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sábado, 10 de dezembro de 2016

“Guantánamo é um punhal no coração dos cubanos”, afirma diretor colombiano

Segundo diretor de “Todo Guantánamo é nosso”, base militar em Cuba serve como recordação de que os EUA está por perto

Monumento em homenagem a Ramón Peña e Luis López 
em frente à Base Naval em Guantánamo, território ilegalmente 
ocupado pelos Estados Unidos em Cuba - 
Foto: Pablo Soroa/ACN
Por Mariana Pitasse no Brasil de Fato

Na última segunda-feira (5), aconteceu o lançamento oficial do documentário "Todo Guantánamo é nosso” no Brasil. O filme, dirigido por Hernando Calvo Ospina, trata sobre Guantánamo a partir das falas dos cubanos que moram perto da fronteira da base militar norte-americana em Cuba. A sessão de estreia lotou o cineclube Silvio Tendler, no Museu da República, no Catete. A atividade foi realizada pelo Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba e pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Rio de Janeiro.

Após a sessão, o Brasil de Fato conversou com o diretor Hernando Ospina (foto), jornalista e escritor colombiano, refugiado político na França. Atualmente é colaborador do jornal Le Monde Diplomatique e não pode voltar a seu país, por conta das ameaças de morte que recebeu depois de publicar o livro “Terrorismo de Estado na Colômbia”.

Brasil de Fato - Quais foram as suas principais motivações para fazer um documentário sobre Guantánamo? 

Hernando - Conheço Cuba e sua revolução há muitos anos. Porém, há uns dois anos, me dei conta de que Cuba tinha uma fronteira terrestre com os Estados Unidos. Foi como uma grande descoberta. Pode parecer bobo, mas foi assim. Então, quis saber o que pensam e como vivem os cubanos que moram perto dessa fronteira. Não foi necessário procurar figuras como Fidel, Raul Castro ou altos dirigentes para que me explicassem essa situação: em cada dia de filmagem os cidadãos me diziam tudo, com palavras muito simples.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Ignacio Ramonet: perseguido e censurado na Espanha e França por ser biógrafo de Fidel

Após publicar meu livro sobre Fidel, fui retaliado na França e na Espanha; me 'desapareceram' das páginas dos jornais El País, La Voz de Galicia e Le Monde
Ramonet em Cuba para apresentação do "Fidel Castro - uma biografia em duas vozes"
Por Ignacio Ramonet no Le Monde Diplomatique

A morte de Fidel Castro deu lugar – em alguns grandes meios – à difusão de quantidades de infâmias contra o comandante cubano. Isso me doeu. É sabido que eu o conheci bem. E decidi, portanto, trazer meu testemunho pessoal. Um intelectual coerente deve denunciar as injustiças. Começando por aquelas de seu próprio país.

Quando a uniformidade midiática sufoca toda diversidade, censura qualquer expressão divergente e sanciona os autores dissidentes é natural, efetivamente, que falemos de repressão. Como qualificar de outro modo um sistema que amordaça a liberdade de expressão e reprime as vozes diferentes? Um sistema que não aceita a contradição por mais embasada que ela seja. Um sistema que estabelece uma “verdade oficial” e não tolera a transgressão. Tal sistema tem um nome, se chama “tirania” ou “ditadura”. Não tem discussão.

Como muitos outros, vivi em minha própria carne os flagelos deste sistema... na Espanha e na França. É o que quero contar.

A repressão contra mim começou em 2006, quando publiquei na Espanha meu livro “Fidel Castro – Uma biografia em duas vozes” – ou “Cien horas con Fidel” – fruto de cinco anos de documentação e trabalho, e de centenas de horas de conversas com o líder da Revolução Cubana. Imediatamente fui atacado. E começou a repressão. Por exemplo, o jornal El País (Madri), em cujas páginas de opinião eu até então escrevia regularmente, me sancionou. Parou de me publicar. Sem me oferecer explicação alguma. E não só isso, mas também – na melhor tradição stalinista – meu nome desapareceu de suas páginas. Apagado. Não voltaram a resenhar um livro meu, não se fez nunca mais menção alguma de nenhuma atividade intelectual minha. Nada. Suprimido. Censurado. Um historiador do futuro que buscasse meu nome nas colunas do El País deduziria que faleci há uma década...

domingo, 31 de julho de 2016

Frei Betto: desde a revolução Cuba desenvolveu um sentimento de solidariedade aos povos

Frei Betto - Foto: Héctor Planes/Resumen Latinoamericano
Na sua intervenção durante o VIII Encontro Americano de Solidariedade com Cuba, o teólogo e religioso brasileiro, Frei Betto, denunciou o golpe que Dilma, presidenta eleita do Brasil, vem sofrendo e defendeu um algo mais no processo de solidariedade com Cuba: uma nova educação política.

