domingo, 28 de fevereiro de 2010

A mídia burguesa não pode pautar nossa agenda, nosso debate, nossa solidariedade a Cuba.


Caso de Zapata, nova agressão midiática contra Cuba.

Por Angeles Diez


A mídia declarou guerra contra Cuba, muito antes do triunfo da Revolução.


É bem conhecido nos meios acadêmicos e nos manuais de comunicação - o que se conta como uma anedota - que o grande magnata Randolph Hearst, dono do New York Journal, antes da eclosão da guerra hispanocubana, enviou um correspondente para Cuba e quando este pediu ao patrão para ir para casa porque não havia nenhuma guerra, o empresário respondeu: "Rogo que fique. Forneça ilustrações, eu fornecerei a guerra". A guerra terminou por ocorrer, claro, e desse período se conservam interessantes ilustrações da imprensa norte-americana, em que a Espanha e os seus políticos aparecem como sanguinários, comedores de crianças, malvados espanhóis. cujo único objetivo era exterminar o povo cubano.


Do final do século XIX até hoje houveram duas guerras mundiais e uma terceira guerra composta de dezenas de conflitos, alguns armados e outros menos armados e disfarçados, mas em constante atividade.


Em todos os casos, a mídia tem desempenhado um papel central, mas após a Primeira Guerra Mundial, as lições aprendidas pelos editorialistas norte-americanos, sobre a influência que é possível exercer sobre a opinião pública para que apóie uma intervenção armada, tornou-se parte substantiva da propaganda que apóia o capitalismo e as guerras contra todo aquele que se interponha em seu caminho (interesses nacionais, projetos emancipatórios, reformas sociais,...).


Lippman dirá em 1922, que os meios de comunicação são indispensáveis para que se possa dar a democracia (leia-se, capitalismo) e Bernays, que a propaganda moderna é esforço consistente e duradouro para criar ou moldar os acontecimentos, com o objetivo de influenciar as relações do público com uma empresa, idéia ou grupo.


Estas citações podem nos servir para situar e compreender a lógica dos recentes bombardeios midiáticos contra Cuba, as a morte de Orlando Zapata, que ao meu ver, lidas em clave de guerra, demonstram que somos nós mesmos e não só os cubanos que estão sendo bombardeados.


A eficácia do bombardeio ideológico aparece quando, da esquerda, que apóia e defende Cuba, nos sentimos terrivelmente interpelados pelas notícias da mídia; nos sentimos também acusados e em obrigação de responder ao golpe que, lançado sobre Cuba, nos impulsiona a nós mesmos querer pedir explicações aos cubanos. Como diria Bernays, se consegue influir sobre nossa relação com Cuba e, por extensão, sobre a própria utopia do socialismo.


Dado que o nosso conhecimento direto sobre o que acontece em Cuba é limitado e seu se trata de uma realidade complexa, e necessariamente contraditória, quando ocorre qualquer evento que a mídia considera noticiável, ao mesmo tempo em que nos dão as notícias, delimitam o debate e as suas regras. No caso recente, "os direitos humanos em Cuba" e "os dissidentes" (implicitamente presos políticos).


Para nós da esquerda que pensamos e confiamos que os direitos humanos sejam respeitados na ilha, torna-se uma urgência vital saber se foram respeitados ou não os direitos humanos do falecido; se as autoridades fizeram tudo o possível; se os meios de comunicação canalhas possuem ou não razão ao falar do desprezo das autoridades cubanas pela vida deste homem; e assim por diante. Precisamos de dados que nos façam sentir seguros no tabuleiro do jogo "verdade ou mentira"; e para continuar nossa missão como defensores de Cuba (indiretamente do socialismo, marcando Cuba como a realização "do socialismo na terra").


No entanto, se soubéssemos, por exemplo, que Zapata "se declarou em greve de fome, em 18 de dezembro de 2009, recusando-se receber assistência médica; que apesar disso foi transferido ao médico da prisão, logo ao Hospital Provincial de Camaguey, e após o Hospital Nacional de Presos de Havana; que se prestou todos os cuidados médicos necessários, incluindo terapia intermediária e intensiva, alimentação voluntária por via parenteral (intravenosa) e enteral (através de levin), e se garantiu todos os medicamentos e tratamentos necessários até seu falecimento; fatos reconhecidos por sua própria mãe"; que foi atendido com respiração atendida (ventilação mecânica) até a sua morte; nos sentiríamos mais seguros e confrontaríamos a propaganda midiática? Acho que não, apenas a nossa consciência seria aliviada ao saber que estamos no lado certo e que a mídia mente - algumas vezes descaradamente, outras ocultando dados, mas mentem -. Sem perceber, haveríamos aceitado, sem questionar, a régua de medir Cuba, que tão cara é para a mídia: "os direitos humanos". Nos colocaríamos, nos colocariam, no papel de guardiões do cumprimento e respeito dos direitos humanos, por parte do governo cubano. Situação ideal: que seja a esquerda que peça explicações a Cuba.


Não é de se esquecer que esta questão dos direitos humanos é um dos diversos temas graves em torno do qual se articula a agressão contra Cuba, e não é por acaso, desde 2003, quando Bush criou a "Comissão de Ajuda a uma Cuba Livre", que em 2004 destinou mais de US$ 59 milhões (por dois anos), e identificada como prioridade "a disseminação de informações no exterior (...) especialmente no que diz respeito aos direitos humanos e outros acontecimentos em Cuba". Se fizéssemos um maior acompanhamento sobre as campanhas midiáticas contra Cuba, comprovaríamos que esta é uma de suas armas ideológicas mais letais.


O outro tema importante que é repetido e repetido constantemente em toda a informação, notícia ou espetáculo que se pense em Cuba será os "dissidentes" (também identificados como uma prioridade nos informes da Comissão estadunidense, e em documentos sobre a posição comum européia). Aqui, novamente, com o caso Zapata, nos colocam na posição: Zapata era ou não um dissidente? Era um criminoso comum ou um prisioneiro realmente de "consciência"?


Do meu ponto de vista, esta é outra armadilha. Em geral, não costumamos cair nela, mas nos tranqüiliza encontramos argumentos que nos dizem que, efetivamente, "Zapata era um prisioneiro comum; que estava entre os 75 detidos em 2003; que foi preso em 2004 por desordem pública, desacato e resistência; que desde 1990 havia sido preso por perturbar a ordem, por dano, por ofensa, fraude e posse de arma branca; etc. E que, a partir de 2001, vincula-se a contrarevolução" (eu não gosto de usar o termo dissidência) e que, desde 2003, quando reentrou na prisão, agrediu funcionários, se recusou a comer a comida da prisão e apenas comia o que traziam seus familiares, e assim por diante. Esse registro nos ajudaria novamente restaurar a calma quando somos acusados de "amigos de Cuba", mas este não é o ponto.


O importante, creio, é ter claro como se maneja, desde fora e de dentro da guerra mídiaática, o tema da dissidência. O que interessa saber são os antecedentes da dissidência, sua construção como arma ideológica.


Primeiro, o que foi e continua sendo um dos objetivos prioritários da agressão: Criar uma dissidência real (objetiva), que possa levar a cabo ações contra a segurança do Estado (ações puníveis em todos os Estados de Direito, inclusive a nossa [Espanha]), uma dissidência interna que possa constituir a famosa "terceira via" - trata-se de uma estratégia manual -. Trabalham há anos para isso e o governo espanhol tem sido um colaborador imprescindível (especialmente no período PSOE anterior a Aznar, e agora se quer recuperar terreno, para quando os tempos mudarem em Cuba, estar em melhor posição, econômica e politicamente). Se aceitarmos a lógica "era ou não Zapata um dissidente", implicitamente reconhecemos que existe dissidência em Cuba, é dizer "prisioneiros de consciência" ou "presos políticos".


Portanto, nos obrigam a entrar no debate sobre se tratava ou não de um criminoso comum. Para o sistema de propaganda, não importa a resposta, uma vez que aceitamos, juntamente com o resto do público, que existem dissidentes "embora este não fosse". Além disso, o termo é especialmente útil para o reconhecimento implícito de que Cuba como uma "ditadura", porque, como todos sabem, os presos políticos existem apenas em ditaduras.


No caso de Cuba, Venezuela, Irã,..., devemos ter em mente que a guerra da mídia é parte de uma estratégia global para facilitar a intervenção militar. Não podemos ignorar a história do Iraque, não podemos nos posicionar deixando de lado a história e aplicando categorias abstratas, sem mais. Toda estratégia de guerra, como eu disse em um artigo sobre a guerra e os meios de comunicação, começa por isolar, continua com a criminalização e termina com a intervenção. No caso de Cuba, muito inteligentemente, o sistema cubano sempre tentou evitar estar isolado, apesar de ser uma ilha. Por isso, porque podemos chegar a conhecer a complexidade da realidade cubana, nos é mais fácil defendê-la; o que se revela mais difícil é nos autodefender contra os ataques feitos pela mídia. Porque, na realidade é contra nós - todos aqueles que defendem o socialismo - que fazem a guerra.


