domingo, 20 de setembro de 2020

Biotecnologia, prevenção e vacina: as armas de Cuba para enfrentar a covid-19, sob bloqueio dos EUA

Produção de medicamentos contra Covid-19 | Foto: Ricardo López Hevia/Granma

 Por Marco Weissheimer no Sul 21

A chegada da pandemia do novo coronavírus a Cuba coincidiu com a decisão do governo Donald Trump de recrudescer as medidas de bloqueio que os Estados Unidos impõem há quase 60 anos contra o país. Entre outras medidas, os EUA proibiram pelo menos 20 voos que levavam suprimentos e equipamentos para Cuba, incluindo aí máscaras de proteção, kit para testes de covid-19, respiradores e insumos químicos necessários para a produção de equipamentos. Agora, no início de setembro, Trump anunciou a prorrogação das medidas de bloqueio por mais um ano. Para enfrentar situações de crise como essa, em meio à escassez provocada pelo cerco que os EUA mantém desde a Revolução Cubana, o governo cubano adotou uma série de medidas que incluem a adoção de políticas de medicina preventiva, de distanciamento social e de desenvolvimento de medicamentos e de uma vacina própria por meio de seus centros de pesquisa e de produção na área da saúde e da biotecnologia.

Produtos biofármacos como Heberon, Heberferon, Jusvinza e Itolizumab, entre outros, vem contribuindo para a diminuição de pacientes graves e críticos e para a redução da taxa mortalidade (para 0,8/100.000), uma taxa aproximadamente dez vezes menor do que a média mundial. A Biocubafarma garante hoje a produção de 22 medicamentos para o tratamento do Covid-19.  Um deles é o Interferon Alfa humano recombinante 2B que, junto com um grupo de medicamentos, faz parte do protocolo de enfrentamento da covid-19 e de complicações inflamatórias decorrentes da doença

No dia 11 de setembro*, Cuba registrava 4.593 diagnosticados com a covid-19, dos quais 3.844 já recuperados, 641 em tratamento e 106 óbitos, um dos mais baixos índices de mortalidade do mundo (oito mortes para cada milhão de habitantes). Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), até o início de setembro, o maior índice de mortalidade era o do Peru, com 871 mortes por milhão de habitantes.

Segundo Luís Herrera Martinez, assessor científico da presidência da BioCubaFarma, as políticas adotadas pelo governo cubano para enfrentar o novo coronavírus basearam-se, entre outras coisas, na avaliação de que não estamos lidando com um fato exclusivamente sanitário e sem conseqüências futuras para o mundo inteiro, em diferentes dimensões. Para resumir a natureza dessas medidas, ele cita um artigo publicado na Revista Anais, Academia de Ciências de Cuba, onde presidente Miguel Diaz-Canel Bermúdez e o professor Jorge Nuñez Jover, presidente da Cátedra Ciência, Tecnologia e Sociedade, na Universidade de Havana, que contextualiza as escolhas feitas pelo governo cubano no cenário de uma economia mundial ainda dominada por políticas neoliberais. No artigo intitulado “Gestión gubernamental y ciencia cubana en el enfrentamiento a la COVID-19”, eles sustentam que o novo coronavírus mostrou que esse modelo neoliberal é totalmente incapaz de dar conta dos múltiplos desafios colocados por uma pandemia como essa que o mundo enfrenta agora.

Com 35 anos de vida, a indústria biofarmacêutica cubana foi criada por Fidel
que sempre viu o setor como estratégico para o país

A verdade oculta: Como é o acesso à internet em Cuba?

 

Cuba tem entre 6,5 e 7,5 milhões de usuários de internet | Foto: Brookings 

Por Jasely Fernández Garridono no Brasil de Fato

O uso da Internet e das redes sociais pela população cubana tem sido objeto de manipulação dos meios de comunicação para fins políticos, uma manipulação empreendida por inimigos da Revolução Cubana, especialmente os EUA. Alguns salientam que a Internet permite o acesso a informações confidenciais e oferece canais de amplificação de vozes dissidentes que o governo cubano prefere não enfrentar. Isso explica as limitações de conectividade que afetam a ilha há anos e, geralmente, quando fazem uma avaliação do problema, sugerem uma estagnação, sem levar em consideração, deliberadamente, as mudanças que ocorrem nesse sentido.

O objetivo claro dos opositores é espalhar a imagem de um país parado no tempo, que reprime as possibilidades de informação e expressão da população. Esta é uma visão deliberadamente distorcida da realidade. É evidente a vontade política da alta liderança do governo cubano, com  esforços e recursos investidos para desenvolver a infraestrutura necessária e garantir o acesso dos cubanos e de suas instituições à Internet.

