| Silvio Rodríguez ensinou soldados e camponeses a ler e escrever | Foto: La Arena |
Por Lucas Estanislau no Opera Mundi
| Silvio Rodríguez ensinou soldados e camponeses a ler e escrever | Foto: La Arena |
| Cienfuegos, cidade cubana como conhecida como a "Pérola do sul" | Foto: Cuba Travel |
Cuba, uma pequena ilha socialista sitiada pelos Estados Unidos, está tomando medidas concretas para reorientar sua economia na luta contra a crise climática. É um exemplo que o mundo inteiro deveria levar a sério - sobretudo após o fiasco da COP26.
Embora Cuba seja responsável por apenas 0,08% da emissão global de CO2, essa pequena ilha caribenha é desproporcionalmente assolada pelos efeitos das mudanças climáticas. A frequência e a severidade dos eventos climáticos extremos — furacões, secas, chuvas torrenciais, enchentes — tem aumentado, causando danos no ecossistema, na produção de alimentos e na saúde pública. Se nada for feito para proteger as regiões litorâneas do aumento do nível do mar, mais de 10% do território cubano irá submergir até o fim deste século. Isso ameaça varrer do mapa cidades costeiras, poluir sistemas de abastecimento de água, destruir terras agricultáveis, destruir praias turísticas e forçar a realocação de um milhão de pessoas — cerca de 9% da população.
Entretanto, ao contrário de diversos outros países, onde a ação climática é sempre uma promessa para o futuro, em Cuba ações concretas estão sendo levadas adiante agora. Entre 2006 e 2020, vários relatórios internacionais identificaram a ilha como a líder em desenvolvimento sustentável. E na primavera de 2017, o governo cubano aprovou o Tarea Vida (“Tarefa de Vida”), seu plano de longo prazo para enfrentar a mudança climática. O documento identifica regiões e populações em risco, formulando uma hierarquia de “áreas estratégicas” e “tarefas” nas quais cientistas do clima, ecologistas e cientistas sociais trabalham em conjunto com comunidade locais, especialistas e autoridades para oferecer respostas a ameaças específicas. Planejada para ser progressivamente implementado em etapas, de 2017 a 2100, o Tarea Vida também incorpora ações de mitigação como a mudança para fontes de energia renovável e a aplicação legal de proteções ambientais.
🚩🇨🇺 #Cuba é o melhor país do mundo em desenvolvimento sustentável👉https://t.co/xQCNXPo08O pic.twitter.com/ezpUYhsCiK
— Solidários a Cuba (@blogsolidarios) January 3, 2020
No verão de 2021, fui para Cuba para aprender sobre o Tarea Vida e produzir um documentário para ser exibido durante a conferência internacional de mudança climática da COP26, em Glasgow [1]. Minha visita coincidiu com o surto de casos de COVID-19 na ilha, as medidas de saúde pública para redução do contágio, bem como os protestos de 11 de julho. Apesar dessas condições, nos movemos livremente por Havana, entrevistando cientistas sociais e do clima, formuladores de políticas públicas, líderes da Defesa Civil cubana, pessoas nas ruas e comunidades vulneráveis às mudanças climáticas.
No litoral de Santa Fé, em Havana, encontrei com um pescador que vivia com sua família em prédios abandonados. Ele descreveu como, quanto a água inunda o terreno, sua casa fica como um barco no mar. Apesar da ameaça, eles pretendem permanecer: “Essa casa pode ser reduzida a um único tijolo e não vou sair”, ele disse. A primeira “tarefa” na Tarea Vida inclui a proteção das comunidades vulneráveis através de realocação de habitações ou de assentamentos inteiros. O Estado cubano paga pela realocação, incluindo a construção de novas casas, serviços sociais e infraestrutura pública. Contudo, não é algo obrigatório, o que significa que os residentes devem estar envolvidos no processo de construção e de tomada de decisão. Também existem exemplos de comunidades que propõem suas próprias estratégias adaptativas, que as possibilitem permanecer na costa.
Tarea Vida é a culminância de décadas de regulações de proteção ambiental, da promoção de desenvolvimento sustentável e de investigação científica. No país, é concebido como uma nova base para o desenvolvimento, parte de uma mudança cultural e um processo mais amplo de descentralização de responsabilidades, poderes e orçamentos para comunidades locais. Aqui, nós vemos que as considerações ambientais são integrais às estratégias de desenvolvimento nacional de Cuba ao invés de uma preocupação lateral. A necessidade também é um motor do Tarea Vida; a mudança climática já afeta a vida na ilha. “Hoje, em Cuba, o clima do país passa por uma completa transição de características tropicais úmidas para um clima sub-úmido, no qual os padrões de chuva, disponibilidade de água, condições do solo e temperaturas serão diferentes”, explica Orlando Rey Santos, um consultor ministerial que lidera a delegação de Cuba na COP26. “Teremos que nos alimentar de um jeito diferente, construir diferente, nos vestir diferente. É muito complexo”.
| Praça da Revolução em Havana | Foto: Com fusos |
Nesta segunda-feira (17) o Movimento Brasileiro de Solidariedade a Cuba, através das Associações Culturais José Martí do Rio Grande do Sul e Minas Gerais, entrevistou o novo Embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo.