A frase "a primeira vítima da guerra é a verdade", pronunciada em 1917, pelo senador estadunidense, Hiram Johnson, deveria ser transformada na seguinte: "a primeira vítima do capitalismo é a verdade". Porque, segundo Marcuse, não é exatamente a guerra que dá lugar à necessidade da manipulação da linguagem, senão o próprio desenvolvimento do capitalismo, que se vê forçado à mentira e a manipulação da linguagem, combinando, desta forma, o domínio da matéria com o domínio da mente [1].


Finalmente, Chomsky disse que o papel do intelectual é falar a verdade ao poder. Por um lado, porque o poder já sabe a verdade e outra, porque ele está ocupado tentando escondê-lo. Nossa tarefa é mais na linha que podemos encontrar ferramentas para nos defender da guerra de mídia, algumas das quais são derivadas da análise de casos específicos como este da morte de Orlando Zapata, mas outras requerem um maior esforço para entender a mídia comunicação são armas militares de destruição em massa. Nesse sentido, penso que a experiência cubana é paradigmático. Para explorar o modo como os meios de comunicação operam contra Cuba nos ajuda a desvendar o funcionamento do complexo sistema de propaganda.

Nota: [1] Marcuse, H. One Dimensional Man, 1985 p. 119


Fonte: CALPU

Tradução: Robson Luiz Ceron - Blog Solidários.

Yoani, a mercenária, mente no El País.

Por M.H. Lagarde

O blogueiro cubano, Enrique Ubieta assegura que Yoani Sanchez mentiu mais uma vez em um texto publicado assinado em seu nome no diário espanhol El Pais.

"Onde está a tênue linha que marca a diferença entre uma interpretação e uma mentira. Tal como no caso de Zapata Tamayo, a mídia não investiga, não pergunta, simplesmente reproduzem as informações que recebem: de delinqüente a político, de vítima de si mesmo e seus instigadores, a mártir. Yoani Sanchez sabe o script. Nem mesmo precisa ler duas vezes as instruções. E não sente vergonha de mentir, porque nem sequer quer saber se é verdade o que repete", diz Ubieta, em um breve post publicado em seu blog La Isla Desconocida.

O destacado ensaísta cubano, que recentemente se reuniu com os médicos que trataram de Tamayo, conclui que "são tão contundentes as provas médicas que Yoani Sanchez beira o ridículo".

Yoani Sanchez, após a morte do prisioneiro cubano tem servido - para isto, sem dúvidas, foi criado sua inflada personagem midiática - como porta-voz dos mercenários cubanos, quer no jornal El Pais ou canais de televisão como a CNN.

Em ambos os casos, a abutre de Tamayo, como a definiu outro blogueiro cubano, acusa o governo de Cuba de não ter feito nada para salvar o prisioneiro.

Será que a ficóloga, especialista - segundo ela - em informática, plataforma worldpress, idioma espanhol, jornalismo cidadão e legislação cubana, sabe o significado da palavra difamação?

Fonte: CAMBIOS EN CUBA
Tradução: Robson Luiz Ceron - Blog Solidários.

Segunda parte: Avanços dos EUA em relação a Cuba devem parar onde estão

FONTE: OPERA MUNDI

Obs: não deixe de acompanhar esta excelente Agência de Notícia: OPERA MUNDI

Em abril de 2009, o governo Obama levantou as restrições de viagens e permitiu o envio de remessas em dinheiro e mercadorias para Cuba. No entanto, o presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular, Ricardo Alarcón de Quesada, acha que os avanços na relação entre Estados Unidos e Cuba devem parar de avançar.

“O mais provável é que as coisas não passem daí, pelo menos pelos próximos anos”, disse Alarcón em entrevista concedida ao Opera Mundi, em Havana.


Para ele, Obama ainda não tem uma política definida para a América Latina, e o continente está longe de ser prioridade para o governo democrata. A administração atual é melhor que a anterior, de George W. Bush, e sobram boas intenções, mas a Casa Branca não sabe exatamente o que fazer nem como fazer, argumenta. Leia a seguir a segunda parte da entrevista.

O sr. vê uma mudança na política americana para Cuba?

Há mudanças, mas não são espetaculares. Haverá uma nova rodada de conversações bilaterais sobre imigração, mas isso não é grande coisa, um mecanismo que existia até Bush. Significa alguma coisa ele ser restabelecido, mas não é uma mudança dramática. A liberação das viagens dos cubanos-americanos foi uma promessa que Obama havia feito e que beneficiou muitísismo a comunidade, e há uma mudança na linguagem. Não são mais os verbos insultantes de Bush, de Condoleezza [Rice, ex-secretária de Estado]. É um estilo mais civilizado, mas o mais provável é que as coisas não passem daí, pelo menos pelos próximos anos.

Então qual seria o peso do reconhecimento pelos EUA da presssão internacional?

Eu creio que se trata de criar, fortalecer e multiplicar ações de solidariedade, denúncia etc. E tratar de que isso chegue aos EUA, que os norte-americanos saibam que isso existe. Isso justificaria uma mudança. Acho, por exemplo, que os americanos agora entendem que a maioria da América Latina e do mundo está contra o bloqueio, porque todo ano se reúne a Assembleia [Geral] da ONU e sai no "New York Times".


Realmente, Obama, até agora, representa, mais do que tudo, uma oportunidade. Eu entendo o que diz o presidente Lula, que é um homem muito sábio. Ele se dá conta de que o inteligente é tratar de impulsionar Obama e também de abrir um espaço que não pode deixar de ser crítico.

Tem havido muitas críticas de aliados de Cuba, como Venezuela, Bolívia e Brasil, contra a decisão americana de ampliar as forças militares na Colômbia, com a instalação de novas bases. Como o sr. vê a política de Obama para a América Latina?

Se por um lado o discurso do Obama é, ou quer ser, mais multilateralista, menos belicoso, em algumas questões ele representou uma continuidade da política anterior: plano Colômbia, militarização da luta contra o narcotráfico etc. E quando ocorreu o golpe de Estado em Honduras, Obama o condenou desde o primeiro dia, mas na prática o Departamento de Estado reconheceu o que aconteceu ali. Há um perigo: para Obama, é muito mais importante o Iraque e o Afeganistão do que o que se passa na América ao Sul. Não é só que Cuba seja tão pequenininha, é que a América Latina tampouco tem essa prioridade na política americana. É curioso porque nos Estados Unidos todo mundo reconhece que o Brasil é um fator fundamental no mundo, que o Brasil não é um país qualquer. Isso se reflete em atitudes respeitosas e de elogio ao Brasil. E mais nada.


Em geral, pode-se dizer que não há uma política muito clara, mas tampouco estou convencido que haja realmente uma política como houve nos anos 1960, 70, 80, com pretensão de dominar. Sei que às vezes a crítica de esquerda diz isso, mas não vejo assim. Há a luta contra o narcotráfico e a militarização na Colômbia, e daí passou-se a provocações perigosas contra a Venezuela, mas me custa muito acreditar que essa administração queira abrir outro flanco de guerra. No final, a política para a América Latina é um grande vazio. Eu concordo com algumas coisas que Lula disse: que é gente com boas intenções, mas que não sabe o que fazer nem como fazer.

Há espiões norte-americanos presos em Cuba? Qual é a penalidade?

Há um caso recente de um contratista [funcionário não identificado da empresa Development Alternatives, contratada pela Usaid, a agência de desenvolvimento internacional americana, preso em Havana em dezembro de 2009 depois de distribuir celulares e laptops a ativistas cubanos]. Não sei a pena, que depende das acusações. Mas ele nunca vai ser condenado à prisão perpétua, aqui não há prisão perpétua. Mas, por outro lado, o caso dele lembra que essas políticas de infiltração seguem neste governo [Obama]. Há outras pessoas, os dissidentes cubanos, que financiaram ações, mas as condenações nem chegam perto de perpétua. O máximo são 20 anos para aqueles que seguem presos. E daí para baixo.

Não há prisão perpétua em Cuba?

Não. Temos a pena de morte, que se pratica muito pouco, quando há atos de terrorismo, perdas de vidas humanas. Casos excepcionais, e já faz anos que esta pena não é aplicada.

Neste caso se aplicaria?

Não.

Leia a primeira parte da entrevista do OPERA MUNDI, na postagem anterior.

De boas intenções Obama está cheio.

Presidente dos EUA até gostaria de melhorar relações com a América Latina, mas gasta o tempo tentando vencer guerras, diz o presidente do parlamento cubano, Ricardo Alarcón

FONTE: OPERA MUNDI

Querer é uma coisa, fazer é outra. Assim pode ser resumida a avaliação do presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular de Cuba, Ricardo Alarcón de Quesada, sobre o governo de Barack Obama.


