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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

História: Cuba consolidou sua revolução com apoio da comunidade socialista

Fidel Castro discursando em Havana após vitória da Revolução de 1959
Por Analúcia Danilevicz Pereira na Revista de História

Os processos de descolonização iniciados após a Segunda Guerra Mundial geraram ondas de democratização e libertação nacional, produzindo um novo equilíbrio global, com o nascimento do chamado Terceiro Mundo. Pelo seu potencial militar e diplomático, e diante do declínio da influência europeia, a União Soviética desempenhou um importante papel junto aos novos países – apresentando-se como um parceiro tolerante à diversidade de sistemas sociais e níveis econômicos. Os novos Estados socialistas adotaram diferentes vias para a construção dos seus modelos revolucionários. E Cuba foi um caso à parte, de grande significação para o mundo.

O programa inicial de Fidel Castro e do Movimento 26 de Julho, juntamente com os demais grupos que lutaram contra o regime de Fulgêncio Batista e em 1959 assumiram o poder, consistia em um conjunto de instruções democráticas e reformistas. O novo líder cubano pregava uma doutrina humanista, não exatamente marxista, a não ser pelos princípios democráticos e de justiça social.

A primeira fase da Revolução encerrou-se entre 1961 e 1962. O ataque fracassado dos Estados Unidos à baía dos Porcos e seus efeitos – a Crise dos Mísseis com a URSS e a expulsão de Cuba da Organização dos Estados Americanos (OEA) – desencadearam uma sucessão de rupturas nas relações dos governos latino-americanos com a ilha. Por outro lado, desde que o vice-primeiro-ministro soviético Anastas Mikoyan visitou Cuba em fevereiro de 1960, e assinou os primeiros de muitos acordos de troca de petróleo e açúcar entre os países, a URSS e o bloco socialista passaram a ser vistos como uma possível saída para a dependência econômica de Cuba no continente, especialmente diante da crescente oposição norte-americana.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Diretor da Rádio Miami: Fidel Castro sempre foi um revolucionário disposto a arriscar sua vida pela verdade

‘Fidel entrou em vida no panteão dos libertadores latino-americanos’

Discurso de Fidel Castro: escadarias da Universidade
de Havana/1966. Por Fidelista Por Siempre
Por Salim Lamrani no Al Mayadeen/Tradução da ADITAL

Nascido em 1930, em Cuba, no pequeno povoado de Vueltas, de um pai judeu polonês, que fugiu da perseguição antissemita do seu país, e de uma mãe cubana, Max Lesnik se envolveu, precocemente, aos 15 anos de idade, na militância política. Frequentava as filas do Partido Ortodoxo, fundado Eduardo Chibás, um dos pais espirituais da Revolução Cubana, símbolo da luta contra a corrupção governamental, e, rapidamente, se converteu no secretário nacional da Juventude Ortodoxa, nos anos 1950.

Max Lesnik adquiriu fama em todo o país e fez amizade com Fidel Castro, que conheceu na Universidade de Havana. Fidel militava também no Partido Ortodoxo e até apresentou sua candidatura às eleições de 1952 para o Congresso da República, antes de que o golpe de Estado de Fulgencio Batista colocasse fim à legalidade constitucional.

Lesnik, como muitos jovens cubanos, se sublevou contra a ditadura militar de Batista, apoiada pelos Estados Unidos, e fez parte da direção da Segunda Frente do Escambray, dirigido por Eloy Gutiérrez Menoyo, na atividade do trabalho ideológico, político e propagandístico.

Leia mais:
50 verdade sobre Fidel Castro
Especial - Fidel Castro, 87 anos

No triunfo da Revolução, no dia 1º de janeiro de 1959, Lesnik foi o primeiro dirigente revolucionário que saiu na televisão, entrevistado pelo jornalista Carlos Lechuga. Com a instalação do novo poder, Max Lesnik retomou seu trabalho de jornalista, publicando crônicas na revista Bohemia e animando um programa diário na Emissora Nacional Cadeia Oriental de Rádio.

Mas Lesnik começou a criticar a hegemonia dos comunistas no poder: "Eu era, resolutamente, contra uma aliança com um grupo que havia colaborado com Batista, na década de 1940, e que não havia desempenhado um papel chave durante a luta insurgente contra a tirania”, explica. Opôs-se à aliança com a União Soviética. Segundo ele, Cuba devia ser independente de Washington e também de Moscou. Soberania total.

