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terça-feira, 11 de novembro de 2025

Brasil e Cuba peitam EUA na cúpula da Celac contra retorno da Doutrina Monroe

Lula durante a IV Cúpula CELAC–União Europeia na Colômbia | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Por Lucas Toth no  Vermelho 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (9) que “a ameaça do uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina e do Caribe” e advertiu sobre o “reciclamento de velhas manobras retóricas para justificar intervenções ilegais”. 

A declaração foi feita durante a IV Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da União Europeia (UE), encerrada em Santa Marta, na Colômbia, com uma declaração conjunta que reafirma a região como zona de paz.

O discurso de Lula ocorreu em meio à escalada militar dos Estados Unidos contra o governo venezuelano de Nicolás Maduro. 

Desde agosto, a ameaça imperialista mobiliza porta-aviões, destróieres e aviões de patrulha no mar do Caribe, sob o argumento de combater redes internacionais de narcotráfico. As operações já deixaram dezenas de mortos e provocaram a destruição de embarcações na região.

Lula criticou a presença militar estrangeira no hemisfério e alertou que “democracias não combatem o crime violando o direito internacional”. 

O presidente defendeu que a segurança deve ser tratada como “um dever do Estado e um direito humano fundamental” e que nenhuma nação é capaz de enfrentar sozinha o crime transnacional. 

“Nenhum país pode enfrentar esse desafio isoladamente; é preciso agir em cooperação”, disse.

quarta-feira, 9 de abril de 2025

Cuba: 60 anos enviando médicos para os países pobres

Médicos cubanos deixando Cuba para trabalhar na África do Sul | Foto: Ramón Espinosa/AP

Do Resumen Latinoamericano

A colaboração médica cubana, iniciada em 1963, marcou marcos históricos na saúde global com uma abordagem humanitária e solidária, destacando mais de 600.000 profissionais para áreas vulneráveis ​​ao redor do mundo.

Desde sua primeira missão à Argélia em 1963, a cooperação médica cubana tem sido um pilar da solidariedade internacional, atendendo mais de 2,3 bilhões de pessoas e salvando 12 milhões de vidas. Com um modelo baseado no altruísmo, Cuba forneceu assistência médica a 165 países, incluindo as regiões mais remotas e afetadas por crises.

Em 17 de outubro de 1962, o líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Castro, anunciou no Instituto de Ciências Básicas e Pré-clínicas Victoria de Girón o envio de 50 médicos para a Argélia, declarando: “Hoje podemos enviar apenas 50, mas em 8 ou 10 anos, quem sabe quantos, e estaremos ajudando nossos irmãos, porque a Revolução tem o direito de colher os frutos que semeou .” 

Um ano depois, a primeira brigada médica partiu, dando início a uma tradição que hoje conta com mais de 600.000 profissionais.

Marcos notáveis ​​incluem a criação do Programa de Saúde Integral após os furacões Mitch e George na América Central, seguido por iniciativas como "Barrio Adentro" na Venezuela e "Operación Milagro",  que realizou mais de 3,3 milhões de cirurgias oculares.

Em 2005, Cuba criou o Contingente Henry Reeve, composto por mais de 10.000 profissionais para responder ao furacão Katrina nos Estados Unidos e posteriormente à epidemia de ebola na África Ocidental (2014), onde 256 colaboradores trabalharam nos países mais afetados.

Cuba também respondeu a emergências globais durante a pandemia de COVID-19, mobilizando 58 brigadas médicas em 42 países , incluindo a Lombardia (Itália), o epicentro inicial da doença. Em 2023, após os terremotos na Turquia e na Síria, 32 profissionais cubanos chegaram em menos de 48 horas para ajudar as vítimas.

Mais de 60 anos de cooperação médica cubana

Os médicos cubanos trataram mais de 2,3 bilhões de pessoas; realizaram 17 milhões de intervenções cirúrgicas; atenderam 5 milhões de partos assistidos e salvaram 12 milhões de vidas. 

Atualmente estão ativos mais de 24 mil colaboradores, entre médicos, enfermeiros, auxiliares e outros profissionais de saúde em 56 países. Além disso, a cooperação cubana conta com 25 convênios gratuitos e 23 convênios com bolsas para profissionais, priorizando áreas com acesso limitado à saúde.

A colaboração médica cubana se baseia no voluntariado e no humanismo, enfrentando críticas infundadas dos Estados Unidos, que lhe impuseram sanções com base no argumento de exploração trabalhista por parte do governo cubano, quando na realidade seu trabalho foi reconhecido pelos governos e populações locais, especialmente em áreas onde nenhum profissional de saúde havia chegado anteriormente e com amor à sua vocação.

Tradução: Comitê Carioca.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Presidente de Cuba visitará o Brasil em junho

Chanceler brasileiro e presidente de Cuba | Foto: Itamaraty 

Segundo publicação do Itamaraty no X, o presidente de Cuba, Díaz-Canel, visitará o Brasil em junho. 

