terça-feira, 6 de março de 2012

Experiências em Cuba 6


Sexto dia em Cuba


Acordamos cedo como de costume, tomamos o mesmo ótimo café da manhã dos outros dias e fomos para a programação dos trabalhos do dia. Logo perto do hotel tem uma praça com um monumento em homenagem ao “El Vaquerito”, um dos grandes cubanos que lutaram na guerra da Revolução, mas caiu um dia antes do grande triunfo. 



Um historiador e escritor – que já escreveu um livro sobre a história Vaquerito – fez uma síntese do mesmo contando como chegou a Sierra Maestra, descalço, pois perderá no caminho pela mata e graças a sua lábia chegou até Fidel que após conhecê-lo o deixou como mensageiro e depois com Che virou linha de frente. Ele não tinha medo das balas e fazia uma espécie de dança quando enfrentava os tiros dos adversários. E numa dessas, em Santa Clara um dia antes da vitória da guerra, foi atingindo na cabeça e não resistiu. Ao saber da morte de Vaquerito, Che disse “mataram-me cem homens”. Além do historiador estavam presentes delegados (vereadores) e dirigentes do Partido Comunista Cubano, da cidade.


Depois fomos numa igreja e a madre era brasileira e vive há 20 anos em Cuba. Ela reconheceu que por um tempo a Igreja foi proibida em Cuba, mas porque houve diversos movimentos de bispos do mundo inteiro contra a Revolução. Contra a madre fica a versão com os factos em que padres e bispos em Cuba falavam que a Revolução e os comunistas tirariam as crianças para fazerem o que quiserem, inclusive servirem de comida para os soviéticos que passavam fome (daí surgiu o mito que comunista come criançinha). Não teria como Cuba seguir com boas amizades com gente desse tipo que faz de tudo para não perder o poder para o povo. Ainda nessa Igreja soube que foi usada pelo Exército Revolucionário durante o combate contra Batista e o telhado era usado como trincheira. 

 Agora um dos clímax da viagem, a visita a escola e sempre que lembro fico emocionado. Fomos recebidos por um grupo de crianças, todas uniformizadas e fizeram apresentações de música, teatro e dança com ballet (a cada apresentação os trajes eram apropriados).

Ficamos livre pela escola e pudemos ver as aulas. A disciplina é muito rigorosa e todos tratam o professor como mestre. Ao contrário do Brasil as crianças são incentivadas a participarem da aula e não calarem a boca, mas sempre com muita disciplina e sem aquela baderna de costume pra quem conhece as nossas escolas públicas. Desde a primeira série as crianças podem escolher aulas de dança, teatro, música, xadrez, leitura, etc. É assim desde 1960 e isso explica porque Cuba é considerada um berço cultural, esportivo, educacional e medicinal no mundo inteiro.

Todas as salas tinham seu próprio material audiovisual (TV e DVD) e são usadas também para passar o noticiário aos alunos e discutirem o que foi visto. Fiquei muito feliz, mas triste pelo Brasil afinal nosso país é muito mais rico e deveria dar uma condição no mínimo do mesmo nível que eu vi em Cuba. As crianças que estavam fazendo educação física usavam roupas trazidas de casa e tênis esportivo. Não vi nenhuma criança descalça ou com roupa rasgada. Até vi camisas de times italianos usadas pelos pequenos cubanos. 

Além de tudo isso, com o período da escola integral, as crianças fazem três refeições por dia na escola. Parte da comida é produzida pelos próprios alunos que tem uma grande orta nos fundos da escola e assim é em todo o país. Lembrando que essa escola é do interior de Cuba, há quase 500km de distância e até pensei que teria poucos recursos, mas fui surpreendido por tudo estar na mais perfeita conservação e com equipamentos novos.
Depois de tanta emoção que até me levou as lagrimas, voltamos ao hotel para curtir mais um grande almoço com o cardápio que já descrevi e tirei a tarde para dormir e refletir tudo que estava vivenciando. A noite após o jantar curtimos um show ao vivo por um músico local tocando violão e claro, regado a rum e charuto.

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