Em 1961, a situação era crítica e Max Lesnik se viu obrigado a exilar-se nos Estados Unidos. Mas não se aliou às fileiras dos partidários do antigo regime – que o odiavam porque o viam como um amigo de Fidel Castro – e tampouco aceitou as ofertas da CIA, que buscava recrutar figuras políticas do exílio, com a finalidade de organizar um movimento destinado a derrubar a Revolução Cubana.
Quando se inteirou da notícia, Fidel Castro tentou convencer Max Lesnik de que regresasse a Cuba através do seu amigo comum Alfredo Guevara. Só José Pardo Llada, famoso jornalista radiofônico dos anos 1950, então exilado no México, teria também o privilégio de ser, pessoalmente, solicitado pelo líder da Revolução Cubana.

Em Miami, Lesnik criou seu programa de rádio, no qual denunciou a invasão da Baía dos Porcos, em 17 de abril de 1961, e acusou os participantes de mercenários a serviço de uma potência estrangeira. No dia seguinte, recebeu a visita de vários indivíduos armados, que lhe coagiram para que apresentasse diretamente suas desculpas à audiência. Max Lesnik se negou e salvou sua vida graças a um vacilo dos assaltantes, que decidiram abandonar o estudo sem levar a cabo sua ameaça.

Em meados dos anos 1960, Max Lesnik decidiu fundar o jornal tablóide Réplica, que se converteria em revista alguns anos depois, com tiragem semanal, que podiam alcançar os 100.000 exemplares. Esta aventura profissional lhe permitiu adquirir uma grande notoriedade na comunidade cubana e latina dos Estados Unidos, assim como certa tranquilidade econômica. Sua crença era na liberdade de expressão: abria suas páginas tanto para simpatizantes do governo cubano como para os exilados violentos, como Orlando Bosch, implicado em terrorismo contra a ilha.

No fim dos anos 1970, Max Lesnik desempenhou um papel essencial no estabelecimento de um diálogo entre a comunidade cubana dos Estados Unidos e as autoridades de Havana. Regressou a Cuba e voltou a ver seu amigo Fidel Castro depois de 17 anos. A primeira pergunta que lhe fez o presidente de Cuba surpreendeu o diretor da revista Réplica: "E você, por que saiu de Cuba?”.

A aproximação com Havana não foi do agrado dos extremistas de Miami. Max Lesnik foi vítima de um primeiro atentado com bomba, em 1979. No total, foi alvo de 11 ataques similares. "Estou vivo por milagre”, observa Lesnik. Não obstante, sua revista não sobreviveu à intolerância e o último número saiu em 1990, após o abandono dos principais patrocinadores publicitários, também ameaçados pelos exilados violentos da Flórida.

Max Lesnik foi o primeiro dirigente revolucionário que apareceu na televisão.
Arte: Al Mayadeen

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Cuba tem que mudar dentro do socialismo, não regressando ao capitalismo, defende professor cubano

Professor cubano fala sobre retomada das relações diplomáticas com os EUA. 
Outdoor: "As mudanças em Cuba são para mais socialismo"
Jesús García Brigos é professor do Instituto de Filosofia de Cuba e trabalha disciplinas sobre economia política. Esteve presente no V Seminário da Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde, recentemente realizado no Rio de Janeiro, e concedeu uma entrevista aos militantes da JCA - Juventude Comunista Avançado - sobre os impactos da retomada das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba. 

Assista:


Assista também: 
O que é revolução, por Fidel Castro
Discurso histórico de Rául Castro sobre reatamento das relações com os EUA

sábado, 27 de dezembro de 2014

A epopeia cubana: estado, mercado e autogestão (Parte II)

Abaixo reproduzimos segunda parte de um artigo do economista argentino Claudio Katz sobre a Revolução Cubana e suas mudanças conjunturais. Apesar de ter críticas ao processo revolucionário cubano, sendo assim, um material a princípio fora da linha editorial do "Solidários", entendemos que artigos como este ajudam a preparar os solidários na batalha contra o terrorismo midiático que Cuba sofre na mídia e na internet. Publicada na revista cubana Cubahora.


Por Claudio Katz em seu site/Tradução do Diário Liberdade

Cuba conta com níveis de democracia real superiores a qualquer plutocracia capitalista.


