terça-feira, 18 de junho de 2019

As crianças de Chernobyl em Cuba: "Até mesmo as crianças mais doentes se divertiam"

Crianças ucranianas em Cuba | Foto: Claudia Daut/Reuters
"Não era como estar em um hospital. Até mesmo as crianças mais doentes se divertiam." O ucraniano Roman Gerus tem boas lembranças de uma experiência oriunda de uma catástrofe.

Estamos falando sobre a explosão de um dos reatores da usina nuclear de Chernobyl em 26 de abril de 1986, uma tragédia que volta mais uma vez à tona com a minissérie da HBO Chernobyl.

Gerus foi uma das mais de 23 mil crianças afetadas pelo acidente que receberam atendimento médico em Cuba. O programa do Ministério da Saúde de Cuba foi desenvolvido entre 1990 e 2011.

No final de maio, autoridades cubanas e ucranianas anunciaram a intenção de retomar a iniciativa, embora em menor escala que o programa dos anos 1990.
Como foi essa experiência pioneira?

À beira-mar

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Governadores do Nordeste criam “consórcio" para reativar Mais Médicos e volta de cubanos

Primeiros médicos cubanos chegaram ao Brasil em 2013, cubanos ficaram até 2018 | Foto: Ministério da Saúde

Os governadores dos nove Estados completaram recentemente os trâmites necessários para tornar legal o Consórcio do Nordeste, que tem como objetivo buscar uma maior autonomia em relação ao governo de Jair Bolsonaro e as políticas federais que consideram nocivas para a região.

Uma das primeiras medidas que os líderes nordestinos pretendem impulsar é a retomada do formato original do programa Mais Médicos, com a presença dos profissionais cubanos, que foram embora do país após as críticas ideológicas ao governo da ilha feitas pelo presidente Jair Bolsonaro.

Segundo o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), o Consórcio do Nordeste já está entrou em contato com representantes da OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde), entidade liga à OMS (Organização Mundial da Saúde), e consultou sobre a possibilidade de trazer profissionais estrangeiros, especialmente de Cuba, para refazer a cobertura dada pelo Mais Médicos ao sistema público de saúde nos estados nordestinos.

Em dezembro passado, ainda como presidente eleito, Bolsonaro fez duras críticas a Cuba, dizendo que tratava os médicos cubanos como “escravos”, criando uma crise diplomática que levou o presidente da ilha, Miguel Díaz-Canel, a ordenar o retorno dos profissionais ao seu país.

Após a perda dos cerca de 8 mil médicos para o sistema, o Governo Federal prometeu que preencheria todas as vagas com médicos brasileiros, algo que não aconteceu: uma reportagem recente do New York Times mostrou que centenas de cidades brasileiras continuam a espera de novos médicos para substituir os cubanos que se foram, situação que mantém cerca de 28 milhões de pessoas sem atendimento.

Os estados nordestinos estão entre os mais atingidos por essa postura federal anticomunista: o Ceará, por exemplo, é o segundo estado brasileiro com o maior carência de médicos.

domingo, 16 de junho de 2019

Brasileiros cruzam a fronteira para serem operados por médicos cubanos na Bolívia

Cerca de 61 mil brasileiros já foram atendidos pelos médicos cubanos na Bolívia | Foto: Brigada Médica Cubana
Por Sturt Silva

Milhares de brasileiros estão voltando a enxergar graças ao trabalho de médicos oftalmologistas cubanos que atendem na cidade boliviana de Guayaramerín, localizada na região amazônica, fronteira com o Brasil. 

Segundo a página da brigada médica cubana na Bolívia, os pacientes brasileiros procuram curas para doenças como catarata e pterígio em um centro de oftalmologia que funciona na cidade, desde 2006. 

Para alguns pacientes a viagem pode demorar dias. Depois de atravessar o rio Mamoré, que une a cidade de Guayaramerín com o vizinha brasileira Guajará-Mirim, são examinados por especialistas cubanos no Centro Oftalmológico de Cuba-Bolívia.

Lorenzo Ferreiro, um dos pacientes brasileiros, operado de catarata em Guayaramerín, disse à reportagem da Prensa Latina que além da eficaz do procedimento cirúrgico e do bom tratamento dado pelos cubanos, outro fator que pesa para a escolha é o alto preço de uma cirurgia dessa no Brasil. 