Díaz-Canel recebeu hoje (24/01), em Havana, Mauro Vieira, Ministro das Relações Exteriores do Brasil, que faz visita oficial à ilha socialista. 

Acompanhado pelo embaixador do Brasil em Havana, Christian Vargas, o ministro entregou a Díaz-Canel convite do presidente Lula para que participe da Cúpula Brasil-Caribe, que ocorrerá em junho, em Brasília. O presidente cubano aceitou o convite.

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Vitória de Cuba: EUA retira Cuba de lista "terrorista"

Díaz-Canel, presidente de Cuba, ao fundo líder da Revolução Cubana, Fidel Castro | Foto: Presidência de Cuba

Por Sturt Silva 

A Casa Branca informou ao Congresso dos Estados Unidos, nesta terça-feira (14/01), que o presidente do país, Joe Biden, decidiu remover Cuba da lista montada pelo próprio governo estaduniense, na qual relaciona os países que ele considera que patrocinam o terrorismo.

A medida é uma das últimas adotadas pelo governo de Biden, que concluirá o seu mandato na próxima segunda-feira (20/01).

A retirada de Cuba da lista vem sendo defendida há meses pelos governos do Brasil, do Chile e da Colômbia. O papa Francisco, principal líder da Igreja Católica, também já fez diversos pedidos nesse sentido.

Além da exclusão da ilha socialista da lista, também foi adotada mais duas medidas: uso da prerrogativa presidencial para impedir ações nos tribunais dos EUA em ações movidas sob o Título III da Lei Helms-Burton e eliminar a lista de entidades cubanas que são proibidas de realizar transações financeiras com cidadãos e instituições dos EUA , o que teve efeitos em terceiros países.

"Decisão correta, porém tardia", diz Cuba

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que a decisão de Joe Biden de remover Cuba da lista montada pelo próprio governo estadunidense, na qual relaciona os países que ele considera que patrocinam o terrorismo, é uma “decisão correta, porém tardia e com alcance limitado”.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Pago pelos Emirados Árabes, Brasil enviará 50 milhões de alimentos para Cuba

Leite em pó produzido no Brasil é entregue em Cuba | Foto: ABC/MR

Do Opera Mundi 

O Brasil entregou, na última segunda-feira (12/02), um primeiro lote de alimentos para Cuba em uma iniciativa para "promover a segurança alimentar e nutricional na América Latina", um dos seus principais objetivos na presidência do G20.

O envio foi anunciado por meio de uma nota do Ministério de Relações Exteriores do Brasil, especificando que a entrega incluía 125 toneladas de leite em pó. 

O diretor da Agência Brasileira de Cooperação, Embaixador Ruy Pereira, afirmou que "graças a essa operação, o Brasil, os Emirados Árabes Unidos e Cuba tornam pública a sua forte disposição de colaborar com segurança alimentar e nutricional da população cubana".

Nos próximos lotes também estarão contidos de arroz, milho e soja, e enviados nas semanas seguintes. No total, serão enviados U$50 milhões em alimentos vindos do Brasil. 

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Pela 31ª vez ONU aprova fim do bloqueio dos EUA contra Cuba

Resultado da votação que aprovou o fim do bloqueio contra Cuba - ONU/2023 | Arte: Solidários a Cuba

Por Gabriel Vera Lopes no Brasil de Fato 

Por extraordinária maioria, a Assembleia Geral da ONU aprovou nesta quinta-feira (2) uma resolução que exige o fim do bloqueio econômico e comercial imposto pelos Estados Unidos contra Cuba há mais de seis décadas.  

O pronunciamento, que vem sendo adotado anualmente há 31 anos, foi aprovado por 187 países, contando apenas com uma abstenção (Ucrânia) e a oposição dos Estados Unidos e de Israel, que todos os anos votam contra. 

A votação ocorreu logo depois que o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, tomou a palavra para denunciar frente à assembleia que o bloqueio "viola o direito à vida, à saúde, à educação e ao bem-estar de todos os cubanos".  

Nesse sentido, denunciou que "o bloqueio é um ato de guerra econômica em tempos de paz, com o objetivo de anular a capacidade do governo de atender às necessidades da população, criando uma situação de ingovernabilidade e destruindo a ordem constitucional".

Rodriguez concentrou suas críticas à política dos EUA afirmando que o bloqueio afeta principalmente a população cubana, pois são "as famílias do país que sentem a escassez, os preços excessivos e os salários desvalorizados". Ele também afirmou que "o governo dos EUA está mentindo quando afirma que o bloqueio não impede o acesso a medicamentos e equipamentos médicos".
"Não é legal nem ético que o governo de uma potência submeta uma pequena nação a décadas de guerra econômica implacável a fim de impor um sistema político estrangeiro e reapropriar-se de seus recursos. É inaceitável privar um povo inteiro do direito à autodeterminação, ao desenvolvimento e ao progresso humano", acrescentou.

domingo, 17 de setembro de 2023

G-77 em Havana: Lula condena o bloqueio dos EUA contra Cuba

Presidente Lula e presidente de Cuba, Díaz-Canel, em Havana | Foto: Presidência de Cuba

Por Sturt Silva 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou neste sábado (16) as sanções impostas pelos Estados Unidos contra Cuba, defendeu a reformulação do sistema de governança global e também questionou as empresas de tecnologia. A fala ocorreu durante a cúpula do G77+China, que ocorre em Havana, capital cubana, e é o maior evento de países do Sul Global dentro da Organização das Nações Unidas (ONU).