A reforma é debatida intensamente na ilha, desmentindo a imagem de unanimidade ou silêncio que existe no exterior. Todos os mitos sobre a ausência de discussões se baseiam no desconhecimento dessas polêmicas. Três correntes diferentes foram formadas nesses debates. Uma destaca a conveniência de preservar a preeminência do Estado, outra promove maiores mecanismos mercantis e um enfoque autogestionário postula expandir as cooperativas.

A própria marcha das reformas suscita também duros questionamentos sobre o alcance previsto para o trabalho assalariado. Há sugestões para que se estabeleça impostos compensatórios e limites mais precisos para essa contratação (Piñeiro Harnecker, 2010).

Outras observações são polêmicas com medidas que ampliariam a desigualdade social (criação de campos de golf, residências exclusivas) e com iniciativas para permitir a aquisição de propriedades por parte de estrangeiros (Campos, 2011).

Muitos questionamentos são formulados pelos partidários de reforçar as cooperativas. Propõem aprimorar as redes de lojas nos bairros e reforçar as empresas de autogestão já existentes (UBPC). Estimam que reavivará a economia sem fomentar o individualismo (Isa Conde, 2011).

Este modelo incentiva firmas autoadministradas que aproveitem o conhecimento de cada território e setor. Propõe formas de controle social por parte dos cidadãos e dos governos locais sobre esses empreendimentos (Dacal Díaz, 2013).

Este enfoque é inspirado em um balanço crítico do afogamento burocrático sofrido por essas empresas. Lembra que as UBPC enfrentaram entraves e tiveram pouca capacidade de decisão nos esquemas organizativos verticalistas do passado (Miranda, 2011).


A epopeia cubana: conquistas, reformas e desafios (Parte I)

Abaixo reproduzimos primeira parte de um artigo do economista argentino Claudio Katz sobre a Revolução Cubana e suas mudanças conjunturais. Apesar de ter críticas ao processo revolucionário cubano, sendo assim, um material a principio fora da linha editorial do "Solidários", entendemos que artigos como este ajudam a preparar os solidários na batalha contra o terrorismo midiático que Cuba sofre na mídia e na internet. Publicado na revista cubana Cubaahora

Fidel Castro discursa no centro de Havana - 1959
Por Claudio Katz em seu site/Tradução do Diário Liberdade

Cuba levou o maior ideal de transformação social a várias gerações de latino-americanos. Sua revolução comoveu a juventude, convulsionou as organizações políticas e sacudiu a esquerda.

Nos anos 60 o castrismo rompeu todos os dogmas ao demonstrar que um processo socialista era possível no continente. À 90 milhas de Miami, introduziu generalizadas nacionalizações para responder às conspirações do imperialismo. Posteriormente tentou uma heróica extensão regional da revolução.

A decisão cubana de resistir à restauração capitalista após o colapso da URSS foi assombrosa. A população afrontou um sufocante isolamento internacional e realizou imensuráveis esforços para manter sua independência.

A duração desse processo foi determinante da mudança que se registrou no cenário sul-americano. A reinstalação de uma colônia estadunidense em Cuba tinha obstruído a ressurreição dos processos radicais e limitado as vitórias conquistadas contra o neoliberalismo.

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domingo, 21 de dezembro de 2014

Mariela Castro: Cuba não voltará a ser um país capitalista


Do Diário Liberdade

Filha do presidente Raúl Castro e diretora do Cenesex (Centro Nacional de Educação Sexual de Cuba), Mariela Castro [foto] foi enfática ao afirmar que Cuba não voltará a adotar um sistema servil ao império estadunidense.

"Se pretendem que, com essas mudanças, Cuba volte a adotar um sistema capitalista e a ser um país servil aos interesses hegemônicos dos grupos mais poderosos economicamente dos Estados Unidos, devem estar sonhando", disse à agência AP.

Mesmo sem ter acabado com o embargo econômico contra a ilha, o histórico acordo entre Havana e Washington é benéfico ao povo cubano, que, além de ter de volta todos os seus "Cinco Heróis", terá mais oportunidades de comércio com outras nações.

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Cuba: Cheque mate na grande imprensa
"As críticas cubanas ao imperialismo estadunidense vão continuar"
Cuba e EUA: o significado político de um dia histórico

terça-feira, 25 de novembro de 2014

José Luis Rodríguez: 'A proposta de Cuba para o seu futuro não é um socialismo de mercado'


Por Rosa Miriam Elizalde no La Jornada/ Tradução: Diário Liberdade

José Luis Rodríguez, ministro de Economia de Cuba entre 1995 e 2009, é um dos poucos especialistas da ilha que mantém publicamente uma análise sistemática e rigorosa, partindo de posições socialistas, sobre as transformações que agitam a ilha.

