo cubano, através de seu Ministério das Relações Exteriores, divulgou nota dois dias depois repudiando a decisão do governo Biden. 

Cuba "foi vítima de 713 atos terroristas, na sua maioria organizados, financiados e executados pelo governo dos Estados Unidos ou por indivíduos e organizações que recebem refúgio ou atuam com impunidade nesse território. Esses atos custaram a vida de 3.478 e provocaram deficiências em outros 2.099 cidadãos cubanos. Os danos humanos e prejuízos econômicos estão calculados em 181 bilhões de dólares".

Leia a nota na íntegra:

Cuba repudia calúnias dos EUA sobre cooperação contra o terrorismo