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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

A façanha de Arnaldo Tamayo, o primeiro negro e latino-americano a viajar ao espaço

Arnaldo Tamayo e Yuri Romanenko | Foto: Cuba Debate

Do Dicas sobre Cuba

O cubano Arnaldo Tamayo Méndez foi o primeiro cosmonauta negro e o primeiro latino-americano a viajar ao espaço. 

Em 18 de setembro de 1980, Tamayo era lançado da base de Baikonur (atual Cazaquistão), junto com o cosmonauta soviético Yuri Romanenko. Na ilha, o povo cubano acompanhava pela televisão o feito histórico.

Tamayo foi selecionado para participar do programa espacial Intercosmos, da então União Soviética (URSS). Depois de participar de uma rigorosa preparação, que chegou a mais de 1.500 horas de treinamento, integrou a missão Soyuz 38 que viajou em direção a base orbital Salyut 6. Durante uma semana, Tamayo executou experimentos técnicos e científicos.

Em 26 de setembro, após 124 órbitas circunterrestres, Tamayo e Romanenko retornaram à Terra em um pouso arriscado, realizado à noite.

Na época, a URSS desenvolvia um avançado programa espacial. Em 1961, o soviético Yuri Gagarin havia se tornado o primeiro ser humano a viajar pelo espaço. A cooperação entre URSS e Cuba possibilitou que, pela primeira vez, um cosmonauta de um país do Hemisfério Ocidental, que não dos EUA, participasse de uma missão espacial.

Diante do feito histórico, o Comandante Fidel Castro condecorou Tamayo com o título de Herói da República de Cuba e a Ordem Playa Girón. Em Moscou, o cosmonauta cubano recebeu a Ordem de Lenin e também foi nomeado Herói da URSS.

domingo, 19 de fevereiro de 2023

Exposição virtual recorda 1ª viagem de Iuri Gagarin a Cuba

Osvaldo Dorticós Torrado, presidente de Cuba (1959-1976), Iuri Gagarin, cosmonauta soviético, e Fidel Castro, primeiro-ministro cubano (1959-1976) | Foto: Vassíli Egorov/TASS  

Por Sturt Silva 

Para comemorar os 60 anos do primeiro voo espacial russo em órbita, a Sociedade da Amizade Soviético-Cuba, na Rússia, e Agência Espacial Russa resolveram colocar no ar uma exposição virtual com imagens dos arquivos da agência de notícias Tass sobre a primeira visita do cosmonauta soviético Iúri Gagarin a Cuba, ocorrida em julho de 1961. 

Gagarin visitou Cuba três vezes, inclusive encontrando com os revolucionários Fidel Castro e Che Guevara. 

Clique aqui para acessar a exposição virtual. 

Exposição virtual em homenagem ao astrounata soviético | Arte: Gagarin 2021

Com informações do Russia Beyond.

sábado, 14 de agosto de 2021

Assista: Tem 5 Cubas passando fome nos Estados Unidos

A situação em Cuba | Foto: TV Brasil 247

Por Sturt Silva 

O jornalista Leonardo Attuch, diretor da Portal Brasil 247, promoveu um debate entre Breno Altman e Joana Salém sobre o que realmente está acontecendo em Cuba. 

Os dois, que são especialistas em Cuba, falaram sobre: os protestos contra e a favor do governo socialista de Miguel Díaz-Canel, a economia socialista, o bloqueio econômico dos EUA e o papel da China e do Brasil no processo. 

Joana Salém Vasconcelos é professora de História Contemporânea na Faculdade Cásper Líbero. Doutora em História Econômica pela USP (2020), Mestra em Desenvolvimento Econômico pela UNICAMP (2013) e Graduada em História pela USP (2010). 

Breno Altman é jornalista e fundador e editor do Portal Opera Mundi.

Ao rebater uma declaração do presidente estadunidense - que disse que os EUA podiam fazer uma intervenção humanitária em Cuba - a historiadora destacou que há mais de 50 milhões de pessoas passando fome (ou vivendo na pobreza) no interior dos EUA, ou seja 5 vezes a população de Cuba.

