sábado, 1 de setembro de 2012

Brasil reafirma apoio à modernização de Cuba para atenuar o bloqueio dos Estados Unidos

Havana – O Brasil ratificou esta semana seu apoio à modernização econômica de Cuba durante a visita à Ilha de seu ministro de Desenvolvimento, Fernando Pimentel, que se reuniu com o presidente Raúl Castro e conheceu pessoalmente o milionário projeto para ampliar o porto de Mariel com inversão brasileira.

“Aqui se está fazendo um grande esforço, que não é fácil, de atualizar o modelo e trazer mudanças que eles mesmos reconhecem ser necessárias para estimular a economia e o Brasil busca ajudar em todo esse esforço de modernização”, disse hoje numa entrevista à agência Efe o embaixador brasileiro em Havana, José Felício.

Segundo o diplomata, durante a visita de Pimentel, as partes expressaram também sua intenção de estabelecer “um programa de cooperação na área econômico-comercial” para “os próximos 4 ou 5 anos” em setores como saúde e agricultura.


Entre os campos explorados estão o envio de médicos cubanos a zonas remotas do Brasil e a transferência de tecnologia por parte de Cuba para a produção de medicamentos que não se produzem na nação sul-americana.

Em troca, os brasileiros podem oferecer assessoramento na rotação dos cultivos de milho e soja e na gestão do açúcar com co-geração de energia, entre outros campos.

“Toda a América Latina tem juma posição unânime em relação ao bloqueio dos Estados Unidos a Cuba e a maneira de ajudar a reduzir os prejuízos desse bloqueio é com apoio econômico e financeiro”, argumentou Felício.

O ministro Pimentel deu seguimento à agenda marcada em janeiro passado pela presidenta Dilma Rousseff em sua primeira visita ao país caribenho.

A ampliação do terminal portuário de Mariel gerará 3.600 empregos diretos e 1960 indiretos e é considerada pelas autoridades de Cuba como uma “obra emblemática” da colaboração bilateral.

O Brasil tem comprometido nesse projeto 682 milhões de dólares dos 957 milhões totais do investimento global.

A obra é realizada pela construtora brasileira Odebrecht através de uma subsidiária cubana e sua conclusão está prevista para 2013.

A iniciativa vai mais além da mera construção do porto cujo regime de funcionamento está sendo definido atualmente em Havana.

O objetivo, ademais de dar a Cuba uma moderna porta de saída marítima, é que indústrias brasileiras se instalem na Ilha, produzam seus bens ali, aproveitando as vantagens que a mão de obra qualificada local oferece, e em seguida os exportem.

Também se analisa incorporar ao projeto um aspecto logístico, que poderia estabelecer em Mariel um centro de recepção de mercadorias em que se melhorasse seu conteúdo e apresentação com vistas a vendê-las para outros mercados.

O porto será um ‘hub’ (centro nevrálgico) muito importante para receber barcos grandes, ou do Atlântico, ou que venham pelo Canal do Panamá e que a partir de Cuba possam reexportar para o Caribe e eventualmente para os Estados Unidos se o bloqueio em algum momento acabe.

Apesar de construí-lo o Brasil não o administrará. A tarefa recairá em mãos da empresa Singapur PSA, que “por sua experiência reúne condições de trazer carga à Ilha e poder levá-la à América Central” explicou o diplomata.

Prevê-se que a ampliação de Mariel permita, outrossim, que o porto comercial de Havana se dedique exclusivamente ao turismo de cruzeiros.

O intercâmbio comercial entre Brasil e Cuba chegou em 2011 à cifra recorde de 560 milhões de dólares, dos quais apenas 96 milhões correspondem a exportações cubanas.

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