Em um país que acorda quase todos os dias com um novo decreto na Gazeta Oficial que avança em direção a mudanças estruturais do modelo econômico, escuta-se apenas os funcionários explicando as medidas em linguagem popular, enquanto que no espaço digital – com uma altíssima presença na ilha apesar da frágil infraestrutura de internet – floresce todo o tipo de análise especulativa, frequentemente puxando a brasa para propostas neoliberais.

De qualquer forma, a economia é o principal tema no país. Cuba enfrenta um dilema complicado: ou atualiza, revisa e reconstrói sua estrutura econômica ou a Revolução corre o risco de sucumbir diante da pressão combinada de seus próprios erros e as agressões do bloqueio dos Estados Unidos, em um momento delicadíssimo de reacomodação do Consenso de Washington em relação à ilha.

Rodríguez, assessor do Centro de Investigações da Economia Mundial (CIEM), de Havana, responde a algumas perguntas de La Jornada, nas vésperas da última sessão plenária do ano no Parlamento cubano, que tem na agenda a análise dos resultados do chamado "processo de atualização" e os planos para 2015.

Qual será o caminho escolhido por Cuba

Por que atualização e não reforma econômica?

Isso pode ser explicado por duas razões. Por um lado, foi preciso enfatizar que todas as mudanças que estão sendo propostas supõem a atualização de um modelo socialista, classificado também como socialismo possível. Por outro lado, optou-se por tomar distância das reformas, em que em nome do aperfeiçoamento, o socialismo foi levado ao seu colapso na Europa.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

As 5 gerações da Revolução Cubana!


Por Martín Granovsky no Página/12

A palavra que está na moda em Cuba é “atualização”. Dessa maneira é que o governo e o Partido Comunista referem-se ao processo que, entre outros objetivos, busca chegar a uma economia na qual Estado não deva pesar mais que 60%. Um dos principais politólogos de Havana explica as nuances da nova etapa.

Ele vive, pesquisa e leciona em Havana, onde integra o Comitê Acadêmico do Mestrado em Relações Internacionais, responsável pelo Instituto Superior de Relações Internacionais Raúl Roa García, que faz parte do Ministério de Relações Exteriores de Cuba. E, ao mesmo tempo, o cientista político Luis Suárez Salazar (foto) desfruta não apenas de intercâmbios na América Latina (foi membro diretivo do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais e é um participante ativo de seus encontros), mas também dos Estados Unidos.

Em Nova York, Suárez Salazar participou de um seminário sobre Cuba organizado pela Clacso e pelo observatório latino-americano da New School. Depois, voou a Chicago para o congresso da Associação de Estudos Latino-amerianos. Ali, no espaço da Clacso, conversou com o Página/12 sobre o que Cuba chama desde 2011 de “atualização”, que é a mudança econômica – mas não apenas isso.


Nos últimos anos, os cubanos com que pude falar – funcionários ou pesquisadores e, em algumas vezes, cidadãos comuns de Havana – parecem conjunturais e esperançosos para que as transformações sociais saiam bem. Dizem muito “acredito” e “assim seja”.  

Realmente hoje, em diferentes setores da sociedade cubana, encontramos muitas margens de incerteza relacionadas ao impacto da atualização. Na vida cotidiana, na família... em tudo.

sábado, 31 de maio de 2014

Deputada e sindicalista cubana: “A empresa estatal socialista será sempre preponderante em Cuba”


Por Enric Llopis no Rebelión/ Tradução do Diário Liberdade

Entrevista a Milagros de la Caridad Pérez Caballero, deputada e membro da Secretaria Nacional da Central de Trabalhadores de Cuba (CTC).

A abertura a setores emergentes, como os trabalhadores autônomos ou as cooperativas, ou a chegada de investimento estrangeiro em Cuba não significa que a empresa estatal socialista deixe de ser predominante na economia do país. Ao contrário. “É a que carrega o peso fundamental e o desenvolvimento da economia”, afirma Milagros de la Caridad Pérez Caballero, deputada da Assembleia Nacional do Poder Popular e membro da Secretaria Nacional da Central de Trabalhadores de Cuba (CTC). A dirigente sindical participou de um ato sobre “As novas relações trabalhistas e o sindicalismo cubano no contexto da atualização do socialismo”, organizado pela Associação Valenciana José Martí de Amizade com Cuba [Espanha].