Entre os temas abordados no encontro virtual se destacaram as vacinas cubanas, a campanha pelo fim do criminoso bloqueio dos EUA contra Cuba e os 169 anos de nascimento de José Martí.
Durante o programa, que foi apresentando por Ricardo Haesbaert, o poeta Thiago de Melo, grande amigo de Cuba, recentemente falecido, foi homenageado.
Além do diplomata cubano, a conversa teve participação de José Vieira, Marajuara Azambuja, Nádia Nicolau e Ângela Carrato.
Assista abaixo:
| Alice Jrapko, em encontro de solidariedade a Cuba nos EUA | Foto: Cuba em resumo |
| Alice Jrapko durante manifestação pela libertação dos 5 cubanos - EUA | Foto: Cuba em resumo |
| Líder da Revolução Cubana - Fidel Castro - e presidenta do Brasil - Dilma Rousseff - em 2014 | Foto: Cuba Debate |
Em entrevista exclusiva ao blog Solidários a Cuba, o Cônsul Geral de Cuba no Brasil, Pedro Monzón, falou como estão as relações entre Cuba e o Brasil depois de três anos de governo Bolsonaro. Cuba e Brasil estão com relações diplomáticas rebaixadas desde golpe de 2016. Porém, a situação piorou com a nova política externa do governo Bolsonaro. O marco principal desta política foi o fim da participação dos médicos cubanos no programa Mais Médicos, criado em 2013 pela então presidenta Dilma Roussef.
Confira:
Como estão as relações hoje entre Brasil e Cuba?
Resposta: As relações entre Cuba e Brasil se deterioraram nos últimos anos:
O que Cuba hoje tem comprado do Brasil e o que tem vendido?
Resposta: Cuba e Brasil mantêm as relações comerciais nos investimentos, apesar da situação anterior que as afeta.
Mesmo com as difíceis condições impostas pelo duro e criminal bloqueio econômico, comercial e financeiro dos EUA, Cuba mantém relações comerciais com mais de 80 países em todo o mundo.
Apesar de que durante os últimos anos diminuiu consideravelmente as cifras do intercâmbio comercial, Brasil se mantém como um dos principais sócios comerciais de Cuba (entre os 10 primeiros), sendo o 3º dentro da região da América Latina, e um dos primeiros fornecedores de alimentos em geral.
Em geral Cuba compra do Brasil:
Além de alimentos (proteínas em geral, arroz, óleo, soja), existe uma grande variedade de operações comerciais de companhias brasileiras com empresas cubanas, as quais compreendem diversos produtos como: matérias primas, confecções têxtis, material elétrico, cosméticos, artigos de higiene, equipamentos, peças e acessórios para a indústria agrícola e automotriz.
Cuba vende ao Brasil:
Os principais produtos exportáveis cubanos que se comercializam no Brasil são: tabacos habanos, rum, zeolita granulada, produtos biotecnológicos e equipamentos médicos.
Existem serviços profissionais em diferentes áreas (esporte, cultura, educação, informática) concebidos como exportações cubanas ao Brasil.
A mídia cubana publicou recentemente que é esperado por volta de 2,5 milhões de turistas em 2022 no país. E em relação ao público brasileiro? O que se espera?
| Cubana participa de manifestação com quadro de Fidel Castro | Foto: Lysi Suarez |
Resposta: Para enfrentar essa batalha cultural e ideológica temos muitos recursos, que outro país não tem. Os mais importantes são:
2. Uma vez li em uma entrevista que o dinheiro que o governo dos EUA destina em relação a Cuba no campo midiático é maior que todo orçamento em Cuba para o setor de Comunicação. Isso é verdade? Pode falar um pouco sobre isso?
| Mural em referência aos Comitês de Defesa da Revolução | Foto: Gerardo Nordelo |
Em entrevista exclusiva ao blog Solidários a Cuba, o Cônsul Geral de Cuba no Brasil, Pedro Monzón, nos contou um pouco mais sobre o regime político da ilha socialista. Segundo ele a democracia socialista é diferente de outras democracias capitalistas. Ele também afirmou que as eleições, em seu país, são livres, que o Partido Comunista (único) não interfere e nem as controla. O processo de escolha dos representantes em Cuba é feito pelo povo, nos bairros, através das organizações sociais onde cerca de 80% da população participa. Por fim ele fala sobre as próximas eleições e sobre a imprensa cubana.
Confira:
Muitas vezes escutamos que Cuba não é democrática. Pode falar sobre isso?
Resposta: O conceito de democracia tem diferentes significados.
