segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A Escola de Cinema de Cuba: em busca da gratuidade perdida.


Fonte: R7
Instituição foi criada há 25 anos por Fidel Castro e Gabriel Garcia Marquez
Em meio às palmeiras da campanha cubana, uma centena de estudantes vindos de vários países aprendem cinema numa escola criada há 25 anos por Fidel Castro e o prêmio Nobel de literatura Gabriel Garcia Marquez, e que se esforça para reencontrar a gratuidade perdida.

O novo diretor da EICTV (Escola Internacional de Cinema e Televisão), o guatemalteco Rafael Rosal quer aproveitar o 25º aniversário, no dia 15 de dezembro, em pleno festival de cinema de Havana, para promover um fundo internacional que permitiria aos estudantes não pagar pelos três anos de estudos.


"Em meados dos anos 90, quando Cuba introduziu um 'período especial', em seguida à queda do bloco soviético, foi preciso começar a cobrar dos alunos e isso modificou o perfil do estabelecimento", lamenta Rafael Rosal, ele mesmo diplomado na escola, na época em que Cuba assumia todas as despesas.

A EICTV possui 120 estudantes que pagam uma inscrição anual de R$ 11.800 (5.000 euros). Mas as outras grandes escolas internacionais cubanas, como a ELAM (Latino-Americana de Medicina) e a Escola internacional de Educação Física e Desportes, reservadas aos estrangeiros, são gratuitas.

Enquanto o novo diretor afina seu projeto, os estudantes se mobilizam, em San Antonio de los Baños, a 30 km a sudoeste de Havana.

"Quero ser roteirista", afirma com convicção à AFP Mauricio Quiros, um costa-riquenho de 29 anos que deixou o surf e a música para satisfazer sua outra paixão. Atrás dele, nos muros, aparecem os autógrafos dos professores mais célebres, que passaram pela escola, de Francis Ford Coppola a Steven Spielberg.

"Eu estou me especializando em sonorização", explica Stefan Voglsinger, um austríaco de 25 anos, que revê um vídeo realizado junto com Florian Kunert, um alemão de 22 anos que pretende se dedicar a documentários.

A seu lado, a jornalista chilena Lisette Sobarzo veio aprender sobre a organização de festivais de cinema.

"Um dos aspectos que fazem com que a escola seja única no gênero, é o fato de seus professores serem todos profissionais, cineastas em atividade que dedicam a ela duas ou três semanas por ano", comenta Rafael Rosal.

"Temos, provavelmente, o maior corpo docente de todas as escolas de cinema, chegando a 400 professores por ano, o que faz do estabelecimento um centro muito especial", acrescenta.

Apesar da forte demanda, as vagas são limitadas. A cada ano, a escola recebe 42 novos estudantes em suas seis especialidades: a realização de filmes de ficção e documentários, além de roteiro, produção, fotografia, som e montagem. Em 2012, seu número passará a 48 novos alunos, com a introdução de um novo programa dedicado à mídia e às novas tenologias.

Outro aspecto único da escola: ela produz em seus 40 hectares todos os legumes que são aí consumidos por estudantes, professores e 300 empregados.

A escola foi construída na campanha porque "Fidel Castro e Garcia Marquez diziam que seria melhor para os estudantes, conta Rafael Rosal.

Apesar dos esforços, a verdade é que precisa de dinheiro. "Temos um orçamento de 3,5 a 4 milhões de dólares, o que é pouco para o que fazemos", explica o novo diretor que sonha em arrecadar 50 milhões de dólares de dotação, através de um fundo internacional.

"A escola é para os que têm talento, mas que não têm os meios", insiste.

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