domingo, 16 de dezembro de 2018

Lula ao povo cubano: "tenham muito orgulho dos seus médicos e das suas escolas de medicina"

Envía Lula carta al pueblo cubano: Tengan mucho orgullo de sus médicos
Lula ao lado de imagem de Che Guevara durante visita oficial a Cuba | Foto: Ricardo Stuckert/Agência Brasil
Do Brasil 247 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva escreveu uma carta para a população de Cuba, em que lamenta a interrupção da participação dos médicos cubanos no programa Mais Médicos, provocada pelo presidente eleito Jair Bolsonaro. 

"Eu lamento que o preconceito do novo governo contra os cubanos tenha sido mais importante que a saúde dos brasileiros que moram em comunidades mais distantes e carentes", disse Lula na carta. 

Lula também agradece aos médicos cubanos que superaram as críticas e preconceitos de muitos brasileiros. "Nos ensinaram que uma medicina mais humana não só é possível, como é mais eficiente para melhorar os padrões de saúde de nossas comunidades. No final os cubanos trocaram experiências com muitos médicos brasileiros, e chamaram a atenção de todos para a importância da medicina preventiva e da atuação na saúde das famílias", escreve Lula. 

"Por isso quero dizer ao povo de Cuba: tenham muito orgulho dos seus médicos e das suas escolas de medicina. Vocês conquistaram milhões de admiradores, milhões de pessoas gratas no Brasil". 
Despedida de médicos cubanos em Brasília, 10/12/18 | Fotos: Cuba Hoy
Leia, abaixo, a carta de Lula na íntegra:

Cônsul de Cuba é homenageada na Bahia

Laura Pujol (ao centro) foi  Cônsul de Cuba para o Nordeste nos últimos 5 anos | Foto: CMS
Do site da Câmara de Salvador 

A cônsul de Cuba para o Nordeste, Laura Pujol, recebeu (no último dia 14) da Câmara Municipal de Salvador uma moção de aplauso pelo trabalho desenvolvido nos cinco anos em que esteve à frente do consulado. O reconhecimento foi proposto pela vereadora Aladilce Souza (PCdoB). No Salão Nobre da Casa, a solenidade foi dirigida pelo presidente Leo Prates (DEM) e contou com a participação dos vereadores Sílvio Humberto (PSB) e Marta Rodrigues (PT). Laura Pujol será substituída por Milena Zaldiva.

“Plantamos a semente da internacionalização aqui na Câmara. Demos a função de relacionamento externo à Comissão de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Relações Internacionais e esperamos ver o seguimento desse trabalho. É importante aproximar a Casa das nações latinas, daquelas de língua portuguesa e das que possam ser parceiras em ideias e projetos importantes para a cidade”, afirmou Leo Prates.

A vereadora Aladilce indicou a moção em agradecimento à cooperação econômica e técnico-científica entre Salvador e Havana. “O consulado trabalhou bastante para estimular o intercâmbio econômico e comercial entre a Bahia e Cuba. Laura foi muito atuante no processo de implantação do Mais Médicos e teve uma relação estreita com os legislativos de diversos estados. Foi uma cônsul muito ativa e deixará um legado importante”, pontuou.

 Relações comerciais

“Foi uma experiência muito rica. O Nordeste é muito grande, os estados muito diversos e com características próprias que precisam ser conhecidas. Nesse período, acompanhei mais de 3 mil médicos em mais de mil municípios, mantendo relação com governos, câmaras municipais e de comércio”, ressaltou Laura. A cônsul falou da importância da proximidade econômica entre Salvador e Cuba. “O porto daqui fica a sete dias de viagem, cinco a menos do que saindo do Porto de Santos, por exemplo. É importante fortalecer a relação comercial entre as duas cidades”, ressaltou a cônsul. “Laura é uma pessoa muito engajada e sempre participava dos debates dessa Casa. Homenageá-la hoje mostra nosso reconhecimento ao seu trabalho e apreço a Havana, nossa cidade irmã”, pontuou a vereadora Marta Rodrigues.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Brasileiros se despedem de cubanos em Porto Alegre: "Pacientes pediam para eu não ir embora"