Dias antes da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país e da morte do opositor Orlando Zapata, o presidente do parlamento cubano recebeu o Opera Mundi para uma entrevista em que falou principalmente sobre dois temas: a política de Washington para a América Latina (e para Cuba em particular) e o caso dos cinco cubanos presos nos Estados Unidos desde 1998 sob acusação de espionagem.

Alarcón avalia que Obama não é mal intencionado, mas que também não vai fazer história como o presidente dos EUA que aproximará seu país dos vizinhos ao sul. Obama é bem melhor do que George W. Bush, explica Alarcón, mas não sabe como colocar em prática as ideias que tem. Também não dá a devida importância a Cuba e à região de maneira geral, mas nem é por falta de vontade: o problema é que temas como reforma da saúde, crise econômica e guerras dominam sua agenda.

Os cinco prisioneiros cubanos presos nos EUA são Antonio Guerrero, Fernando González, Gerardo Hernández, Ramón Labañino e Réné González, condenados pela juíza de Miami Joan Lenard. Após uma decisão do Tribunal de Apelação que considerou as penas iniciais excessivas, no final do ano passado, três deles tiveram suas penas reduzidas: Ramón Labañino, antes condenado à prisão perpétua, teve a pena fixada em 30 anos; Fernando González teve redução de 19 para 18 anos; Antonio Guerrero, de prisão perpétua para 22 anos.

Sobre eles, chamados de “patriotas” pelos cubanos, Alarcón defende que as penas impostas pela Justiça dos Estados Unidos são descabidas e desproporcionais em relação a condenados com acusações mais graves, mesmo após a revisão.

Estudioso das relações entre Cuba e Estados Unidos há quatro décadas, o presidente da Assembleia foi chefe da missão cubana na Organização das Nações Unidas e chegou a ser cogitado como possível sucessor de Fidel Castro.

O sr. pode explicar o que os cinco cidadãos cubanos hoje cumprindo pena faziam em Miami? A defesa alega que estavam investigando um ato terrorista contra Cuba. Não somente um, mas muitos atos. Isso está documentado no processo. Por exemplo, eles se infiltraram no grupo terrorista de Orlando Bosh para descobrir os planos terroristas que estavam tramando e informar Cuba. E uma das testemunhas de acusação, Rodolfo Frometa, faz parte de um grupo chamado Comandos F4, gente que veio de lancha a Cuba e atacou a costa do país, o que Frometa econheceu no tribunal.

Qual é a posição do governo cubano sobre a redução da pena decretada em dezembro do ano passado? Mesmo com a redução das penas, elas são realmente excessivas, se compararmos com qualquer outra sentença ditada nos últimos anos nos Estados Unidos por espionagem. Recentemente, houve um caso de um norte-americano acusado de espionar para a China [James W. Fondren, condenado em setembro último por entregar documentos do Departamento do Estado a um agente chinês], e o sentenciaram a três anos de prisão.

Só que os cinco patriotas cubanos não foram acusados de espionagem, mas de conspiração para cometer espionagem. Conspirar, segundo a lei americana, quer dizer que duas ou mais pessoas se puseram de acordo sobre fazer algo. Se alguém, por realizar espionagem, é condenado a três anos, alguém por apenas conspirar para isso deveria receber muito menos. Há vários casos de espiões reais que roubaram documentos secretos da Casa Branca, do Pentágono, do Departamento de Estado. Nenhum deles foi condenado a prisão perpétua ou a 30 anos de prisão.

Há outros casos de cubanos presos por espionagem nos EUA? É muito raro que haja julgamentos em qualquer país do mundo. Quando fui embaixador na ONU, nos anos 1970, tive companheiros acusados de espionagem que foram expulsos. O que ocorre como frequência são expulsões de espiões de um lado e de outro.

O governo cubano não considera a redução das penas uma vitória? Pode-se dizer que é um avanço. Ter uma sentença determinada significa que a pena pode ser reduzida, por boa conduta, porque parte da prisão já está cumprida... Nesse sentido, sem dúvida foi uma vitória. Não é ainda Justiça, porque não posso dizer que seja justo que mantenham uma condenação de 21 anos para Ramón ou de 20 anos para Antonio. Agora devem transferi-los de áreas de segurança máxima para áreas mais leves. A mãe de Toni contou-me que, na prisão onde ele está, outros prisioneiros passam a maior parte do tempo fora do edifício, mas os que estão em segurança máxima ficam encerrados dentro do prédio.

E há coisas absolutamente diabólicas: os presos de segurança máxima, por exemplo, têm que se reportar [aos guardas] a cada duas horas. Assim é o dia inteiro, sendo checado, contado, vigiado pelos guardas etc. Quem lhes devolve esses onze anos de privações especiais que não estavam justificadas?

Além dos aspectos práticos da detenção, o sr. considera que houve uma vitória política? O mais importante, a meu ver, foi o argumento usado pela promotora para pedir uma sentença mais leve: a existência de um movimento de solidariedade, uma onda que se estende por todo o planeta e que, para o governo norte-americano, é importante tratar de conter. Para nós, é um importante reconhecimento da eficácia da denúncia internacional e da solidariedade internacional.

Dizem que a política dos EUA em relação a Cuba se faz na Flórida e não em Washington. O sr. concorda com isso? Isso é verdade em certo sentido. Para os Estados Unidos, Cuba não tem sido até agora considerado como um assunto muito importante. É um país pequeno, não é um mercado grande. É um inconveniente, uma chateação, mas não é um Brasil, uma China.


Quando havia guerrilhas na América Latina, claro, a revolução cubana teve um impacto no continente, e isso se converteu em uma preocupação para eles. Mas hoje Cuba não é um problema que interesse a muitos norte-americanos. Exceto para os antigos proprietários e funcionários do regime de Batista [Fulgêncio Batista, ditador derrubado pela revolução de 1959], essa gente que se instalou em Miami e a converteu em uma fortaleza.

O poder local pertence a esse grupo? Essa zona eleitoral tem três representantes na Câmara dos EUA. Os três são de origem cubana, dois deles filhos de um ex-ministro de Batista e um deles afilhado de Batista. Dos dois senadores da Flórida, até há pouco, um era cubano [ele renunciou]. O chefe da polícia, o prefeito da cidade, o chefe dos bombeiros, os donos dos principais meios de comunicação locais – TV, rádio, jornais –, todos são cubanos daquela procedência batistiana. Quando o processo judicial começa e os jurados são interrogados pelas partes, a maioria diz ter medo de tomar uma decisão contrária a essa gente. E esses mesmos jurados, quando estão sentados no julgamento durante sete meses, veem desfilar esses personagens que dizem ter armas. Um deles foi preso em 1994 por querer comprar explosivos F4, fuzis antitanques... Eles são lembrados o tempo todo de que esses tipos são capazes de fazer coisas sem serem molestados pelo governo.

O sr. acabou de dizer que Cuba é para o governo americano um problema pequeno. Por que essa comunidade tem tanto poder nacionalmente? A chave para a política americana é o dinheiro. De 2004 até agora, os empresários cubanos em Miami deram 10 milhões de dólares a candidatos de ambos os partidos. Essa gente tem uma influência superior ao número de votos. Mas também tem havido um processo constante de imigração de Cuba para os EUA nos últimos anos, 20 mil por ano... São pessoas que não têm nada a ver com aquela velha imigração. É gente nascida em Cuba, que se formou aqui, mas migrou por razões que não têm nada a ver com ideologia. São imigrantes normais, que vão para trabalhar etc. Ou seja, aí se está produzindo cada vez mais uma dicotomia, uma separação entre a mentalidade dessa ultradireita batistiana do início e a massa da imigração cubana. Agora, repito: quem controla os poderes locais não é essa massa, mas essa minoria.

Agora, na administração de Barack Obama, esse grupo mantém o mesmo poder? Obama é o primeiro presidente norte-americano depois da revolução que conquistou Miami sem apresentar uma política mais agressiva contra Cuba. Ao contrário. Ele prometeu pôr fim às proibições de viagens e remessas dos cubano-americanos. E no último ano, depois da permissão, vieram a Cuba 300 mil cubanos que vivem nos EUA. Veja que aí está a grande contradição. A direita sempre se opôs ferozmente às viagens a Cuba, porque são a negação da ideia do exílio. O exilado é o tipo saído por motivos políticos e não pode voltar. Como uma pessoa pode ser exilada se pode regresar ao país de onde fugiu?

