quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Filme mostra Silvio Rodríguez combatendo o analfabetismo em Cuba [assista]

Silvio Rodríguez ensinou soldados e camponeses a ler e escrever | Foto: La Arena

Por Lucas Estanislau no Opera Mundi 

"Cuba! Cuba! Estudo, trabalho e fuzil! Lápis, caderno, palavra, alfabetizar, alfabetizar!". Era o que cantavam os membros da Brigada Conrado Benítez de Alfabetização, programa criado pelo governo revolucionário cubano em 1961, dois anos após o triunfo da Revolução liderada por Fidel Castro. 

Junto deles, um garoto de 14 anos, que saía pela primeira vez de sua cidade natal, Havana, partia para os rincões afastados do país para ensinar camponeses pobres e esquecidos pela ditadura de Batista a ler e escrever. Esse garoto era Silvio Rodríguez, cantor e compositor que se tornaria um dos mais famosos expoentes da chamada Nova Canção Cubana no final dos anos 1960.

A história de como um dos maiores artistas da América Latina passou um ano de sua adolescência alfabetizando em nome da Revolução é contada no documentário "Silvio Rodríguez: Mi Primera Tarea" (Silvio Rodríguez: Minha Primeira Tarefa). 

Dirigido pela norte-americana Catherine Murphy, o curta metragem de 25 minutos traz entrevistas com o cantor e recupera imagens de arquivo para percorrer a trajetória do programa que fez de Cuba o primeiro país livre de analfabetismo da América Latina. O nome do filme é dado pelo próprio artista, que reconhece em sua participação nas brigadas de alfabetização a inauguração de sua atividade social.

Minha primeira ideia era ir à Sierra Maestra. Os jovens, como eu, tínhamos a imagem da epopeia de Sierra Maestra muito fresca em nossas mentes. Era algo que todos queríamos imitar, não libertando o país com uma luta armada, mas libertando nosso país das correntes do analfabetismo", conta o compositor, em referência às montanhas onde os guerrilheiros do Movimento 26 de Julho iniciaram a luta pela libertação nacional.

O pedido do governo era que jovens secundaristas se voluntariassem nas brigadas para, então, serem deslocados a zonas afastadas com alta incidência de analfabetismo. O adolescente, que anos mais tarde escreveria sucessos que se tornariam hinos da Revolução cubana como "El Necio", "Playa Girón" e "Sueño con Serpientes", serviu seu país na zona montanhosa de Escambray, a cerca de 300 km de Havana, em uma fazenda próximo à praia Rancho Luna. "Não havia um jovem naquele período que não quisesse fazer parte do projeto", diz o cantor.

"Alfabetizei o batalhão 339 de Cienfuegos, formado por operários e camponeses", lembra Silvio. Os soldados a quem se refere o compositor estavam então mobilizados para combater os diversos focos contrarrevolucionários presentes na ilha, principalmente após a invasão frustrada de Playa Girón, encomendada pelos Estados Unidos. 

"De fato, por aqueles dias, muito pouco tempo depois de chegarmos naquela região, mataram um alfabetizador, que só tinha um ou dois anos a mais que eu, chamado Manuel Ascunse Domenech", diz. 

Depois do tempo entre combatentes, Silvio foi morar com uma família de camponeses na mesma região e ali diz que "viu o que era a verdadeira pobreza da Cuba do passado".

"Me lembro de algo que me emocionou muito, durante uma conversa com essa família, me dei conta de que eles não sabiam que a Terra era redonda. Como ensiná-los a ler se nem tinham noção do lugar onde viviam?", lembra o cantor. 

Como membro das brigadas de alfabetização, Rodríguez diz que não ensinava simplesmente o alfabeto, mas transmitia noções básica da vida, ao mesmo tempo em que aprendia "tanto quanto eles". 

