sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Médico cubano ‘escravo’ tem renda maior do que 99% dos brasileiros ‘livres’

Médica cubana que trabalhou no Brasil pelo Mais Médicos | Foto: Prensa Latina
Da Carta Campinas

Após o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) dizer que os médicos cubanos são ‘escravos’, o jornalista Gilberto Dimenstein foi atrás de dados para fazer um comparação entre a renda do médico cubano e a renda dos brasileiros ‘livres’. (E olha que Dimenstein é um jornalista que acreditava que Sérgio Moro era juiz de verdade!, pelo menos até ganhar um cargo no governo Bolsonaro).

Dimenstein chegou a conclusão de que os médicos cubanos pertenceriam economicamente a classe mais rica do Brasil, ou seja, ao 1% mais rico.

Apesar de muito alta, a relação ainda deixou de fora o custo de vida em Cuba e no Brasil, o que aumenta ainda mais a riqueza do médico ‘escravo’ cubano em relação ao brasileiro ‘livre’.

O jornalista lembra que um médico cubano que vem ao Brasil trabalhar ganha salário mensal de R$ 3 mil líquidos – ou seja, já descontados os impostos. Também recebe casa e comida grátis, bancadas pelas prefeituras brasileiras. “Portanto, a renda líquida do médico cubano giraria no mínimo em torno de R$ 8 mil. Para um brasileiro ganhar essa renda líquida seria necessário um salário em torno de R$ 10 mil mensais – o que o coloca na classe A. Ou seja, os mais ricos”, diz Dimenstein.

Ele lembra que segundo o IBGE, a Renda média do brasileiro foi de R$ 1.268 em 2017; “Menos de 1% da população brasileira é rica. Isto significa que 1,5 milhão de pessoas ganha mais de R$ 8 mil (precisamente R$ 8.518,04). O salário médio per capita de uma família rica, desde que as quatro pessoas trabalhem, é de R$ 2.129,51. Ou seja, o “escravo” cubano faz parte de 1% mais rico do Brasil“, mostra Dimenstein.

Leia mais: 
Salários de médicos cubanos superam os de médicos que atendem por plano de saúde

Mas isso é só o começo da conversa comparativa entre os médicos cubanos ‘escravos’ e os brasileiros ‘livres’. O custo de vida em Cuba chega a ser 10 vezes menor do que o preço do custo de vida no Brasil. Um salário mínimo em Cuba gira em torno de 30 dólares enquanto no Brasil é de 265 dólares. Ao levar esses recursos para Cuba, os médicos ‘escravos’ se tornam ainda mais ricos.

Os cubanos demonstraram um novo modo de praticar a medicina, afirma autor de livro sobre o "Mais Médicos"

Araquém Alcântara com o livro | Foto: Roberto Parizotti/CUT
Por Lú Sudré no Brasil de Fato

“Os cubanos demonstraram um novo modo de praticar medicina”. Essa afirmação é de alguém que acompanhou de perto o Programa Mais Médicos nas regiões mais isoladas do Brasil. Em 2015, o fotógrafo e jornalista Araquém Alcântara percorreu 38 cidades de 20 estados do país com uma câmera na mão, buscando capturar a dimensão humana do projeto. 

O material foi publicado no livro “Mais Médicos”, cujas fotos circularam em massa pela internet após o governo cubano anunciar sua retirada do programa. Segundo o Ministério da Saúde Pública de Cuba, o anúncio, por parte do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), de mudanças no contrato, iniciado em 2013 e revalidado em 2017, foram determinantes para a saída dos profissionais do programa. A decisão também ocorreu em repúdio a declarações de Bolsonaro consideradas “ameaçadoras e depreciativas” . 

“O que mais me marcou foram os olhares. A questão da aproximação, do toque, da conversa, do carinho, de médicos circulando. Médicos que não ficam só atrás da mesa, atendendo as pessoas em dez, quinze minutos. Mas sim se dedicando a ouvir, participando de questões da comunidade, se envolvendo com o povo”, relata Alcântara em entrevista ao Brasil de Fato. 

O renomado fotógrafo considera o livro um manifesto humanista e defende a continuidade da atuação dos médicos em regiões em que o Estado se faz ausente. “O Mais Médicos é um programa revolucionário de atendimento à saúde. Isso eu vi com meus próprios olhos. Essa é a função do jornalista e do fotógrafo, ser testemunha ocular”. 

Confira a entrevista na íntegra:


Brasil de Fato - Suas fotos têm circulado muito após a saída de Cuba do Programa Mais Médicos. Como vê esse destaque que a obra tem recebido e porque decidiu fotografar os atendimentos desse programa? 

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Grupo Parlamentar Brasil-Cuba: gratidão a Cuba e repúdio às mentiras contra os médicos cubanos

Cerca de 20 mil cubanos passaram pelo Brasil durante 5 anos

Leia a nota do Grupo Parlamentar Brasil-Cuba sobre a saída dos cubanos do programa Mais Médicos:

No último 14 de novembro, em face de reiteradas ameaças por parte do presidente eleito do Brasil,o governo de Cuba comunicou o fim de sua participação no programa Mais Médicos para o Brasil, fruto da cooperação tripartite entre o Brasil, a República de Cuba e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).

A qualidade da medicina cubana é reconhecida em todo o mundo, tanto assim que os profissionais daquele país amigo estão presentes em programas de cooperação em nada menos que 67 países, em muitos casos sem contrapartida econômica por parte do estado receptor.

No Brasil, como é sabido, o Mais Médicos sempre priorizou os profissionais brasileiros. Ocorre que, desde a primeira chamada, a adesão desses profissionais tem sido insuficiente, persistindo um grande fosso entre a oferta e a demanda. Daí a importância do acordo tripartite entre Brasil, Cuba e OPAS, ao possibilitar o preenchimento de vagas em localidades extremamente pobres e muitas vezes remotas, que não têm atraído médicos brasileiros.