Para uma melhor compreensão deste assunto, é necessário recorrer aos antecedentes que demonstram e explicam o desenvolvimento gradual, mas constante, desse setor de informação e comunicação em Cuba. É em 1996 que o país consegue se conectar à rede por meio de um link de satélite. Isso ocorreu no contexto das limitações causadas pela política agressiva dos EUA contra Cuba, que há décadas impõe inúmeros obstáculos ao desenvolvimento da Internet no país.

Portanto, a relação entre Cuba e a Internet não faz parte de um fenômeno que possa ser isolado das relações entre a Ilha e os Estados Unidos. O intenso bloqueio econômico, comercial e financeiro dos EUA contra Cuba, intenso, abrangente e extraterritorial, impediu direta e decisivamente o acesso aos canais de comunicação e a aquisição de tecnologia essencial.

Deve-se acrescentar que, para adquirir esses recursos de alta tecnologia, geralmente com componentes estadunidenses – aos quais o país caribenho não pode ter acesso de acordo com as leis restritivas dos EUA –, Cuba deve recorrer a mercados distantes, pagar um frete alto e sob o risco de ser sancionado pelos fornecedores, o que torna a aquisição do produto mais cara.

Cuba comemora 15 anos de brigada médica que concorre ao Nobel da Paz

Brigada Médica Internacional Henry Reeve foi criada em 2005 por Fidel Castro, para ajudar estadunidenses afetados pelo furacão Katrina, mas se manteve ativa e hoje concorre ao prêmio por seu trabalho na pandemia do coronavírus

Brigada foi criada por Fidel Castro em 2005 - Foto: Rádio Camaguey

Por Victor Farinelli no portal Fórum

Este sábado (19) foi um dia de celebrações em Cuba, para homenagear os médicos que formam ou já formaram parte da Brigada Médica Internacional Henry Reeve, que comemora seu aniversário de número 15. 

 A iniciativa foi criada em 2005, pelo então comandante Fidel Castro, com o intuito de entregar ajuda humanitária aos estadunidenses afetados pelo furacão Katrina – os estados do sudeste norte-americano registraram mais de 1,2 mil mortes e uma quantidade enorme de feridos, como saldo da passagem do cataclisma pela região, durante o verão do hemisfério norte, naquele ano. 

Fidel também determinou que a organização se mantivesse ativa depois desse episódio, e passasse a oferecer ajuda a todos os países que necessitassem, aproveitando a enorme capacidade do país de produzir bons médicos. 

O Ministério da Saúde Pública de Cuba, que está organizando as celebrações deste sábado, enfatizou – em uma das várias mensagens publicadas durante a jornada – que a Brigada Henry Reeve já prestou assistência a mais de 46 nações e cinco territórios não autônomos, em quase todos os continentes do mundo: América Latina e Caribe, África, Ásia, Oceania. e Europa.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, também publicou uma mensagem sobre o aniversário da Brigada Henry Reeve, destacando que “estão há 15 anos enfrentando e vencendo a dor e a morte no mundo. Obrigado pela generosidade e pelo exemplo. Obrigado por dar vida”.

domingo, 13 de setembro de 2020

Nobel da Paz para médicos cubanos que combatem à Covid-19 [assista ao vídeo]


Por Sturt Silva 


Diante da pandemia do novo coronavírus, Cuba nos ensina uma vez mais sobre o significado da palavra Solidariedade. Ate o momento Cuba já envio milhares médicos e especialistas em saúde para 38 países

Assista ao vídeo, realizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, e apoie a Campanha para o prêmio Nobel da Paz para o Contingente Henry Reeve, de Cuba.


sábado, 20 de junho de 2020

Combate ao coronavírus: Cuba enviou médicos para 38 países

Médicos cubanos antes de deixar Cuba para combater o coronavírus na Itália | Foto: Reuters/Alexandre Meneghini
Por Sturt Silva 

Segundo o Ministério das Relações Exteriores de Cuba, atualmente 74 países contam com atendimento de médicos cubanos em suas redes públicas de saúde. 