Estou muito agradecido pelo trabalho dos médicos cubanos, acrescentou o paciente, que chegou à clínica acompanhado de sua esposa.
Em Guayaramerín o centro oftalmológico está localizado no Hospital Central | Fotos: Brigada Médica Cubana
No centro de Guayaramerín, um dos cinco que existe no país com participação de doutores cubanos, são atendidos cerca de 100 pessoas todos os dias, sendo que a maioria deles é de idade avançada. Vêm do Brasil, de outras diferentes regiões da Bolívia e também de outras nações como o Peru.

Chernobil: Cuba foi o único país que atendeu as vítimas da tragédia de forma gratuita e massiva

Criança ucraniana em Tarará, Cuba, no ano de 2010. Foto: Desmond Boylan/Reuters
Da Revista Fórum 

O governo cubano manteve o programa gratuitamente por mais de 20 anos, arcando com um enorme gasto para cuidar das vidas daquelas crianças, apesar de sua crise econômica, e nunca aceitou revelar quanto gastou nos tratamentos. "É um dever, não estamos fazendo publicidade", disse Fidel Castro a respeito.

No dia 26 de abril de 1986, uma explosão no quarto reator da planta nuclear de Chernobil causou uma catástrofe que contaminou uma área mais de 130 quilômetros quadrados (que atingia territórios que hoje são da Ucrância, Rússia e Bielorrússia), onde vivia uma população de cerca de 7 milhões de cidadãos soviéticos, provocando uma onda de doenças causadas pela radiação.

A tragédia foi terrível, mas também houve quem trabalhasse depois para diminuir a dor dos que sobreviveram a ela, como estava um grupo de médicos cubanos que atuou nos cuidados das chamadas “crianças de Chernobil”.

O segundo capítulo dessa história viria somente em 1990, quando a Ucrânia pediu ajuda internacional para as crianças vítimas do acidente nuclear. “O pedido chegou numa quinta-feira, e no sábado já estávamos enviando a resposta: nós tínhamos os melhores especialistas em patologias mais frequentes em crianças, que poderiam viajar imediatamente”, respondeu Sergio López Briel, que era o cônsul cubano na União Soviética naquele então.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Embaixador cubano responde a Bolsonaro: Cuba não cedeu à corrupção nos acordos com Brasil

Outdoor em Mariel: "Até a vitória sempre" - Foto: Derek R. Kolb
Por Sturt Silva

Em entrevista ao jornal O Globo, o Encarregado de Negócios de Cuba no Brasil, Embaixador Rolando González, disse que seu país não se envolveu em corrupção na reforma do Porto de Mariel, obra que teve financiamento e execução pelo Brasil, através do BNDES e de empreiteiras brasileiras. 

O diplomata reafirmou a intenção de Cuba de evoluir no relacionamento que tem com o Brasil, principalmente no campo comercial, apesar das diferenças com o novo governo brasileiro. Claro, sem ingerência em assuntos internos e respeitando todos os princípios das Nações Unidas e do direito internacional. 

Sobre a Venezuela, González disse que Cuba está a disposição para conversar, mas que não cederá por pressão. Também defendeu como solução para a crise venezuelana o diálogo, a cooperação e a negociação, ressaltando que a decisão é dos venezuelanos.

Depois do golpe contra Dilma, em 2016, Cuba chamou a Embaixadora Marielena Ruiz Capote e se negou a receber um indicado pelo governo Temer.
A entrevista pode ser lida aqui.

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quinta-feira, 13 de junho de 2019

Deputada socialista reassume presidência do grupo parlamentar Brasil-Cuba

Grupo Parlamentar completa 30 anos em 2019 | Reprodução/Lídice da Mata

A deputada Lídice da Mata (PSB-BA) reassumiu nesta terça-feira (11) a presidência do Grupo Parlamentar Brasil-Cuba, formado por mais de 100 congressistas e que este ano completa 30 anos de atuação. A parlamentar já coordenou o grupo quando senadora.

O grupo foi criado na Câmara dos Deputados em 1989 por iniciativa do então deputado Assis Canuto (RO). No Senado, foi instalado em 1995 e, depois, relançado em 2011.

Os Grupos Parlamentares são criados sem ônus para a Câmara dos Deputados ou o Senado e têm por objetivo fortalecer as relações interparlamentares entre o Congresso brasileiro e o parlamento de um país estrangeiro.

Integram a atual coordenação do Grupo Parlamentar Brasil-Cuba – além de Lídice na presidência – os deputados Alexandre Padilha (PT); Alice Portugal, Perpétua Almeida e Jandira Feghalli pelo PCdoB; Glauber Braga (PSOL) e André Figueredo (PDT).

Os integrantes do grupo deverão debater temas de interesse dos dois países, como o Programa Mais Médicos, considerado uma das iniciativas conjuntas mais exitosas.

