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| Grafites de Paulo Freire | Arte: Cezar Xavier/Vermelho |
Por Pedro Monzón
Paulo Freire foi um admirador da Revolução Cubana desde o seu triunfo; ele viu isso como uma esperança. Junto com a Revolução e graças a ela teve acesso à obra de José Martí, o apóstolo, herói da independência cubana, jornalista, pedagogo, poeta e um orador com profundo senso de ética; um homem que marcou para sempre o pensamento e a ação dos cubanos, em todos os campos, e dos dirigentes de todos os movimentos revolucionários em Cuba, especialmente Fidel Castro.
Freire viu a Revolução como uma tábua de salvação em que a justiça social, a independência e a solidariedade internacional eram pilares fundamentais. Ele declarou sentir admiração por Che e Fidel, porque ambos compartilhavam um pensamento e ação política autenticamente humanista, e eram seguidores de Marti. Ele os definiu como pedagogos da Revolução.
De Che disse: “… isso me tocou e continua a me tocar por uma série de qualidades humanas e intelectuais. Como um homem que lutou, um homem que se expôs…. Um homem que continua a testemunhar uma coragem mansa, uma coragem digna. E como um homem que também pensou, e colocou no papel de uma forma muito convincente e bonita as reflexões que fez sobre a prática ”.
De Fidel observou, por ocasião de sua visita a Cuba, no momento em que o dirigente cubano proferiu um discurso relacionado à etapa que conhecemos como “retificação de erros e tendências negativas”: “Senti uma grande emoção ontem quando eu ouviu Fidel, que falava como político e como pedagogo. Seu discurso foi repleto de pedagogia, esperança, realidade. Acho que vim em boa hora, embora me pergunte qual é a hora errada para vir a Cuba? Esse momento não existe ”.
E continuou: “… percebi ontem no discurso de Fidel toda a questão da retificação. Acho que a questão da dimensão da humildade, que eu acho que uma revolução deve ter, é extraordinariamente importante. No momento em que uma revolução não reconhece os prováveis erros cometidos, essa revolução se perde, porque se pensa que foi feita pelos santos. Precisamente porque são feitas por homens e mulheres, e não por anjos, as revoluções cometem erros. Na minha opinião, o fundamental é reconhecer os erros prováveis e retificá-los”.
“Para mim, o impulso para a retificação é o teste de vitalidade”. Essas posturas de Fidel que Freire destacou ainda são válidas hoje.
Freire estudou, com grande interesse, a Cartilha Cubana utilizada na alfabetização, processo fundamental que rompeu, no importante campo da educação, com as misérias sociais que o hegemonismo dos Estados Unidos alimentou. Isso acontecia justamente no momento em que o pedagogo brasileiro buscava algo diferente das cartilhas tradicionais. Uma cartilha que sensibilizaria as massas e que, como em Cuba, constituiria um componente de projetos e ações em torno de uma educação política de essência anticolonialista, anticapitalista e anti-imperialista. Freire ficou muito impressionado com a façanha cubana de acabar com o analfabetismo em Cuba em apenas um ano, sobre a qual comentou: “... para mim, a Campanha de Alfabetização cubana, seguida anos depois pela da Nicarágua, constitui um dos fatos mais importantes da história de educação neste século".