Assista essa e outras afirmações no vídeo abaixo. 

terça-feira, 18 de junho de 2019

As crianças de Chernobyl em Cuba: "Até mesmo as crianças mais doentes se divertiam"

Crianças ucranianas em Cuba | Foto: Claudia Daut/Reuters
Por Beatriz Díez na BBC

"Não era como estar em um hospital. Até mesmo as crianças mais doentes se divertiam." O ucraniano Roman Gerus tem boas lembranças de uma experiência oriunda de uma catástrofe.

Estamos falando sobre a explosão de um dos reatores da usina nuclear de Chernobyl em 26 de abril de 1986, uma tragédia que volta mais uma vez à tona com a minissérie da HBO Chernobyl.

Gerus foi uma das mais de 23 mil crianças afetadas pelo acidente que receberam atendimento médico em Cuba. O programa do Ministério da Saúde de Cuba foi desenvolvido entre 1990 e 2011.

No final de maio, autoridades cubanas e ucranianas anunciaram a intenção de retomar a iniciativa, embora em menor escala que o programa dos anos 1990.

domingo, 16 de junho de 2019

Chernobyl: Cuba foi o único país que atendeu as vítimas da tragédia de forma gratuita e massiva

Criança ucraniana em Tarará, Cuba, no ano de 2010 | Foto: Desmond Boylan/Reuters

Da Revista Fórum 

O governo cubano manteve o programa gratuitamente por mais de 20 anos, arcando com um enorme gasto para cuidar das vidas daquelas crianças, apesar de sua crise econômica, e nunca aceitou revelar quanto gastou nos tratamentos. "É um dever, não estamos fazendo publicidade", disse Fidel Castro a respeito.

No dia 26 de abril de 1986, uma explosão no quarto reator da planta nuclear de Chernobil (Chernobyl em inglês) causou uma catástrofe que contaminou uma área mais de 130 quilômetros quadrados (que atingia territórios que hoje são da Ucrância, Rússia e Bielorrússia), onde vivia uma população de cerca de 7 milhões de cidadãos soviéticos, provocando uma onda de doenças causadas pela radiação.

A tragédia foi terrível, mas também houve quem trabalhasse depois para diminuir a dor dos que sobreviveram a ela, como estava um grupo de médicos cubanos que atuou nos cuidados das chamadas “crianças de Chernobil”.

O segundo capítulo dessa história viria somente em 1990, quando a Ucrânia pediu ajuda internacional para as crianças vítimas do acidente nuclear. “O pedido chegou numa quinta-feira, e no sábado já estávamos enviando a resposta: nós tínhamos os melhores especialistas em patologias mais frequentes em crianças, que poderiam viajar imediatamente”, respondeu Sergio López Briel, que era o cônsul cubano na União Soviética naquele então.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Filhos de vítimas de "Chernobil" receberão tratamento em Cuba

Fidel na década de 90 com as crianças de "Chernobil", que receberam tratamento em Cuba | Foto: Cuba Debate


Um grupo de 50 crianças ucranianas receberá tratamento em Cuba como parte de um novo programa de cooperação que se baseia no modelo de assistência médica já concedida a milhares de afetados pelo desastre nuclear de Chernobil, ocorrido em 1986. 

Esses menores são filhos de pessoas que foram afetadas pela explosão de um reator na usina nuclear de Chernobil, na cidade de Pripyat, no dia 26 de abril de 1986. O desastre liberou radiação por uma vasta região, atingindo várias partes da Ucrânia, da Bielorrússia (hoje Belarus) e da Rússia.

Em recente visita a Havana, uma delegação da Ucrânia assinou um acordo com o Ministério da Saúde Pública da ilha para retomar o tratamento e a reabilitação de crianças ucranianas em Cuba, informou no último sábado (1/6) a estatal "Agência Cubana de Notícias".

O primeiro grupo de crianças que chegará ao país - em data ainda indefinida - receberá atendimento especializado para doenças de pele e câncer de menor grau de complexidade. O novo plano ainda prevê para o final deste ano a chegada de um segundo grupo de crianças com outros quadros, como paralisia.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Assista: Qual o caminho da Revolução Cubana depois de Raúl Castro?