Além da permissão às viagens dos cubanos à ilha, o sr. vê outros avanços na política de Obama? Há uma grande pressão de outros países latino-americanos pelo fim do embargo. Logo que Obama assumiu, onde quer que houvesse um dirigente latino-americano, ele e a secretária de Estado [Hillary Clinton] ouviam que o embargo e a política em relação a Cuba eram um erro. Nesse sentido, agora há uma nova situação na América Latina. Cuba tem relações com todos os países da região. Ou seja, ele sabe que, em termos de relação com a América Latina, Cuba tem se tornado um tema mais importante. Não porque Cuba em si seja tão importante, mas porque a América Latina também mudou. Creio que a maior diferença entre este governo e o anterior [de George W. Bush] se reflete no que disse a procuradora no caso dos cinco patriotas: a administração atual reconhece que há uma onda de críticas, e eles necessitam conter essa onda.

Mas isso se reflete em ações concretas?
Eu sigo pensando que Obama é uma pessoa com boas intenções. É muito melhor que o de antes. Mas o denominador comum das críticas que eu vejo contra Obama de um setor que mais se iludiu com a sua vitória é sua tendência à conciliação, seu compromisso com os republicanos, ou seja, ele está fazendo um governo muito à americana. Cuba seria evidentemente um tema que seria criticado pela direita americana, não só em Miami. E ele tem problemas que são muito mais prementes, que necessitam, segundo a sua mentalidade, de certa cooperação com a direita, como o tema da reforma da saúde e a crise econômica. E tem as duas guerras [Afeganistão e Iraque]. Tudo isso faz com que a importância de Cuba fique muito baixa

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Ainda acerca da morte do preso comum.

Imprensa capitalista não o que dizer contra Cuba.
publicado em SÃO JOÃO DEL PUEBLO

A imprensa brasileira ataca Cuba todos os dias, sempre com acusações sem provas, e sempre a mesma acusação de ditadura. Contudo, notícias mesmo, que confirmem qualquer acusação, não existem. É por isso que agora, que um preso morreu depois de quase três meses de greve de fome, “nossa” imprensa está alvoroçada. Enfim, pensaram, um fato palpável contra Cuba.

Porém, a grande notícia, para servir aos interesses desejados, já teve que ser apresentada não só sem uma série de informações, como também de forma mentirosa. Pelo tom dos locutores, parece que Zapateiro foi fuzilado, e o que se diz literalmente é que ele morreu “nos cárceres cubanos”, quando na verdade morreu no hospital. Não se diz porque ele foi preso, que lhe podia gerar desafetos em toda a América Latina. Foi preso por envolvimento (leia-se recrutamento) com a CIA, não por crime político, que não existe em Cuba. Prisão política seria a prisão por se expressar contra o regime, ou se organizar contra ele. Trabalhar junto com a CIA não é crime político, mas de espionagem e alta traição.

Mas mesmo mentindo e sonegando informações, trabalhos do dia-a-dia de “nossa” imprensa, o caso Zapateiro acaba revelando que Cuba é um dos países mais democráticos e civilizados do mundo:

Primeiro exemplo - alguns canais se apressaram em comemorar (literalmente) que pela primeira vez desde a Revolução, há 50 anos, morre na prisão um preso “político”. Isso é propaganda contra ou a favor da Revolução?

Segundo – eram com Zapaterio 55 “presos políticos”! Que tipo de ditadura é essa? No Brasil, em 20 anos, cerca de 2.000 pessoas foram mortas, desaparecidas, torturadas etc. Na Argentina, em menos tempo, foram dez vezes esse número. Cuba seria uma ditadura feroz com míseros 55 presos políticos?

Terceiro – não há acusação de tortura. Pelo contrário, Zapateiro estava com uma saúde de ferro para agüentar 83 dias greve de fome.

Quarto – não há acusação de assassinatos, de forma que a morte de um preso em greve de fome é a única morte que a imprensa vendida tem em mãos! A “democracia” brasileira tem um saldo anual de algumas dezenas de assassinatos políticos, de políticos mesmo, jornalistas, sindicalistas, advogados, sem-terras etc. De fato, todo país capitalista vive essa realidade, e a escamoteia como pode, e alguns, como EUA e Colômbia chegam às centenas e aos milhares de assassinatos políticos anuais. Que adversários políticos sejam somente presos, sem tortura, e não assassinados, é de fato incrível prova de democracia, tolerância e liberdade.

Enquanto isso, Honduras vive uma onda de assassinatos políticos, e a imprensa “imparcial” e “neutra” “brasileira” se esforça por afirmar que se trata de um democracia!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Informações, não meias e destorcidas informações.

Cuba: um infrator comum passa a ser preso político se é contrário ao Governo.

Terça-feira morreu o delinqüente Orlando Zapata Tamayo no hospital Hermanos Ameijeiras, em Havana. Após 85 dias de greve de fome para exigir ser tratado como um "preso de consciência".


O Estado cubano perseguiu e prendeu Orlando Zapata, por este professar idéias que contradiziam a linha oficial, pelo menos esta é a conclusão que a maioria dos meios de comunicação espanhóis (e do mundo) se apressaram em apontar, assinalando tratar-se de um "preso político", e o Estado cubano como culpado desta morte.


Estranhamente nenhum meio de comunicação explicou aos seus leitores, telespectadores ou radio-ouvintes, em que circunstâncias foi preso o falecido.


- Foi preso em flagrante distribuindo panfletos contra o governo socialista de Cuba, com máquinas copiadoras em um piso clandestino?!


- Participou de uma manifestação contraria e ilegal ao governo de Fidel Castro?!


- Andou em Havana com um retrato de George W. Bush?!


Esta falta de informação tem lugar porque permite aos meios de comunicação atacar o sistema cubano, pois se dissessem a razão da prisão do falecido, se descobriria que não era por motivos políticos, e nem que a situação dos direitos humanos em Cuba é o que dizem.


Orlando Zapata Tamayo foi preso na primavera de 2003 por violar a lei cubana. O opositor admitiu durante o julgamento que "conspirava para derrubar a ditadura cubana". Contudo, foi demonstrado que conspirava de uma forma não pacífica, descobrindo-se suas ligações com a CIA, por intermédio de Angel de Fana, também ligado à organização terrorista Alpha 66. Esta organização tem comprovadas ligações com terroristas internacionais e cometeu assassinatos e ataques contra cidadãos cubanos, favoráveis ao governo, hoje liderado pelo presidente Raúl Castro.


O terrorista Posada Carriles, autor intelectual da explosão do vôo 455 da Cubana de Aviación, em 1976, que matou 73 pessoas, incluindo crianças, entre muitos outros ataques, está também relacionado com este grupo terrorista.


Receber dinheiro de um país estrangeiro para fazer o trabalho de inteligência sem a permissão do governo de Cuba é um crime grave, tal qual é para a maioria dos países, como a Espanha, onde está estabelecido em seu artigo 592, primeira parte, de seu Código Penal que "Serão punido com prisão de quatro a oito anos os que, com o objetivo de prejudicar a autoridade do Estado comprometer a dignidade ou os interesses vitais da Espanha, mantendo inteligência ou qualquer tipo de relacionamento com governos estrangeiros, com os seus agentes ou com grupos, agências ou associações internacionais ou estrangeiras".


Orlando Zapata Tamayo foi condenado por este motivo, e não por nenhum outro de caráter político, juntamente com outros 75 cubanos, na primavera de 2003. As penas foram estabelecidas entre 6 e 28 anos, sendo que 20 dos 75 infratores foram liberados.


É uma hipocrisia chamar de "preso político" um criminoso comum, que violou a lei cubana, embora não se crítica que a no país dos meios de comunicação, uma pessoa tenha sido presa pela mesma ação.


Para além das acusações contra o governo cubano de ser culpado por essa morte, não podem ser tomado em conta quando o prisioneiro decidiu, por si mesmo, fazer uma greve de fome e se recusou a receber os devidos soros, embora, em certo momento, foi-lhe administrado apesar de sua rejeição.


Fidel Castro era presidente da ilha caribenha, quando estes 75 homens foram presos e anos mais tarde recebeu - de uma das organizações internacionais que lutam por mais reconhecimento e prática dos direitos humanos, a Organização das Nações Unidas (ONU) - uma condecoração, na forma de uma medalha de ouro, por converter Cuba em um "paradigma da solidariedade", segundo expressou o ex-presidente da Assembleia Geral da ONU, Miguel d'Escoto.


A Cruz Vermelha tem acesso a todas as prisões de Cuba, que já visitou várias vezes, exceto a que se encontrada em Guantánamo, já que é ocupado pelos Estados Unidos e estes proíbem a entrada de relatores internacionais.


Cuba foi o primeiro país do hemisfério em convidar a visitar suas prisões o Alto Comissariado para os Direitos Humanos.


Enquanto isso, tanto os pais do falecido, que residem na ilha declaram que "nós temos a força para continuar esta luta pelos Direitos Humanos", e vários dos outros 20 prisioneiros libertados, declararam, sem segredos, que continuaram sua militância em grupos como Cristãos para a Libertação Nacional. Estas declarações contradizem categoricamente as acusações que dizem que em Cuba não se permite oposição.