Em fevereiro foi celebrado o XX Congresso da Central de Trabalhadores de Cuba (CTC). Quais foram as principais conclusões?

Teve lugar depois de mais de um ano de atividades e programas desenvolvidos por todo o país, com os trabalhadores e o movimento sindical cubano. Ao Congresso chegamos com uma Plataforma política, econômica e social aprovada: os mais de 300 planos aprovados pelo VI Congresso do Partido. O Congresso da CTC contou com três comissões de trabalho, que elaboraram e aprovaram propostas. Nas sessões finais de 22 de fevereiro foram aprovados os 30 objetivos de trabalho do movimento sindical para os próximos cinco anos, no âmbito econômico, político-ideológico, a organização sindical e as relações internacionais. Isso abrange aspectos como a participação dos trabalhadores na gestão da economia; fazer valer o princípio socialista de “a cada qual segundo o seu trabalho, de cada qual segundo sua capacidade” ou fazer mais eficiente o funcionamento do sindicato.

Como se organiza o sindicalismo em Cuba?

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

“Uma luta cubana contra o subdesenvolvimento”: entrevista ao economista Juan Triana


Por Mónica Rivero na On Cuba

Traduzido para o Solidários por Eduardo Vasco

O recém terminado período de sessões do Parlamento cubano concedeu à economia um espaço privilegiado. Se deram a conhecer os resultados econômicos em 2013 e a proposta para o ano que se inicia; além da Lei do Orçamento do Estado a partir de 2014 e um juizo da Comissão de Assuntos Econômicos.

No contexto da aspiração a um modelo econômico que atualize e acredite, do que se está falando quando se fala de crescimento econômico e em especial, o que representa em relação ao desenvolvimento? Qual é o caminho traçado até o desenvolvimento em Cuba? Em quais setores da economia se deve apostar? O que está pendente e o que está em risco?

Estas e outras questões conduziram OnCuba a um intercâmbio com o Doutor em Ciências Econômicas Juan Triana Cordoví.

Mónica Rivero (MR): O que é crescimento e o que é desenvolvimento?


Juan Triana (JT): Se trata de uma velha história no pensamento econômico. Eu diria que o desenvolvimento é uma das matérias mais novas na Economia, é das primeiras décadas do século passado, depois se converte em um tema próprio nos anos quarenta e cinquenta e se foi expandindo e enriquecendo até a atualidade, onde é muito difícil usar unicamente o termo desenvolvimento. Em geral se fala de desenvolvimento econômico, desenvolvimento social...; o qual nos diz que hoje o desenvolvimento como tal é uma matéria ou um fato multidimensional, que toca praticamente todos os setores da vida de um país e de uma pessoa.

O que mais se generaliza e o que mais se conhece é essa ideia básica de desenvolvimento sustentável, que não é mais que o conjunto do social, ambiental e econômico.

É um conceito que implica não só que as economias cresçam, mas que melhorem as condições de vida das pessoas. O PNUD tem um conceito para medir isto, que se chama “Bem-estar Percebido”. Ou seja, não é apenas para o crescimento das economias, mas para que as pessoas melhorem sua condição de vida e que a percebam; o que é difícil de medir, e é um conceito que deve ser muito flexível, porque a percepção do bem-estar é muito distinta dependendo dos países  inclusive dentro de um mesmo país.

Definitivamente é parte de uma realidade que não se pode negar: os países buscam o desenvolvimento, há diferentes formas de entendê-lo e diferentes formas de medi-lo.

A diferença entre crescimento e desenvolvimento é antiga. Desde os anos quarenta, por exemplo, no caso de Raúl Prebisch, que foi o primeiro secretário executivo da CEPAL, se encarregou de fazer essa diferença dizendo que se desenvolver era mais que crescer porque significava ainda o melhoramento dos níveis de vida das amplas massas da população. No caso de Cuba, Carlos Rafael Rodríguez nos anos cinquenta deu muita ênfase em diferenciar desenvolvimento econômico e crescimento econômico.