Jornalista e amigo da Revolução Cubana, Breno Altman analisa o futuro de Cuba; assista no vídeo abaixo
Fidel e Raúl na manifestação de 1º de Maio/2017 - Foto L. Eduardo Domínguez/Cubadebate
Por Sturt Silva

No último dia 24 de novembro, uma dia antes do aniversário de 1 ano de morte de Fidel Castro, o jornalista Breno Altman analisou como será o futuro de Cuba após a geração revolucionária de 1959 deixar o governo. 

No último dia 26, o povo cubano foi às urnas para eleger novos representantes a nível municipal, o processo terminará ano que vem com a escolha do novo presidente do país. Raúl Castro, que oficialmente assumiu o poder em 2008, não será candidato. Espera-se que no primeiro semestre Cuba tenha um novo presidente.

Estado de bem-estar social

Altman destacou que Cuba foi obrigada a integrar ao campo socialista, liderado pela URRS, depois do início do bloqueio dos EUA. A parceria com o bloco soviético socialista trouxe uma série de avanços para o país como a possibilidade de ter acesso a uma poupança externa que garantiu investimentos necessários para a manutenção da economia nacional e a criação de um estado de bem-estar social. Esse período, que teve uma economia estatal e planejada como marca, durou de 1962, com caráter socialista da Revolução, até 1991, com o fim da URSS.

Período Especial 

Na década de 90, com o fim da parceria com a URSS e o fortalecimento do bloqueio estadunidense, Cuba viveu o "perídio especial" onde o PIB cubano caiu 1/3 em 3 anos. Para enfrentar a crise, Fidel adotou algumas medidas econômicas que liberalizou e dinamizou a economia nacional, inclusive abrindo o país ao capital estrangeiro e possibilitando o renascimento do mercado.

Já nos anos 2000 a correlação de forças na América Latina mudou e Cuba acabou sendo beneficiada com o processo, principalmente com a vitória de Hugo Chávez na Venezuela, em 1998.  

Governo Raúl Castro

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Cuba deu tratamento médico para 24 mil crianças afetadas pelo maior acidente nuclear da história

Parque abandonado  de Chernobyl (à esquerda); crianças em tratamento e bandeira de Cuba (à direita).
Montagem: Blog Solidários a Cuba
Por Sturt Silva

Cuba atualmente oferece tratamento médico para 800 crianças da Ucrânia, Rússia e Belarus afetadas pelo acidente nuclear de Chernobyl, que ocorreu em 26 de abril de 1986 e considerado o mais grave da história. 

Cuba foi uma das primeiras nações a ajudar as vítimas, na sua maioria crianças. 

O médico cubano, Julio Medina, coordenador do programa solidário cubano, informou que até à data, Cuba já atendeu cerca de 24.000 crianças. 

De acordo com a Telesur, a maioria dos pacientes recebem tratamentos por períodos de 45 dias, mas alguns chegam a ficar um ano em cuba, num local que foi adaptado como um semi-hospital para as vítimas do acidente nuclear. Muitas crianças de Chernobyl sofrem de câncer de tireoide, leucemia, atrofia muscular, distúrbios psicológicos, neurológicos e alopécia. 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Soviéticos e Cubanos (ou como Cuba resistiu ao fim da URSS)

Conferência do PCC
Por Breno Altman

Muitos se indagam o porquê de Cuba ter resistido ao colapso do socialismo, apesar de sua fragilidade econômica.

Uma das razões, penso, é que o discurso de Fidel e seus companheiros sempre expôs ao povo cubano, com clareza, frequentemente de maneira ríspida, os problemas e erros cometidos.