Após esta gafe informativa, os meios de comunicação se apressaram em informar que uma "onda de repressão", na forma da "prisão de 20 cubanos" que pretendiam assistir o velório do infrator, que morreu de uma greve de fome que ele mesmo decidiu levar a cabo.


Esta "onda de repressão" foi denunciada pela Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN), uma organização composta apenas por direitista residente na ilha, Elizardo Sanchez, estranhamente respeitado por um Governo que acusam de ditadura, que acusam de eliminar qualquer traço de oposição.


Esta organização carece de legitimidade em matéria de direitos humanos, uma vez que não é reconhecida por nenhum organismo internacional. Suas informações sobre as novas detenções carecem de provas - não fornece qualquer dado sobre os supostos detidos ou imagens das supostas prisões. Apesar desta falta de credibilidade, da falta de informações possíveis de confirmação, os meios de comunicação não excita em espalhar.



Fonte: TERCERA INFORMACION
Tradução: Robson Luiz Ceron - Blog Solidários.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

De fato, os cubanos são “ditadores”,... quanto a estes princípios. E pensando bem,... não é de se ter medo de uma ditadura deste tipo?

Novo texto de nosso amigo Enio Franzoni, que participou da mais recente Brigada de Solidariedade a Cuba.


CUBA: A DITADURA QUE EU VI.


É possível que não exista divergência na mídia quanto ao fato de Cuba estar sob o jugo da ditadura castrista, segundo a qual, tudo é proibido, a população vive sob a insegurança, vigilância, em suma, aprisionada na ilha tentando dela fugir para o paraíso da liberdade no norte.


De leituras preliminares da literatura cubana e da experiência de 18 dias lá constatei que o povo cubano quando não era colônia da Espanha foi objeto de disputa entre franceses, ingleses e norte-americanos que, ao final, transformaram o território numa espécie de protetorado. Ao ser liberado desta condição foi obrigado a inscrever em sua Constituição que a ameaça a qualquer interesse estadunidense autorizava sua invasão e repressão. Seus “presidentes” logo se transformavam em ditadores. Enquanto cumprissem as exigências estadunidenses estavam com seus cargos garantidos. Há quem diga que Cuba se transformou no prostíbulo dos puritanos estadunidenses e num território onde os sindicatos do continente não tinham nenhuma força ante os patrões estrangeiros. Então, o povo cubano todo foi submetido a condição de escravos que era exclusiva dos africanos. Escravos, reprimidos, sem educação, saúde e assassinados corriqueiramente.


Então chega o dia 1º de janeiro de 1959 e Fidel Alejandro Castro Ruz e seus companheiros tomam o poder enquanto que Fulgêncio Batista, o ditador de plantão, “rapa” o tacho do Banco Central e se manda.


O que era latifúndio e empresa privada se transforma em propriedade dos cubanos sob a regência da República de Cuba. Os EUA que não perdoam quem lhes tira um dólar, jamais perdoarão quem lhes tirou também os prazeres da jogatina e da prostituição. Conta-se em mais de 700 tentativas de assassinato de Fidel patrocinadas pelo governo dos EUA por meio dos cubanos que perderam os privilégios e se exilaram, destacando-se a tentativa de invasão da Baia dos Porcos.


Sem êxito neste intento, leis como Torricelli e Helms-Burton promoveram o maior bloqueio econômico já produzido no mundo impedindo que qualquer tipo de bem, desde remédios, alimentos, máquinas, etc., entrasse em Cuba ou que qualquer produto seu fosse comprado por outros países sem que sofressem retaliações do governo democrático e livre dos EUA.

Reação de um lado, contra-reação de outro.


De todos os cubanos com quem falei (e foram mais de 100) fiz a mesma pergunta: “Te gusta irse de Cuba para vivir em otro país?” Respostas que podem assim ser resumidas: “Me gustaria mucho conocer Brasil, pero no lo cambiaria por Cuba. Esta és mi pátria. Yo soi cubano. Siento orgullo de seer cubano. Yo tengo que luchar e defender la revolución todo los dias.(Desculpem por meu espanhol precário).


De fato, os cubanos são “ditadores”,... quanto a estes princípios. E pensando bem,... não é de se ter medo de uma ditadura deste tipo?


Abraço.

Enio Expedito Franzoni.

Lula em Cuba

Presidente brasileiro inicia agenda de trabalho em Cuba.

Havana, 24 fev (Prensa Latina) O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, inicia hoje sua agenda de trabalho em Cuba, onde chegou ontem para cumprir um convite de seu homólogo da ilha, Raúl Castro.

Lula, que participou da Cúpula da Unidade da América Latina e do Caribe efetuada no México, conversará com altas autoridades e visitará lugares de interesse econômico.

Esta é a terceira ocasião em que Lula viaja a Cuba como presidente da nação sul-americana, cujos vínculos com o país antilhano são excelentes no âmbito da cooperação e da esfera econômico-comercial.

Segundo cifras oficiais, atualmente trabalham no Brasil 43 colaboradores cubanos em ramos diversos: educação, esporte, saúde, cultura e agricultura.

Desde o início da cooperação na formação profissional se graduaram em Cuba 626 jovens brasileiros, deles 271 como médicos na Escola Latinoamericana de Medicina.

O estadista sul-americano fundou no dia 10 de fevereiro de 1980 o Partido dos Trabalhadores (PT) junto a outros sindicalistas, intelectuais, políticos e representantes de movimentos sociais, como líderes rurais e religiosos.

Em 1989 o PT apresentou Lula como candidato para a Presidência da República, e por uma pequena diferença de votos não venceu no segundo turno.

Depois em 1994 e 1998, o fundador do PT voltou a postular-se sem conseguir ascender ao cargo, empenho que materializou em 27 de outubro de 2002, com quase 53 milhões de votos.

Em 2006 o dignatário sul-americano foi reeleito como chefe de Estado, com mais de 58 milhões de votos.

asg/joe/es

Fonte: PRENSA LATINA

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O povo cubano é realmente livre! Mas não é uma liberdade burguesa, individualista. É uma liberdade coletiva, que escolhe o caminho...

Outro relato de membro da mais recente Brigada de Solidariedade

Carta desde Cuba
Por Redação, 23.02.2010

De 24 de janeiro a 7 de fevereiro, foi realizada em Cuba a XVII Brigada Latinoamericana de Solidariedade à ilha. O jovem advogado brasileiro Alexandre Franco foi um dos membros da delegação do Brasil na Brigada. Neste relato emocionado enviado de Cuba por email a um amigo, Alexandre narra uma grande passeata que presenciou e as suas impressões sobre o país. “O povo cubano é realmente livre! Mas não é uma liberdade burguesa, individualista. É uma liberdade coletiva, que escolhe o caminho, que traça seu destino”.

Carta de um jovem brasileiro em visita a Cuba

Oi, tudo bem?

Olha, ontem, dia 27 de janeiro, participamos de uma marcha de tochas. Foi incrível! Vou lhe contar.

Dia 28 de janeiro, é aniversário do José Martí, um herói para os cubanos, que está completando 157 anos do seu nascimento. Esse herói foi um intelectual e militante político que dedicou sua vida pela independência dos povos da América Latina e Cuba, principalmente, na época da colonização espanhola. O Fidel sempre o cita nos discursos. Então, na noite do dia 27 fomos para Havana para participar de uma marcha que existia até mesmo antes da revolução, uma marcha, assim como o natal que se inicia no dia 24 de dezembro esperando o dia 25. Na noite do dia 27 todos vão para frente da Universidade de Havana, onde saem, incrivelmente cerca de 30 mil pessoas carregando tochas acesas e marchando pelas ruas de Havana.

Meu caro, foi a coisa mais linda que eu já vi! A juventude alegre, feliz, cantando, celebrando o natalício de um herói nacional. Não dá para acreditar que 30 mil pessoas vão às ruas, numa quarta feira, para marchar à meia noite! Essa história de que o povo cubano vai às ruas obrigado pelo governo é uma grande idiotice. Naquele dia, eu não vi sequer um policial ali, não havia nenhum agente do estado para reprimir ou coisa parecida. Milhares de pessoas com tochas na mão, marchando e cantando alegremente a oportunidade de estarem juntas celebrando uma data muito importante para eles.

Eu fiquei na frente da marcha e quando olhava para trás via uma multidão sem fim, com os fogos acesos, num mar de gente culta, consciente, firme e resistente. Aquelas milhares de tochas acesas pareciam uma chama só. Uma gente guerreira, que está permanentemente em luta. Foi incrivel, meu caro! O povo cubano é realmente livre! Mas não é uma liberdade burguesa, individualista. É uma liberdade coletiva, que escolhe o caminho, que traça seu destino… É uma liberdade ampla, liberdade de ser culto, de compreender o momento histórico. Liberdade de ter clareza de quem são seus aliados. Liberdade de saber e ver quem é o inimigo. A educação os tornou livres! É um povo pensante, que resiste firmemente diante das dificuldades que enfrentam, e que são muitas e todos eles sabem disso. Mas acima de tudo, um povo unido pelo sentimento de pátria, algo que o povo brasileiro ainda não teve a felicidade de sentir.