Em "Silvio Rodríguez: Mi Primera Tarefa" está presente não só um pequeno retrato de uma das muitas transformações estruturais trazidas pela Revolução socialista em Cuba, como também as histórias da primeira missão revolucionária cumprida por um dos maiores artistas da América Latina. 

O filme pode ser assistido abaixo, com áudio original em espanhol e legendas em português (Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba). 


Edição: Sturt Silva/Blog Solidários a Cuba.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Salvando o planeta: o exemplo do socialismo de Cuba

Cienfuegos, cidade cubana como conhecida como a "Pérola do sul" | Foto: Cuba Travel

Por Helen Yafee na  Revista Jacobin

Cuba, uma pequena ilha socialista sitiada pelos Estados Unidos, está tomando medidas concretas para reorientar sua economia na luta contra a crise climática. É um exemplo que o mundo inteiro deveria levar a sério - sobretudo após o fiasco da COP26.

Embora Cuba seja responsável por apenas 0,08% da emissão global de CO2, essa pequena ilha caribenha é desproporcionalmente assolada pelos efeitos das mudanças climáticas. A frequência e a severidade dos eventos climáticos extremos — furacões, secas, chuvas torrenciais, enchentes — tem aumentado, causando danos no ecossistema, na produção de alimentos e na saúde pública. Se nada for feito para proteger as regiões litorâneas do aumento do nível do mar, mais de 10% do território cubano irá submergir até o fim deste século. Isso ameaça varrer do mapa cidades costeiras, poluir sistemas de abastecimento de água, destruir terras agricultáveis, destruir praias turísticas e forçar a realocação de um milhão de pessoas — cerca de 9% da população.

Entretanto, ao contrário de diversos outros países, onde a ação climática é sempre uma promessa para o futuro, em Cuba ações concretas estão sendo levadas adiante agora. Entre 2006 e 2020, vários relatórios internacionais identificaram a ilha como a líder em desenvolvimento sustentável. E na primavera de 2017, o governo cubano aprovou o Tarea Vida (“Tarefa de Vida”), seu plano de longo prazo para enfrentar a mudança climática. O documento identifica regiões e populações em risco, formulando uma hierarquia de “áreas estratégicas” e “tarefas” nas quais cientistas do clima, ecologistas e cientistas sociais trabalham em conjunto com comunidade locais, especialistas e autoridades para oferecer respostas a ameaças específicas. Planejada para ser progressivamente implementado em etapas, de 2017 a 2100, o Tarea Vida também incorpora ações de mitigação como a mudança para fontes de energia renovável e a aplicação legal de proteções ambientais.

No verão de 2021, fui para Cuba para aprender sobre o Tarea Vida e produzir um documentário para ser exibido durante a conferência internacional de mudança climática da COP26, em Glasgow [1]. Minha visita coincidiu com o surto de casos de COVID-19 na ilha, as medidas de saúde pública para redução do contágio, bem como os protestos de 11 de julho. Apesar dessas condições, nos movemos livremente por Havana, entrevistando cientistas sociais e do clima, formuladores de políticas públicas, líderes da Defesa Civil cubana, pessoas nas ruas e comunidades vulneráveis às mudanças climáticas.

No litoral de Santa Fé, em Havana, encontrei com um pescador que vivia com sua família em prédios abandonados. Ele descreveu como, quanto a água inunda o terreno, sua casa fica como um barco no mar. Apesar da ameaça, eles pretendem permanecer: “Essa casa pode ser reduzida a um único tijolo e não vou sair”, ele disse. A primeira “tarefa” na Tarea Vida inclui a proteção das comunidades vulneráveis através de realocação de habitações ou de assentamentos inteiros. O Estado cubano paga pela realocação, incluindo a construção de novas casas, serviços sociais e infraestrutura pública. Contudo, não é algo obrigatório, o que significa que os residentes devem estar envolvidos no processo de construção e de tomada de decisão. Também existem exemplos de comunidades que propõem suas próprias estratégias adaptativas, que as possibilitem permanecer na costa. 