Lula discursa na Cúpula do G-77 + China em Cuba | Foto: Canal Gov

“É de especial significado que, nesse momento de grandes transformações geopolíticas essa cúpula seja realizada aqui em Havana. Cuba tem sido defensora de uma governança global mais justa e até é vítima de um embargo econômico ilegal. O Brasil é contra qualquer medida coercitiva de caráter unilateral. Rechaçamos a inclusão de Cuba na lista de Estados patrocinadores do terrorismo”, destacou o petista.

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Rússia inaugura monumento em homenagem a Fidel Castro

Monumento em homenagem a Fidel Castro na Rússia | Foto: RT

Por Sturt Silva 

Os presidentes de Cuba e Rússia, Miguel Díaz-Canel e Vladimir Putin, inauguraram hoje (22) um monumento dedicado a Fidel Castro, líder histórico da Revolução Cubana, em um bairro de Moscou. 

 A cerimônia acontece durante a visita oficial do presidente cubano à Rússia.

A escultura ficará em uma praça da capital russa que já leva o nome do líder revolucionário cubano. Ela é de bronze e tem três metros de altura, sendo que Fidel está de uniforme militar sobre um bloco de pedra que tem o mapa de Cuba. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Pela 30ª vez ONU aprova fim do bloqueio dos EUA contra Cuba

Resultado da votação que aprovou o fim do bloqueio contra Cuba - ONU/2022 | Arte: Solidários a Cuba

Por Michele de Mello no Brasil de Fato

Nesta quinta-feira (03/11), a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou por 185 votos a favor, dois contrários e duas abstenções, a resolução que pede o fim do bloqueio econômico dos Estados Unidos contra Cuba. 

Há 30 anos o governo cubano apresenta um relatório sobre os impactos do embargo na ilha caribenha para o plenário da ONU. Somente Estados Unidos e Israel votaram contra o documento, enquanto a Ucrânia e o Brasil se abstiveram. Em 2021, a diplomacia brasileira havia adotado a mesma postura.

Em 60 anos de bloqueio econômico imposto pelos EUA, Cuba acumula US$ 154 bilhões em prejuízos, de acordo com o documento. "São danos injustificáveis ao bem-estar do povo cubano e é contrário aos interesses de paz do povo latino-americano", destacou a embaixadora argentina, María del Carmen Squeff, representando a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC). 

"Trata-se de um castigo coletivo, cujos efeitos são claros crimes de lesa humanidade", disse o diplomata venezuelano, Joaquín Pérez Ayestarán.

Votação na ONU | Foto: Brasil de Fato/Reprodução 

"Irã e Cuba estão pagando o preço por sua resistência, oposição e independência diante das políticas colonialistas dos Estados Unidos", declarou o representante iraniano. 

Já a China defendeu que sejam proibidas todas as medidas de pressão econômica. "Apelamos pelo fim das sanções e votamos uma vez mais a favor desta resolução", defendeu Li Baorong.

"Washington está tentando criar uma doutrina Monroe de alcance global convertendo as sanções ilegais multilaterais em instrumento coercitivo", disse o diplomata russo Boris Bondarev.

Além do respaldo do plenário da ONU, 18 ex-presidentes latino-americanos escreveram uma carta apelando à Casa Branca pelo fim do bloqueio. Entre os signatários estão a ex-presidenta Dilma Rousseff, o boliviano Evo Morales e os colombianos Ernesto Samper e Juan Manuel Santos. 

terça-feira, 10 de maio de 2022

México contrata médicos cubanos e compra vacina anti-covid de Cuba

Médicos deixam Cuba para combater a Covid-19 na Itália em 2020 | Foto: Agência Sana

Por Michele de Mello no Brasil de Fato

Cuba e México assinaram novos acordos para aumentar o comércio bilateral, assim como a cooperação em matéria de saúde e cultura. Nesta segunda-feira (9), os dois chefes de Estado divulgaram uma declaração conjunta, que prevê a contratação de 500 médicos cubanos para atender as zonas mais vulneráveis do México, o envio de profissionais mexicanos para especializações na ilha caribenha e a importação de vacinas contra a covid-19 para aplicar em crianças e adolescentes.

"Devemos olhar para o sul e não dar as costas para os países da nossa América", disse o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, em Havana. As relações bilaterais entre Cuba e México datam de 1902.

Cuba foi o primeiro país da América Latina a desenvolver um imunizante contra a infecção gerada pelo vírus sars-cov2, chegando a cinco fórmulas diferentes, duas delas - Soberana 02 e Abdala - utilizadas nas campanhas de vacinação nacional. 