Leia também: 
Declaração final do VIII Encontro Continental de Solidariedade com Cuba
Ana Belén Montes no VIII Encontro Continental de Solidariedade com Cuba

Para Frei Betto, Cuba - desde o início da revolução - desenvolveu um sentimento e uma atitude de solidariedade aos demais povos do mundo.

Assista:

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Estudo de brasileira analisa os discursos sobre a realidade de Cuba

Pesquisa tem como referência modelo econômico adotado pelo país em três diferentes momentos

Por Luiz Sugimoto no jornal da UNICAMP

Amanda Cotrim, autora de dissertação de mestrado em que analisou os discursos construídos sobre Cuba por jornais estrangeiros (inclusive um brasileiro) e também pelos próprios cidadãos cubanos. Intitulada “Os discursos sobre Cuba: imprensa, vozes e memória (da atualização do modelo econômico à retomada das relações diplomáticas com os EUA: 2011/2015)”, a dissertação foi orientada pela professora Maria Graça Caldas e apresentada junto ao Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) e ao Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor). 

Amanda Cotrim avaliou, na perspectiva da análise de discurso materialista, com referência em Michel Pêcheux e Eni Orlandi, como os jornais The New York Times (EUA), El País (Espanha), Granma (Cuba) e O Estado de S. Paulo (Brasil) constroem saberes sobre Cuba, além de entrevistar um grupo de moradores para observar os sentidos da Ilha para esses cubanos. A autora adotou como referência a atualização do modelo econômico do país, em três momentos específicos: a II Celac (Cúpula de Estados Latino-americanos e Caribenhos), em janeiro de 2014; o reatamento das relações diplomáticas com os Estados Unidos, em dezembro de 2014; e a primeira reunião diplomática entre Cuba e EUA, que aconteceu em Havana em janeiro de 2015.

A jornalista esclarece que no trabalho considera-se a ideologia como um fato de linguagem, sendo no discurso, portanto, que se consegue identificá-la. Segundo ela, a mídia participa da produção discursiva e, desse modo, organiza certo imaginário. “Quando pensamos em Cuba, esse imaginário geralmente é polarizado: ou o país é idealizado ou é demonizado. A metodologia utilizada visa analisar a produção dos sentidos, levando em consideração as condições em que os discursos foram produzidos (quem fala, como fala), além de aspectos históricos, ideológicos e cotidianos. Quis saber por que o jornalista falou de um jeito e não de outro e quais os efeitos de sentidos que o seu texto produziu. Para dizer que Cuba é uma ‘ditadura’, o jornal não precisa usar esta palavra; ele diz que no país ‘não existe democracia’, ou que ali ‘falta liberdade política’, ou só ouve a oposição.”

segunda-feira, 4 de abril de 2016

“Olhando para Cuba”: Coletivo de jornalistas brasileiros lança blog sobre o país socialista

Espãnol



No último dia 31 de março o auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo foi sede, mais uma vez, da reunião dos membros do Coletivo de Jornalistas e Comunicadores Amigos de Cuba, em que nesta ocasião realizou o lançamento de seu blog - Olhando para Cuba.

Com a participação de Ivette Martínez, representante de imprensa do Consulado de Cuba em São Paulo, Vítor Ribeiro, coordenador do coletivo e do jornalista Lucas Medina, editor do blog, se formalizou a publicação na internet de “Olhando para Cuba” que pode ser acessado através do seguinte endereço: http://www.olhandoparacuba.blogspot.com.br/

Segundo a diplomata cubana, “o blog será um espaço de interação e registro de debates reflexões que serão feitos pelos membros do coletivo sobre temas das variadas áreas da sociedade cubana”. Acrescentou ainda que “a grande imprensa brasileira tem uma postura crítica e de forma geral fornece uma imagem negativa sobre Cuba, assim este espaço deve servir para que os jornalistas amigos desconstruam tal imagem, refletindo sobre a realidade e as realizações da sociedade cubana”.

O design do espaço virtual foi concebido para agrupar informações sociopolíticas, culturais, científicas, desportivas, audiovisuais e opinativas. Seu editor, Lucas Medinas, destacou “que a página também facilita acesso aos sites e blogs brasileiros - que sistematicamente publicam informações sobre a ilha e aos meios cubanos oficiais e alternativos - que oferecem informação confiável sobre Cuba”.

