quarta-feira, 9 de março de 2016

Mulher cubana: beneficiária e protagonista do desenvolvimento de Cuba

"O desenvolvimento obtido pela mulher cubana está, desde sempre, apoiado nas políticas e estratégias trazidas pelo governo e pelo trabalho permanente da Federação de Mulheres Cubanas."

Mulheres cubanas. Foto: Osvaldo Goméz/ACN-Juventud Rebelde
Por Ivette Martinez na Caras Amigos

A inserção das mulheres no processo de desenvolvimento de Cuba como beneficiárias e protagonistas é um dos fenômenos sociais mais exitosos ocorridos no País. Depois do triunfo da Revolução, elas tiveram a possibilidade de acesso ao âmbito público em condições de igualdade com os homens. Na atualidade elas representam 65,6% dos quadros profissionais e técnicos. A maioria na área da educação (72%), na saúde (69,8%) e ainda nas ciências, inovações e tecnologias (53,3%).

Outra conquista ocorreu nos salários. As cubanas recebem o mesmo salário que os homens ao exercerem as mesmas funções, algo que está na pauta e luta das mulheres em todo o mundo. Como resultado das estratégias governamentais voltadas para a promoção da mulher, atualmente 48,86% dos membros do Parlamento cubano são mulheres e elas são, também, 40% dos dirigentes. O desenvolvimento obtido pela mulher cubana está, desde sempre, apoiado nas políticas e estratégias trazidas pelo governo e pelo trabalho permanente da Federação de Mulheres Cubanas (FMC). A FMC, surgida em 1960, conta com mais de 4 milhões de filiadas e tem 173 casas voltadas para a orientação da mulher e da família no País. Cuba vem cumprindo grande parte das Metas do Milênio estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), entre elas, a relativa à promoção da igualdade de gênero e empoderamento das mulheres.

A origem da celebração do Dia Internacional da Mulher se remonta ao início do século 20, principalmente promovido por mulheres trabalhadoras. Anteriormente, existia uma posição patriarcal, que não reconhecia os direitos feministas. Desde meados do século 19, os movimentos de reivindicação feministas começaram a tomar força e foi em agosto de 1910, durante a 2ª Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, reunidas em Copenhague, onde se aprovou a resolução proposta por Clara Zetkin, e se proclamou o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora. Em março de 1911 se celebrou em vários países de Europa o primeiro Dia Internacional da Mulher e, pouco a pouco, mais países foram se unindo a esta comemoração. Em dezembro de 1977, a Assembleia Geral da ONU proclamou o dia 8 de março como Dia Internacional pelos Direitos da Mulher e pela Paz Internacional, o que levou também muitos países a oficializar este dia em seus calendários nacionais.

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Fala Teresa Boué, secretária geral do Comitê Nacional da Federação de
Mulheres Cubanas (FMC) em ato no dia 8 de Março de 2016 em Cuba.
Ao fundo Vilma Espín. Foto:
Osvaldo Goméz/ACN-Cubadebate
A mulher cubana, brava por natureza, não se deteve diante das dificuldades. Pelo contrário, sem deixar de lado o enfrentamento dessas dificuldades, lutou por sua plena igualdade na sociedade. Em Cuba, a cada 8 de março se celebra a data homenageando as figuras que se sobressaíram nas diferentes etapas das lutas por independência do País, como Mariana Grajales, Ana Betancourt e Vilma Espín, entre outras. A primeira, ainda no século 19, lutou pela independência de Cuba – na época sob dominio da Espanha -, e é mãe de Antonio e José Maceo, que viriam a se tornar heróis dessa mesma luta. Ana foi uma aristocrata que, ao lado do marido, também de ideias avançadas, abandonou a vida confortável que tinha para lutar pela libertação de Cuba. É autora de discursos que tiveram grande influência na época e tornaram-se peças históricas. E finalmente Vilma Espín, descrita várias vezes como “primeira dama cubana”, é engenheira química e revolucionária, esposa de Raúl Castro, com quem teve quatro filhos. Uma delas, Mariela Castro, lidera atualmente o Centro Nacional Cubano para a Educação Sexual e é uma das principais lideranças na luta pelos direitos das minorias nas questões de gênero. Nascida em 1930 em Havana, Vilma faleceu em junho de 2007 e foi presidente da Federação das Mulheres Cubanas desde a fundação, em 1960, até sua morte.

Nos locais de trabalho se faz um recononhecimento a todas as trabalhadoras por seus esforços na produção, nos serviços, na defesa e em outras frentes prioritárias para o desenvolvimento da economia e bem estar da sociedade. A celebração do dia 8 de março não deve nunca passar em branco, é este o dia em que se rende homenagem a mulher, a sua luta constante contra a violação de seus direitos mais elementares, às conquistas que alcançou e a todas aquelas que lutaram para que algum dia, cesse a discrimiação de gênero. 

Ivette Martinez é Cônsul de Imprensa do Consulado de Cuba em São Paulo.

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