Associação Cultural José Martí homenageou cubanos no aeroporto | Foto: Guilherme Santos/Sul 21
Por Débora Fogliatto no Sul 21

Centenas de médicos cubanos que atendiam no Rio Grande do Sul se despedem do Estado entre esta quinta-feira (6) e sábado (8), após o fim do acordo que os permitia trabalhar como parte do programa Mais Médicos. Segundo a Associação Cultural José Martí, focada nas relações entre Brasil e Cuba, serão 452 profissionais que deixarão o país nos próximos dias. A entidade preparou um ato de despedida aos médicos no Aeroporto Salgado Filho, os recepcionando para agradecer pelos serviços prestados.

“Há cinco anos, estávamos nesse mesmo aeroporto recebendo esses médicos que deixaram suas famílias, seu país e vieram para cuidar dos brasileiros menos favorecidos. Achamos importante agradecer em nome da parcela do povo brasileiro que vai ficar desassistida”, explica a presidente da José Martí, Marajuara Azambuja. Integrantes da fundação e apoiadores levaram cartazes com dizeres como “gracias Cuba, hasta luego”, além de bandeiras do Brasil e de Cuba.

Eles agradeceram aos profissionais e conversaram com eles, perguntando as cidades onde estavam e como foram recepcionados pela população. “E daí reafirmamos que a gente só tem a agradecer a solidariedade do povo cubano em vir até aqui e auxiliar a população mais pobre do nosso país. A gente sempre comenta que do bloqueio para cá, só mentira sai. Tem muita mentira [sobre Cuba] na mídia por desconhecimento, pelo próprio bloqueio, que não é só político, econômico, mas também midiático, e as pessoas não conhecem a realidade cubana”, afirma Marajuara.

Assista na reportagem da TVT:

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Quem não deixa os cubanos acessarem a Internet são os EUA, não o governo de Cuba

Cubano usando internet em Cuba | Foto: Daniel Ramalho

Hoje (6), os cidadãos cubanos começam a utilizar Internet móvel com conexão 3G, com acesso completo pelos celulares.

A estatal Empresa de Telecomunicações de Cuba (ETECSA) anunciou que o plano do governo é desenvolver a tecnologia 4G em 2019. Desde o ano passado, os cidadãos podem ter acesso à Internet em suas casas.

Há alguns anos, também, eles utilizam centenas de pontos gratuitos de acesso à rede wifi como praças e parques por todo o país. Todos os municípios das províncias de Havana e Pinar del Río, por exemplo, possuem pontos públicos de acesso a wifi. Antes disso, eles também podiam acessar a partir de salas de navegação, como centros comunitários e coletivos. Segundo fontes oficiais, até 2016 um terço dos cubanos utilizava wifi para se conectar à Internet.

A imprensa de direita, que apoia todos os tipos de ataques contra o povo brasileiro, busca distorcer a questão do acesso à Internet em Cuba. Diz que o governo finalmente “permitiu” que os cubanos tivessem acesso, ou seja, dão a entender que Cuba não tinha acesso à rede porque a “ditadura” comunista censurava a liberdade de expressão, ou então que o país é miserável e não tem infraestrutura porque tudo pertence ao Estado.

O segundo argumento é parcialmente verdadeiro. A infraestrutura de tecnologia de Cuba ainda é atrasada. Mas o outro lado da informação é uma inverdade e está diretamente ligada ao outro argumento, o de que Cuba não tinha acesso à Internet devido à censura do governo.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Médicos brasileiros formados em Cuba revelam as diferenças entre as medicinas cubana e brasileira

Graduação de médicos na Universidade Cubana de Ciência Médicas de Villa Clara | Foto: Ramón Barreras Valdés
Por Carlos Ratton no Diário do Litoral

Esta semana, o Governo Federal comemorou o fato de que 97,8% das vagas abertas do Programa Mais Médicos terem sido preenchidas (8.319 de 8.500). No entanto, somente 738 (8,9%) profissionais apareceram para trabalhar, segundo o Ministério da Saúde. O prazo para se apresentarem é 14 de dezembro.

Na Baixada Santista (São Paulo), só foram preenchidas 13 das 84 vagas deixadas pelos cubanos, o que corresponde a 15,4% do total. O Diário conversou com dois médicos brasileiros que participaram do Mais Médicos.

"O cubano não se sente melhor que ninguém"

A médica entrevistada, autora da frase acima, preferiu não ser identificada por conta de represálias que já vem sofrendo.

Já Walter Titz Leite Neto, formado na Escola Latino Americana de Medicina com especialidade em Saúde Pública pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), fez questão de revelar algumas diferenças e desmentir boatos sobre o programa.
Doutor Titz | Foto: Nair Bueno/Diário do Litoral

Confira:

Diário do Litoral (DL) - O médico cubano se sente escravo?

Walter Titz – Temos que analisar a raiz da questão. Para boa parte da sociedade brasileira, médico se forma para ganhar dinheiro. Considera ser médico um status. Até a população mais pobre entende que, por conta dos anos de estudos, o médico é uma pessoa superior. Em Cuba, quem forma o médico é o povo, que contribui para que o Estado forme profissionais e dê estrutura de saúde. Cuba possui os melhores indicadores de saúde a América e até dos EUA. As missões cubanas ocorrem desde 1963, quando Cuba já estava em mais de 30 países. Então, quando é assinado um convênio como o Mais Médicos, os cubanos já sabem e aceitam o desconto de salário, porque encaram pelo ponto de vista internacionalista solidário, base de sua formação. Em Cuba, não se trabalha em quanto estuda. Alimentação, moradia, livros, transporte, enfim, tudo é mantido pelo Governo. Lá, quanto mais você estuda, mais você tem apoio governamental. O investimento no ser humano e na ciência é enorme.

DL – Explica melhor.

domingo, 2 de dezembro de 2018

México deve contratar médicos cubanos que estão deixando o Brasil

Ex-presidenta da União Nacional dos Estudantes do Brasil se despede de médica cubana em São Paulo
 Foto: karla boughoff
Por Sturt Silva 

Segundo o "Estado de São Paulo", o México está negociando com Cuba a contração de milhares de médicos cubanos. O governo cubano anunciou no último dia 14 de novembro a retirada de mais de 8 mil profissionais cubanos que estavam atendendo no Brasil pelo programa Mais Médicos. Parte desses médicos irão para o México onde o novo presidente Obrador, empossado ontem (01/12), disse que o esquema atual de saúde pública no México é “insuficiente” e prometeu que sob seu governo, os mexicanos terão acesso a um sistema semelhante ao do “Canadá, Dinamarca, Inglaterra e países nórdicos”.

Especula-se que o número inicial seria de 3 mil profissionais. O presidente de Cuba, Díaz-Canel, marcou presença na posse do novo presidente mexicano.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Médico cubano ‘escravo’ tem renda maior do que 99% dos brasileiros ‘livres’

Médica cubana que trabalhou no Brasil pelo Mais Médicos | Foto: Prensa Latina
Da Carta Campinas

Após o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) dizer que os médicos cubanos são ‘escravos’, o jornalista Gilberto Dimenstein foi atrás de dados para fazer um comparação entre a renda do médico cubano e a renda dos brasileiros ‘livres’. (E olha que Dimenstein é um jornalista que acreditava que Sérgio Moro era juiz de verdade!, pelo menos até ganhar um cargo no governo Bolsonaro).

Dimenstein chegou a conclusão de que os médicos cubanos pertenceriam economicamente a classe mais rica do Brasil, ou seja, ao 1% mais rico.

Apesar de muito alta, a relação ainda deixou de fora o custo de vida em Cuba e no Brasil, o que aumenta ainda mais a riqueza do médico ‘escravo’ cubano em relação ao brasileiro ‘livre’.

O jornalista lembra que um médico cubano que vem ao Brasil trabalhar ganha salário mensal de R$ 3 mil líquidos – ou seja, já descontados os impostos. Também recebe casa e comida grátis, bancadas pelas prefeituras brasileiras. “Portanto, a renda líquida do médico cubano giraria no mínimo em torno de R$ 8 mil. Para um brasileiro ganhar essa renda líquida seria necessário um salário em torno de R$ 10 mil mensais – o que o coloca na classe A. Ou seja, os mais ricos”, diz Dimenstein.

Ele lembra que segundo o IBGE, a Renda média do brasileiro foi de R$ 1.268 em 2017; “Menos de 1% da população brasileira é rica. Isto significa que 1,5 milhão de pessoas ganha mais de R$ 8 mil (precisamente R$ 8.518,04). O salário médio per capita de uma família rica, desde que as quatro pessoas trabalhem, é de R$ 2.129,51. Ou seja, o “escravo” cubano faz parte de 1% mais rico do Brasil“, mostra Dimenstein.

Leia mais: 
Salários de médicos cubanos superam os de médicos que atendem por plano de saúde

Mas isso é só o começo da conversa comparativa entre os médicos cubanos ‘escravos’ e os brasileiros ‘livres’. O custo de vida em Cuba chega a ser 10 vezes menor do que o preço do custo de vida no Brasil. Um salário mínimo em Cuba gira em torno de 30 dólares enquanto no Brasil é de 265 dólares. Ao levar esses recursos para Cuba, os médicos ‘escravos’ se tornam ainda mais ricos.

Os cubanos demonstraram um novo modo de praticar a medicina, afirma autor de livro sobre o "Mais Médicos"

Araquém Alcântara com o livro | Foto: Roberto Parizotti/CUT
Por Lú Sudré no Brasil de Fato

“Os cubanos demonstraram um novo modo de praticar medicina”. Essa afirmação é de alguém que acompanhou de perto o Programa Mais Médicos nas regiões mais isoladas do Brasil. Em 2015, o fotógrafo e jornalista Araquém Alcântara percorreu 38 cidades de 20 estados do país com uma câmera na mão, buscando capturar a dimensão humana do projeto. 

O material foi publicado no livro “Mais Médicos”, cujas fotos circularam em massa pela internet após o governo cubano anunciar sua retirada do programa. Segundo o Ministério da Saúde Pública de Cuba, o anúncio, por parte do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), de mudanças no contrato, iniciado em 2013 e revalidado em 2017, foram determinantes para a saída dos profissionais do programa. A decisão também ocorreu em repúdio a declarações de Bolsonaro consideradas “ameaçadoras e depreciativas” . 

“O que mais me marcou foram os olhares. A questão da aproximação, do toque, da conversa, do carinho, de médicos circulando. Médicos que não ficam só atrás da mesa, atendendo as pessoas em dez, quinze minutos. Mas sim se dedicando a ouvir, participando de questões da comunidade, se envolvendo com o povo”, relata Alcântara em entrevista ao Brasil de Fato. 

O renomado fotógrafo considera o livro um manifesto humanista e defende a continuidade da atuação dos médicos em regiões em que o Estado se faz ausente. “O Mais Médicos é um programa revolucionário de atendimento à saúde. Isso eu vi com meus próprios olhos. Essa é a função do jornalista e do fotógrafo, ser testemunha ocular”. 

Confira a entrevista na íntegra:


Brasil de Fato - Suas fotos têm circulado muito após a saída de Cuba do Programa Mais Médicos. Como vê esse destaque que a obra tem recebido e porque decidiu fotografar os atendimentos desse programa?