"Vamos aproveitar as potencialidades sanitárias científicas, realizar esforços conjuntos que permitam desenvolver este campo em benefício dos nossos povos", declarou o presidente cubano. 

No Palácio da Revolução, Díaz-Canel entregou a ordem José Marti a AMLO, a máxima honraria do governo cubano. "As relações entre Cuba e México são históricas e inseparáveis".

O mandatário mexicano voltou a criticar os Estados Unidos pela aplicação do bloqueio contra Cuba e pela possibilidade de excluir as autoridades cubanas da próxima Cúpula das Américas, que será realizada em junho, em Los Angeles, nos EUA. 

"É tempo de expressar e explorar outra opção: de dialogar com os governantes estadunidenses e convencê-los de que uma nova relação entre os países da América é possível", defendeu AMLO.

Em 2019, a balança comercial Cuba-México foi de US$ 277,2 milhões favorável aos mexicanos, exportando produtos alimentícios, alumínio e outros manufaturas para a ilha, enquanto as importações são majoritariamente de ferro, aço e rum cubano.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Confira 10 falas históricas de Che Guevara

Che Guevara | Arte: MST 

Por Sturt Silva 

O legado de Che Guevara é um grande exemplo de luta, determinação e solidariedade para os povos do mundo, principalmente os oprimidos e explorados.  

Dessa forma listamos 10 momentos da trajetória do guerrilheiro heroico.  

Confira:

1. Discurso de Che na Conferência sobre comércio e desenvolvimento das Nações Unidas em 17 março de 1964, Genebra (Suiça).

sábado, 18 de dezembro de 2021

A Revolução Cubana é o povo, afirma Cônsul de Cuba no Brasil

Evento socialista em universidade cubana | Foto: Pedro Monzon

Por Umberto Martins e Osvaldo Bertolino no portal da CTB

Em uma longa entrevista, publicada no portal da CTB - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - o Cônsul Geral de Cuba em São Paulo, Pedro Monzón, mostra as razões pelas quais recorrentes ofensivas dos Estados Unidos para sufocar a Revolução e reinstalar no país um regime capitalista subserviente a Washington são rechaçadas e têm fracassado ao longo da história. 

A Revolução resgatou a dignidade do povo. Consumada em 1959, sob a liderança de Fidel Castro e Che Guevara, completa 63 anos no reveillon de 2022. Antes da vitória dos rebeldes a sedutora ilha caribenha era governada pelo ditador Fulgêncio Batista e mais parecia um grande bordel controlado pela máfia estadunidense, como sugere “O poderoso chefão (2)”, filme do célebre cineasta Francis Ford Coppola.

Conforme assinala o Cônsul, hoje em dia não existem moradores de rua e ninguém passa fome em Cuba, Saúde e Educação são direitos de todo o povo garantidos pelo Estado socialista, não podem ser exploradas como mercadorias. Por maiores que sejam as agressões e infâmias que contra ela são diuturnamente disparados pelos EUA e a mídia burguesa, a Revolução resiste enquanto a contrarrevolução fracassa a cada empreitada porque esta é a vontade soberana do povo cubano, que não se deixa levar pelo canto de sereia neoliberal, não se dobra ao tacão imperialista e não admite retrocesso.

Monzón também chamou a atenção para a liderança e a lição moral da China socialista na guerra à covid-19. 

Leia a entrevista:

Presenciamos nesses dias uma intensificação da ofensiva imperialista dos EUA com o objetivo de destruir o regime socialista de Cuba. Um fenômeno que é recorrente, mas que se dá agora num período crítico no mundo e na América Latina, marcado pela pandemia, crise econômica e crise geopolítica, com notável aumento das tensões entre EUA e China. Então eu gostaria que você começasse comentando as recentes manifestações contrarrevolucionárias em Cuba e o envolvimento do imperialismo.

– Como você comentou, Cuba tem sido agredida pelos Estados Unidos desde o triunfo da Revolução em 1959. No dia 1º de Janeiro de 2022 completam-se 63 anos do triunfo. No início e em diferentes épocas fomos vítimas de agressões, que vão se intensificando e assumem diferentes formas, desde atos terroristas a invasões. Invasões como da Baia dos Porcos na Zona Sul da Ilha, na Península de Zapata, ataques a hotéis e pescadores e em Guantánamo, onde eles mantêm uma base naval e militar pela força desde finais do século XIX. E temos também o bloqueio econômico, que vem sendo intensificado.

Com Donald Trump o bloqueio se intensificou. Já o presidente anterior, Barack Obama, tomou algumas medidas efêmeras na segunda etapa de seu governo para relaxar um pouco o bloqueio e levar sua luta contra Cuba em outro terreno.

Tanto Obama, como Biden e outros presidentes norte-americanos, e o imperialismo Ianque de um modo geral, não aceitam a Revolução Cubana. Ou seja, Obama tentou outras ferramentas de inteligência para destruir a Revolução. E dedicou aproximadamente um ano a este tipo de estratégias.

