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quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Filme mostra Silvio Rodríguez combatendo o analfabetismo em Cuba [assista]

Silvio Rodríguez ensinou soldados e camponeses a ler e escrever | Foto: La Arena

Por Lucas Estanislau no Opera Mundi 

"Cuba! Cuba! Estudo, trabalho e fuzil! Lápis, caderno, palavra, alfabetizar, alfabetizar!". Era o que cantavam os membros da Brigada Conrado Benítez de Alfabetização, programa criado pelo governo revolucionário cubano em 1961, dois anos após o triunfo da Revolução liderada por Fidel Castro. 

Junto deles, um garoto de 14 anos, que saía pela primeira vez de sua cidade natal, Havana, partia para os rincões afastados do país para ensinar camponeses pobres e esquecidos pela ditadura de Batista a ler e escrever. Esse garoto era Silvio Rodríguez, cantor e compositor que se tornaria um dos mais famosos expoentes da chamada Nova Canção Cubana no final dos anos 1960.

A história de como um dos maiores artistas da América Latina passou um ano de sua adolescência alfabetizando em nome da Revolução é contada no documentário "Silvio Rodríguez: Mi Primera Tarea" (Silvio Rodríguez: Minha Primeira Tarefa). 

Dirigido pela norte-americana Catherine Murphy, o curta metragem de 25 minutos traz entrevistas com o cantor e recupera imagens de arquivo para percorrer a trajetória do programa que fez de Cuba o primeiro país livre de analfabetismo da América Latina. O nome do filme é dado pelo próprio artista, que reconhece em sua participação nas brigadas de alfabetização a inauguração de sua atividade social.

Minha primeira ideia era ir à Sierra Maestra. Os jovens, como eu, tínhamos a imagem da epopeia de Sierra Maestra muito fresca em nossas mentes. Era algo que todos queríamos imitar, não libertando o país com uma luta armada, mas libertando nosso país das correntes do analfabetismo", conta o compositor, em referência às montanhas onde os guerrilheiros do Movimento 26 de Julho iniciaram a luta pela libertação nacional.

O pedido do governo era que jovens secundaristas se voluntariassem nas brigadas para, então, serem deslocados a zonas afastadas com alta incidência de analfabetismo. O adolescente, que anos mais tarde escreveria sucessos que se tornariam hinos da Revolução cubana como "El Necio", "Playa Girón" e "Sueño con Serpientes", serviu seu país na zona montanhosa de Escambray, a cerca de 300 km de Havana, em uma fazenda próximo à praia Rancho Luna. "Não havia um jovem naquele período que não quisesse fazer parte do projeto", diz o cantor.

"Alfabetizei o batalhão 339 de Cienfuegos, formado por operários e camponeses", lembra Silvio. Os soldados a quem se refere o compositor estavam então mobilizados para combater os diversos focos contrarrevolucionários presentes na ilha, principalmente após a invasão frustrada de Playa Girón, encomendada pelos Estados Unidos. 

"De fato, por aqueles dias, muito pouco tempo depois de chegarmos naquela região, mataram um alfabetizador, que só tinha um ou dois anos a mais que eu, chamado Manuel Ascunse Domenech", diz. 

Depois do tempo entre combatentes, Silvio foi morar com uma família de camponeses na mesma região e ali diz que "viu o que era a verdadeira pobreza da Cuba do passado".

"Me lembro de algo que me emocionou muito, durante uma conversa com essa família, me dei conta de que eles não sabiam que a Terra era redonda. Como ensiná-los a ler se nem tinham noção do lugar onde viviam?", lembra o cantor. 

Como membro das brigadas de alfabetização, Rodríguez diz que não ensinava simplesmente o alfabeto, mas transmitia noções básica da vida, ao mesmo tempo em que aprendia "tanto quanto eles". 

Em "Silvio Rodríguez: Mi Primera Tarefa" está presente não só um pequeno retrato de uma das muitas transformações estruturais trazidas pela Revolução socialista em Cuba, como também as histórias da primeira missão revolucionária cumprida por um dos maiores artistas da América Latina. 

O filme pode ser assistido abaixo, com áudio original em espanhol e legendas em português (Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba). 


Edição: Sturt Silva/Blog Solidários a Cuba.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

1 ano das relações Cuba-EUA: "não renunciamos ao socialismo", diz cantor Silvio Rodríguez

Na última quinta-feira (17) completou-se um ano da reaproximação entre EUA e Cuba. Abaixo postamos entrevista com Silvio Rodrígues sobre o reatamento dos cubanos com EUA e de como isso tem afetado a cultura, a música e os acontecimentos em Cuba

Silvio Rodríguez. Foto: El Telégrafo 
Por Fernando Ravsberg no site Publico. Tradução: Inês Castilho/Outras Palavras.

“Cabe perguntar-se o que pode significar para Cuba sair do bloqueio e cair nas mãos do FMI. Seja como for, há que ser muito valente para declarar que não renunciamos ao socialismo”, é o que diz o cantor Silvio Rodríguez que, com mais de 40 anos de carreira, é hoje um dos nomes mais importantes da cena cultural cubana. Anunciada há um ano, em 17 de dezembro de 2014, a reaproximação entre Cuba e os Estados Unidos gera ampla discussão dentro e fora da ilha comunista.