A mais conhecida se deriva da concepção predominante em países capitalistas do Ocidente cujo defeito principal (segundo nossa convicção) é que não se baseia realmente na participação do povo no governo e o destino das nações. Por tanto é um contra sentido, os feitos não se correspondem com a retórica.
Na democracia capitalista o verdadeiro governo é exercido por oligarquias poderosas economicamente que determinam:
Em Cuba socialista é muito diferente:
| 86,5% do país já está vacinado com esquema completo | Foto: Juventud Rebelde |
Segundo informações do Ministério da Saúde de Cuba, até 3 de janeiro 2,1 milhões de cubanos e cubanas já recebeu a 4ª dose de reforço contra Covid-19. Isso representa 19,6% do população total de Cuba.
Diante do perigo representando pela variante Ômicron, o presidente Díaz-Canel prometeu que até o final de janeiro toda população estará vacinada com mais essa dose de reforço.
Poco más de dos millones de cubanos ya tienen su dosis de refuerzo contra la #COVID19. La producción y el traslado de vacunas a las provincias se agilizan ante el peligro de Ómicron. @MINSAPCuba asegura que para finales de enero toda nuestra población debe tener su nueva dosis.
— Miguel Díaz-Canel Bermúdez (@DiazCanelB) January 5, 2022
Em Cuba são usadas 3 vacinas: Abdala, Soberana 2 + Soberana Plus. Num esquema de 3 doses a eficácia das vacinas cubanas fica acima de 90%.
Segundo país no ranking dos vacinados
O país também tem 9,6 milhões de vacinados com esquema completo de vacinação, que em Cuba é com 3 doses, embora no início se usou a Soberana Plus - desenvolvida para pessoas que já tinham sido infectadas com Covid - com dose única. Os dados citados mostram que 86,5% da sua população total está imunizada. O número coloca Cuba com o segundo país do mundo que mais vacinou, perdendo apenas para os Emirados Árabes Unidos.
No geral, o sistema de saúde de Cuba já aplicou aproximadamente cerca 30,9 milhões de doses, utilizando apenas os 3 imunizantes nacionais. A vacinação se iniciou em 29 de julho de 2020. Em resumo: 10,4 milhões têm 1 dose, 9,3 milhões têm 2 doses e 8,9 milhões têm 3 doses. Além, é claro, dos 2,1 milhões que já receberam a 4ª dose.
Um pouco mais de 58% da população mundial recebeu pelo menos 1 dose de uma das dezenas de vacinas já autorizadas para uso no mundo.
| Taxa de mortalidade infantil em Cuba já chegou a ser de 3,9 | Foto: MPSC |
Cuba tem mantido uma taxa de mortalidade infantil abaixo de 5 para cada mil nascidos vivos nos últimos anos. Esse indicador coloca a ilha socialista no mesmo patamar de países ricos e desenvolvidos socialmente.
Em 2017 e 2018 as taxas ficaram próximas de 4 (4,1 em 2017 e 3,9 - a mais baixa da história - em 2018). Já em 2019 e 2020 situaram perto de 5 (4,9 em 2020 e 5 em 2019).
Com a pandemia forte em Cuba, principalmente entre o período de junho a outubro, a meta estabelecida pelo sistema de saúde - de ficar abaixo de 5 - não foi alcançada.
Segundo o Ministério da Saúde de Cuba, a taxa daqueles que faleceram antes de completar seu primeiro ano de vida foi 7,6 para cada mil nascidos vivos.
🇨🇺 🧑⚕️Pandemia forte em Cuba: Taxa de mortalidade infantil em 2021 ficou em 7,6 para cada mil nascidos vivos.
— Sturt Silva ☭ 🇧🇷🚩🇨🇺 (@SturtSilva) January 3, 2022
Em 2017 foi 4,1, em 2018 a mais baixa da história: 3,9. Em 2020 ainda se conseguiu manter abaixo dos 5 (4,9). Em 2019 foi registrado 5 👇 https://t.co/0qZKz9fdXI
Por outro lado, Cuba tem a menor taxa de mortalidade por Covid-19 da América Latina e é um dos países do mundo que mais se vacinou. O ano de 2021 foi encerrado em Cuba com 86,5 da população total com esquema completo de vacinação.
O sistema de saúde de Cuba utiliza 3 vacinas próprias contra a Covid-19: Abdala (3 doses), Soberana 2 + Soberana Plus (2 + 1 doses) e Soberana Plus (1 dose, para convalescentes). O país também tem aplicado doses de reforço para conter as novas variantes do novo Coronavírus.
| Revolução Cubana 53 anos| Arte: Escola Nacional Paulo Freire |
No primeiro dia de janeiro de 1959, o então ditador de Cuba, Fulgêncio Batista abandonou seu país e os revolucionários liderados Fidel Castro e Che Guevara continuaram sua caminhada rumo ao poder. A data marca o triunfo da Revolução Cubana que completa 63 anos neste sábado (1). Após mais de meio século, os socialistas seguem no poder com bons resultados na luta contra a Covid e apresentando um significativo crescimento econômico.