| Ato de despida em Havana, capital de Cuba | Foto: @MMarreroCruz |
Por Sturt Silva
Cuba prestou várias homenagens, entre 15 e 16 de Janeiro, aos 32 soldados cubanos que morreram em combate contra as forças militares dos Estados Unidos no último dia 3 de janeiro, na Venezuela, que terminou com o sequestro do presidente bolivariano Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores.
Os restos mortais dos cubanos chegaram ao país, na quinta-feira (15/01), ainda de madrugada e foram recebidos e homenageados por milhares de cubanos e cubanas. Durante todo dia familiares, autoridades, amigos e milhares de compatriotas prestaram novas homenagens.
Assista:
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Na sexta-feira (16/01), o principal ato de despedida foi realizado, pela manhã, em torno da Tribuna Anti-Imperialista, próxima à sede da missão dos Estados Unidos na capital cubana e contou com a assistência de dezenas de milhares de pessoas, segundo o canal TeleSur.
Honra e glória
Em seu discurso, Díaz-Canel, presidente da ilha socialista, enfatizou que os 32 soldados “demonstraram possuir todas as qualidades que distinguem os heróis”.
| Presidente de Cuba discursa no enterro das vítimas dos EUA : Foto: Presidência de Cuba |
“Os nomes destes 32 combatentes entraram para a história do país, por defenderem de forma valente a soberania de uma nação irmã, incorporando todas as qualidades que distinguem os heróis. Todos eles são verdadeiros heróis cubanos”, expressou o mandatário.
“O imperialismo nos tornou antiimperialistas”
Em outro momento do discurso, Díaz-Canel criticou as ameaças feitas a Cuba pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo secretário de Estado, Marco Rubio.
O presidente cubano citou um jargão usado por Ernesto “Che” Guevara, herói da Revolução Cubana, ao dizer que: “ao imperialismo, não se pode ceder nem um tantinho”.
Referindo-se às lutas pela independência e soberania que o povo cubano travou ao longo de sua história, Díaz‑Canel afirmou que o “anti-imperialismo” foi uma consequência desse percurso.
“O povo de Cuba não é anti-imperialista por manual; o imperialismo nos fez anti-imperialistas. Mas não apenas Cuba. O mundo será cada vez mais anti-imperialista a partir deste ataque a todas as normas internacionais, desta ofensa à inteligência e à dignidade humana, deste ato de prepotência criminal com o qual um Estado soberano foi atacado por um império que despreza o resto das nações”, disse.
Visivelmente comovido e com a voz trêmula, o presidente cubano lembrou figuras históricas da revolução na ilha: “Aqui estamos, não um, mas milhões de continuadores da obra de Fidel, de Raúl e de sua heroica geração. Teriam que sequestrar milhões de nós ou desaparecer conosco do mapa e, ainda assim, o fantasma deste pequeno arquipélago que tiveram que pulverizar por não poder submetê-lo os perseguiria para sempre”, disse ele, enquanto de todos os cantos se multiplicavam aplausos e os gritos de “Pátria ou morte!”.
“Não, senhores imperialistas: não temos absolutamente nenhum medo e não nos agrada, como disse Fidel, que nos ameacem; vocês não vão nos intimidar”, assegurou em um dos momentos mais emocionantes do discurso, diante dos aplausos da multidão.
| Restos mortais em marcha fúnebre pelas ruas de Cuba | Foto: @DrRobertoMOjeda |
A cerimônia em Havana foi concluída com o sepultamento da maioria dos corpos no Panteão dos Caídos em Defesa da Pátria, no Cemitério Colón.
"Revolução socialista e democrática dos humildes, com os humildes e para os humildes"
Durante toda a tarde, centenas de pessoas passaram pelo cemitério. Quadras e mais quadras de ônibus, lotados de gente, congestionaram as ruas ao redor do local. Centenas de pessoas prestaram condolências às famílias. Alguns haviam conhecido os que tombaram; outros vieram prestar solidariedade.
| Cubanos rendem tributo aos soldados mortos na Venezuela | Foto: Diaz-Canel |
A penas duas quadras da entrada do cemitério, uma pequena escultura instalada em uma esquina lembra uma procissão realizada em 16 de abril de 1961, após um sepultamento massivo em que foram enterradas as vítimas cubanas de um bombardeio surpresa dos Estados Unidos. A escultura traz gravado em seu bronze um trecho do discurso pronunciado por Fidel naquele dia.
Ali, naquela esquina, lê-se: “O que os imperialistas não podem nos perdoar é que estejamos aqui; o que os imperialistas não podem nos perdoar é a dignidade, a firmeza, a coragem, a solidez ideológica, o espírito de sacrifício e o espírito revolucionário do povo de Cuba. Isso é o que não podem nos perdoar: que estejamos aqui, diante de seus narizes, e que tenhamos feito uma Revolução socialista bem diante deles! E que esta Revolução socialista nós a defendemos com esses fuzis! E que esta Revolução socialista nós a defendemos com a coragem com que ontem nossos artilheiros antiaéreos crivaram de balas os aviões agressores!”
“Esta é a Revolução socialista e democrática dos humildes, com os humildes e para os humildes. E por esta Revolução dos humildes, com os humildes e para os humildes, estamos dispostos a dar a vida.”
Homenagens por toda Cuba
Atos similares foram realizados em outras cidades do país, onde os demais militares foram sepultados, no Panteão dos Caídos de suas respectivas terras natais.
Com informações do Brasil de Fato e Opera Mundi.
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