Na história da humanidade há casos em que os países cresceram, mas não se desenvolveram. Portanto, se pode dizer que o crescimento econômico é uma condição necessária para que os países se desenvolvam, mas não suficiente.

Em Cuba também, durante um tempo, entre os anos oitenta e noventa, se difundiu a ideia de que era possível se desenvolver sem crescer, e isso em certa medida pode se dizer que é possível mas sob determinados limites, porque na realidade é muito difícil que um país possa se desenvolver sem crescer sistematicamente; porque para se desenvolver também é necessário mudanças na tecnologia, melhoramento nos níveis de vida da população, na qualidade de vida das pessoas, e para isso é preciso ter os meios necessários. Não se pode melhorar a partir de nada.

O tema final é ético: como fazer com que esse crescimento se transmita a toda a população, como fazer com que se melhore as condições de vida de todo o país. Isso depende dos governos, dos Estados, de sua base socioeconômica, da filosofia que praticarem...

Juan Triana. Foto: Roberto Meriño.

MR: Como se comporta essa percepção do bem-estar em Cuba?

JT: Cuba é um caso muito especial e às vezes é muito – vou usar o termo – gracioso. Na realidade é algo paradoxal porque quando se examina um grupo de indicadores associados ao bem-estar e ao desenvolvimento humano de Cuba em relação a outros países, pode surpreender.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

As reformas em Cuba


 Comentário do cientista político, Emir Sader, sobre as reformas em Cuba. TV Brasil - 02/01/14

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Cuba celebra 55 anos da Revolução que inspira o mundo


Por Mariana Serafini e Moara Crivelente, do Vermelho

Nesta quarta-feira (1º/01), um ato político na cidade de Santiago de Cuba, no leste da ilha caribenha, deve contar com a participação do presidente cubano, Raúl Castro.

Um intenso programa de atividades culturais e recreativas, desenhado pelo Ministério da Cultura de Cuba, se estenderá aos bairros e às comunidades de todo o país para celebrar a chegada do aniversário de 55 anos da Revolução. Segundo a imprensa local, cerca de 3.500 pessoas assistirão ao ato nacional, que será dedicado aos jovens e às mulheres

O líder revolucionário Fidel Castro, durante um discurso na Assembleia Nacional, em 21 de dezembro deste ano, felicitou “o nobre e heroico povo cubano”, pelo novo ano e pelos 55 anos de aniversário da Revolução, que “celebraremos em Santiago de Cuba, em 1º de janeiro”.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Natal em Cuba: razões para comemorar


Por Orlando Oramas Leon no CubaDebate

Os cubanos se preparam para celebrar o 55º aniversário da Revolução, empenhados no caminho escolhido em 1º de janeiro de 1959, e imersos em um processo gradual para atualizar seu modelo socioeconômico.

O socialismo continuará na ilha, e o propósito é que seja próspero e sustentável, segundo os lineamentos aprovados pelo Partido Comunista de Cuba e que marcam o processo de mudanças na nação caribenha.

Trata-se de outro momento histórico no processo revolucionário cubano, que se tem sustentado na unidade da nação e na resistência à hostilidade de sucessivas administrações dos Estados Unidos.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Cuba destina 54% de seu orçamento de 2014 a serviços sociais


Do Cuba Debate

O Parlamento cubano aprovou, em sua última sessão do ano, a lei orçamentário para 2014.

No segundo período ordinário de sua VII Legislatura, a Assembleia Nacional do Poder Popular aprovou, além disso, o plano da economia e o ditame sobre a Comissão Econômica. 54% dos recursos estarão destinados aos serviços sociais, particularmente em Saúde e Educação. Foram aprovados, ainda, 31,8 bilhões de pesos (similar em dólares) para gastos correntes da atividade orçamentária.

A assistência social receberá 341 milhões de pesos. Destes, 58% está destinado às Casas de Idosos e Lugares de Idosos e à atenção a seu estado de infraestrutura. O financiamento da cesta básica a preços subsidiados irá dispor de 2,4 bilhões de pesos, o que representa 314 milhões de pesos a mais da estimativa de fechamento para 2013. Da mesma maneira, se destinará recursos para financiar a substituição de importações e a exportação.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Cuba: fim da "sociedade igualitária", fim dos “sacrifícios” e mudança de tática na luta

Resumindo: se os "predestinados" a serem os de "cima" no futuro, estão pautando suas políticas em pautas especificas e individuais, portanto cabem também aqueles que serão os de "baixo", na visão desses primeiros, fazerem o mesmo.