Mesmo enfrentando sacrifícios dramáticos, os cidadãos aprenderam a confiar em sua direção. Nem tanto por sua capacidade para resolver os estrangulamentos provocados pelo bloqueio, a falência da URSS e os graves equívocos cometidos, mas por estarem seguros que seus líderes não faltavam com a verdade e não os tratavam como audiência passiva.

domingo, 28 de abril de 2013

A primeira visita de Fidel Castro à URSS

Fidel Castro no estádio de Volgogrado | Foto: Agência TASS

Da Agência Prensa Latina

A imprensa russa recorda o 50º aniversário da primeira visita do líder histórico da Revolução cubana, Fidel Castro, à União Soviética, em abril de 1963, quando percorreu desde o norte russo, até o sul centroasiático.

O jornal Pravda, do Partido Comunista da Federação de Rússia (PCFR), dedica uma página completa a episódios e fotografias sobre a acolhida por diversos setores da sociedade.

A visita, destaca o diário em edição de meio de milhão de exemplares, foi um acontecimento histórico na vida dos dois povos e perdura assim até hoje.

Assinala o Pravda que os soviéticos deram as boas-vindas na figura de Fidel ao heroico povo cubano, mostrando admiração pela façanha revolucionária que permitiu expulsar a saqueadores, e invasores, e defender a independência e soberania, pelo caminho do socialismo.

Ao mesmo tempo reconhece o papel impulsor da Revolução cubana para o movimento de libertação nacional da América Latina, depois da vitória de 1 de janeiro de 1959.

Na memória dos soviéticos ficaram também os acontecimentos de abril de 1961, vinculados aos destinos da "ilha da Liberdade".

sábado, 9 de março de 2013

O poder da comunidade - como Cuba sobreviveu ao pico petrolífero [documentário]

Como Cuba sobreviveu ao pico do petróleo | Foto: Reprodução/youtube
Por Sturt Silva

Quando a União Soviética entrou em colapso em 1990, a economia cubana entrou em queda livre. Com as importações de petróleo cortadas em 50% e as importações de alimentos cortadas em 80%, as pessoas estavam desesperadas. 

Este filme encorajador e fascinante mostra como as comunidades reagiram juntas e criaram soluções e finalmente prosperaram.

No contexto das preocupações mundiais com o pico petrolífero, Cuba é uma visão inspiradora de esperança.


"O poder da comunidade - como Cuba sobreviveu ao pico petrolífero" (2006) - "The Power Of Community, How Cuba Survived Peak Oil" (2006).

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"The Community Solution" é uma organização sem fins lucrativos que desenvolve e ensina soluções de baixo consumo de energia para o atual modo de vida insustentável, baseado em combustíveis fósseis, industrializado e centralizado.

Leia também entrevista com biólogo Roberto Pérez Rivero.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Hoje na História: Cuba envia para o espaço o primeiro latino-americano

Havana durante a Revolução Cubana | Arte: Blog Solidários a Cuba 
Da Prensa Latina 

Cuba recorda neste 18 setembro um dos eventos mais famosos do período revolucionário: a viagem espacial feita por Arnaldo Tamayo, o primeiro cosmonauta que teve toda a América Latina.

Num dia como hoje, mas em 1980, o atual General-de-Brigada das Forças Armadas Revolucionárias partiu ao cosmos como parte de uma tripulação conjunta cubano-soviética.

O foguete que colocou em órbita a nave Soyuz 38 começou sua jornada a partir do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, e completou o vôo rumo a estação espacial Salyut 6.

Nesse ponto, Tamayo e seu colega de missão, Yuri V. Romanenko, reuniram-se com a tripulação residente na estação, constituída pelos cosmonautas Leonid Popov e Valery Ryumin.

Grande parte do programa de pesquisas da missão foi elaborado pela Academia de Ciências de Cuba e compreendia tarefas científicas tais como o cultivo dos primeiros monocristais orgânicos em ambiente de microgravidade, usando açúcar cubano.

Também foram realizados experimentos médicos e biológicos, alguns deles sobre as causas da síndrome de adaptação ao espaço, além da exploração da ilha do Caribe da plataforma continental a partir do espaço em busca de minerais e de campos de petróleo potenciais.

Concluído o programa de pesquisa, os cosmonautas seguiram para o módulo de descida de materiais e experimentos e retornaram à Terra em 26 de setembro de 1980.