Já Donald Trump adotou uma série de medidas mais drásticas. Durante seu governo foram editadas 243 medidas novas contra nosso país, além das já existentes. O presidente Joe Biden prometeu que continuaria na linha de Obama, mas na verdade tem reforçado as medidas anteriores de Trump e a retórica contra Cuba.

quarta-feira, 23 de junho de 2021

184 países condenam o bloqueio dos EUA a Cuba na ONU, mas Brasil de Bolsonaro se abstém

Votação na ONU contra o bloqueio dos EUA a Cuba | Arte: Solidários a Cuba/TeleSUR

Por Sturt Silva e Maria Lívia 

Nesta quarta-feira (23), a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) votou pela 29ª vez uma resolução pelo fim do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos contra Cuba desde 1962. Novamente, a ampla maioria das nações votou pelo fim das sanções, com 184 votos a favor, dois contrários (Estados Unidos e Israel) e três abstenções (Colômbia, Ucrânia e Brasil), como se pode ver no painel abaixo. Já 4 países não foram votar: República Centro Africana, Moldávia, Myannamar e Somália. 
Votação contra o bloqueio dos EUA a Cuba em 23 de junho de 2021 | Foto: ONU
A resolução é proposta anualmente pelo governo cubano que denuncia o prejuízo de US$ 147,8 bilhões em quase 60 anos de bloqueio econômico. Durante a gestão de Donald Trump, o bloqueio ainda foi recrudescido com a aplicação de 243 medidas coercitivas unilaterais, afetando diretamente o envio de remessas de cubanos residentes nos EUA à ilha caribenha e o acesso a combustível, vindo principalmente da Venezuela. Já durante a pandemia o bloqueio agravou ainda mais a situação cubana, inclusive proibiu a entrada de medicamentos e insumos para produzir vacinas.

Implantado oficialmente em 1962, o bloqueio dos EUA contra Cuba viola os direitos humanos de todos os cubanos. Seu objetivo é causar dificuldade econômica, fome, caos social e a derrocada do governo socialista que é apoiado pela maioria do povo cubano, como escreveu Pedro Monzón, Cônsul Geral de Cuba no Brasil, em artigo publicado hoje na Folha de São Paulo. 

Denúncia 

O chanceler cubano, Bruno Rodríguez denunciou ante a Assembleia Geral da ONU (leia discurso no final da reportagem) que o bloqueio novamente tornou-se ainda mais severo mesmo em meio a pandemia de Covid-19.

"Em 2020, meu país, como o resto do mundo, teve que enfrentar os desafios extraordinários da crise de saúde, mas o governo dos Estados Unidos assumiu o vírus como um aliado em uma guerra não convencional implacável", enfatizou o chanceler.

Apesar deste contexto dificultoso, enfatizou, o governo estadunidense estreitou de forma sentencial ainda mais o bloqueio, gerando danos à Cuba de pelo menos cinco bilhões de dólares em 2020.

Adotou diligências que refrearam a ilha de ter acesso a combustível, perseguiu deliberadamente os serviços de saúde que Cuba oferece a todo o mundo; amplificou a censura às transações financeiras e de forma intimidadora assedia e persegue investidores de outros países e instituições comerciais, mencionou objetivamente o chanceler.

Com suas medidas coercitivas unilaterais, Washington impediu o fluxo de remessas às famílias cubanas, desferiu duros golpes no setor autônomo e impediu a ligação entre os cubanos dentro e fora da ilha, disse Rodríguez.

Todas essas medidas continuam em vigor e em plena aplicação prática e, paradoxalmente, estão moldando a conduta do atual governo de Joe Biden, justamente nos meses em que Cuba vive o mais duro ataque da pandemia da Covid-19, advertiu.

Assista ao discurso completo:

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Cuba pede na ONU pela 29ª vez o fim do bloqueio dos EUA

Arte cubana pedindo para eliminar o bloqueio, pois a política dos EUA também é um vírus | Foto: Sacha Llorenti

Por Márcia Choueri no Brasil de Fato  

Neste mês de junho, será votada na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), pela 29ª vez consecutiva, um projeto de resolução chamado “Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba”. Essa votação deveria ter sido no final do ano passado, mas foi adiada, por causa da pandemia.

Faz 29 anos que os governos norte-americanos – um após outro – desobedecem à decisão da Assembleia Geral da ONU em relação ao bloqueio. Em todas as votações, a resolução é aprovada pela imensa maioria dos países, mas os ianques simplesmente ignoram.

Em 2019, além dos Estados Unidos e de Israel, passamos a vergonha internacional de ver o Brasil votar também contra Cuba, gesto que, aliás, está sendo questionado judicialmente.

No dia 13 de março passado, o Partido dos Trabalhadores (PT) entrou, ante o Supremo Tribunal Federal (STF), com uma ação contra a postura do governo brasileiro na ONU, na votação da proposta de Resolução 74 de Cuba, por entender que o voto violou os artigos 1º e 4º da Constituição Federal Brasileira de 1988 (CF/88).