Para Vítor Ribeiro, coordenador e diretor jurídico do Sindicato de Jornalistas de São Paulo, é muito positivo ter um espaço que informe os profissionais interessados em realizar uma matéria jornalística sobre Cuba ou em viajar a ilha. Considero que “o blog tem que ter essa visão integral de oferecer um serviço de informação, postar artigos sobre como funciona a sociedade cubana, sobre a oferta turística, sobre os eventos e assim tentar alcançar outros jornalista e internautas”.

Durante o lançamento os participantes realizaram sugestões sobre conteúdos que podem ser incluídos no blog. Todas as intervenções, assim como os comentários publicados no perfil do Coletivo no facebook, saudaram a iniciativa do blog e concordaram que “Olhando para Cuba” será o mais próximo da realidade cubana.

Tradução e adaptação: Sturt Silva/Solidários a Cuba.

Colectivo de Periodistas Brasileños lanza su Blog “Mirando a Cuba”

Português


El auditorio del Sindicato de los Periodistas de Sao Paulo fue una vez más, sede de reunión de los miembros del Colectivo de Periodistas y Comunicadores Amigos de Cuba, que en esta ocasión realizaron el lanzamiento de su blog “Mirando a Cuba”.

Con la participación de Ivette Martínez, Encargada de Prensa del Consulado de Cuba en Sao Paulo, Vítor Ribeiro, Coordinador del Colectivo y el periodista Lucas Medina que tuvo a su cargo la edición del Blog, se formalizó la publicación en internet y acceso al sitio a través de la url http://www.olhandoparacuba.blogspot.com.br/.

Según la diplomática cubana, “el blog constituirá un espacio de interacción y registro de los debates y reflexiones que hagan los miembros del Colectivo, sobre temas de los diferentes sectores de la sociedad cubana.” Agregó que “la gran prensa brasileña tiene una postura crítica y en su generalidad a ofrece una imagen negativa sobre Cuba, por ende este espacio debe servir para que los periodistas amigos desconstruyan esa imagen, reflejando la realidad y logros de la sociedad cubana”.

El diseño del espacio virtual fue concebido para agrupar informaciones sociopolíticas, culturales, de ciencias, deporte y artículos de opinión. Su editor, Lucas Medinas, destacó que “al margen de las secciones, la página también facilita el acceso a sitios y blogs brasileiros que sistemáticamente publican informaciones sobre la Isla y medios nacionales cubanos oficiales y alternativos que ofrecen información fidedigna sobre Cuba”.

Para Vítor Ribeiro, coordinador y director jurídico del Sindicato de Periodistas de Sao Paulo, es muy positivo tener un espacio que brinde informaciones que son necesarias para los profesionales interesados en realizar una materia periodística o en viajar a la Isla. Considera que “el blog tiene que tener esa visión integral de ofrecer el servicio de la información, colocar en sus entradas artículos sobre cómo funciona la sociedad cubana, sobre la oferta turística, sobre los eventos que se realizan y así lograr incentivar al periodista y otros internautas”.

Los participantes en el lanzamiento realizaron sugerencias sobre contenidos que pueden ser incluidos en el blog a fin de lograr un espacio que entre la semejanzas con otros marque la diferencia de lo novedoso y de integralidad. Todas las intervenciones, así como los comentarios publicados en el perfil del Colectivo en facebook, saludaron la iniciativa del Blog y coincidieron que permitirá una “Mirada a Cuba” más próxima a la realidad que vive la Isla.

Consulado General de Cuba en Sao Paulo - Sao Paulo, 31 de marzo.

terça-feira, 29 de março de 2016

Blog do Coletivo de Comunicadores Amigos de Cuba será lançado amanhã (30)


O Coletivo de Jornalistas e Comunicadores Amigos de Cuba convida os seus membros e demais colaboradores para o lançamento de seu espaço virtual, o blog ”Olhando pra Cuba”, nesta quarta-feira, 30 de março. O lançamento que será no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (Rua Rego Freitas, 530 - Sobreloja, São Paulo/SP) se iniciará às 19 horas.

O coletivo que foi criado em dezembro passado reúne profissionais da comunicação, blogueiros e ativistas digitais comprometidos em divulgar com objetividade os acontecimentos de Cuba, dentre eles as informações sobre as conquistas e os desafios da Revolução Cubana.

Confirme presença aqui.

Fidel Castro: "somos capazes de produzir os alimentos e as riquezas materiais de que necessitamos"

O líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Castro, escreveu na noite deste domingo (27) e o jornal Granma, órgão oficial do Partido Comunista de Cuba, publicou nesta segunda-feira (28) uma reflexão sobre a visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama realizada entre 20 e 22 de março. Leia na íntegra:

O irmão Obama

Os reis da Espanha nos trouxeram os conquistadores e donos, cujas impressões digitais ficaram nas faixas de terra entregues aos buscadores de ouro nas areias dos rios, uma forma abusiva e sufocante de exploração cujos vestígios se podem ver desde o ar em muitos lugares do país.