Tarea Vida é a culminância de décadas de regulações de proteção ambiental, da promoção de desenvolvimento sustentável e de investigação científica. No país, é concebido como uma nova base para o desenvolvimento, parte de uma mudança cultural e um processo mais amplo de descentralização de responsabilidades, poderes e orçamentos para comunidades locais. Aqui, nós vemos que as considerações ambientais são integrais às estratégias de desenvolvimento nacional de Cuba ao invés de uma preocupação lateral. A necessidade também é um motor do Tarea Vida; a mudança climática já afeta a vida na ilha. “Hoje, em Cuba, o clima do país passa por uma completa transição de características tropicais úmidas para um clima sub-úmido, no qual os padrões de chuva, disponibilidade de água, condições do solo e temperaturas serão diferentes”, explica Orlando Rey Santos, um consultor ministerial que lidera a delegação de Cuba na COP26. “Teremos que nos alimentar de um jeito diferente, construir diferente, nos vestir diferente. É muito complexo”.

domingo, 16 de janeiro de 2022

Conheça o novo Embaixador de Cuba no Brasil: Adolfo Curbelo

Praça da Revolução em Havana | Foto: Com fusos

Por Sturt Silva 

Nesta segunda-feira (17) o Movimento Brasileiro de Solidariedade a Cuba, através das Associações Culturais José Martí do Rio Grande do Sul e Minas Gerais, entrevistou o novo Embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo. 

Entre os temas abordados no encontro virtual se destacaram as vacinas cubanas, a campanha pelo fim do criminoso bloqueio dos EUA contra Cuba e os 169 anos de nascimento de José Martí

Durante o programa, que foi apresentando por Ricardo Haesbaert, o poeta Thiago de Melo, grande amigo de Cuba, recentemente falecido, foi homenageado. 


Lembrando que as relações diplomáticas entre Cuba e Brasil estão a nível de Encarregado de Negócios desde 2016. Adolfo Curbelo substituirá Rolando Gómez.

Além do diplomata cubano, a conversa teve participação de José Vieira, Marajuara Azambuja, Nádia Nicolau e Ângela Carrato.

Assista abaixo:


Atualizado às 17 horas (18/01/2022).

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Falece Alicia Jrapko, uma das mulheres que libertaram os 5 heróis cubanos

Alice Jrapko, em encontro de solidariedade a Cuba nos EUA | Foto: Cuba em resumo

Por Gerardo Hernández Nordelo no Cuba em resumo

Caros companheiros e amigos,

É com profundo pesar e em nome de sua família que informamos que nossa querida colega, irmã e amiga Alicia Jrapko faleceu esta noite, 11 de janeiro, após lutar contra uma doença cruel por mais de dois anos. Apesar do tratamento duro, ela nunca deixou de trabalhar tanto quanto podia. Se havia algo que Alicia lamentava, era não poder continuar contribuindo, amando e vivendo com a energia que sempre a caracterizou.

Alicia foi uma grande revolucionária argentina, filha de trabalhadores que desde muito jovem assumiu as lutas de uma geração que sonhava em construir uma Argentina com justiça social para o povo. Alicia disse em uma entrevista: "na América Latina foi forjada uma grande admiração por Cuba, por Fidel, Raul, Che e por tantos outros revolucionários. Na Argentina queríamos o mesmo, mas não foi conseguido e uma grande parte da minha geração perdeu seus melhores filhos". 

Alicia nasceu em 1º de janeiro de 1953 em Merlo, província de Buenos Aires, cresceu e foi educada em Córdoba, onde estudou jornalismo. A ditadura militar imposta pela Argentina em 1976 desencadeou uma repressão feroz contra todos os militantes populares. Trinta mil pessoas foram presas e desapareceram, entre elas muitos dos colegas de classe de Alicia. Ela não conseguiu terminar seu curso e, com as roupas que usava, no mesmo ano de 1976, teve que se exilar.