É aí que entra, por exemplo, o cínico relatório do Departamento de Estado norte-americano, apresentado em abril, que acusa Cuba da realização de torturas e execuções extrajudiciais. Sem apresentar nenhuma prova, aliás. Esse relatório foi precedido “casualmente”, na véspera da apresentação, por uma declaração de Luís Almagro, secretário-geral da OEA, de que o governo cubano praticaria “terrorismo de Estado”.

Outra iniciativa nesse sentido do governo estadunidense, em maio passado, foi a qualificação de Cuba como país que não combate o terrorismo. Isso serve para incluir a Ilha na famosa lista – autoritária e unilateral – de países que apoiam o terrorismo.

Esses que cinicamente acusam Cuba de práticas contra os direitos humanos e a favor do terrorismo são os mesmos que apoiam o governo colombiano, omisso e cúmplice ante as chacinas cometidas por grupos paramilitares, contra ativistas e ex-guerrilheiros que já depuseram suas armas. São os mesmos que apoiam o governo chileno, cuja polícia pratica tiro contra os olhos dos manifestantes, deixando-os cegos. São os mesmos que mantêm centenas de pessoas presas ilegalmente na base de Guantánamo. Os mesmos que financiam a política genocida de Israel contra o povo palestino.

quarta-feira, 26 de maio de 2021

Covid-19: 40 países querem comprar vacina cubana, afirma Embaixador no Brasil

Vacina Abdala aplicada em Cuba | Foto: Miguel Rubieira/ACN

Por Jota Abreu no site da Câmara Municipal de São Paulo

A Comissão Extraordinária de Relações Internacionais da Câmara Municipal recebeu nesta quarta-feira (26/5) em reunião extraordinária virtual, o embaixador de Cuba no Brasil, Rolando Antonio Gómez, que tratou sobre o desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19 naquele país, e as medidas adotadas pelo governo cubano para contenção do contágio pela doença. A reunião foi conduzida pela vice-presidente da comissão, vereadora Cris Monteiro (NOVO), e teve participação do presidente Aurélio Nomura (PSDB) e do vereador Professor Toninho Vespoli (PSOL), autor da sugestão de convite ao embaixador. Também acompanhou o encontro o cônsul de Cuba, Raúl González Segarte.

94% dos doentes em Cuba são recuperados

Atualmente, Cuba tem duas vacinas na fase final de ensaios clínicos, a Soberana II (que deve ser aplicada em duas doses) e a Abdala (duas ou três doses). O país com 11 milhões de habitantes tem até hoje 135 mil casos confirmados de Covid-19, com taxa de recuperação em 94%, e um total de 901 mortos.

Cuba já vacinou mais de 1 milhão de pessoas

Apesar dos baixos níveis, os meses de março e abril registraram aumento de letalidade e contaminação, o que preocupa as autoridades cubanas, segundo Gómez. Por isso, está sendo planejada uma intervenção sanitária a partir de junho para frear o avanço. O país já vacinou aproximadamente 1,1 milhão de pessoas.

40 países já solicitaram interesse nas vacinas cubanas

Em relação às vacinas, o embaixador disse que todos os testes até o momento apresentaram excelente eficácia. Cerca de 40 países já solicitaram diálogo para compra, e está em curso o planejamento para incrementar a capacidade produtiva para poder compartilhar com o resto do mundo após aprovações de órgãos reguladores. 

Leia também:

A expectativa é que em julho as vacinas sejam aprovadas, e aplicadas a partir de agosto. Entre os meses de setembro e outubro, os laboratórios cubanos devem apresentá-las às agências internacionais para uso em outras nações. Segundo Rolando Gómez, Cuba tem condições de produzir em grande escala milhões de doses em tempo recorde já a partir de agosto.

Terceira vacina cubana

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Lei Helms-Burton: 25 anos de ódio contra o povo cubano

"Abaixo a lei Helms-Burton" na manifestação de 1º de Maio em Havana - 2019 | Foto: Cuba Sí

Por Sturt Silva 

Quando a União Soviética e o bloco socialista desapareceram no final de 1991, o governo dos Estados Unidos também considerou que era o momento da queda de Cuba Socialista. A Casa Branca calculou que, em questão de semanas, Cuba se afogaria em suas dificuldades econômicas e, sem o apoio do Kremlin, o povo daria as costas ao projeto revolucionário, iniciado em 1959 e transformado em socialista em 1962. 

Na década de 90, Cuba vivia o período especial e os EUA aprovaram medidas duras para tentar derrubar Fidel Castro e acabar de vez com o socialismo cubano. Entre as medidas tomadas estão as aprovações de duas leis: a Torricelli, de 1992, e a  Helms-Burton de 1996. 

A segunda foi proposta pelo senador republicano Hesse Helms, caracterizado como um dos "falcões" da política estadunidense, que na época era o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

Em relação a Cuba, Helms disse: "É hora de apertar os parafusos." Em seu propósito de retaliação, teve o apoio do presidente da Subcomissão do Hemisfério Ocidental da Câmara, deputado Burton, que por sua vez garantiu que a nova lei seria "o último prego no caixão" de Fidel Castro. Desde a sua entrada em vigor, a lei passou a ser conhecida como Helms-Burton.