O programa é amplamente elogiado por gestores, conselheiros de saúde, integrantes de equipes de saúde básica e por quem, afinal, mais importa: a população atendida. Seu principal mérito é o de reduzir o número de localidades com extrema carência de profissionais de saúde: por meio do programa, 700 municípios tiveram médico fixo pela primeira vez; ou seja, milhões de brasileiros viram, finalmente, respeitado o direito à saúde que a Constituição Federal lhes assegura.

Leia também:
Médicos cubanos correriam risco caso continuassem no Brasil, afirma supervisora do Mais Médicos
Entidades e organizações brasileiras agradecem Cuba e condenam atitude de Bolsonaro

Mas o Mais Médicos trouxe outros benefícios. Pesquisas apontam para um atendimento mais cuidadoso e humanizado, maior adesão dos pacientes ao tratamento, uso racional de medicação e redução de complicações e internações, com resultados comprovados.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

"O povo cubano não dá o que sobra, compartilha o que tem", diz médica cubana ao deixar o Brasil

Marílyn (cabelos claros), se despede ao lado das amigas médicas | Foto: Lucas de Souza/RBA
Por Gabriel Valery na Rede Brasil Atual 

Cuba mantém 50 mil médicos espalhados por 67 países. Eles se despedem temporariamente de suas famílias para trabalhar nas áreas mais carentes, muitas vezes em conflito. Em terras estrangeiras, compartilham conhecimento e solidariedade.

Deixam marcas nas vidas dos pacientes e, ao retornar para a ilha caribenha, são recebidos como heróis. Geralmente, levam anos para cumprir suas missões. No Brasil, algumas dessas histórias, trazidas pelo Programa Mais Médicos, foram interrompidas de forma precoce.

É o caso de Marílyn Gonzalez Galloso, que deixou o país na madrugada desta terça-feira (27), depois de menos de um ano de trabalho em São Paulo. “Vou chorando e outros choram comigo. Deixei muitas pessoas que precisavam de nós”, conta. Ela atuou no município paulista de Andradina, a mais de 600 quilômetros da capital. Uma das primeiras a chegar no aeroporto, de uma leva de mais de 200 cubanos que deixaram o país, Marílyn mostrou pesar por partir e chegou a perder a voz, emocionada, ao lembrar de seus pacientes brasileiros.

“Vou embora agora com muita dor. Deixamos uma população carente de médicos. Mais do que médicos, humanistas. Médicos que precisam posar as mãos nos ombros das pessoas, conhecer suas dificuldades, suas necessidades, e não apenas suas doenças.”

Durante a formação em medicina, os cubanos têm treinamentos específicos para um cuidado mais próximo do paciente. Eles passam por experiências em medicina comunitária, familiar. “A diferença é muito grande”, afirma Marílyn sobre o trato dos profissionais cubanos.

“Não falo só do Brasil. O médico cubano é humanista, pergunta pela necessidade do paciente (…) No tempo em que trabalhei com a população brasileira, notaram a diferença.”

Homenagens brasileiras:


terça-feira, 27 de novembro de 2018

Brasileiros homenageiam médicos cubanos em despedidas nos aeroportos

Homenagem no Rio de Janeiro tem faixa com mensagem: "gratidão aos médicos cubanos" | Foto: Carmen Diniz 
Por Sturt Silva

Médicos e médicas de Cuba que deixaram o Brasil ontem (26), receberam homenagens nas duas principais cidades do país. 

Rio de Janeiro 

Pela manhã, profissionais de saúde, que integram a Rede de Médicas e Médicos Populares e representantes de movimentos sociais fizeram um ato de agradecimento aos profissionais que estão deixando o estado, que vive uma severa crise na Atenção Primária, com corte de verbas, redução de equipes e ameaças de demissão.

Também foi lido um manifesto assinado pela Associação Cultural José Martí do Rio de Janeiro (ACJM-RJ), Levante Popular da Juventude, Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, Sindicato dos trabalhadores da fiocruz (Asfoc SN), Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (Cebes), Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba e Comitê Internacional Paz Justiça e Dignidade aos Povos – Capítulo Brasil.

O manifesto foi lida e repetido em voz alta com muita emoção:

 "Queridas médicas e queridos médicos de Cuba

Médicos cubanos correriam risco caso continuassem no Brasil, afirma supervisora do Mais Médicos

Sarah Segalla | Foto: RFI/arquivo pessoal
Por Daniella Franco na RFI

A médica Sarah Segalla é supervisora acadêmica em áreas de difícil acesso do programa Mais Médicos e trabalha no Estado do Amazonas. Ela conversou com a RFI nesta segunda-feira (26) sobre como o atendimento nestas regiões mais longínquas será prejudicado com o fim da parceria entre Brasil e Cuba e expressou sua indignação com a falta de valorização destes profissionais.

Cuba anunciou, no último 14 de novembro, que rejeitava as modificações estabelecidas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro no programa Mais Médicos, suspendendo a participação de seus profissionais nesta iniciativa criada em 2013, durante o governo da presidente Dilma Rousseff.

“Cerca de 18 mil médicos integram o programa Mais Médicos no Brasil. Destes, quase 9 mil eram médicos cubanos. Ou seja, metade do programa era suprido por médicos cubanos”, salienta Sarah.

"75% das áreas indígenas vão ficar sem médicos"

Para ela, um dos pontos mais preocupantes do fim da parceria entre Brasil e Cuba é a futura ausência de médicos em diversas cidades e regiões brasileiras. “Os médicos cubanos chegavam sem escolher o lugar onde iriam trabalhar. Então, eles iam justamente para aqueles lugares onde nem os médicos brasileiros ou brasileiros e estrangeiros formados no exterior queriam ir. Essas categorias têm a possibilidade de escolher o local. A maior parte acaba ficando nas capitais, em áreas que também são de difícil provimento, mas com menos vulnerabilidade. As regiões para onde ninguém quis ir, as vagas para as quais ninguém se inscreveu, é que eram supridas pelos médicos cubanos”, diz.  

Sarah Segalla diz que no município onde trabalha, na região do Alto Solimões, no Amazonas, não há nenhum médico brasileiro, só os cubanos. “Ninguém quer ir trabalhar em São Paulo de Olivença. É por isso que 75% das áreas indígenas vão ficar sem médicos. Porque são locais para os quais nenhuma das categorias de médicos do programa quiseram ir”, salienta.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Exército de jalecos brancos mudou a história da saúde no Brasil

Marcio Vitor Leite, brasileiro estudante de medicina em Cuba | Foto: Hugo García/Juventud Rebelde

Em entrevista ao diário cubano de notícias Juventud Rebelde, o nordestino Marcio Vitor Bringel Leite, que está se graduando em Medicina pela Universidade de Ciências Médicas Juan Guiteras Gener, em Matanzas, em Cuba, comentou as imposições do futuro presidente Jair Bolsonaro que levou ao encerramento da participação dos médicos da Ilha no programa Mais Médicos.

Bringel Leite, que é secretário de relações internacionais da Federação de Estudantes Universitários (FEU) da universidade, também falou das dificuldades de acesso a profissionais de saúde na cidade natal, a decisão de estudar em Cuba e suas perspectivas no retorno ao Brasil.

Confira trechos da entrevista ao Juventud Rebelde:

JR – Há médicos cubanos em sua cidade natal?

Marcio Vitor Bringel Leite – Na meu estado havia 437 médicos cubanos, que cuidavam de uma população de 11 milhões de pessoas. Santa Inês é uma cidade de 80 mil habitantes e oito médicos cubanos trabalharam lá. Dois na cidade e os outros seis nos municípios, isto é, nos campos como se diz em Cuba. Muitos deles precisam pegar barcos para atravessar rios e atender moradores de aldeias indígenas, lugares onde os médicos brasileiros não querem trabalhar.

JR – O que significa a retirada dos cubanos do ponto de vista social?

Quem perde é o povo brasileiro, por causa das declarações do presidente eleito, que duvida da capacidade e da qualidade da formação dos médicos cubanos. Em cinco anos, como parte do Programa Mais Médicos, mais de 11 mil médicos cubanos foram para o Brasil e, naquela época, o povo brasileiro demonstrou 98% de aceitação dos serviços prestados pelos médicos cubanos.

A mortalidade infantil diminuiu, um marco muito importante no programa Mais Médicos. Agora, de volta os mais de 8 mil médicos tenho certeza que vão deixar uma grande marca no meu povo, naqueles lugares onde os graduados médicos no Brasil não querem chegar, como a Floresta Amazônica, lugares onde doentes raramente tem acesso a médico, e que apenas médicos cubanos chegam. E é por isso que o povo brasileiro vai sofrer e sentir muito a ausência dos médicos cubanos.

JR – Por que você escolheu estudar aqui?

domingo, 25 de novembro de 2018

Fidel Castro: As ideias não se matam

Até a vitória sempre, Fidel! | Arte: Hanoi/twitter
Por Pedro Marin da revista Opera 

"Um pouco cansados, tínhamos que dormir nas piores condições, nas ladeiras da montanha, sem saco de dormir ou coisa parecida, e, justamente naquela noite, encontramos uma pequena cabana, de quatro metros de comprimento por três de largura. […] Para proteger-nos da neblina, da umidade e do frio, decidimos ficar ali até o amanhecer. De manhã, antes de despertarmos, uma patrulha de soldados entra na cabana e nos acorda com os fuzis sobre o peito. […] Do jeito que aqueles indivíduos andavam sedentos de sangue, teriam nos assassinado de cara. Porém, ocorreu uma incrível casualidade: havia um tenente negro, chamado Sarría, que não era assassino e tinha certa autoridade. Os soldados estavam excitados, nos amarraram, apontaram os fuzis contra nós e queriam matar-nos. […] Diziam que éramos assassinos, que queríamos matar soldados […] A gente já se dava por morto; eu não imaginava a mais remota possibilidade de sobreviver. Durante a discussão com os soldados, o tenente interveio e disse: ‘Não disparem, não disparem’. Impôs-se aos soldados, enquanto repetia em voz baixa: ‘Não disparem, as ideias não se matam’. Três vezes aquele homem repetiu: ‘As ideias não se matam’. […] Impressionara-me a atitude daquele tenente e, após caminharmos um pouco, chamei-o e disse: ‘Vi como o senhor procedeu e não quero enganá-lo, eu sou Fidel Castro.’ Ele me adverte: ‘Não diga nada a ninguém’. […] Mais adiante surgiu um comandante, que se chamava Pérez Chaumont, um dos principais assassinos e responsável pela morte de muita gente. Ordenou que nos levassem ao quartel. O tenente discutiu com ele e não obedeceu. Levou-nos à Casa de Detenção de Santiago de Cuba, onde ficamos à disposição da justiça civil. Se tivéssemos chegado ao quartel, teriam feito picadinho de todos nós.”

Este relato de Fidel Castro para Frei Betto, que consta no livro “Fidel e a Religião”, se refere aos dias que sucederam o Assalto ao Quartel Moncada, em 1953 – a primeira tentativa de Fidel em lançar um movimento para derrubar a ditadura de Fulgêncio Batista. Foi preso, se exilou e, seis anos mais tarde, desembarcou em Cuba e retornou à serra na qual quase havia sido morto anteriormente. Lá formou a base da revolução que, em dois anos, triunfou.

Nos 57 anos que separaram 1959, ano do triunfo da revolução, de 2016, ano da morte de seu líder, foram muitas as tentativas de acabar violentamente com a revolução e com Fidel. A primeira tentativa data de 1961: mirando a Revolução, os norte-americanos treinam um grupo de paramilitares exilados anticastristas, que desembarcam na Praia Girón (ou Baía dos Porcos) em 15 de abril. Em Ciudad Libertad ocorrem combates intensos, e um miliciano cubano, ao ser atingido por um disparo dos invasores, luta contra a morte para pintar em uma parede, à mão e com o próprio sangue, o nome de Fidel.

Assista:

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

8 mentiras que contam sobre a medicina em Cuba

Médica cubana Miriela León Sierra atende mãe adolescente na Paraíba | Foto: Araquém Alcântara
Por Nésio Fernandes no Vermelho

Desde que foi criado o Programa Mais Médicos e grande parte dos profissionais que o integram vieram de Cuba, muita mentira tem circulado sobre a formação daqueles profissionais oriundos e suas condições de trabalho no Brasil. As mentiras se espalharam com maior profusão nas redes sociais e se intensificaram depois que Jair Bolsonaro afirmou que fará mudanças no Mais Médicos que tornam inviável a permanência dos cubanos no programa e levaram Cuba a encerrar a parceria

Espero que este texto ajude a entender como é a formação médica no Brasil e em Cuba partindo de algumas ideias erradas que tem sido divulgadas.

1- Curso de Medicina em Cuba segue o modelo soviético

Lorota. O modelo soviético de medicina nunca entrou em Cuba. O modelo cubano de formação médica segue o modelo flexneriano clássico, o modelo norte-americano, o mesmo seguido pela formação médica no Brasil. O diferencial na formação cubana é a intensiva carga horária prática, a formação humana e o rigor na avaliação e exigência nos estudos.

2- Formação médica tem apenas quatro anos

O curso tem 6 anos, divididos em 2 anos de ciências básica e pré-clinica e 4 anos de clínica. Igual ao Brasil (profundamente parecido as Diretrizes Curriculares Nacionais do Brasil), igual ao modelo flexneriano.

Como a residência médica é universalizada, todos os egressos tem acesso direto à residência médica, sendo obrigatória à residência em Medicina de Família e Comunidade (lá chamada de MGI) antes de cursar uma segunda residência.

Na sede da Escola Latino Americana de Medicina (ELAM) em Havana, os estrangeiros cursam os 2 primeiros anos de ciclo básico e pré-clínico, os 4 anos clínicos seguintes cursam em 18 faculdades espalhadas no País, realizando o estágio nos diversos hospitais e serviços de atenção primária em saúde. 75% da carga horária é hospitalar!

3- Médicos graduados em Cuba querem fugir do Revalida

90% dos médicos graduados em Cuba revalidam seus diplomas em um ou dois anos após formados. Se preparam para os exames de revalidação no Brasil, muitos fazem os mesmos cursos preparatórios para os exames das provas de residências médicas que os médicos formados no Brasil fazem.

4- Médicos formados em Cuba são do MST, do PT e do PCdoB

Salários de médicos cubanos superam os de médicos que atendem por plano de saúde

Médica cubana Aymée Pérez Isidor atravessa arrozal para atender no interior de Alagoas | Foto: Araquém Alcântara
Do site do PT 

Jair Bolsonaro diz que uma das razões de sua guerra pelo fim dos Mais Médicos é a remuneração dos profissionais vindos de Cuba. Ele e os seus consideram “escravidão” o acordo firmado com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Mas em termos de renda líquida, os cubanos ganham mais que brasileiros que fazem o mesmo trabalho via planos de saúde.

É só fazer as contas. O repasse médio de uma consulta por convênio é de 90 reais, segundo dados da Associação Paulista de Medicina. Estima-se que cerca de 50% delas gerem retorno, mas os planos não pagam por essa modalidade.

Se o clínico atende dez consultas de 30 minutos num expediente de 5 horas (descontando os retornos), recebe 900 reais brutos por dia – um total bruto de R$18.900 em 21 dias úteis. Cerca de 14.000, descontado os impostos.

Se subtrairmos também os custos com o aluguel de uma sala de 40m², uma recepcionista, um auxiliar de enfermagem e os gastos variáveis para que a clínica funcione, sobra todo mês o equivalente a R$3.200.

Aluguel e condomínio                                                                                                                                     R$ 1.950,00
Recepcionista e auxiliar de enfermagem (+encargos)                                                                                    R$ 5.687,00
Contabilidade                                                                                                                                                     R$ 500,00
Gastos variáveis (IPTU, água, luz, telefone, custos operacionais e etc.)                                                       R$ 2.000,00
TOTAL                                                                                                                                                        R$ 10.137,00
Fontes: Fipezap, LoveMondays e Associação Paulista de Medicina
O Brasil paga à Opas uma bolsa cotada atualmente em R$ 11.865,60. A organização envia todo o valor ao governo cubano, que repassa aos médicos o equivalente a R$3.460 reais, segundo dados do próprio Ministério da Saúde.

Moradia, transporte e alimentação são bancados pela prefeitura da cidade onde o médico atua. Já os que atuam em áreas indígenas recebe mais R$2.750 de ajuda de custo.
Remuneração de cubanos supera a de clínicos que atendem por plano de saúde | Arte: PT/Instagram

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Sem registros de erros médicos dos profissionais cubanos no Brasil

Médico cubano Sael Castelo Cabalero no sertão de Sergipe com a parteira e líder comunitária dona Josefa da Guia. Juntos, mudaram a realidade local | Foto: Araquém Alcântara 
Por Sturt Silva

Segundo a coluna "Expresso", da revista Época, o Ministério da Saúde do Brasil "afirma que, em cinco anos de atuação dos médicos cubanos em solo brasileiro, não houve registros de erros médicos nem foram feitas denúncias nesse sentido". 

Cuba anunciou, no último dia 14, deixar o programa Mais Médicos, depois de ameaças do novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Atualmente mais de 8 mil médicos cubanos estão atendendo no país.


Medicina cubana está a serviço dos mais pobres no mundo, diz médico cubano

Escola Latino-americana de Medicina completou 20 anos em 2018 | Foto: Días-Canel/Twitter
Do Opera Mundi

Algumas mudanças já começam a ocorrer após a eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência do Brasil. As declarações e posturas do presidente eleito provocaram rechaço de grande parte da comunidade internacional. Além disso, comprometeu a economia e a sociedade brasileira.

O caso mais recente, que gerou grande parte das polêmicas, foi o comunicado por parte do governo de Cuba anunciando sua saída do programa Mais Médicos. A saída ocorreu após as declarações do futuro mandatário em relação à ilha. O retorno dos médicos cubanos à sua pátria deixará cerca de 1.500 cidades sem serviço médico.

Os médicos cubanos estão presentes em aproximadamente 100 países de todo o mundo. Para que compreendamos melhor a posição do governo cubano, a medicina do país e a participação internacional dos seus médicos, o diretor de Relações Internacionais da Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), Mateus Fiorentini, conversou com Jesus Rafael Mora Gonzalez. 

Mora (foto abaixo), como é conhecido, é médico graduado pela Universidade de Ciências Médicas de Sancti Espíritu e especialista em Medicina Geral Integral (MCI). Além disso, possui larga trajetória internacional, na qual podemos destacar seu trabalho junto à Federação Mundial das Juventudes Democráticas (FMJD), organização criada durante a resistência ao nazifascismo na Segunda Guerra Mundial. Assim, entre 2008 e 2012 e entre 2014 e 2015, Jesus ocupou a Secretaria-Geral da organização, período em que desenvolveu, também, atividade médica em distintos países.

Atualmente, Mora trabalha na Assembleia Nacional de Cuba, tratando de temas internacionais ligados ao parlamento cubano. 

Leia a entrevista:

Como é a formação do médico em Cuba? O que se estuda durante a graduação, qual o currículo e a relação entre teoria e prática na sua formação?

Em Cuba, a formação tem um amplo sentido humanista e prático. Sua formação está baseada na atenção primária de saúde. Nada mais que resolver a grande quantidade de problemas nas comunidades. Nos formamos médicos cubanos durante um período de seis anos e adquirimos uma formação prática. Ou seja, desde o início da graduação estamos vinculados à população, sobretudo à atenção primária de saúde. Nos preparamos, também, para ser parte da sociedade cubana. Nos formamos com um ensino proletário prático, sem aspirações para ser ricos, nem para chegar a ser uma classe superior no nosso país.

Por meio de projetos como a Escola Latino-americana de Medicina (ELAM), Cuba tem formado médicos de todas as partes do planeta. Como se dá essa formação? Quais são os desafios de formar um médico de outra nacionalidade?

"Cuba não faz política com a saúde de nenhum povo", afirma ministro da Saúde da ilha

Médico cubano Manuel Pupo em aldeia indígena | Foto: Araquém/Instagram
Do Brasil de Fato 

Cuba tomou uma decisão "dolorosa, mas necessária" concluindo sua participação no programa Mais Médicos do Brasil, garantiu em entrevista ao site Cubadebate o ministro da Saúde Pública, José Angel Portal Miranda.

"Nosso país não buscou a situação atual, mas agiu em defesa da dignidade profissional e humana de nossos colaboradores e de sua segurança", acrescentou.

Jair Bolsonaro manteve uma postura agressiva contra o Mais Médicos e a participação de Cuba no programa desde a sua criação, em 2013. Uma vez eleito presidente, referiu-se de forma depreciativa e ameaçadora à presença dos médicos cubanos, reiterando que iria modificar os termos e condições do programa.

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde Pública de Cuba (MINSAP) decidiu encerrar sua participação no programa Más Médicos, no qual mais de 20 mil profissionais de saúde cubanos atenderam milhões de brasileiros em áreas pobres e geograficamente remotas.

Confira a íntegra da entrevista:

Cubadebate – Que elementos foram levados em conta para concluir a participação cubana no Mais Médicos? O que responderia àqueles que consideram que talvez houve precipitação?

José Angel Portal – Nada do que foi feito até este momento é precipitado. Entendemos perfeitamente que a decisão tem impacto no povo brasileiro. Ao contrário de outros, sempre consideramos o atendimento de saúde como uma questão de máxima prioridade, além de qualquer consideração de natureza política.

Tomamos uma decisão dolorosa, mas necessária, em defesa da dignidade profissional e humana de nossos colaboradores e de sua segurança. Durante meses viemos acompanhando os pronunciamentos ameaçadores e provocativos do presidente eleito, os que ratificou no dia seguinte à confirmação de sua eleição.


Até que ponto se chegou a uma situação limite no Brasil?

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Médico cubano escreve a Bolsonaro: “Aprenda o que é amor ao próximo e dignidade”

Primeiros médicos cubanos chegaram ao Brasil em 2013
Por Yonner González Infante no Nocaute

Eu respondo: Bolsonaro, meu filho, quando o Sr. diz que Cuba fica com meu salário eu só penso nas seguintes questões:

1-Eu aceitei os termos de um contrato por livre e pessoal determinação.

2-Ciente de que, com esse dinheiro, minha mãe, irmãos, sobrinhos, primos, tios , vizinhos, famílias todas tem garantido o cuidado de sua saúde. Sem pagar nada .

3a-Ciente de que minha formação como médico é graças à criação de universidades públicas em todo o território nacional. Onde filhos de pedreiros, advogados, fazendeiros, faxineiras, empregados dos correios, médicos, etc compartilham a mesma sala de aulas sem discriminação por sexo, cor, ideologia, ou riqueza. Isso, Bolsonaro, chama-se igualdade. Coisa que Sr. não conhece, porque não existe num país onde a corrupção e os privilégios políticos acabam com a riqueza do Brasil.

3b-Eu tenho o coragem de trabalhar para o povo brasileiro ainda sem perceber esse salário de que o Sr. fala. Porque eu não trabalho só por uma questão econômica. Eu trabalho porque gosto da minha profissão, por que jamais vou ficar rico às custas dos pobres. Porque jamais vou usar a política como meio de vida. Porque jamais vou enganar os pobres com falsas promessas. Porque jamais vou plantar o ódio e discriminação no coração de ninguém. Porque vou pensar bem as coisas antes de falar para não ter que fazer como você (pedir desculpas todos o dias pelas loucuras que fala).

4-Eu posso sim trazer alguém de minha família. Não trouxe porque, Sr. Bolsonaro, o pobre tem que ter prioridades na vida e para mim a prioridade é ajudar minha família, mais que comprar um passagem aérea sabendo que em casa temos outras necessidades e prioridades.
Yonner González Infante atendendo no "Mais Médicos" | Reprodução Facebook

sábado, 17 de novembro de 2018

Quer saber como Jair Bolsonaro mente e manipula pra enganar você sobre o Mais Médicos?

Médicos cubanos estão em 67 países | Foto: Sandman998 
Por Thiago Silva no VioMundo

Cuba faz cooperação com 66 países em todo o globo, inclusive europeus. Sabe como isso começou?

Com a brigada Henry Reeve, criada em 2005, como forma de ajuda humanitária pra atender as vítimas do Furacão Katrina nos EUA.

Fidel chamou centenas de médicos e pediu que se organizasse a brigada. EUA negaram a ajuda.

A brigada permaneceu mobilizada pois em pouco tempo haveria a crise em Angola e terremoto no Paquistão.

Na maioria dos países que faz parceria, Cuba envia médicos e medicamentos de graça, sem cobrar dos países.

Isso aconteceu em Angola, no Nepal, Haiti, Congo, e tantos outros países pobres do mundo.

Quem arcava com os custos? O próprio governo cubano.

E como o governo cubano fazia, já que é vítima de um bloqueio econômico há décadas, uma ilha pequena do Caribe que não consegue nem produzir a própria energia, pelas características de seu território?

Alguns países começaram a oferecer trocas pela Força de Médicos. A Venezuela ofereceu petróleo.

Alguns países europeus começaram a pagar mesmo diretamente pro governo Cubano. E essa parceria virou uma fonte de renda pra ilha, com impacto em suas contas públicas, dado o volume de médicos atuando no mundo todo.

E como funciona o pagamento?

Cuba abre edital via uma empresa estatal para contratar os médicos. Eles podem se oferecer ou não.

As condições salariais e os países são conhecidos previamente por todos antes de assinarem contrato. Contrato, conhecem? Pois é.
Cuba é referência mundial em saúde pública | Foto: José Guimarães
A maior parte do “salário” pago fica com o governo cubano? Sim e não.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Entidades e organizações sociais brasileiras: Aos médicos cubanos e a Cuba, nossa eterna gratidão!

Durante 5 anos, 20 mil médicos cubanos atenderam aproximadamente 113,5 milhões de pacientes em 3,6 mil municípios (700 deles com acesso a médicos pela 1°vez), cuja cobertura atingiu mais de 60 milhões de brasileiros.
Obrigado médico cubano | Charge: @DanielPxeira
Por Sturt Silva

Algumas entidades brasileiras, como o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e a Frente Nacional de Prefeitos (FNP), condenaram as atitudes do novo governo brasileiro que resultaram no fim da cooperação entre Cuba e Brasil no programa Mais Médicos. Outras organizações, como a Rede de Médicos Populares, os Médicos pela Democracia, o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) e o Partido dos Trabalhadores (PT), agradeceram a Cuba e aos médicos cubanos pelos serviços prestados no Brasil e também repudiaram as agressões do presidente recém-eleito.


Leia algumas notas:

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Médicos cubanos não fazem mais parte do "Mais Médicos": leia nota de Cuba

Primeiros médicos cubanos chegaram em 2013 no Brasil | Foto: Ministério da Saúde
Leia íntegra de comunicado do Ministério da Saúde de Cuba sobre saída do Mais Médicos:

Declaração do Ministério da Saúde Pública O Ministério da Saúde Pública da República de Cuba, comprometido com os princípios de solidariedade e humanistas que nortearam a cooperação médica cubana por 55 anos, está envolvido desde a sua criação, em agosto de 2013, no Programa Mais Médicos para o Brasil. A iniciativa de Dilma Rousseff, na época presidenta da República Federativa do Brasil, tinha o nobre propósito de garantir atendimento médico para o maior número da população brasileira, em consonância com o princípio da cobertura universal da saúde, promovida pela Organização Mundial da Saúde.

Esse programa previu a presença de médicos brasileiros e estrangeiros para trabalharem em áreas pobres e remotas daquele país.

A participação cubana na mesma é feita através da Organização Pan-Americana da Saúde e se distinguiu pela ocupação de vagas não cobertas por médicos brasileiros ou de outras nacionalidades.

Nestes cinco anos de trabalho, cerca de 20 mil colaboradores cubanos atenderam 113,3 milhões de pacientes (113.359.000) em mais de 3.600 municípios, chegando a ser atingidos por eles um universo de 60 milhões de brasileiros, constituindo 80% de todos os médicos participantes do programa. Mais de 700 municípios tiveram um médico pela primeira vez na história.

O trabalho dos médicos cubanos em locais de extrema pobreza, nas favelas do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador de Bahia, nos 34 Distritos Especiais Indígenas, especialmente na Amazônia, foi amplamente reconhecido pelos governos federal, estaduais e municipais daquele país e pela sua população, que concedeu 95% de aceitação, segundo um estudo encomendado pelo Ministério da Saúde do Brasil à Universidade Federal de Minas Gerais.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

A nova constituição de Cuba: ampliação de direitos e manutenção do caráter socialista da Revolução


Por Frei Betto no Le Monde Diplomatique

Cuba se prepara para aprovar uma nova Constituição que trará importantes novidades ao país, como mudanças importantes na estrutura do Estado, entre as quais maior autonomia aos municípios, novas formas de economia mista e o reconhecimento da união homoafetiva. A atual Constituição foi aprovada em 1976 e revela forte influência das Cartas Magnas dos países socialistas do Leste europeu, em especial da União Soviética. Agora, ampla mobilização nacional promove nova reforma constitucional. No momento em que escrevo, novembro de 2018, o anteprojeto está sendo submetido à consulta popular e, em seguida, será referendado pela população mediante voto livre, direto e secreto.

Com a queda do Muro de Berlim, em 1989, a Constituição cubana sofreu importante reforma em 1992, quando, por exemplo, se retirou o caráter ateu do Estado para introduzir o caráter laico. Fez-se ainda pequena reforma em 2002, ao blindar o caráter socialista da Revolução.

Diante das teses aprovadas no VI Congresso do Partido Comunista de Cuba, em 2011, ocorreram mudanças no modelo econômico, o que suscitou a necessidade de nova reforma da Constituição.

Em maio de 2013, o Birô Político criou o Grupo de Trabalho, presidido por Raúl Castro, para debater o aprimoramento institucional do país. Durante um ano o grupo preparou as bases do atual processo de reforma, aprovadas em junho de 2014. Analisaram-se os impactos de ordem jurídica nas reformas ocorridas no Vietnam e na China. Levaram-se em conta também as reformas constitucionais de Venezuela, Bolívia e Equador.

O resultado desses estudos foram analisados, em fevereiro deste ano, pelo Birô Político e, um mês depois, pelo Comitê Central do Partido. Em seguida, o Conselho de Estado, órgão de representação permanente da Assembleia Nacional do Poder Popular (equivalente ao nosso Congresso Nacional), convocou sessão extraordinária para dar início ao processo de reforma, o que aconteceu em dia 2 de junho. O parlamento instituiu a comissão encarregada de preparar o novo projeto constitucional. Um mês depois, um esboço foi submetido à Assembleia Nacional, que recolheu diversas críticas e propostas. A população acompanhou os debates por TV e outros meios de comunicação. O parlamento decidiu, então, submeter o texto à consulta popular, de modo a enriquecê-lo com a participação direta do povo, incluídos cidadãos cubanos residentes no exterior.

O que se debate agora em todo o país não é uma reforma do texto constitucional vigente, mas a aprovação de um novo texto que visa a introduzir mudanças profundas na estrutura do Estado e ampliar o leque de direitos de cidadania, sem prejuízo do caráter socialista da Revolução.

O texto propositivo contém 224 artigos (87 a mais do que o vigente); são modificados 113 artigos da atual Constituição; mantidos 11; e eliminados 13.

Não se convocou uma Assembleia Constituinte por respeito à cláusula que assegura à Assembleia Nacional função constituinte.

Inovações

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Vamos pra Cuba: Brigada 1º de Maio com inscrições abertas até 29 de março

XIV Brigada Internacional 1º de Maio |  22 de abril - 5 de maio [2019]
Desfile na Praça da Revolução - em Havana - 2018 | Foto: Irene Pérez/Cubadebate
Por Sturt Silva

Que ir ao único país socialista das Américas e conhecer a realidade de seu povo? Então o momento pode ser agora. 

Trata-se da Brigada Internacional 1º de Maio de trabalho voluntário e solidariedade com Cuba, onde pessoas de vários países vão a Cuba com objetivo de conhecer melhor a realidade do povo cubano. Os brigadistas participarão do desfile de 1º de maio na Praça da Revolução, em Havana, com centenas de milhares de trabalhadores cubanos.

A brigada que chegará a sua XIV edição em 2019, homenageará os heróis e mártires do processo libertador e emancipador cubano nos seus 60 anos de Revolução. 

Os participantes ficarão 14 dias na ilha e realizarão jornadas de trabalho voluntário, visitarão lugares de interesse social e histórico, receberão conferências sobre temas da atualidade e terão contato com representantes de organizações sociais, políticas e sindicais, como a CTC - Central dos Trabalhadores Cubanos - que está fazendo 80 anos de fundação.

Assista: brigada de 2018 na Praça da Revolução:

A brigada, que é organizada pelo Instituto Cubano de Amizade com os Povos - ICAP - e por sua agência de viagens (Amistur Cuba S.A), acontecerá entre os dias 21 de abril e 5 maio e terão atividades em 4 províncias cubanas: Havana, Artemisa, Villa Clara e Sancti Spiritus.

Os participantes hospedarão no Acampamento Internacional “Julio Antonio Mella”-CIJAM (10 noites), localizado no Município de Caimito, a 40 km da cidade de Havana, e em um centro turístico (4 noites) da província de Sancti Spiritus.

O custo será de $ 551 CUC (aproximadamente US$ 633 dólares, já que a cotação do dólar em Cuba é fixa: 1 dólar vale 0,87 CUC. Hoje em reais daria mais ou menos R$ 2.437,00), que incluem alojamento no CIJAM, em locais específicos nas províncias onde haverá atividades, alimentação e transporte dentro de Cuba. Esse valor não cobre a passagem de avião a Cuba (ida e volta).

É mais vantajoso levar euros para Cuba. O dólar apesar do câmbio fixo é super taxado (diz que 1 dólar vale 1 CUC, porém acaba valendo 0,87 CUC). Já o euro, não. Hoje 100 euros valeria uns 113 CUC (câmbio é variável). Porém a cotação do euro no Brasil está muito acima do dólar. Ai vai depender se você tem euros ou dólares em casa, em qual cidade comprar ou em que época comprar.
Noites adicionais (15 CUC), assim como atividades fora do programa oficial, serão cobradas por fora pelo CIJAM, sendo que o mínimo de estadias para a brigada é de 10 noites. Também é necessário ter seguro médico com cobertura em Cuba.  

Nas últimas edições a participação tem aumentando. Caso ultrapassar a capacidade máxima do alojamento - 220 pessoas -, serão oferecidas acomodações alternativas com condições similares e mesmo custo. 

As inscrições estarão abertas até 29 de março de 2019.

O interessado ao se inscrever deve informar nome completo, país de origem, datas, horários e números da chegada e saída dos voos em Cuba. 

Para se inscrever e maiores informações, entre em contato:

Dia do Trabalhador em Cuba - 2018 | Foto: Leysi Rubio/Cubadebate

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Mostra de cinema cubano será realizada em Manaus

Cine Teatro Guarany fica na Avenida 7 Setembro, centro de Manaus | Arte: Consulado de Cuba
Por Sturt Silva

Com intuito de celebrar os 150 anos do hino nacional de Cuba e a cultura cubana, o Consulado de Cuba em Manaus e a Secretaria de Cultura do Estado do Amazonas organizam mostra de cinema cubano no Cine Teatro Gurany entre os dias 6 e 8 de novembro. 

No primeiro dia da mostra será exibido "A Bela de Alhambra" (1989). Dirigido por Enrique Pineda Barnet o longa é baseada no romance "Canção de Rachel!" de Miguel Barnet. No segundo dia o público irá assistir "Cidade em Vermelho" (2009) de Rebeca Chávez. Tendo como tema central a violência, a diretoria faz uma releitura das personagens do romance "Bertillón 166" e da história de Santiago de Cuba. Já no último dia da mostra o filme exibido será "Deus Quebrados" (2008) de Ernesto Daranas. A obra foi selecionada para concorrer ao Oscar como melhor filme estrangeiro em 20010. Depois da exibição do longa ocorrerá degustação de comidas cubanas. 

Segundo o Cônsul Geral de Cuba na região Norte, Turcios López, Cuba celebra o dia nacional da cultural em 20 de outubro e esse ano o país está comemorando os 150 anos da primeira vez que cantou o hino nacional. A mostra de cinema encerra uma série de atividades comemorativas que vêm sendo realizadas no Brasil como a do último dia 20 de outubro que aconteceu em Porto Velho (RO).

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Pela 27ª vez consecutiva ONU condena bloqueio dos EUA contra Cuba

Todos a favor da resolução da ONU contra o bloqueio; EUA e Israel contra e Ucrânia e Moldávia não foram votar | Arte: Cuba Debate
Do Opera Mundi

A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta quinta-feira (01/11) uma resolução que pede o fim do bloqueio econômico dos Estados Unidos contra Cuba, vigente desde os anos 1960.

Por 189 votos a favor e 2 contra, a resolução foi discutida e aprovada pela 27ª vez consecutiva. Votaram contra EUA e Israel, e não houve abstenções. A Ucrânia e Moldávia não votaram, tampouco se abstiveram, de forma que não entram na contagem. Todas as emendas à resolução que haviam sido apresentadas pelos EUA foram rejeitadas. O Brasil votou a favor do texto.

Em 2017, 191 dos 193 estados-membros haviam votado pelo fim do bloqueio. Em 2016, último ano do governo do democrata Barack Obama, os Estados Unidos, que estavam em rota de reaproximação com Havana, se abstiveram e não houve votos contra a resolução.

Em seu pronunciamento (leia abaixo), o embaixador cubano na ONU, Bruno Rodríguez, afirmou que a continuidade do bloqueio é uma "violação flagrante" contra a ilha. "O bloqueio constitui uma violação flagrante, massiva e sistemática dos direitos humanos das cubanas e dos cubanos e tem sido um impedimento essencial para as aspirações de bem-estar e prosperidade de várias gerações", disse.

Assista ao discuso:


O chanceler ainda destacou que "o bloqueio continua sendo o obstáculo fundamental do desenvolvimento cubano" e que ameaça a liberdade das nações. "É um ato de agressão e de guerra econômica", afirmou. "O governo dos EUA não tem a menor autoridade moral para criticar Cuba nem nada sobre a matéria de direitos humanos. Rechaçamos a reiterada manipulação deles com fins políticos", concluiu Rodríguez. 

A atual embaixadora norte-americana na ONU, Nikki Haley, afirmou que o órgão "não pode colocar fim ao bloqueio a Cuba", mas poderia "enviar uma mensagem" ao país e condenar supostas "violações de direitos humanos".

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