Cada um dos três filhos de Alicia tem os nomes do meio de seus colegas de classe desaparecidos: Gabriela Emma, Eileen Mabel e Juan Alberto.                                 

Durante vários anos ela viveu no exílio no México, depois se estabeleceu nos Estados Unidos, o país mais difícil e ao mesmo tempo mais necessário para apoiar as causas latino-americanas e lutar contra o imperialismo: "era difícil entender a agressão, as mentiras e os ataques contra Cuba por parte da mídia e do governo".

Alicia se comprometeu com as lutas dos trabalhadores americanos e, no início dos anos 90, com Cuba, através da IFCO-Pastors for Peace,  trabalhou de perto com o Reverendo Lucius Walker como seu coordenador da Costa Oeste, ajudando a organizar e promover bolsas de estudo para que estudantes afro-americanos e latinos frequentassem gratuitamente a Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM) para se tornarem médicos em suas comunidades. Seu trabalho de solidariedade a aproximou diariamente de Cuba; ela se tornou porta-voz de muitas caravanas de Pastores que viajaram milhares de quilômetros através dos Estados Unidos para combater as mentiras do governo americano contra a ilha, enquanto coletava ajuda humanitária como um símbolo de solidariedade com o povo cubano. "Sabíamos que a ajuda humanitária que levávamos a Cuba era simbólica, mas queríamos mostrar que o governo dos Estados Unidos não podia bloquear a solidariedade entre os povos. E nós queríamos mostrar que Cuba não estava sozinha. A experiência de viajar para Cuba nas caravanas dos Pastores pela Paz mudou minha vida para sempre e me aproximou de Cuba e de seu povo", disse ela em uma entrevista.
Alice Jrapko durante manifestação pela libertação dos 5 cubanos - EUA | Foto: Cuba em resumo

Em 2000 Alicia esteve na vanguarda da batalha pelo retorno de Elián González a Cuba com seu pai, mas seu trabalho fundamental está na luta pela libertação dos Cinco Patriotas cubanos, injustamente presos por monitorar a atividade dos terroristas nos Estados Unidos contra Cuba.   

Cinco anos depois do golpe contra Dilma: como está a relação entre Cuba e Brasil?

Líder da Revolução Cubana - Fidel Castro - e presidenta do Brasil - Dilma Rousseff - em 2014 | Foto: Cuba Debate

Por Sturt Silva 

Em entrevista exclusiva ao blog Solidários a Cuba, o Cônsul Geral de Cuba no Brasil, Pedro Monzón, falou como estão as relações entre Cuba e o Brasil depois de três anos de governo Bolsonaro. Cuba e Brasil estão com relações diplomáticas rebaixadas desde golpe de 2016. Porém, a situação piorou com a nova política externa do governo Bolsonaro. O marco principal desta política foi o fim da participação dos médicos cubanos no programa Mais Médicos, criado em 2013 pela então presidenta Dilma Roussef. 

Confira:

Como estão as relações hoje entre Brasil e Cuba?

Resposta: As relações entre Cuba e Brasil se deterioraram nos últimos anos:

  • Atacaram os médicos cubanos no mais alto nível político no Brasil, o que provocou o fim da nossa ajuda a este pais amigo no setor da saúde pública, que era muito importante.
  • O Brasil eliminou injustificadamente os créditos governamentais, apoiando-se em argumentos falsos sobre a conduta das relações entre os dois países.
  • Se desenvolveu uma retórica anticubana nos altos níveis do governo do Brasil, sem nenhuma justificativa. Isto prejudica as relações.
  • Nossas Embaixadas estão neste momento a nível de "Encarregado de Negócios", o que indica o empobrecimento no estado das nossas relações. Esperamos que esta situação seja resolvida.

O que Cuba hoje tem comprado do Brasil e o que tem vendido?

Resposta: Cuba e Brasil mantêm as relações comerciais nos investimentos, apesar da situação anterior que as afeta. 