Por Aloísio Silva no Diário Liberdade 

Ao contrário de alguns setores da esquerda, inclusive aqueles que defendem o tal "socialismo democrático" para o Brasil, que acham que Cuba é uma ditadura ou é uma "ditadura" - devido ao "estado de sítio" que o país vive devido ao bloqueio e a pressão dos ianques -, sempre defendi que o regime cubano é democrático.

E é uma democracia peculiar. E é, também, um regime socialista. No entanto, até pelas condições que temos na ilha, principalmente econômicas e naturais, Cuba não passa de um estado operário burocratizado. Em outras palavras: a construção do socialismo se encontra degenerada. Ou seja, o socialismo democrático cubano foi até certo estágio e parou, em algumas questões, até retrocedeu. Agora tenta recuperar elementos, que foram descartados antes, com o processo chamado de "atualização do socialismo".

domingo, 29 de setembro de 2013

O novo modelo cubano continua sendo socialista

Atualização do modelo econômico suscita críticas e controvérsias. Sem renunciar a seu modelo, a ilha preserva suas conquistas


Com as reformas recentes, Cuba está abandonando o socialismo?

NÃO

Por  Salim Lamrani no Opera Mundi

Desde 2011, Cuba está pondo em marcha a “atualização de seu modelo econômico”. O projeto inicial, elaborado em novembro de 2010, foi submetido a um amplo debate popular (com 8 milhões de participantes) que durou cerca de cinco meses até abril de 2011 e foi adotado durante o VI Congresso do Partido Comunista de Cuba.

Alguns acreditam que se trate de uma volta ao capitalismo, por causa da introdução de alguns mecanismos de mercado na economia nacional. Na realidade, o objetivo dos cubanos é aperfeiçoar seu sistema para preservar suas conquistas sociais, únicas na América Latina e no Terceiro Mundo. Para isso, devem superar dois grandes desafios: os recursos naturais, muito limitados, e as sanções que os Estados Unidos impõem desde 1960, que constituem o principal obstáculo ao desenvolvimento nacional. A isso convém somar as falhas próprias do sistema, como a burocracia ou a corrupção. O presidente Raúl Castro foi claro a esse respeito: “A batalha econômica constitui hoje, mais que nunca, a principal tarefa e o centro do trabalho ideológico dos quadros, porque dela depende a sustentabilidade e a preservação do nosso sistema social”.

O novo modelo econômico introduz mecanismos de mercado, mas segue baseado na “planificação socialista” em todos os níveis e na “empresa estatal socialista como forma principal da economia nacional”. Não obstante, o país se abre aos investimentos estrangeiros — para atrair os capitais indispensáveis para o desenvolvimento da nação —, mediante empresas mistas, nas quais o Estado cubano sempre dispõe de uma maioria de ao menos 51%. Este modelo atualizado de gestão econômica promove também as cooperativas, as pequenas propriedades agrícolas, os usufrutuários e os trabalhadores independentes em todos os setores produtivos, com a finalidade de reduzir o papel do Estado nos campos estratégicos.

Leia mais:50 verdades sobre a Revolução Cubana

sábado, 24 de agosto de 2013

Como anda o experimento das cooperativas não agropecuárias em Cuba

Fonte: trabajadores.cu e TV cubana*


Em 1º de julho de 2013 entraram em funcionamento as primeiras 124 cooperativas não-agrícolas no país, após a aprovação do início do experimento pelo Conselho de Ministros.

Sua constituição responde às Diretrizes da Política Econômica e Social aprovadas pelo VI Congresso do Partido, incluindo:

- Diretriz 02: o modelo de gestão reconhece e promove, além da empresa estatal socialista, que é a forma principal na economia nacional, as modalidades de investimento estrangeiro autorizado por lei (joint-ventures, contratos internacionais de associação econômica, etc), as cooperativas, os pequenos agricultores, os usufrutuários, os arrendatários, os trabalhadores autônomos e outras formas que, em conjunto, devem ajudar a aumentar a eficiência.

sábado, 11 de maio de 2013

Cuba: direita quer a volta do capitalismo; esquerda quer mais democracia

Manifestação de apoio ao governo socialista de Raúl Castro | Foto: Granma

Por Valter Pomar na revista Teoria e Debate

Entre 28 de abril e 1º de maio de 2013, uma delegação do Partido dos Trabalhadores visitou Havana, em Cuba. O grupo foi composto por Rui Falcão, presidente nacional do PT; Iriny Lopes, secretária de Relações Internacionais; João Vaccari, secretário de Finanças; José Guimarães, líder do partido na Câmara dos Deputados; Ângela Portela, senadora; Francisco Campos e Valter Pomar, integrantes do Diretório Nacional.