Um povo que escreveu sua própria história e continua marchando, após 51 anos de triunfo revolucionário, após meio século de um criminoso bloqueio econômico que afeta suas condições de vida, mas ao mesmo tempo os tornam mais fortes e unidos para enfrentar o grande inimigo que a todo momento os ameaça. Um povo revolucionário que lembra cotidianamente seus mártires, seus lutadores que caíram na luta, seus heróis que não são duques aristocratas nem generais entreguistas. Seus heróis são outros: estudantes rebeldes, soldados revolucionários, trabalhadores, intelectuais do povo. Seus heróis são seus atletas aguerridos, seus poetas e músicos politizados…

O maior patrimônio de Cuba não é a biotecnologia, não são seus carros de meio século, não é o Capitólio, não é seu tabaco, não é seu rum. É seu povo. Digno. E dignidade coletiva se conquista não com uma lei ou uma sentença, mas com uma revolução. Só a ruptura das estruturas sociais antigas podem fazer emergir uma nova sociabilidade, que tenha na solidariedade e na valorização da dignidade do homem seus maiores princípios.

Dignidade cidadã. É isso que eu vejo aqui. O povo cubano é o povo mais digno do mundo.
É o que lhe conto.
Forte abraço!
Havana, 28/01/2010.

Alexandre Franco
sertanejoforte.blogspot.com

Fonte: FAZENDO MEDIA

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O que deve viver!

A televisao cubana vai mostrar série sobre tentativas de assassinar Fidel Castro

A televisão cubana transmitirá uma série sobre os 638 planos de atentados que, segundo os serviços secretos de Cuba, foram forjados ou patrocinados pelos Estados Unidos contra o líder comunista Fidel Castro em seu quase meio século no poder, explicou nesta segunda-feira (22) a equipe realizadora.

A série "O que deve viver", rodada por especialistas do Instituto de Ciências Policiais do Ministério do Interior de Cuba e dirigida por Rafael Ruiz, será transmitida todos os domingos a partir do dia 7 de março.

As filmagens levaram três anos e contaram com a participação de 243 atores e de mais de 800 figurantes, segundo Ruiz, citado pela imprensa local.

O primeiro capítulo fala dos complôs do período que engloba desde os preparativos no México da expedição do iate Granma, por onde Fidel Castro chegou à ilha em dezembro de 1956, até o triunfo da revolução.

A série é concluída com o plano frustrado contra Castro no Panamá, durante a X Conferência Ibero-americana, em 2000. Em 2004, a então presidente do Panamá, Mireya Moscoso, perdoou os quatro anticastristas cubanos acusados de conspiração, o que fez Cuba romper relações com o país, refeitas um ano depois sob um novo governo panamenho.

"Como é uma série histórica, utilizamos outros gêneros, uma mistura de estilos para nos auxiliar e tornar a história mais atrativa para o espectador, dando a ele mais informações sobre o ocorrido", explicou o diretor.

A série "é uma das maneiras mais efetivas de levar o espectador a um fato histórico, e o audiovisual é atraente e creio que vai ser um grande aprendizado", comentou o ator Omar Alí.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

GUERRA CONTRA A REVOLUÇÃO CUBANA

Novo ato de provocação norte-americana em Havana. Por Robson Luiz Ceron

Novamente a verdadeira face do poder ianque apresenta-se. Embora todas as promessas do atual governo, a realidade demonstra que a parcela de poder que reside nas mãos do presidente norte-americano, Barack Obama, é reduzida. Os organismos de poder estadunidenses - oficiais e extra-oficiais -, inimigos da Revolução Cubana, continuam manejando ações contra a Ilha.


Foi o que ocorreu nesta última semana, quando mais uma vez, um grupo de traidores mercenários anexionistas cubanos - os gusanos - foi chamado e transportado até o Escritório de Interesses dos EUA (SINA), em Havana, para, com certeza, tratar de continuar as ações contra-revolucionárias.


Desta vez, os mercenários (entre os mais conhecidos são Martha Beatriz Roque, Vladimiro Roca, Félix Bonne e Oswaldo Payá) foram convocados pelo Subsecretário de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Craig Kelly, que chefiava uma delegação ianque, que estava em Havana para conversações com o governo cubano acerca de imigração.


Como relatado pelo blogueiro revolucionário cubano, M. H. Lagarde (cambiosencuba), os mercenários que estiveram presentes - notoriamente financiados pelos EUA - são pessoas que vivem da contra-revolução. De tal forma que não lhes interessa o fato do ilegal e cruel bloqueio norte-americano prejudicar o povo cubano desde de 1959; não lhes interessa a normalização das relações estadunidenses/cubanas; não lhes interessa que os cubanos e cubanas estejam bem. Para eles, quanto pior, melhor. "Sus bolsillos es lo único que les importa a tales 'personajes'”, resumiu Lagarde.


Porém, têm "quebrado a cara" desde de 1959, pois contra o mau-caratismo e a mesquinharia de seus atos, insurgem-se diversos fatores, sendo que a Consciência de Cubanidade - necessariamente revolucionária – o mais importante deles.


Participarão da reunião, além dos contra-revolucionários cubanos e das autoridades ianques, outros aliados dos EUA europeus, empenhados no mesmo desejo frustrado.


O ato de chamar e transportar seus "funcionários" gusanos demonstra que a contra-revolução permanece viva e em ação em Cuba, sendo um constante desafio à Revolução. Se Obama sabe ou não, pouco importa: os nossos inimigos estão no lado dele.


Em razão do ocorrido o Ministério de Relações Exteriores Cubano lançou nota protestando contra o ocorrrido.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Porque democracia em Cuba?

Porque democracia em Cuba?

Por Hilda S. Pupo / hildita@ahora.cu

Como a democracia em nosso país, junto com os direitos humanos, estão no topo da lista de ataques contra a Revolução, a proximidade das eleições em Cuba (25 de abril), sugere que o inimigo aumentará a propaganda anticubana.

Tentando denegrir e apresentar como não funcional o nosso sistema, os leva a afirmar "sob a ditadura dos Castros, em Cuba não há democracia, nem liberdade, nem eleições", uma das suas mais apreciadas e repetidas frases e que fiéis à teoria de Goebbels, ideólogo do nazismo, repetem uma mentira mil vezes, na esperança de torná-la verdade.

Mas, só confundem a quem engole palavras sem refletir. Sua cantilena de participação do povo nas questões de governo e tão falaciosa como chamar democrático a um sistema só porque o país tem um monte de partidos.

Em seu trabalho, "Nosso caminho: Análise do processo de retificação", disse o filósofo, escritor e ensaísta cubano, Dario Machado, há alguns anos atrás: "... Não escapa a sociologia política, o fato irônico, que nos exigem, aos cubanos, fórmulas aparentemente democráticas, como o sistema pluripartidário, que há tempos não podem exibir nenhum exemplo sobre o tema".

Além disso, cada vez com maior força, o mundo capitalista defende a sua idéia de democracia e a própria vida o contradiz. Pela existência de mecanismos que restringem a maior participação popular nas questões do governo, e se acredita na falsa imagem de liberdade de escolha de representantes, apenas porque o centro da democracia representativa é a concorrência entre os contendores para o poder, um circo armado em torno às urnas, em que o povo não tem nenhuma responsabilidade com a eleição.

Realmente o que define a possibilidade de intervenção por parte do povo no governo é o que acontece em Cuba e não pecamos de autoconfiança. Nosso modelo é diferente dos outros, não é perfeito, mas o seu principal objetivo é que cada cidadão se sinta e se entenda povo, parte fundamental da sociedade, em igualdade de condições e oportunidades.

Um jornalista espanhol resumiu a natureza do sistema eleitoral cubano e os pontos que por si só argumentam por que podemos falar de democracia.

1. A Inscrição é universal, automática e gratuita para todos os cidadãos com direito ao voto, a partir de 16 anos de idade.

2. A nomeação dos candidatos é feita diretamente pelos próprios eleitores em assembléias públicas (nos chamados países democráticos são os partidos que nomeiam os candidatos).

3. Não há campanhas eleitorais discriminatórias, milionárias, ofensivas, difamatórias e manipuladas.

4. Há total limpeza e transparência nas eleições. As urnas são guardadas por crianças e jovens pioneiros, são lacradas na presença da população, e a contagem é feita publicamente, podendo participar a imprensa nacional e estrangeira, diplomatas, turistas e todos que o desejem.

5. Exigência de que todos os eleitos o sejam por maioria. O candidato só é eleito se ele tiver mais de 50% dos votos válidos. Se isso não acontecer na primeiro turno, ocorre um segundo, com participação dos mais votados.

