segunda-feira, 5 de março de 2012

Frei Betto: O Papa em Cuba

Via O Dia Online

Para desgosto e fracasso das pressões diplomáticas da Casa Branca, o Papa Bento XVI chega a Cuba dia 26 de março. Fica três dias na Ilha, após passar pelo México. A 28 de março, celebra missa na Praça da Revolução, em Havana. Bento XVI celebrará os 400 anos da aparição da Virgem da Caridade do Cobre.

Em 1998, após João Paulo II encerrar sua visita a Cuba, participei de almoço oferecido por Fidel a um grupo de teólogos. Um italiano manifestou indignação pelo fato de o Papa presentear a Virgem da Caridade com uma coroa de ouro.

Fidel reagiu: “A Virgem do Cobre não é apenas padroeira dos católicos de Cuba. É padroeira da nação cubana.”

O papa chega a Cuba no momento em que o país passa por mudanças, sem abandonar o projeto socialista. Há um processo de desestatização, abertura à iniciativa privada, e mais de 2 mil prisioneiros foram soltos nos últimos meses.

Hoje, as relações entre governo e Igreja Católica são excelentes. Vaticano e bispos cubanos são contrários ao bloqueio que os EUA impõem à Ilha. Pode-se discordar de muitos aspectos do socialismo daquele país, mas ninguém jamais viu a foto de uma criança cubana jogada na rua, famílias debaixo da ponte e máfias de drogas. Em Havana, um outdoor exibe a foto de um menino sorridente e esta frase abaixo: “Esta noite 200 milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma delas é cubana”.

A Revolução Cubana resiste há 54 anos, malgrado os atos terroristas contra aquele país, e o fato de suportar, no seu litoral, a base estadunidense em Guantánamo, que lhe rouba parte do território, para utilizá-lo como cárcere de supostos terroristas sequestrados mundo afora.

Quem sabe a resistência cubana seja mais um milagre da Virgem da Caridade...

Frei Betto é escritor, autor de ‘Sinfonia Universal’

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