O turismo hoje, em grande parte, consiste em mostrar as delícias das paisagens e saborear os excelentes alimentos de nossos mares, e sempre que se compartilhe com o capital privado das grandes corporações estrangeiras, cujos , se não atingem bilhões de dólares per capita não são dignos de nenhuma atenção.

Já que me vi obrigado a mencionar o tema, devo acrescentar, principalmente para os jovens, que poucas pessoas se dão conta da importância de tal condição neste momento singular da história humana. Não direi que o tempo se perdeu, mas não vacilo em afirmar que não estamos suficientemente informados, nem vocês nem nós, dos conhecimentos e das consciências que deveríamos ter para enfrentar as realidades que nos desafiam. O primeiro a levar em conta é que nossas vidas são uma fração histórica de segundo, que ademais há que compartilhar com as necessidades vitais de todo ser humano. Uma das características deste é a tendência à supervalorização de seu papel, o que contrasta por outro lado com o número extraordinário de pessoas que encarnam os sonhos mais elevados.

Contudo, ninguém é bom ou mau por si mesmo. Nenhum de nós está desenhado para o papel que deve assumir na sociedade revolucionária. Em parte, os cubanos tivemos o privilégio de contar com o exemplo de José Martí. Pergunto-me inclusive se ele tinha que cair ou não em Dois Rios, quando disse “para mim é chegada a hora”, e fez carga contra as forças espanholas entrincheiradas em uma sólida linha de fogo. Não queria regressar aos Estados Unidos e não havia quem o fizesse regressar. Alguém arrancou algumas folhas de seu diário. Quem tem essa pérfida culpa, que foi sem dúvida obra de algum intrigante inescrupuloso? Conhecem-se as diferenças entre os chefes, mas jamais indisciplinas. “Quem tentar apropriar-se de Cuba recolherá o pó de seu solo afogado em sangue, se não perecer na luta”, declarou o glorioso líder negro Antonio Maceo. Reconhece-se igualmente em Máximo Gómez, o chefe militar mais disciplinado e discreto de nossa história.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Obama no Grande Teatro ou o grande teatro de Obama em Havana?

O presidente dos Estados Unidos, neste 22 de março, desde o Gran Teatro de La Habana, ofereceu um discurso conciliador, inteligente e sedutor.


Por Iroel Sánchez no Juventud Rebelde

Cuba, América Latina e o mundo escutaram com grande expectativa Barack Obama neste 22 de março no Gran Teatro de La Habana, com um discurso conciliador, inteligente e sedutor. Não foi a primeira vez que durante a sua visita ele usou extensivamente da palavra e se dirigiu aos cubanos através da televisão nacional. Mas, foi a única na qual o presidente dos Estados Unidos não compartilhava o palco com ninguém e tinha todo o espaço para si, desde que chegou dois dias antes nessa ilha.

Como convêm a cultura política que representa, e tem acontecido desde que ele pôs os pés em Havana, novamente nada foi deixado ao acaso e, mais precisamente, o teleprompter trazido de Washington, (o mesmo utilizado na gravação do seu diálogo com o mais popular dos comediantes de Cuba?) o escoltava de ambos os lados do palco com um discurso cuidadosamente escrito.

Para um espectador atento do público, eram perfeitamente reconhecíveis um par de pessoas - situadas  no grupo de 40 congressistas que viajaram dos EUA para a ocasião - cada vez que a palavra do orador era respondida com palmas. Este grupo de legisladores, e a delegação dos EUA que acompanhou o presidente durante sua visita, foram os únicos que aplaudiram as muitas vezes que sua intervenção tomou a estrada de conselho paternalista, ou pior, a ingerência mais ou menos disfarçada.

Poucos segundos antes de iniciar, um contra-regra apressado colocou na frente do púlpito o escudo da águia, como se um sinal de prevalência entre bandeiras cubanas e norte-americanas duplamente localizado ao fundo do cenário e de frente aos espectadores fosse necessário.

Cuba - EUA: "socialismo, soberania e conquistas sociais não estão em negociação"

Versão online da Revista Politizando aborda o reatamento das relações entre Cuba e os EUA. 

"A defesa do socialismo cubano e da soberania da Ilha, e das conquistas sociais alcançadas pelo seu povo durante estes quase 60 anos de resistência, é certo, não é ponto de negociação neste processo de restabelecimento de relações oficiais entre Cuba e os Estados Unidos", defende "Politizando" em seu editorial sobre o reatamento das relações ente Cuba e os EUA.