6. O voto é livre, igual e secreto. Todos os cidadãos cubanos têm o direito de eleger e ser eleito. Como não existem listas de partidos, se vota diretamente no candidato que se deseja.

7. Todos os órgãos representativos do Poder de Estado são eleitos e renováveis.

8. Todos os eleitos devem prestar contas de sua atuação.

9. Todo mandado é revogável a qualquer tempo.

10. Os deputados e os delegados não são profissionais e, portanto, não recebem salários.

11. Os deputados a Assembleia Nacional (Parlamento) são eleitos para um mandato de 5 anos.

12. A integração do Parlamento é representativa dos mais diversos setores da sociedade cubana.

13. Elege-se um deputado por cada 20.000 habitantes ou fração superior a 10.000. Todos os territórios municipais estão representados na Assembleia Nacional, e o núcleo base do sistema, a circunscrição eleitoral, participa ativamente em sua composição. Cada município elege pelo menos dois deputados, e a partir dessa cifra são eleitos proporcionalmente tantos deputados para tantos habitantes. 50% dos deputados devem ser delegados das circunscrições eleitorais, sendo que precisam viver no território da mesma.

14. A Assembléia Nacional elege, entre os seus deputados, o Conselho de Estado e o Presidente. O Presidente do Conselho de Estado e Chefe de Governo. Isto significa que o Chefe de Governo cubano tem que se submeter a duas eleições: em primeiro lugar como deputado eleito pelo povo, pelo voto, direto e secreto, e em seguida pelos outros membros, nomeadamente através do voto livre, direto e secreto.

15. Como a Assembléia Nacional é o órgão supremo do Poder do Estado e estar subordinada a ela a função legislativa, executivas e judiciais, o Chefe de Estado e de Governo não pode dissolvê-la.

16. A iniciativa legislativa pertence a muitos atores da sociedade, não só os deputados, o Tribunal Supremo e o Procurador, mas também os sindicatos, estudantes, mulheres, cidadãos individuais e sociais, exigindo-lhes, para a iniciativa legislativa a participação de 10.000 cidadãos eleitores.

17. As leis se submetem ao voto da maioria dos Deputados. A especificidade do método cubano é que uma lei não é levada a discussão do Plenário, até que, através de consultas repetidas com deputados e tendo em conta as propostas que eles têm feito, esteja claramente demonstrado que existe o consentimento da maioria para discussão e aprovação. A aplicação deste conceito adquire maior relevância quando se trata da participação popular, juntamente com os deputados, na análise e discussão de questões estratégicas. Nessas ocasiões o Parlamento se transfere aos centros de trabalho, de estudantis e campesinos, fazendo-se realidade a democracia direta e participativa.

A principal qualidade do sistema político cubano é a sua capacidade para a melhoria contínua, dependendo das necessidades apresentadas para a realização de uma participação plena, verdadeira e sistemática do povo na direção e controle da sociedade, a essência de toda democracia.

Fonte: AHORA

Tradução: Robson Luiz Ceron - Blog Solidários

Cuba é uma ditadura?

Cuba é uma ditadura?
Breno Altman

Essa discussão é um capítulo importante na agenda da contra-ofensiva à hegemonia do pensamento de direita

19/02/2010
Breno Altman

O novo presidente do PT, José Eduardo Dutra, em entrevista ao jornalista Fernando Rodrigues (Folha de S.Paulo), no último dia 11/02, respondeu afirmativamente à pergunta que faz as vezes de título desse artigo. Com ressalvas de contexto, identificando no longo bloqueio norte-americano uma das causas do que chamou de “fechamento político”, Dutra assumiu a mesma definição dos setores conservadores quando abordam a natureza do regime político existente na ilha caribenha.

Essa discussão é um capítulo importante na agenda da contra-ofensiva à hegemonia do pensamento de direita. Afinal, a possibilidade do socialismo foi estabelecida pelos centros hegemônicos não apenas como economicamente inviável e trágica, mas também como intrinsecamente autoritária.

Quando o colapso da União Soviética permitiu aos formuladores do campo vitorioso declarar o capitalismo e a economia de livre-mercado como o final da história, de lambuja também fixaram o sistema político vigente na Europa Ocidental e nos Estados Unidos como a única alternativa democrática aceitável.

Não foram poucos os quadros de esquerda que assumiram esse conceito como universal e abdicaram da crítica ao funcionamento institucional dos países capitalistas. Alguns se arriscaram a ir mais longe, aceitando esse modelo como paradigma para a classificação dos demais regimes políticos.

Na tradição do liberalismo, base teórica da democracia ocidental, a identificação e a quantificação da democracia estão associadas ao grau de liberdade existente. Quanto mais direitos legais, mais democrático seria o sistema de governo. No fundo, democracia e liberdade seriam apenas denominações diferentes para o mesmo processo social.

Pouco importa que o exercício dessas liberdades seja arbitrado pelo poder econômico. As disputas eleitorais e a criação de veículos de comunicação, por exemplo, são determinadas em larga escala pelos recursos financeiros de que dispõem os distintos setores políticos e sociais.

No modelo democrático-liberal, afinal, os direitos formais permitem o acesso irrestrito das classes proprietárias ao poder de Estado, que podem usar amplamente sua riqueza para mercantilizar a política e seus instrumentos, especialmente a mídia. Basta acompanhar o noticiário político para se dar conta do caráter cada vez mais censitário da democracia representativa.

A revolução cubana ousou ter entre suas bandeiras a criação de outro tipo de modelo político, no qual a democracia é concebida essencialmente como participação popular. Ao longo de cinco décadas, mesmo com as dificuldades provocadas pelo bloqueio norte-americano, forjou uma rede de organismos que mobilizam parcelas expressivas de sua população.

A maioria dos cubanos participa de reuniões de células partidárias, do comitê de defesa da revolução de sua quadra, dos sindicatos de sua categoria, além de outras organizações sociais que fazem parte do mecanismo decisório da ilha. Não são somente eleitores que delegam a seus representantes a tarefa de legislar e governar, ainda que também votem para deputados – o regime cubano é uma forma de parlamentarismo. Esse tipo de participação talvez explique porque Cuba, mesmo enfrentando enormes privações, não seguiu o mesmo curso de seus antigos parceiros socialistas.

O modelo cubano não nasceu expurgando seus opositores ou instituindo o mono-partidarismo. Poderia ter se desenvolvido com maior grau de liberdade, mas teve que se defender de antigos grupos dirigentes que se decidiram pela sabotagem e o desrespeito às regras institucionais como caminhos para derrotar a revolução vitoriosa. Na outra ponta, as diversas agremiações que apoiavam a revolução (além do Movimento 26 de Julho, liderado por Fidel, o Diretório Revolucionário 13 de Março e o Partido Socialista Popular) foram se fundindo em um só partido, o comunista, oficialmente criado em 1965.

Os círculos contra-revolucionários, patrocinados pelo governo democrata de John Kennedy, organizaram a invasão da Baía dos Porcos em 1961. Aliaram-se a CIA em algumas dezenas ou centenas de tentativas para assassinar Fidel Castro e outros dirigentes cubanos. Associados a seguidas administrações norte-americanas, criaram uma situação de guerra e passaram a operar como braços de um país estrangeiro que jamais aceitou a opção cubana pela soberania e a independência.

A restrição das liberdades foi a salvaguarda de uma nação ameaçada, vítima de uma política de bloqueio e sabotagem que já dura meio século. Os Estados Unidos dispõem de diversos planos públicos, para não falar dos secretos, cujo objetivo é financiar e apoiar de todas as formas a oposição cubana. Vamos combinar: já imaginaram, por exemplo, o que ocorreria se um setor do partido democrata recebesse dinheiro cubano, além de préstimos do serviço de inteligência, para conquistar a Casa Branca?

Claro que o ambiente de guerra e a redução das liberdades formais impedem o desenvolvimento pleno do modelo político fundado pela revolução de 1959. Vícios de burocratismo e autoritarismo estão presentes nas instâncias de poder. Mas ainda nessas condições adversas, o governo cubano veio institucionalizando interessante sistema de participação popular. O contrapeso ao modelo de partido único, opção tomada para blindar a revolução sob permanente ataque, é um sistema de organizações não-partidárias que exercem funções representativas na cadeia de comando do Estado.

A Constituição de 1976, reformada em 1992, estabeleceu o ordenamento jurídico do modelo. Um dos principais ingredientes foi a criação do Poder Popular, com suas assembléias locais, municipais, provinciais e nacional. Seus representantes são eleitos em distritos eleitorais, em voto secreto e universal. Os candidatos são obrigatoriamente indicados por organizações sociais, em um processo no qual o Partido Comunista não pode apresentar nomes – aliás, ao redor de 300 dos 603 membros da Assembléia Nacional não são filiados comunistas.