Cooperação médica cubana está presente em 74 países - Arte: Diplomacia cubana 

São eles: África do Sul, Antígua e Barbuda, Anguillla, Angola, Argélia, Andorra, Arábia Saudita, Azerbaijão, Barbados, Bahrein, Bahamas, Burkina Faso, Botsuana, Belize, Cabo Verde, Chade, China, Congo, Curação, Djibouti, Dominica, Eritreia, Etiópia, Suazilândia, Gâmbia, Gabão, Gana, Granada, República da Guiné, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Guiana, Guatemala, Haiti, Honduras, Itália, Ilhas Turcas e Caicos, Ilhas Virgens Britânicas, Jamaica, Lesoto, Quênia, Kiribati, Kuwait, Mauritânia, Martinica, Montserrat, México, Moçambique, Mongólia, Namíbia, Nicarágua, Níger, Catar, Peru, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, São Cristóvão e Neves, São Tomé e Príncipe, Seychelles, Serra Leoa, República Árabe Saaraui Democrática, República Dominicana, Suriname, Tanzânia, Timor Leste, Trinidad e Tobago, Togo, Turquia, Uruguai, Uganda, Venezuela,Vietnã e Zimbábue.

Novas brigadas médicas contra a covid-19 

Desde que começou a pandemia, Cuba já enviou médicos e profissionais de saúde para 38 países. Os primeiros foram Nicarágua e Venezuela. O caso mais marcante a receber ajuda cubana é da Itália, que passou a ser o primeiro país europeu desenvolvido a contar com assistência médica cubana. Até o México recebeu médicos especialistas para ajudar a criar políticas públicas para combater a epidemia no país. 

                                                      Veja os países beneficiados e quantos profissionais cada um recebeu
                                                                                          Arte: Diplomacia Cubana


América Latina e Caribe

terça-feira, 12 de maio de 2020

Brasileira esquecida em Cuba: "O governo cubano está cuidando melhor da gente do que o nosso"

Jornalista brasileira, hoje "presa" em Cuba, em reportagem sobre a tragédia de Brumadinho - 2019. 
Foto: Ana Graziela Aguiar 
Por Sturt Silva

Cerca de 53 brasileiros residentes em Cuba tentam voltar ao Brasil há quase dois meses. Cuba fechou seus aeroportos em 1º de abril e o governo brasileiro enviou apenas um avião à ilha socialista com foco na repatriação de turistas. 

Segundo reportagem de Thayz Guimarães no jornal O Globo, entre os brasileiros "esquecidos" em Cuba está a jornalista Ana Graziela Aguiar, repórter especial do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, e mestrando em Cinema na Escola Internacional de Cinema e Televisão (EICTV). 

Além da jornalista, o grupo dos brasileiros é formado por estudantes de Medicina, pesquisadores e professores que moram em Havana, além dos alunos da EICTV, localizada em uma fazenda em San Antonio de Los Baños, a 40 Km da capital, onde também estão dois professores, um deles acompanhado de sua mulher e do filho pequeno.

Solidariedade cubana

"O governo cubano está cuidando melhor da gente do que o nosso próprio governo. A gente se sente muito mais protegido aqui, a medicina é muito mais avançada, mas queremos voltar para casa porque é nosso direito, como de qualquer brasileiro", afirma Ana Graziela Aguiar. 

A tradicional escola cubana de cinema foi fundada por García Marquez nos anos 80 e precisou cancelar suas atividades em abril devido a pandemia do novo coronavírus. Porém, diante da impossibilidade de alguns alunos e professores voltarem para casa, decidiu manter suas instalações funcionando até julho. Das cerca de 180 pessoas que a escola recebeu no início de 2020, 50 ainda estão por lá. 

"Apesar das recomendações de voltarem para casa, muitos funcionários preferiram continuar morando com a gente na escola durante a quarentena para cuidar dos alunos e professores que não puderam ir embora. E agora que a quarentena foi levantada, eles estão fazendo um revezamento. O espírito de coletividade e solidariedade aqui é bem bonito de ver, a escola é uma família", relata Aguiar ao "O Globo".

segunda-feira, 4 de maio de 2020

O trabalhador e seus direitos no Socialismo de Cuba

Manifestação no dia do trabalhador em Cuba - 2019 | Ismael Francisco/CubaDebate 

A orientação socialista da revolução cubana teve o desafio de aliar soberania nacional, crescimento econômico e igualdade real através do planejamento econômico e da propriedade estatal/social, apresentando diversos resultados objetivos para a ilha e seu povo admirados em todo o mundo. 

Tendo o ser humano como centro do desenvolvimento, o governo revolucionário deu a todo o cubano o acesso à caderneta de alimentação, a “libreta”, rompendo a grande chagada da fome, que assolava a ilha e até hoje se faz presente nos outros países do nosso continente. 

O forte investimento do governo revolucionário em saúde e educação públicas e gratuitas deu ao cubano mais humilde melhor qualidade de vida, uma alta formação profissional e um nível de conhecimento da realidade, que efetivou o sonho de Martí, “ser culto para ser livre”. 

A construção do socialismo também criou as bases para a superação de antigas e arraigadas heranças da sociedade patriarcal e racista. Mesmo com um caminho longo a percorrer – é preciso dizer que esse combate é assumido pelo governo cubano – as mulheres já representam 53,2 % da Assembleia Nacional, enquanto os negros 40 %, havendo uma discussão, cada vez mais profunda, sobre os direitos dos LGBTs. 

O socialismo caribenho não trouxe somente o avanço dos direitos econômicos e civis para todos os cubanos. Diferente da democracia burguesa, que é limitada à esfera da representação parlamentar e ao controle empresarial, os cubanos construíram uma forma de participação política muito mais avançada: qualquer pessoa, sem precisar pertencer ao partido comunista ou qualquer outra organização, pode candidatar-se ao parlamento, sendo indicadas em cada circunscrição pelo próprio povo, gerando, na Assembleia Nacional, cerca de 40 por cento de deputados escolhidos pela base. 

Todas as propostas de mudanças, como foi o caso do novo modelo econômico e da recente reforma constitucional, foram discutidas por todo o povo em milhares de assembleias construídas pelas diversas organizações da sociedade civil socialista. Depois desse intenso processo, foram os cubanos convocados para referendar a nova Constituição, contando com a participação de 84,4 % da população, deixando claro que o voto na ilha é optativo. A Nova Constituição, que sustenta, do ponto de vista legal, o novo socialismo cubano. foi aprovada por 85 % dos votantes.

Os sindicatos também ganham crescente importância na participação do socialismo cubano. Além de salvaguardar os interesses e direitos dos trabalhadores, fazem parte decisiva da produção, criando caminhos não só para uma gestão cada vez mais democrática, como também para ampliar o processo de socialização econômica e política.

Assista: Manifestação do Primeiro de Maio em Cuba - 2018 


O Governo cubano empenha o seu maior esforço para garantir, apesar das condições difíceis impostas pelo bloqueio que sofre por parte dos EUA há 60 anos, os direitos trabalhistas conquistados pela Revolução:

sábado, 2 de maio de 2020

Coronavírus evidencia falta dos médicos cubanos

Muitos ignoram mas Cuba tem os melhores indicadores de saúde do mundo, afirma médico brasileiro
Por João Marcelo Goulart  no Brasil de Fato

Em meio a pandemia do coronavírus o que realmente importa é preservar a vida. No entanto, em um mundo globalizado onde milhões de famílias passam fome ou morrem por não terem saneamento básico a prioridade parece ser outra.

No Brasil, “liderado” por Bolsonaro essa realidade é pior ainda. Tínhamos o exemplo de outros países do mundo que falharam ao ignorar o isolamento social para não parar a economia. Essa se tornou uma estratégia genocida e falida em todo o mundo, mesmo assim, Bolsonaro e seus seguidores insistem em atentar contra a saúde do povo brasileiro mandando-os para a rua.

Sempre sou questionado das minhas razões de ter ido estudar medicina em Cuba. Poucos sabem, outros negam e maioria é desinformado, mas Cuba tem os melhores indicadores de saúde do mundo.

Isso só é possível porque eles possuem um sistema público eficiente, que é voltado para evitar que sua população adoeça. Ora, nada mais lógico do que isso, certo? Diferentemente do Brasil que segue o modelo “hospitalocentrico” norte-americano de mero assistencialismo, a formação médica cubana é voltada para a promoção de saúde e prevenção de doenças. Prevenir sempre, inclusive aos que já estão doentes.

Exemplo: para um paciente diabético e hipertenso, nós somos muito enfáticos na prevenção de desenvolvimento de complicações como AVC, insuficiência renal e infartos. Nós aprendemos, em Cuba, sobre as doenças dentro das comunidades, conhecendo a realidade das pessoas. Suas dificuldades e limitações, características do bairro e geografia, etc. É muito mais fácil ter êxito nos indicadores de saúde quando estamos inseridos no dia a dia dessas pessoas. A informação chega mais rápido e mais vezes. No Brasil, aprendemos o que é hipertensão já com o paciente numa unidade de terapia intensiva (UTI) após ter desenvolvido as complicações.

Não basta o caráter social e humanitário da formação medica cubana, também se faz necessário um Estado que investe em saúde. Em Cuba o acesso às medicações de uso contínuo é praticamente gratuito. A população tem acesso a exames de alta complexidade, sempre e quando necessários. É aqui que ter investido na prevenção faz a diferença. Ao termos uma população bem atendida na atenção primária à saúde, temos poucos doentes com necessidade de exames e procedimentos caros, aliviando muito os gastos.