"Politizando" é uma publicação do Núcleo de Estudo e Pesquisa em Política Social - NEPPOS e nesta edição, em parceria com o Núcleo de estudos Cubanos - NESCUBA (ambos da Universidade de Brasília - UnB), trás o ponto de vista cubano do reatamento das relações Cuba-EUA. Em destaque: o artigo do professor e escritor cubano Luis Soáres e uma entrevista com o engenheiro químico e professor da Universidade de Brasília, o também cubano Tirson Saenz.

Boa leitura:

segunda-feira, 21 de março de 2016

"Visita de Obama é vitória do povo cubano"

Obama e Rául Castro. Foto: Cubadebate
O secretário de Relações Internacionais do PCdoB, José Reinaldo Carvalho, em sua coluna, faz uma análise da visita do presidente dos EUA, Barack Obama, a Cuba, ocorrida no último fim de semana. 

Para ele, a visita é uma vitória importante do povo cubano. 

domingo, 20 de março de 2016

"Cuba não mudou posição, quem se rendeu foram os EUA", diz especialista

Visita oficial de Obama à ilha, a 1º de um presidente dos EUA em exercício em 90 anos, começa neste domingo e marca nova fase na relação entre os dois países


Por Patrícia Benvenuti no Opera Mundi 

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, começa neste domingo (20/03) sua primeira visita a Cuba. A viagem, que é também a primeira de um presidente norte-americano em exercício em quase 90 anos, teria como objetivo consolidar a relação entre os dois países, retomada em 17 de dezembro de 2014, após 53 anos de ruptura. 

O governo dos EUA tem afirmado também que a visita de Obama à ilha é necessária para "discutir a questão dos direitos humanos" em Cuba, mas para Nildo Ouriques, presidente do Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a viagem atenta para outros interesses.

Para o professor do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSC, os Estados Unidos estão interessados em melhorar sua própria posição no jogo geopolítico da região. “Cuba não mudou uma molécula de sua posição, quem se rendeu foram os Estados Unidos, que estavam isolados na América Latina”, diz Ouriques.

Desde a retomada de relações entre Cuba e EUA, há um ano e três meses, houve uma série de ações de ambos os lados, como a liberação de alguns prisioneiros políticos cubanos e a retirada de Cuba da lista de países terroristas por parte dos Estados Unidos. Já Cuba libertou os 53 presos políticos reivindicados pelos Estados Unidos. 

Bloqueio

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Revista de esquerda lançará especial sobre os novos desafios do povo cubano

Revista busca o apoio de leitores para lançamento de uma edição especial sobre os novos desafios da sociedade cubana

Uma das formas de contribuição com recompensa; Veja outras clicando sobre a foto

A revista Caros Amigos – referência no campo do jornalismo contra-hegemônico e da formação crítica, principalmente para a esquerda, está prestes a lançar um especial (“Cuba e seus novos desafios”) sobre as mudanças que estão ocorrendo em Cuba.

Na apresentação do projeto de financiamento coletivo, Caros Amigos promete uma edição especial centrada no reatamento das relações de Cuba com os Estados Unidos, onde abordará e os reais interesses dos EUA em restabelecer o diálogo e as consequências econômicas, culturais e sociais para a vida da trabalhadora e do trabalhador cubano. Mas acima de tudo, o especial pretende fazer o contraponto o que a grande mídia divulga e propagandeia de Cuba: “um país inviável e que representa o fracasso do socialismo”.

Por isso mesmo, Blog Solidários apoia a ideia e pede para seus leitores a divulgar e, se possível, a contribuir financeiramente com o projeto (para isso é só clicar aqui e logo em seguida sobre o retângulo de cor laranja: “Quero contribuir”).

Até a data de hoje (11/02) 54% do valor necessário para a realização do projeto já foi alcançado. Porém, só falta apenas 25 dias. Então a hora de fazer a diferença é agora. Lembrando que valores acima de 20 reais têm recompensas.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

‘O povo pode criticar até Deus, mas Fidel é uma coisa mítica’, diz Pepe Mujica

Em visita a Cuba, ex-presidente uruguaio se encontrou com Fidel Castro, que disse estar preocupado com o surto de zika vírus

Pepe e Castro, em 2014. Por CubaDebate
Do Opera Mundi

O ex-presidente do Uruguai José 'Pepe' Mujica disse, em entrevista ao jornal local La República nesta segunda-feira (08/02), que o líder e ex-presidente cubano Fidel Castro está na categoria de “mito do povo”. Os dois se encontraram na capital da ilha caribenha, Havana, no final de janeiro. 