O Poder Popular é quem designa o Conselho de Estado e o Conselho de Ministros, principais instâncias executivas do país, além de aprovar as leis e principais planos administrativos. Seus integrantes não são profissionais da política: continuam a desempenhar suas atividades profissionais e se reúnem, em âmbito nacional, duas vezes ao ano para deliberar sobre as principais questões.

A Constituição também prevê mecanismos de consulta popular. Dispondo desse direito, o dissidente Oswaldo Payá, líder do Movimento Cristão de Libertação, reapresentou à Assembléia Nacional do Poder Popular, em 2002, uma petição com 10 mil assinaturas para que fosse organizado referendo que modificasse o sistema político e econômico na ilha.

O governo reuniu 800 mil registros para propor outro plebiscito, que tornava o socialismo cláusula pétrea da Constituição. Teve preferência pela quantidade de assinaturas. Cerca de 7,5 milhões de cubanos (65% do eleitorado), apesar do voto em referendo ser facultativo, votaram pela proposta defendida por Fidel Castro.

Tratam-se apenas de algumas indicações e exemplos de que o novo presidente petista pode ter sido um pouco apressado em suas declarações. As circunstâncias históricas levaram Cuba a restringir liberdades. Mas seu sistema político deveria ser analisado com menos preconceito, sem endeusamento do modelo liberal, no qual a existência de direitos formais amplos não representa garantias para um funcionamento democrático baseado na participação popular.

Breno Altman é jornalista e diretor do sítio Opera Mundi (www.operamundi.com.br)

O ser está acima do ter: este é o primeiro conceito e sem o qual não se entende Cuba.

Publicamos texto do amigo Enio Franzoni, que recentemente esteve em Cuba, junto à Brigada de Solidariedade.

IMPRESSÕES DE CUBA

Embora a mídia patrocinada por empresas para quem não interessa o ser, mas o ter nos faz (ou tenta fazer) crer se tratar Cuba de uma ilha de prisioneiros, depois de 18 dias lá (24.01 a 10.02/2010), a conclusão é um desafio aos conceitos postos e acabados.

O ser está acima do ter: este é o primeiro conceito e sem o qual não se entende Cuba. Contrariando aqueles que sustentam o ateísmo cubano, assistimos a uma missa (Católica Apostólica Romana). Em torno de 40% dos fiéis eram jovens. Assistimos a uma sessão de santeria. Existe fé, então.

Revelaram-nos não existir desemprego involuntário. Só está desempregado quem voluntaria e livremente não quer trabalhar. Ainda assim, estes recebem ensino escolar até que queiram e saúde sem custo, além de uma espécie de cesta básica. Não há desemprego em Cuba para quem quer trabalhar.

A educação proporciona a todos cubanos falar inglês, a tocar um instrumento musical, ao acesso a cursos superiores elevando o nível de escolaridade e eliminando um dos temas dos programas dos partidos políticos e das campanhas eleitorais do Brasil: a segurança pública. Seguramente, a segurança não é uma preocupação dos cubanos. Por isso quando Fidel disse: “Hoje, milhares de crianças dormirão nas ruas das cidades. Nenhuma delas é cubana.” disse uma verdade simples à qual se pode acrescentar: “...não terão escola e saúde. Nenhuma delas é cubana.” Isto pode até soar como uma agressão para nós, mas é verdadeira num país onde não existem analfabetos. O conhecimento de sua própria história é a garantia da liberdade do povo cubano. Não dá para entender? Basta que conheçamos nossa história e perceberemos quão escravos e servis somos e então entenderemos o que é ser livre. Mas a quem pode interessar a história do Brasil? Lá aprendi que a educação é a chave da liberdade e não o fato de poder comprar coisas ou de falar.

Cuba como péssimo produtor de armas exporta médicos, mas não daqueles tipo funcionários de laboratórios pagos para criação de novos medicamentos que chamam de “cientistas”. Também por isso, “planos de saúde” são contratos que os cubanos não conseguem entender do que se trata e de sua utilidade. Certamente também por estas exportações se justifica nos EUA, a colocação de Cuba no rol dos países “terroristas”, pertencente ao “eixo do mal”, afinal medicina gratuita, sem planos de saúde,... hummm,... se esta idéia “pegar” pode causar uma catástrofe econômica sem precedentes. A propósito, sobre saúde, assista o filme “SICKO” de Michael Moore.

A juventude cubana ativada pelos parentes da Flórida que muito tem, exibem as reluzentes camisas yankees e também desejam consumir, o que lhes é impedido pelo baixo poder aquisitivo de sua moeda: 1 dólar vale 25 pesos e o salário é em média de 25 dólares, salvo equívoco. O embargo econômico imposto pelas Leis Torricelli e Helms-Burton impedem que negócios sejam realizados por quem usar qualquer tipo de produto cubano, definitivamente ou com qualquer navio que atraque em portos cubanos, por seis meses, agravando ainda mais o acesso até mesmo a alimentos e medicamentos.

O povo cubano é solícito, solidário, alegre, descontraído, despido de esperteza e desconhecem a “lei de Gerson”. Já imaginou o que é um povo sem esta lei?

Não vá a Cuba como turista se tiver intenção de conhecer Cuba, seu povo, costumes, verdades e mentiras, mas vá como lhe convier segundo teus objetivos.

Enio Expedito Franzoni.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

19ª Feira do Livro

Literatura para crianças e ficção científica russa em feira cubana

Havana, 18 fev (Prensa Latina) As crianças cubanos poderão adentrar-se hoje na literatura infantil russa mediante um encontro com escritores e uma mostra de animados dessa nação euro-asiática, homenageada na XIX Feira Internacional do Livro que sessiona nesta capital.

O painel estará a cargo dos narradores Eduard Uspenski, Eleonora Filina e Marina Moskvina.

Os atraídos pela ficção científica conhecerão de perto os novos horizontes do gênero em uma mesa redonda com Dimitri Bikov e Serguei Lukianenko, entre outros estudiosos.

O pavilhão da Rússia, país convidado de honra desta mostra, tem apresentado um programa que inclui um diálogo sobre A Rússia do século XXI a cargo do jornalista e ativista social Serguei Filatov, e uma sessão de jogos didáticos e crucigramas russos, do projeto Ruskky-Mir.

Os editores terão seu espaço para o diálogo sobre os textos em idioma russo traduzidos ao espanhol.

Enquanto isso, entre os momentos mais esperados de hoje na Feira encontram-se as apresentações de Palavras e imagens para o ódio e a guerra, do jornalista espanhol Pascual Serrano, e Encontro com a verdade, do comandante da Revolução Guillermo García Frias.

A editora venezuelana O cão e a rana estará presente com "Una fiesta innombrable", uma seleção da poesia de José Lezama Lima, no centenário de seu natalício, enquanto a editoria José Martí porá em circulação "Con la honda martiana", de Armando Hart.

Os amantes das histórias em quadrinhos poderão adquirir Patrulha 444 Caso acurralado, um policíaco da escritora cubana Olga Marta Pérez, e uma série inspirada em desenhos animados com autores como Juan Padrón e Cecilio Avilés.

O capítulo havaneiro da feira chegará a seu fim no próximo domingo para depois empreender um percurso por outras capitais provinciais da ilha.

tgj/alb/ag/es

Fonte: PRENSA LATINA

UJC

Jovens cubanos realizam reuniões provinciais prévias a congresso

Havana, 18 fev (Prensa Latina) Integrantes da União de Jovens Comunistas (UJC) da central província cubana de Sancti Spíritus realizarão hoje a Assembleia de Balanço desse território rumo ao IX Congresso da organização.

Esta demarcação iniciará outro importante momento prévio à mencionada reunião, que se efetuará nos próximos dias 3 e 4 de abril, depois de culminar os encontros nos 169 municípios da nação caribenha.

Segundo dirigentes da UJC, diferente das etapas precedentes, estas reuniões terão dois dias de debate para trabalhar o primeiro deles em cinco comissões, as mesmas que sessionarão no congresso.

Durante a jornada inaugural, os delegados debaterão sobre a contribuição dos jovens ao desenvolvimento socioeconômico cubano, à defesa do país e ao fortalecimento da vida interna e estruturas da organização.

Também discutirão a respeito da responsabilidade da UJC na atenção das federações estudantis, e a educação e formação político-ideológica das gerações despolitizadas.

Cada sessão plenária propiciará uma análise das realidades, prioridades e dinâmica própria do processo orgânico no território correspondente.

O cronograma tem previsto após o encontro de Sancti Spíritus as reuniões de Ciego de Ávila e Cienfuegos como parte de um processo que se prolongará até o dia 21 de março, quando conclui nesta capital.

A convocação ao IX Congresso, em outubro passado, chamou à ação, à reflexão e ao debate franco e aberto, em primeiro lugar, sobre que fazer para continuar fortalecendo a vanguarda política juvenil e aperfeiçoando seu trabalho.

tgj/dsa/es

Fonte: PRENSA LATINA

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