Lídice cita ainda a atuação dos parlamentares brasileiros em defesa do fim das sanções econômicas dos Estados Unidos a Cuba que, apesar de um prenúncio de abertura durante o governo de Barack Obama, ainda persistem e até se intensificaram no governo de Donald Trump, segundo relato do embaixador de Cuba no Brasil, Rolando Gómez.

Assessoria de Comunicação da dep. Lídice da Mata.

EUA querem apagar do mapa todo movimento progressista na America Latina, diz Cônsul de Cuba

Pedro Monzón: Cuba e Venezuela são dois "maus exemplos" que EUA quer eliminar | Foto: Luiza Castro/Sul21
Por Marco Weissheimer no Sul 21

A ofensiva desencadeada pelo governo de Donald Trump contra a Venezuela, o endurecimento do bloqueio econômico contra Cuba e o apoio dos Estados Unidos a forças de direita e extrema-direita em vários países do continente fazem parte de um movimento mais amplo que tem como objetivo apagar do mapa todo movimento progressista na América Latina. A avaliação é do cônsul geral de Cuba em São Paulo, Pedro Monzón, que esteve em Porto Alegre no final de semana para participar da XI Convenção Gaúcha de Solidariedade a Cuba, realizada pela Associação Cultural José Martí, no Memorial Luiz Carlos Prestes.

Em entrevista ao Sul21, Monzón falou sobre as novas medidas anunciadas pelos Estados Unidos para tentar asfixiar a economia cubana e o impacto delas na vida de seu país. Após um relaxamento do bloqueio durante o governo de Barack Obama, os Estados Unidos voltaram a apostar no bloqueio para tentar derrotar a Revolução Cubana. Cuba e Venezuela, observa o diplomata, são hoje dois maus exemplos que Washington quer eliminar. “Esses dois países são exemplos de como se pode ser independente e ter uma política independente, não subordinada aos Estados Unidos”, afirma.

Monzón também destaca que as relações privadas entre Brasil e Cuba se mantêm e a esperança é que se desenvolvam. “Há interesses mútuos. O Brasil é um dos principais mercados da América Latina. Há mais de 100 empresas brasileiras mantendo negócios com Cuba, algumas delas há 15 ou 20 anos, e querem seguir com essa relação”. Ele acredita que o processo de direitização na America Latina é provisório e pode ser revertido: “O que aconteceu na América Latina nos últimos anos com os movimentos progressistas deixou uma marca nos povos. Já não é mais a mesma América Latina do passado. Todas as coisas positivas que foram feitas estão agora nos genes desses povos”, afirma.

Sul21: Como Cuba recebeu a notícia das novas medidas de bloqueio anunciadas pelo governo Donald Trump?

Pedro Monzón: Cuba está submetida a um bloqueio dos Estados Unidos há mais de meio século, desde o momento em que decidimos ser independentes em 1° de janeiro de 1959. No governo anterior, Obama decidiu que o bloqueio não era o caminho para destruir a Revolução Cubana. Ele relaxou o bloqueio e estabeleceu relações mais ou menos amistosas conosco, não com o propósito de aceitar a existência da revolução, mas sim de buscar outro caminho, mais inteligente, para tentar acabar com a Revolução Cubana. Para nós, mesmo assim, foi positivo, pois o bloqueio é terrível, afetando não só as relações entre Cuba e os Estados Unidos – o que, por si só, já seria importante -, mas também as relações de Cuba com o mundo inteiro.

Realizada Convenção Gaúcha de Solidariedade a Cuba

Convenção no RS foi preparatória para Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba | Foto: Vânia Barbosa
Por Sturt Silva 

Com a participação de mais de uma centena de pessoas, a Associação Cultural José Martí - RS realizou no último dia 08 de junho, no Memorial Luiz Carlos Prestes, em Porto Alegre, a XI Convenção Gaúcha de Solidariedade a Cuba, reiterando sua solidariedade a Cuba e aos povos latino-americanos e caribenhos.

O evento reafirmou a luta dos movimentos gaúchos contra às políticas estadunidenses em relação a Cuba, como o criminoso bloqueio econômico, a ocupação de Guantánamo, a aplicação das Leis Torriceli e Helms-Burton e outras ações subversivas. 
Público durante a convenção; veja mais fotos aqui
Além disso, na carta final da Convenção (abaixo), foi sugerido propostas como: criações de frentes parlamentares para denunciar o bloqueio e o terrorismo midiático contra à ilha, escolha do dia 9 de outubro como Dia Nacional de Solidariedade a Cuba, etc.