Não é embargo, é bloqueio 

Na época do processo, fontes do Secretário de Estado reconheceram que a lei viola os direitos constitucionais do Poder Executivo dos EUA de conduzir a política externa e vários outros tratados internacionais que são obrigações dos Estados Unidos. O regulamento, apesar de introduzir um critério de extraterritorialidade, não consultou o Conselho de Segurança ou a Assembleia Geral das Nações Unidas.

Com a lei Helms-Burton o bloqueio foi criminalmente endurecido. No entanto, por mais de duas décadas de validade, os governos dos EUA suspenderam a aplicação do Título III do regulamento, o mais escandaloso e criminoso de seus componentes, que permite agentes da ditadura Batista (1952-59) e seus herdeiros, com cidadania estadunidense, de entrar com ações judiciais nos tribunais dos Estados Unidos contra o governo e o povo de Cuba.

Bloqueio fortalecido com Trump

quarta-feira, 21 de abril de 2021

Bloqueio dos EUA contra Cuba: violação de direitos humanos de todo um povo

Cerca de 72% dos instrumentos internacionais de direitos humanos são válidos em Cuba | Foto: Rádio Havana

Por José Luis Darias no Brasil de Fato 

O povo cubano pode mostrar ao mundo com profunda humildade, mas com plena satisfação e orgulho, suas conquistas no campo dos direitos econômicos, sociais e culturais, na esfera dos direitos civis e políticos, e na aplicação dos chamados direitos de terceira geração ou de solidariedade.

A Revolução Cubana tem determinado para o seu povo os direitos universais e humanos consagrados na Carta das Nações Unidas. Cuba ratificou em muitas ocasiões seu inabalável compromisso com a promoção e proteção de todos os direitos humanos para todas as pessoas, com sua natureza interdependente e indivisível.

Graças à vontade política do Governo e à participação ativa do povo em todas as esferas da vida no país, e apesar do grave efeito do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto durante seis décadas pelos Estados Unidos, que viola a Carta das Nações Unidas e o direito internacional, Cuba conseguiu alcançar êxitos muito importantes na promoção e proteção dos direitos humanos.

A fim de consolidar os avanços em direitos conquistados ao longo dos 62 anos da Revolução, estão sendo feitos progressos soberanos no processo de fortalecimento da estrutura jurídica e institucional, como parte da atualização do modelo de desenvolvimento econômico e social, e após a proclamação da nova Constituição da República de 2019.

O artigo 41 da Constituição declara: "O Estado cubano reconhece e garante o gozo e o exercício irrenunciável, imprescritível, indivisível, universal e interdependente dos direitos humanos, de acordo com os princípios da progressividade, igualdade e não-discriminação".

Nosso país fez várias conquistas, todas elas endossadas pelas diversas comissões das Nações Unidas. Como bastiões das conquistas da Revolução Cubana, é essencial mencionar o direito à saúde universal e o direito à educação, pilares fundamentais do direito humano a uma vida digna.

sábado, 20 de junho de 2020

Combate ao coronavírus: Cuba enviou médicos para 40 países

Médicos cubanos antes de deixar Cuba para combater o coronavírus na Itália | Foto: Reuters/Alexandre Meneghini

Por Sturt Silva 

Desde que começou a pandemia, Cuba já enviou médicos e profissionais de saúde para 40 países. Foram 57 brigadas médicas especializadas contra epidemias e desastres naturais. Os primeiros países a receberem ajuda foram Nicarágua e Venezuela. O caso mais marcante foi o da Itália, que passou a ser o primeiro país europeu desenvolvido a contar com assistência médica cubana. 

Veja os países beneficiados e quantos profissionais cada um recebeu | Arte: Diplomacia Cubana
                                                                                       

América Latina e Caribe

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Covid-19: 51 países pediram ajuda médica a Cuba para combater a pandemia

Quase 1.500 médicos para 23 países nos últimos meses; no total são mais de 28 mil médicos em 65 países
Médicos cubanos chegam à África do Sul | Foto: Presidência da África do Sul
Por Sturt Silva

Até o último dia 27 de abril, médicos cubanos tinham atendidos aproximadamente 2.517 pacientes com COVID-19 no mundo. As informações foram dadas por Marcia Cobas Ruíz, vice-ministra do Ministério de saúde de Cuba, em entrevista ao programa Mesa Redonda da TV cubana.  

Segundo Cobas, nos últimos meses, Cuba recebeu pedido oficial de ajuda médica de 51 países e é a partir deles que as brigadas são enviadas. Assim, até o momento, foram enviadas 1.466 profissionais para 23 países. Todas as brigadas são do contingente Henry Reeve, grupo de médicos formado por especialistas em epidemias e desastres naturais. 