Em seu retorno, Tamayo foi premiado com a primeira medalha de honra de Herói da República de Cuba e em Moscou recebeu a Ordem de Lênin e a Estrela de Ouro de Herói da União Soviética, condecoração concedida pelo governo soviético.
Arnaldo Tamayo e Yuri Romanenko | Foto: Cuba Debate
Em uma ocasião, o primeiro latino-americano cosmonauta disse à Prensa Latina que aqueles que tiveram o privilégio de ver a Terra a partir do espaço estão conscientes da necessidade de seu cuidado.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Acidente de Chernobyl: a ajuda solidária de Cuba [vídeo]

Fidel Castro com as crianças vítimas de "Chernobyl" | Foto: Cuba Debate
Por Sturt Silva 

Cuba tem contribuído para o tratamento e a cura de cerca de 26 mil crianças e adultos vítimas da catástrofe de Chernobyl, o maior acidente nuclear ocorrido até hoje, na Ucrânia, em 1986.

Em 29 de Março de 1990, chegaram ao país as primeiras 139 crianças afetadas pelo acidente, sendo recebidas pelo Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz. Estabelecendo o programa cubano de cuidados para as crianças de Chernobyl, patrocinado pelo Ministério da saúde pública.

As pessoas tem sido atendidas, desde então, na Cidade de Tarara, nas praias ao leste de Havana, vinculados em um programa de saúde e de lazer totalmente grátis.

Cuba possui um centro de proteção e higiene da radiação. Veja página eletrônica.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Colapso da União Soviética reduziu economia cubana em 34%

Bandeira da URSS em Havana, Cuba | Foto: AFP

Por Daniella Cambaúva e Breno Altman no Opera Mundi 

O Malecón é o lugar mais frequentado da capital cubana, Havana. O nome, em espanhol, quer dizer dique ou murada. A avenida nasce no castelo de San Salvador de la Punta, na parte antiga da cidade, à direita de quem vê as águas do Atlântico. Estende-se por oito quilômetros, até a fortaleza de Torreón de la Chorrera, próximo ao túnel que passa sob o rio Almendares e liga o bairro de Vedado ao distrito de Miramar, outrora habitado pela aristocracia da ilha. O trecho que une as duas metades da região central, a nova e a velha, vale como cartão postal do pequeno país que desafia um império.

Na parte antiga da cidade, chamada Havana Velha, declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), as obras de restauração conduzidas pelo arquiteto Eusébio Leal convivem com casarões caindo aos pedaços, que fazem lembrar cenários de pós-guerra. Não há sinais de bombardeio ou fuzilaria, mas rastros de destruição pontuam a paisagem urbana. Há indícios, no entanto, de que a reconstrução avança. Placas sinalizam a existência de reformas em vários dos edifícios perfilados no Malecón, construídos pelos colonizadores espanhóis entre os séculos XVII e XIX. Muitos já exibem a formosura da época de batismo.

Milhares de cidadãos vivem nessas casas, beneficiados pelas leis urbanas posteriores à revolução de 1959. Nos piores tempos sequer luz elétrica havia. O drama da nação caribenha teve origem no início dos anos 1960. O governo dos Estados Unidos, contrariado com a política aplicada pelos guerrilheiros de Fidel Castro, decretou o bloqueio total às transações financeiras e comerciais com Cuba. O país, de uma hora para outra, perdeu seu maior parceiro. O estrangulamento econômico fazia parte de uma estratégia política cujo objetivo era a derrocada dos revolucionários.

Apostava-se em Washington, então, que a população não resistiria ao pesadelo da escassez e se levantaria contra o governo dos barbudos. A CIA (Agência Central de Inteligência), convencida de suas previsões, organizou um comando formado por seguidores do ex-ditador Fulgencio Batista, com a missão de invadir, no dia 17 de abril de 1961, através de Playa Girón, o território cubano. A sedição foi batida em 65 horas, acossada por tropas regulares e milícias civis. Um dia antes Fidel havia declarado o “caráter socialista da revolução” e informado a adesão ao campo internacional liderado pela União Soviética.