A programação incluiu entrevistas aos meios de comunicação; reuniões com integrantes do Comitê Central do Partido Comunista, entre os quais José Ramon Balaguer e Machado Ventura; contatos com integrantes do governo e do Parlamento, entre os quais Marcelino Medina, vice-ministro do Ministério de Relações Exteriores, Ana María Mari Machado, vice-presidenta da Assembleia Nacional do Poder Popular, Marino Murillo Jorge, vice-presidente do Conselho de Ministros, Kenia Serrano, deputada e presidenta do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (Icap), além de Miguel Mario Díaz-Canell, membro do Buró Político del Comité Central del Partido Comunista de Cuba e primeiro vice-presidente do Conselho de Estado e do Conselho de Ministros da República de Cuba.

A delegação também participou do V Encontro de Petistas e Núcleos do PT no Exterior; manteve contato com a Agência de Promoção das Exportações do Brasil (Apex) em Cuba e com o embaixador do Brasil no país, José Eduardo Martins Felicio; participou da reunião do Grupo de Trabalho do Foro de São Paulo, realizou um intercâmbio com familiares dos cubanos presos nos Estados Unidos e esteve na comemoração do Dia Internacional dos Trabalhadores.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Unidos por um socialismo próspero e sustentável

Fonte: GRANMA

O desfile por ocasião do 1º de maio na Praça da Revolução José Martí, presidido pelo primeiro secretário do Comitê Central do Partido e presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, general-de-exército Raúl Castro Ruz, resultou numa multitudinária manifestação popular, que prestou homenagem especial ao eterno comandante presidente Hugo Chávez Frias.

Similar tributo prestaram milhões de trabalhadores e o povo todo, durante o resto dos desfiles por ocasião da data, realizados em dezenas de localidades do país.

“Quando a gente parte, a gente não vai, fica circundando…” disse alguma vez o entranhável amigo, e toda esta jornada inesquecível o viu circundar sorridente, sempre em plena batalha, em centenas de imagens, tão próximas e inapagáveis para os cubanos.

terça-feira, 5 de março de 2013

As atualizações do modelo cubano: abertura ao capitalismo ou reforma socialista?


Por Alexandre Haubrich no Sul 21

Chamadas de atualizações em Cuba e de abertura por opositores estrangeiros, as mudanças econômicas e políticas começam a transformar sociedade cubana.

São dezenas de modificações que começaram ainda na década de 1990, provocadas pela queda da União Soviética – o que levou a uma enorme crise econômica, chamada de período especial, que durou até a metade daquela década. Intensamente debatidas pela população, as mudanças seguem em andamento e impõem uma interrogação: Cuba está voltando ao capitalismo, adaptando o socialismo ou dando um passo atrás para, mais tarde, dar outros dois à frente?

Gladys Hernández, investigadora do Centro de Investigações da Economia Mundial, explica que algumas medidas foram criadas recentemente, enquanto outras são aprofundamentos das alterações dos anos 1990. São objetivos e caminhos estabelecidos até 2015. Ela conta que o debate anterior foi intenso: "As mudanças se fazem depois de uma grande discussão popular, onde se apresentaram sugestões, que começou da base, pelas organizações de massa, desde as empresas, os centros de trabalho". As ideias básicas das medidas mais recentes partiram do 6º Congresso do Partido Comunista Cubano. As diretrizes básicas foram apresentadas à população em novembro de 2010. Entre dezembro de 2010 e fevereiro de 2011 foram debatidas nas instâncias populares em 163.079 reuniões que envolveram 8.913.838 cubanos – a população total é de 11,2 milhões. Foram mais de 3 milhões de intervenções, agrupadas em 781 mil opiniões, das quais 395 mil foram aceitas e incluídas na reformulação das Diretrizes. As rejeições, alterações de conteúdo ou de redação e novas ideias que saíram desses debates foram discutidas na sequência pelo Congresso do PCC e confirmadas, enfim, pela Assembleia Nacional.