“O povo pode criticar até Deus, mas Fidel é uma coisa mítica”, reforçou Mujica. Segundo ele, Fidel está “ativo e comprometido com coisas concretas”. Ele ainda disse estar surpreendido com o estado de saúde do ex-presidente cubano o qual, de acordo com ele, está melhor que da última vez que o viu, dois anos atrás 

“Me surpreendeu que ele lê sem óculos, está vivaz, faz perguntas inteligentes permanentemente como sempre”, disse Mujica. O ex-mandatário uruguaio também contou que Fidel está bastante preocupado com a questão do zika vírus e a presença de seu mosquito transmissor, o Aedes aegypti. 

domingo, 11 de outubro de 2015

"Os cubanos continuarão sendo os autores do seu modelo econômico"

Editado a partir da Capa de Cuba, de la palabra a la defensa.
Sem versão em português
Por Tarik Bouafia na Investig’Action/Tradução: ADITAL

Que impacto terá o restabelecimento das relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos? Obama teria renunciado ao desejo histórico do imperialismo estadunidense de derrubar o governo cubano, ou estamos somente diante apenas uma mudança de tática? A normalização dessas relações poderá afetar o modelo revolucionário cubano? O especialista em Cuba e autor do recente livro "Cuba, de la palabra a la defensa", Salim Lamrani responde nossas perguntas.

Em seu novo livro, que será publicado este mês (setembro de 2015) e cujo título é "Cuba, de la palabra a la defensa” [Cuba, da palavra à defesa], faz-se perguntas a 10 personalidades relacionadas com Cuba, por exemplo, Eusebio Leal ou também Alfredo Guevara. Após o anúncio do restabelecimento das relações diplomáticas e comerciais entre Cuba e Estados Unidos, qual é a opinião geral em relação ao futuro da Revolução cubana, de suas instituições, seu modelo social e das reformas econômicas anunciadas? Há de se temer adiante uma forma de imperialismo econômico e cultural dos Estados Unidos contra Cuba?

Salim Lamrani: Cuba sempre declarou estar disposta a normalizar suas relações com os Estados Unidos, com a condição de que estas se baseiem em três princípios fundamentais: igualdade soberania, reciprocidade, e a não ingerência nos assuntos internos. Convém lembrar que, no conflito entre Havana e Washington, a hostilidade é unilateral. Os Estados Unidos são quem impõem sanções econômicas obsoletas, cruéis, sem eficácia, e que martirizam o povo cubano desde 1960. Os Estados Unidos foram quem invadiram militarmente Cuba, em abril de 1961. Os Estados Unidos foram quem ameaçaram Cuba com uma desintegração nuclear, em outubro de 1962. Os Estados Unidos são quem financiam uma oposição interna, em Cuba, para conseguirem uma mudança de regime. Os Estados Unidos são quem emitem programas de rádio e de televisão ilegais e subversivos em direção a Cuba e com a meta de desestabilizar a sociedade. Por fim, os Estados Unidos são quem conduzem uma guerra política, diplomática e midiática contra Cuba.

Por sua vez, Cuba nunca agrediu os Estados Unidos, em toda sua história. Ao contrário; já em 1959, Fidel Castro expressou sua vontade de ter relações cordiais e pacíficas com Washington. Como resposta, os Estados Unidos aplicaram contra Cuba uma política de uma brutalidade extrema.

A decisão do presidente Barack Obama de restabelecer as relações diplomáticas com Cuba, assim como a abertura das embaixadas em Washington e em Havana, constitui um passo positivo adiante, no processo de normalização das relações. A questão está em saber se trata-se de uma mudança estratégica, ou seja, se Washington decidiu renunciar à sua meta: destruir a revolução cubana e, sim, aceitar, por fim, a realidade – uma Cuba soberana e independente, ou bem trata-se somente de uma mudança tática, mudar uma política fundada na violência, na ameaça e na chantagem, para um enfoque mais suave, fundado no diálogo e na sedução, mas sem mudar o objetivo: tornar Cuba uma nação satélite. Minha convicção profunda é que somente se trata de um mero ajuste tático, já que os Estados Unidos têm a incapacidade psicológica de aceitarem a realidade: uma Cuba livre e emancipada da tutela ianque. Mas os cubanos não estão deslumbrados e estão preparados, como nos explicam em conversações transcritas em "Cuba, da palavra à defesa”.

Leia mais:

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

"Cuba não tem pobreza", afirma teólogo Leonardo Boff


Na última terça-feira (22), João Pedro Stedile, coordenador do MST, sofreu um ataque de ódio no aeroporto de Fortaleza (CE), no qual indivíduos de direita gritavam "vai pra Cuba!". 