Em entrevista ao site espanhol Publico, Rodríguez comenta a aproximação dos Estados Unidos a seu país. No âmbito cultural, ele ressalta que “sempre houve intercâmbio com os Estados Unidos em nível cultural. Criar condições para que esse intercâmbio se amplie será como levantar barreiras para que tudo flua com mais naturalidade” e ressalta: “Não se pode subestimar a centelha dos cubanos. Basta ver o crescimento vertiginoso dos restaurantes e outros serviços. Se chegar a Cuba, não duvido que o McDonald’s acabe vendendo pão com carne de porco”.

Quanto à Revolução Cubana, da qual participou ativamente, Silvio Rodríguez considera que “foi uma realidade imensa, reconhecida com um legado inquestionável. Fui uma partícula desse turbilhão o tempo todo. Não duvido que haja outra revolução no futuro. Mas, até que chegue esse momento extraordinário, o que nos cabe é evoluir”.

Confira a íntegra da entrevista:

A aproximação de Cuba e Estados Unidos abre muitas possibilidades, mas também representa desafios para a cultura cubana.

Sempre houve intercâmbio com os Estados Unidos em nível cultural. Criar condições para que esse intercâmbio se amplie será como levantar barreiras para que tudo flua com mais naturalidade. Se há algo frustrante, não é porque o contato seja negativo, mas porque a ilusão das pessoas propensas a deslumbrar-se acriticamente poderia aumentar. Digamos que o mimetismo pode tornar-se ainda mais pedestre, se é que isso é possível.

Cuba é também uma potência cultural, mas sem o poder econômico da cultura estadunidense. Você não teme que a cultura cubana se veja obrigada a “passar pelo aro” para acessar o mercado dos Estados Unidos?

Público no concerto gratuito do cantor cubano Silvio Rodríguez na inauguração da Cúpula dos Povos - Universidade do Panamá, 09 de abril de 2015

sábado, 16 de agosto de 2014

"Te Doy una Canción" de Silvio Rodríguez: uma seleção das mais belas canções do trovador


Da Diálagos do Sul

Silvio Rodríguez Domínguez (San Antonio de Los Baños, 29 de novembro de 1946) é um músico, poeta e cantor cubano. Expoente da música cubana surgida com a Revolução Cubana, Silvio é um dos cantores cubanos contemporâneos de maior relevo internacional, criador juntamente com Pablo Milanés, Noel Nicola, Vicente Feliú e outros músicos do movimento da Nova Trova Cubana. Considerado um poeta lúcido e inteligente, capaz de sintetizar o intimismo e os temas universais com a mobilização e a consciência social.

Neste post dos Diálogos Musicais apresentamos o álbum “Te Doy Una Canción”, uma seleção de algumas de suas mais belas e populares canções. Editado em 1975, o disco conta com duas novas edições de “Santiago de Chile” e “Dias e Flores” que haviam sido anteriormente censuradas.


quinta-feira, 26 de julho de 2012

Te doy una canción: viva o 59° aniversário de Moncada

Por Mauro Iasi na Boitempo

Martí me habló de la amistad
y creo en él cada día,
aunque la cruda economía
ha dado luz a otra verdad.

Silvio Rodríguez

No dia 26 de julho de 1953 acontecia o Assalto ao Quartel Moncada que dava início à Revolução Cubana. Muito já se falou desta incrível experiência e muitas são as preocupações que cercam o atual momento e as perspectivas desta Ilha revolucionária (ver, por exemplo o artigo Três originalidades e um velho caminho, na revista eletrônica Múltiplas Leituras, v. 2, n.2, 2009). Hoje quero tratá-la de uma maneira diferente.

Evidente que todos nos? preocupamos com a situação atual e sabemos que as experiências históricas, por mais valorosas que sejam, não dependem apenas da disposição moral e da decisão política de resistir. Mas falemos um pouco disso, da disposição de seguir em frente, da arte de resistir.

Silvio Rodriguez, compositor cubano e um dos protagonistas do movimento chamado “Nova Trova”, tem sido uma voz poética e lúcida desta resistência. Em uma musica chamada “El Necio”, Silvio diz:

terça-feira, 17 de abril de 2012

Praia Girón: símbolo da luta anti-imperialista

Outdoor em Cuba: Girón: primeira derrota do imperialismo ianque na América Latina | Foto: Wikimedia 

Por Maria do Carmo Luiz Caldas Leite

Depois do triunfo da Revolução, em 1959, nenhum outro fato marcou tão intensamente a história de Cuba, como a batalha de Playa Girón. Organizada pela CIA, a operação começou a 14 de Abril de 1961, com a chegada dos barcos da brigada 2.506, armada e treinada na Nicarágua e na Guatemala.

No dia 15, seis bombardeiros B-26, com as cores da Força Aérea cubana tentaram destruir a pequena aviação revolucionária. Na tarde de 16, durante os funerais das sete vítimas destes ataques aéreos, Fidel, então com 34 anos, afirmou publicamente o caráter socialista da Revolução:

"O que os imperialistas não podem perdoar-nos, é que nós tenhamos feito uma revolução socialista, debaixo do nariz dos Estados Unidos".

Os invasores, apoiados pelos serviços secretos norte-americanos, de 17 a 19 de Abril, atingiram as praias da Baía dos Porcos, a 200 quilômetros de Havana. A três milhas da costa, uma esquadra, que incluía porta-aviões e infantaria de marinha, analisava o desenvolvimento da contra-ofensiva revolucionária e dos invasores, permanecendo pronta a intervir. Naquela que foi a primeira grande derrota do imperialismo na América Latina, soldados e milicianos dominaram, em 72 horas, um contingente de 1.400 cubanos exilados, que tentavam retroceder a vitória do movimento 26 de Julio.