"É um resultado não apenas dos contingentes de "Henry Reeve", mas de todas as brigadas que estavam ajudando e as que se juntaram. Estamos falando dos 59 que cooperam tradicionalmente, além daqueles que se juntaram para trabalhar em regiões italianas como a Lombardia e Piemonte e o Principado de Andorra ”, disse a cubana. 

A vice-ministra afirmou que Cuba possui brigadas em 30 países da África, 10 da Ásia e Oceania, 4 do Oriente Médio e 15 da América Latina. Além de 2 na Europa. No total a ilha socialista tem cerca de 28.400 profissionais de saúde em 61 países (veja no vídeo abaixo).


Entretanto, o Ministério das Relações Exteriores de Cuba divulgou nesta terça (05/05) novas informações sobre a cooperação médica cubana no mundo. Não seria apenas 61 países, mas 65. Assim há 31 países com médicos cubanos na África, 5 na Ásia/Oceania, 5 no Oriente Médio, 2 na Europa e 22 na América Latina e Caribe.

Desde que começou a pandemia, Cuba enviou brigadas médicas para 23 países. As primeiras nações a receber profissionais da brigada Henry Reeve foram Nicarágua (5) e Venezuela (6). Depois Suriname (51), Granada (5), Haiti (22) e Jamaica (138) também tiveram suas solicitações de ajuda atendidas. Ainda na América Latina outros 8 países receberam ajuda. São eles: Santa Lúcia (113), São Cristóvão e Neves (34), Dominica (35), São Vicente e Granadinas (16), Antígua e Barbuda (26), Belize (58), Honduras (20), Barbados (101) e Trinidad e Tobago (11). Os 7 primeiros receberam médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde, enquanto que os dois últimos foi apenas enfermeiras.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Cuba, a humanidade e a Covid-19

Médicos e enfermeiros cubanos chegam à Itália, para combater o coronavírus - Daniele Mascolo//Reutgers
Por Pedro Mozón na Folha de São Paulo

Pensei em escrever este artigo para promover o turismo de cidadãos brasileiros para a nossa segura, estável, amistosa e bela ilha, utilizando o bordão popular “Vai pra Cuba”. Porém, os tempos pedem outro importante tema.

Refiro-me à pandemia de Covid-19, que nos obriga a reflexionar profundamente sobre qual deveria ser a essência do ser humano. “Pátria é humanidade”. Este é o conceito que move a Revolução Cubana e sua política internacional solidária e massiva desde o triunfo em 1959, que se fez pública em múltiplas ocasiões, em particular na educação e na saúde. Um dos tantos casos destacados foi a luta contra o ebola; outro, mais recente, foi as boas-vindas em Cuba do contaminado barco inglês Braemar. Essa conduta nacional se explica porque os valores morais são a medula da formação dos cubanos e das políticas nacionais.

A pandemia de coronavírus constitui uma advertência para a espécie humana. É um alerta porque muitas mais ameaças pendem sobre nós. Entre elas, continuam avançando as guerras, a fome, mais mutações de vírus e uma catástrofe que se vislumbrava já faz muito: a destruição da natureza e a mudança climática. Tais tragédias prometem afetar o mundo inteiro, independentemente do poderio econômico-militar de um país, da cor da pele, das crenças, da origem social, da nacionalidade ou do fato de pertencer a um ou outro sistema econômico e político —ou qualquer ideologia. Em síntese, trata-se de um fenômeno anti-humano gerado, propiciado ou permitido pelos próprios seres humanos.

Em realidade, gostaríamos que o mercado pudesse deter estes aterradores processos, porém os fatos demonstram que é impossível, que se impõem políticas cujo centro seja a satisfação dos direitos e o bem-estar da humanidade. Diversos países, socialistas ou não, perceberam, finalmente, que setores tão importantes como a educação e a medicina não podem converter-se em âmbito do predomínio do mercado.

O centro das políticas deve ser a solidariedade, em um mundo inevitavelmente conectado, onde um fenômeno qualquer em um país pode afetar, quase de imediato, a outra nação distante. Se prevalecerem o egoísmo e os interesses comerciais, os resultados serão calamitosos para todos, os fortes e os débeis, os ricos e os pobres. O nacionalismo estreito e o mercantilismo extremo não são remédio porque excluem a ética, além de contraproducentes.

O financiamento multimilionário de guerras genocidas, a pretensão ilusória de que um país esteja acima de outro e as ações de extermínio, como os bloqueios politicamente motivados que se praticam contra Cuba, Venezuela e Irã, não só não favorecem como atrapalham esses países a se desenvolver e a ajudar os demais, a partir de suas fortalezas e talentos —por isso, devem acabar já. Decisões agressivas contra os seres humanos, como a perseguição à ajuda médica cubana, também devem terminar; este é o momento.

Cuba segue aberta a uma cooperação solidária sem limites e, como sempre, sem ataduras políticas e ideológicas. Temos a esperança de que essas ideias se imponham e ajudem o desenvolvimento de todos e a amizade entre Cuba e Brasil.

Pedro Monzón é Cônsul Geral de Cuba em São Paulo.