O Correria perguntou ao teólogo Leonardo Boff "o que os brasileiros têm a aprender com os cubanos?". 

"Eu fui muitas vezes a Cuba. Há uma coisa que os brasileiros poderia aprender: o princípio da igualdade. É Uma ilha que não tem pobreza. Em dois pontos ela é uma lição: um dos melhores serviços de saúde do mundo e tem uma das melhores escolas de formação. Lá não existe analfabetismo. Cultura e educação são as bases que dão grandeza a um povo", afirmou Boff. 

Confira a reposta completa no vídeo (ou aqui)


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Cuba, de hoje, e seu possível amanhã


Por Milton Temer no Correio da Cidadania 

Para fazer uma análise sobre a realidade cubana atual, e suas perspectivas a partir da abertura diplomática com os Estados Unidos, a primeira obrigação de quem se pretenda isento é a de estabelecer parâmetros comparativos justos.

Para a mídia conservadora mundial, e até para o turista que ali estaciona por poucos dias sem trazer um capital mínimo de informações sobre o processo histórico da Revolução, o que se exige de Cuba é o que se observa nos principais países capitalistas do mundo - Estados Unidos, União Europeia e os de segunda linha que se aproximam. Países de economias fortes e consolidadas, de forma quase generalizada, à custa de exploração cruel de amplas regiões do mundo. Pelo colonialismo, ou pela expansão imperialista, foi a morte e a degradação o que mais espalharam em suas passagens.

Comparação, portanto, que só pode gerar a certeza anunciada de avaliação distorcida, pois não são suas mazelas ou seus antivalores que são postos na mesa, mas, sim, o que é do alcance de parte sempre minoritária de suas populações.

Cuba não é o paraíso. Não é a sociedade humana utópica. Mas certamente é um dos poucos países do mundo em que enfermidades sociais localizadas não se transformam em epidemias – como o racismo, a desigualdade, a xenofobia que marcam as grandes potências.

Leia também:
"O nível médio de informação e cultura dos cubanos é muito maior do que dos brasileiros"
Por que Cuba incomoda tanta gente?
Cuba: mitos e verdades

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Fidel Castro: 89 anos de luta, vitórias e ensinamentos!


Por Maurício Tomasoni, da ACJM-SC

Em 13 dede agosto de 1926, nascia Fidel Castro Ruz, eterno comandante-em-chefe da revolução cubana de 1959. Comemora-se, em todo o território nacional da maior das Antilhas, o 89º aniversário do nascimento deste que foi e é, com certeza, uma das maiores personalidades dos séculos XX e XXI, uma das maiores lideranças mais estreitamente ligada aos interesses do povo cubano e dos povos do chamado terceiro mundo, comprometido com os idéias de libertação nacional e da libertação do povos do jugo imperialista. Personalidade de incrível coerência política e moral, e, fervor revolucionário.  Um exemplo de revolucionário internacionalista. Cuba foi e continua sendo um berço onde se cultiva o internacionalismo proletário. Inúmeros exemplos de missões internacionalistas podem ser elencadas: guerra de Angola contra a invasão do apartheid sul-africano, apoio político e militar aos processos revolucionários na América Latina, etc.

Nunca talvez, alguém tenha sido tão vilipendiado pela mídia nativa brasileira ou estrangeira, quanto Fidel. Creio que nunca se viram tantas manchetes das agências de notícias dando conta de sua morte por envenenamento, por causas naturais ou por determinado tipo de doença. Eles, os vermes da informação, “mataram e ressuscitaram” Fidel em suas páginas impressas ou na tela de suas TVs, centenas de vezes.

Desde 1959, nossa mídia lacaia taxa Fidel de ditador e ainda continua, mesmo ele não estando mais no governo. Mesmo ele sendo eleito num processo democrático participativo muito superior a qualquer processo num estado burguês. Mesmo ele tendo se retirado dos deveres de chefe de estado em fevereiro de 2008. Ele já havia pedido anteriormente para sair desta responsabilidade, mas o povo cubano insistiu e ele continuou. As debilidades físicas advindas dos anos que se vive já não permitem que se consiga realizar as tarefas que realizava e Fidel decidiu por pedir ao Partido que aceitasse o seu pedido.