Mesmo com as difíceis condições impostas pelo duro e criminal bloqueio econômico, comercial e financeiro dos EUA, Cuba mantém relações comerciais com mais de 80 países em todo o mundo.  

Apesar de que durante os últimos anos diminuiu consideravelmente as cifras do intercâmbio comercial, Brasil se mantém como um dos principais sócios comerciais de Cuba (entre os 10 primeiros), sendo o 3º dentro da região da América Latina, e um dos primeiros fornecedores de alimentos em geral.

Em geral Cuba compra do Brasil: 

Além de alimentos (proteínas em geral, arroz, óleo, soja), existe uma grande variedade de operações comerciais de companhias brasileiras com empresas cubanas, as quais compreendem diversos produtos como: matérias primas, confecções têxtis, material elétrico, cosméticos, artigos de higiene, equipamentos, peças e acessórios para a indústria agrícola e automotriz.

Cuba vende ao Brasil:

Os principais produtos exportáveis cubanos que se comercializam no Brasil são: tabacos habanos, rum, zeolita granulada, produtos biotecnológicos e equipamentos médicos. 

Existem serviços profissionais em diferentes áreas (esporte, cultura, educação, informática) concebidos como exportações cubanas ao Brasil. 

A mídia cubana publicou recentemente que é esperado por volta de 2,5 milhões de turistas em 2022 no país. E em relação ao público brasileiro? O que se espera?

Revolução socialista cubana resiste aos bilhões dos EUA

Cubana participa de manifestação com quadro de Fidel Castro | Foto: Lysi Suarez

Por Sturt Silva 

Em entrevista exclusiva ao blog Solidários a Cuba, o Cônsul Geral de Cuba no Brasil, Pedro Monzón, aborda quais armas o povo e o governo revolucionário de Cuba têm para se defender dos ataques dos EUA, que no caso desta entrevista foram abordados os midiáticos. 

Confira:

É na internet e nas plataformas digitais que cada vez mais as pessoas se informam e se comunicam. Também é neste campo que os EUA e as Direitas agem contra Cuba revolucionária. Quais planos o governo e os revolucionários cubanos têm para enfrentar essa batalha cultural e ideológica?

Resposta: Para enfrentar essa batalha cultural e ideológica temos muitos recursos, que outro país não tem. Os mais importantes são:

  • Um povo e, particularmente, uma juventude com alto nível educacional, cultural e político.
  • Os meios de comunicação nacional por TV e imprensa são do Estado Cubano e não permitem a difusão de noticias falsas ou manipuladoras.
  • As escolas são do Estado cubano e oferecem uma educação integral e patriótica.
  • Existem múltiplas organizações políticas e de massas nas quais estão inclusos quase todo o povo e respaldam à Revolução. 
  • O governo tem uma ampla comunicação com o povo. Não há separação entre o governo e o povo. A revolução é o povo, por isso resistimos.
  • No terreno das redes sociais avançamos muito. Numerosas publicações revolucionárias cubanas já estão nas redes e se multiplicaram os youtubers cubanos revolucionários, tanto em Cuba como em outros países.
  • O povo está informado e alertado sobre a enxurrada de fakes news grosseiras sobre Cuba que são publicadas nas redes.
  • Cada vez com mais rapidez nossos órgãos de comunicação e organizações desmentem publicamente as fakes news, que abundam.
  • Existe uma resolução cubana que condena a publicação em Cuba de fake news por qualquer cidadão. As noticias falsas, entram ao país principalmente através do estrangeiro pelas redes.
  • E o mais importante a maioria do povo de Cuba apoia à Revolução devido ao que implica no terreno da justiça social e por sua ideologia política. 
  • De todas as maneiras há que estar alertas porque a ofensiva é imensa e continua.
Leia também outras partes dessa entrevista:
Cinco anos depois do golpe contra Dilma: como está a relação entre Cuba e Brasil?

2. Uma vez li em uma entrevista que o dinheiro que o governo dos EUA destina em relação a Cuba no campo midiático é maior que todo orçamento em Cuba para o setor de Comunicação. Isso é verdade? Pode falar um pouco sobre isso?

Eleições em Cuba: sem dinheiro e sem partidos políticos

Mural em referência aos Comitês de Defesa da Revolução | Foto: Gerardo Nordelo 

Por Sturt Silva 

Em entrevista exclusiva ao blog Solidários a Cuba, o Cônsul Geral de Cuba no Brasil, Pedro Monzón, nos contou um pouco mais sobre o regime político da ilha socialista. Segundo ele a democracia socialista é diferente de outras democracias capitalistas. Ele também afirmou que as eleições, em seu país, são livres, que o Partido Comunista (único) não interfere e nem as controla. O processo de escolha dos representantes em Cuba é feito pelo povo, nos bairros, através das organizações sociais onde cerca de 80% da população participa. Por fim ele fala sobre as próximas eleições e sobre a imprensa cubana.

Confira: 

Muitas vezes escutamos que Cuba não é democrática. Pode falar sobre isso?

Resposta: O conceito de democracia tem diferentes significados. 

A mais conhecida se deriva da concepção predominante em países capitalistas do Ocidente cujo defeito principal (segundo nossa convicção) é que não se baseia realmente na participação do povo no governo e o destino das nações. Por tanto é um contra sentido, os feitos não se correspondem com a retórica. 

Na democracia capitalista o verdadeiro governo é exercido por oligarquias poderosas economicamente que determinam:

  • A persistência de um sistema que polariza a riqueza e os benefícios sociais de todo tipo. Poucos têm muito e a maioria tem pouco. 
  • O resultado das eleições depende do dinheiro, não das posições políticas declaradas dos candidatos partidários, apesar da existência de múltiplos partidos. A final, os ganhadores têm que satisfazer as necessidades de quem contribuem com o dinheiro e têm o poder. O multipartidarismo não é garantia de democracia. Isso não quer dizer que nós pensamos que em outros países devem estabelecer-se sistemas monopartidários. Cada país tem que buscar soluções próprias que garantam uma democracia participativa legítima.
  • As oligarquias mantem o controle do Estado em seu conjunto e das forças repressivas, segundo seus interesses. 
  • Também controlam as políticas editoriais dos meios fundamentais de comunicação, por tanto não há verdadeira liberdade de imprensa.
  • Em muitos destes países o nível de educação cultural e político da população é muito pobre, é baixo, por tanto o povo não pode exercer um verdadeiro governo. Não tem acesso à política, nem sabe como fazê-lo.

Em Cuba socialista é muito diferente:

  • Desde o inicio da Revolução se deu participação ao povo em tudo. A nossa democracia é uma democracia verdadeiramente participativa.
  • Qual ditadura dá ao povo a arma da educação generalizada e gratuita, de igual forma sua formação cultural e política? Estas armas são a garantia mais importante da democracia. Um povo educado é crítico, tem consciência do que passa ao seu redor, não se deixa manipular.
  • Que ditadura treina os cidadãos, em sua grande maioria, para o uso de armas, táticas e estratégias militares, cujo propósito é a defesa contra uma invasão estrangeira?
  • Que ditadura consulta com as massas para a aplicação de medidas econômicas e sociais diversas, que inclui o referendo constitucional?
  • Que ditadura mobiliza massiva e sistematicamente as massas educadas e politizadas em praças públicas para apoio ao sistema? 
  • Que ditadura é capaz de mobilizar voluntariamente educadores e médicos na ordem de centenas de milhares, para enviar em solidariedade a outros países do mundo?
  • Que ditadura é capaz de mobilizar voluntariamente centenas de milhares de cidadãos comuns para a defesa armada de outros países que lutam por sua independência e peçam, como foi o caso no caso de Angola?
  • Em Cuba se eliminou todas as diferenças sociais legais e estruturais que poderiam dividir o povo, incluindo as raciais e de gênero. Por isso, nos perguntamos, que ditadura propicia a unidade do povo?
Leia também outras partes dessa entrevista:

Sistema eleitoral cubano:

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Segundo país que mais vacinou, Cuba já tem 20% com a 4ª dose

86,5% do país já está vacinado com esquema completo | Foto: Juventud Rebelde

Por Sturt Silva 

Segundo informações do Ministério da Saúde de Cuba, até 3 de janeiro 2,1 milhões de cubanos e cubanas já recebeu a 4ª dose de reforço contra Covid-19. Isso representa 19,6% do população total de Cuba. 

Diante do perigo representando pela variante Ômicron, o presidente Díaz-Canel prometeu que até o final de janeiro toda população estará vacinada com mais essa dose de reforço.

Em Cuba são usadas 3 vacinas: Abdala, Soberana 2 + Soberana Plus. Num esquema de 3 doses a eficácia das vacinas cubanas fica acima de 90%

Segundo país no ranking dos vacinados

O país também tem 9,6 milhões de vacinados com esquema completo de vacinação, que em Cuba é com 3 doses, embora no início se usou a Soberana Plus - desenvolvida para pessoas que já tinham sido infectadas com Covid - com dose única. Os dados citados mostram que 86,5% da sua população total está imunizada. O número coloca Cuba com o segundo país do mundo que mais vacinou, perdendo apenas para os Emirados Árabes Unidos. 

No geral, o sistema de saúde de Cuba já aplicou aproximadamente cerca 30,9 milhões de doses, utilizando apenas os 3 imunizantes nacionais. A vacinação se iniciou em 29 de julho de 2020. Em resumo: 10,4 milhões têm 1 dose, 9,3 milhões têm 2 doses e 8,9 milhões têm 3 doses. Além, é claro, dos 2,1 milhões que já receberam a 4ª dose.

Um pouco mais de 58% da população mundial recebeu pelo menos 1 dose de uma das dezenas de vacinas já autorizadas para uso no mundo. 

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Cuba fecha 2021 com taxa de mortalidade infantil de 7,6

Taxa de mortalidade infantil em Cuba já chegou a ser de 3,9 | Foto: MPSC

Por Sturt Silva 

Cuba tem mantido uma taxa de mortalidade infantil abaixo de 5 para cada mil nascidos vivos nos últimos anos. Esse indicador coloca a ilha socialista no mesmo patamar de países ricos e desenvolvidos socialmente. 

Em 2017 e 2018 as taxas ficaram próximas de 4 (4,1 em 2017 e 3,9 - a mais baixa da história - em 2018). Já em 2019 e 2020 situaram perto de 5 (4,9 em 2020 e 5 em 2019). 

Com a pandemia forte em Cuba, principalmente entre o período de junho a outubro, a meta estabelecida pelo sistema de saúde - de ficar abaixo de 5 - não foi alcançada. 

Segundo o Ministério da Saúde de Cuba, a taxa daqueles que faleceram antes de completar seu primeiro ano de vida foi 7,6 para cada mil nascidos vivos. 

Outros indicadores 

Por outro lado, Cuba tem a menor taxa de mortalidade por Covid-19 da América Latina e é um dos países do mundo que mais se vacinou. O ano de 2021 foi encerrado em Cuba com 86,5 da população total com esquema completo de vacinação.

O sistema de saúde de Cuba utiliza 3 vacinas próprias contra a Covid-19: Abdala (3 doses), Soberana 2 + Soberana Plus (2 + 1 doses) e Soberana Plus (1 dose, para convalescentes). O país também tem aplicado doses de reforço para conter as novas variantes do novo Coronavírus. 

sábado, 1 de janeiro de 2022

Cuba celebra 63 anos da Revolução Socialista com quase toda população vacinada

Revolução Cubana 53 anos| Arte: Escola Nacional Paulo Freire

Por Michele de Mello no Brasil de Fato 

No primeiro dia de janeiro de 1959, o então ditador de Cuba, Fulgêncio Batista abandonou seu país e os revolucionários liderados Fidel Castro e Che Guevara continuaram sua caminhada rumo ao poder. A data marca o triunfo da Revolução Cubana que completa 63 anos neste sábado (1). Após mais de meio século, os socialistas seguem no poder com bons resultados na luta contra a Covid e apresentando um significativo crescimento econômico.

A ilha caribenha tem altos índices de vacinação; foi o primeiro país da América Latina a vacinar 80% da população com 1ª dose contra covid-19, e tem uma das menores taxas de letalidade do mundo durante a atual pandemia, apesar das dificuldades impostas pelo bloqueio liderado pelos EUA.

Com o encerramento do ano e o aniversário revolucionário no horizonte, os líderes políticos cubanos se reuniram na Assembleia Nacional para discutir os rumos da ilha e os planos para o futuro.

No balanço do Legislativo, o primeiro-ministro Manuel Marrero informou que das 314 medidas presentes na estratégia de desenvolvimento socioeconômico para 2030, 67% - total de 210 medidas - foram concluídas e as demais estão sendo implementadas.

Na mesma sessão, realizada no dia 22 de dezembro, foi aprovado o cronograma legislativo para 2022 com previsão de até 27 projetos de lei. Em relação à dinâmica demográfica, Marrero destacou que o país mantém a tendência de decrescimento, com mais mortes que nascimentos e 21,3% da população idosa.

Economia 

Cuba encerra o ano com 2% de crescimento econômico, o que contrasta com a retração de quase 11% experimentada em 2020, mas é inferior aos 6% estipulados no último balanço anual. 

Em 2021 foram criadas 901 pequenas e médias empresas, sendo 865 privadas e 18 estatais, e 18 novas cooperativas agropecuárias, com foco na recuperação da indústria açucareira. "Nossa prioridade hoje é produzir alimentos", afirmou o ministro de Agricultura, Ydael Pérez Brito.

A maior abertura ao setor privado faz parte das medidas da Tarefa Ordenamento - reforma econômica que entrou em vigência em janeiro de 2021. O setor estatal ainda é majoritário na economia, empregando cerca de 3 milhões de cubanos do total de 4,6 milhões da população economicamente ativa. A pandemia tornou o tele-trabalho uma realidade para 552 mil pessoas, segundo o relatório. A taxa de desemprego em Cuba é de 1,4%, uma das menores da região.

"É inadiável provocar um estremecimento das estruturas empresariais estatais de cima para baixo e vice-versa, para acabar definitivamente com a inércia, o conformismo e a falta de iniciativa", advertiu o primeiro-ministro cubano.

Já o presidente Miguel Díaz Canel agradeceu o investimento estrangeiro durante seu discurso no encerramento do ano legislativo. 

"Cada vez mais devemos fomentar projetos de investimento estrangeiro no menor tempo possível. Muitas vezes se espera que o ritmo seja ditado pelos estrangeiros", alertou

O ministro de Economia e Planejamento, Alejandro Gil Fernández, no entanto, destacou que Cuba precisa de investimento, mas não "qualquer investimento".

"Devemos diminuir ao máximo a importação de componentes estrangeiros e estimular a produção nacional", defendeu.

Após sofrer graves apagões durante 2021, com a escassez de combustível gerada pelo bloqueio econômico dos EUA contra Cuba e Venezuela, estabilizar o sistema elétrico nacional é um dos objetivos centrais para o próximo ano, afirmou o premiê.

Estabilizar a economia, aumentando a eficiência do setor estatal e ampliar o turismo para investimentos privados e estrangeiros foram objetivos destacados como prioridades. A meta é finalizar 2022 com um crescimento de 4% da economia para superar o déficit provocado durante a pandemia.

Para isso, se prevê aumentar em 20% os impostos sobre o território que serão voltados a financiar cerca de 500 projetos de desenvolvimento local.