Leia também:

domingo, 23 de agosto de 2015

"O nível médio de informação e cultura dos cubanos é muito maior do que dos brasileiros"

O nível médio de informação e cultura dos cubanos é muito maior do que dos brasileiros, defende jornalista brasileiro
Carro clássico cubano, com desenho de Fidel Castro na porta.
Por Veruscka Girio
Por Cid Benjamin

Como alguns sabem, visitei Cuba durante uma semana, com mais nove amigos: Milton Temer, Alfredinho do Bip-Bip, Paulo Passarinho e seu filho Pedro, Mário de Oliveira, Vitor Iório, João Pimental (o Janjão), Zé Paulo e Carlinhos Siuffo (o Baiano). Ouvimos muita música, tomamos mojito, provamos a boa cerveja local, discutimos bastante política, aprendemos em conversa com os cubanos e apreciamos aquele belo país.

Agora, a pedido de alguns amigos do Facebook, faço aqui um rápido relato sobre o que vi na viagem.

À guisa de introdução, lembro algumas coisas, antes de entrar nos problemas por que passa a sociedade cubana.

Mesmo com a crise internacional, que tem servido de justificativa para a recessão brasileira, Cuba cresceu 4% no ano passado. A previsão para este ano é que o patamar se mantenha.

Mesmo com o fim do bloco socialista, que afetou muito o país, Cuba ainda tem os melhores indicadores sobre mortalidade infantil e mortes por parto das Américas. Seus números são melhores inclusive do que os dos Estados Unidos. Isso é fruto da atenção especial à infância e às mulheres grávidas.

Cuba tem a maior expectativa de vida das Américas, superior mesmo à dos Estados Unidos, o que chega a surpreender.

Cuba tem os melhores sistemas de saúde e educação das Américas, o que é reconhecido por organismos internacionais.

Algo que salta aos olhos de quem chega a Cuba é o fato de o nível médio de informação e cultura dos cubanos ser muito maior do que os brasileiros. Aqui, é raro uma pessoa humilde conseguir articular de forma coerente seu pensamento em frases concatenadas. Basta ver a maioria das entrevistas dos jogadores de futebol. Lá, qualquer um tem uma facilidade de expressão e um conjunto de informações que salta aos olhos.

Por fim, é justo lembrar que, ao se comparar a vida em Cuba hoje com a de outros países, é preciso que essa comparação seja feita com países similares a ela na época da revolução, como República Dominicana, Guatemala, Honduras etc. Não com países europeus, que já tinham um patamar superior de desenvolvimento. E, comparada com as populações de países que estavam em seu patamar de desenvolvimento, é inegável que a população de Cuba vive muito melhor do que elas.

Leia mais:

Bom, isso posto, vamos aos principais problemas da sociedade cubana hoje.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Cuba: a bandeira da dignidade

Fidel Castro: "Lutar contra o impossível e vencer"
Por Eva Golinger na RT/ Tradução de Eduardo Vasco

Em 17 de dezembro de 2014, grande parte do mundo escutou atentamente os presidentes Barack Obama e Raúl Castro anunciando em discursos simultâneos uma reconciliação no conflito de mais de meio século entre Estados Unidos e Cuba. Suas poderosas e inesperadas palavras vieram acompanhadas da libertação de Gerardo Hernández, Ramón Labañino e Antonio Guerrero, que haviam sido presos injustamente por mais de 16 anos nos EUA. Alan Gross, um contratista da USAID, detido em Cuba por tentativas de subversão, também foi libertado, junto com Rolando Sarraff Trujillo, um agente duplo cubano que trabalhava para a CIA.

A troca de prisioneiros e reaproximação declarada era só o começo. Semanas mais tarde, a meados de janeiro, Obama diminuiu as restrições sobre as viagens a Cuba para os cidadãos dos EUA e colocou em prática uma série de medidas que abriram a porta para permitir que empresários estadunidenses explorem oportunidades em Cuba. Durante seu discurso do Estado da Nação, pediu o levantamento do bloqueio contra Cuba e reiterou as medidas concretas que seu governo estava tomando para restabelecer relações com o governo de Castro. Em março, o primeiro voo direto em décadas do aeroporto JFK em Nova Iorque até Havana começou a operar e logo já não se encontrava mais nem uma casa vazia na capital de Cuba.

Altos funcionários de Washington e Havana continuaram as negociações durante a primavera e acordaram detalhes para a próxima grande etapa da reconciliação: a reabertura de embaixadas e a formalização de relações diplomáticas. Ainda que fortes discrepâncias e diferenças ameaçassem impedir o progresso, ambas as partes estavam decididas a seguir em frente. Confirmaram a data para abrir as embaixadas de Cuba e EUA em Washington e Havana, e começaram os preparativos.

Exatamente à meia-noite do dia 20 de julho foram oficialmente restauradas as relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos e suas respectivas embaixadas começaram a funcionar. Conrad Tribble, o segundo da Embaixada dos Estados Unidos em Havana, tuitou quando ao toque da meia-noite: