sábado, 31 de outubro de 2009

REFLEXÓES DO COMPANHEIRO FIDEL


NOTICIAS RELEVANTES

Em dias recentes tiveram lugar em nosso país importantes acontecimentos.

No dia 28 de outubro, às 07h30 foi comemorado o 50º aniversário da desaparição física de Camilo Cienfuegos. O triste sucesso aconteceu num entardecer tempestuoso quando viajava de avioneta da província de Camagüey para a capital, pelo norte de Cuba.

Em Yaguajay tinha participado em seu último combate vitorioso contra a tirania nos fins de dezembro de 1958. Ali foi inaugurado um mausoléu, onde jazem os restos dos tombados durante a guerra na Frente Norte da província de Las Villas ou daqueles que morreram depois de 1 de Janeiro de 1959 e jazerão os que fizeram parte de sua Coluna Invasora ou aqueles que se uniram a ela no centro do país e que ainda vivem. Alguém o chamou de Herói de Yaguajay e esse título ainda perdura. Era além do mais: o Herói da Coluna Invasora Antonio Maceo. O audaz comandante, no avanço de sua coluna ligeira, tinha como destino a província de Pinar del Río, e até suas montanhas poderia ter chegado se não recebesse a ordem de não continuar, e lutar juntamente com o Che e sob a suas ordens, na zona central do país. Não era necessário expô-lo a risco nessa missão, que constituía uma interpretação incorreta das circunstâncias históricas. Em 2 de janeiro iniciou com o Che a marcha histórica para a capital. Quanto poderia ser investigado e reflexionado sobre isso!

Por decisão do Partido e do Governo, a partir deste 50º Aniversário sua silhueta de aço ilumina, junto à do Guerrilheiro Heróico, o fundo da Praça da Revolução, ambas montando guarda perante a estátua de Nosso Herói Nacional José Martí.

Também o 28 de outubro, às 9h00, o azar quis que começasse o debate sobre a resolução apresentada por Cuba contra o bloqueio econômico, financeiro e comercial dos Estados Unidos a nossa Pátria. Foram escutadas as palavras emotivas dos representantes de numerosos países do Terceiro Mundo, que deixaram constância de sua grande estima ao país insubordinável e solidário que durante meio século tem enfrentado o império desapiedado e desumano erigido nas proximidades de nossa ilha. Grande número de países vira na resistência de Cuba uma luta por seu próprio direito à soberania.

A obra discreta e solidária de nosso povo desde os primeiros anos da Revolução, e sua heróica resistência perante o criminoso bloqueio dos Estados Unidos, não foram esquecidas pela maioria esmagadora dos 192 Estados soberanos do mundo.

Os argumentos irrefutáveis de nosso chanceler, Bruno Rodríguez, ressoavam como marteladas naquela sala localizada no coração de Nova Iorque e muito próxima de Wall Street.

Pela primeira vez, em muitos anos de debates, todos os Estados membros das Nações Unidas participaram da discussão do embaraçoso e comprometedor tema.

Até os aliados europeus da OTAN e os membros da comunidade européia, desenvolvidos, consumistas e ricos, sentiram a necessidade de expressar sua inconformidade com o bloqueio econômico a Cuba. A réplica de nosso Chanceler ao discurso justificativo e lamentoso da representação dos Estados Unidos foi contundente.

Quando o Presidente da Assembléia realizou a votação, dos 192 Estados, apenas três delegações votaram contra o projeto de Cuba: a dos Estados Unidos; a do Israel, seu aliado no holocausto palestino e a da ilha de Palau. Um advogado norte-americano com cidadania israelita que representa Palau, um território no Oceano Pacífico de 450 quilômetros quadrados que esteve sob a administração ianque por quase 50 anos, votou na ONU a favor dos Estados Unidos. Dois Estados se abstiveram e 187 condenaram o bloqueio.

Contudo, estes fatos, por azar, não foram os únicos dois importantes para os cubanos nesse dia. Em horas da tarde finalizava a visita a nossa Pátria da doutora Margaret Chan, Diretora Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), acompanhada de Mirta Roses, Diretora da Organização Pan-americana da Saúde (OPS). Ambas representam os dois organismos internacionais mais importantes que assumem a responsabilidade por essa vital tarefa. Terça-feira passada, 27, eu tive a honra de conversar com elas.

Considerando o fato de que o tema da epidemia de gripe AH1N1 é de grande interesse para todos os povos, principalmente para os do Terceiro Mundo — os que mais têm sofrido as conseqüências da exploração e do saqueio —, solicitei-lhes um encontro dentro se seu apertado programa.

Apesar da preocupação e dos esforços de nosso Ministério da Saúde Pública, e seus programas de informação a os nossos cidadãos, considerei oportuno aprofundar no tema da epidemia.

A saúde pública foi uma das causas que fizeram necessária uma revolução em Cuba. Não é meu objetivo expor os avanços obtidos, os quais nos colocam como o país com maior quantidade de médicos per capita no mundo — um exemplo daquilo que pode ser feito em favor de outros povos —, apesar de ser durante meio século uma nação bloqueada e agredida pelo poderoso império. Nossa Pátria não só foi vítima do roubo atroz de cérebros, mas também alvo das agressões biológicas do governo dos Estados Unidos, que não se limitou ao uso de vírus e bactérias contra plantas e animais, ademais os utilizou contra a própria população. O dengue afetou mais de 300 mil pessoas, e o sorotipo número 2 foi introduzido em Cuba e no hemisfério quando ainda não estava presente como epidemia em nenhum outro país.

Omitindo muitos outros dados, com o objetivo de ser breve, é suficiente lembrar aos efeitos desta reflexão que o dengue é transmitido pelo mosquito, porém a gripe AH1N1 expande-se muito mais fácil e diretamente através das vias respiratórias.

Nossa população deve conhecer que, depois de finalizada a Primeira Guerra Mundial, uma epidemia de gripe matou dezenas de milhões de pessoas numa etapa em que a população do planeta apenas ultrapassava os 1 500 milhões de habitantes. Os recursos científicos e técnicos da humanidade eram muito menos do que hoje.

Esta realidade não nos deve induzir a um excesso de confiança. Quando surgem epidemias dessa índole precisa-se de recursos que ajudam a prevê-las ou combatê-las, mesmo como aconteceu com a febre amarela, a poliomielite, o tétano e outras, como as vacinas que há anos protegem as crianças e a população em geral de numerosas doenças extremamente daninhas.

Além disso, atualmente existem outros tipos de vacinas, em especial as que protegem a população contra os vírus gripais e são aplicadas aos casos de maior risco por causas transitórias ou permanentes.

Nossos cidadãos devem ter presente que as vacinas contra determinados vírus são mais difíceis devido às mutações genéticas dos mesmos, como os associados à gripe AH1N1 e outros.

Os países mais desenvolvidos e ricos possuem laboratórios bastante sofisticados e custosos. Cuba, apesar do subdesenvolvimento e do bloqueio ianque, foi capaz de criar alguns laboratórios para a produção de vacinas e medicamentos.

A nível internacional tem surgido um lógico medo com a mencionada gripe, por sua capacidade de disseminação e seus efeitos em determinadas pessoas mais vulneráveis. Além dos aspectos relacionados com a cooperação internacional de nossos médicos — que têm feito com que Cuba ganhe grande autoridade e prestígio —, desejava juntamente com a Diretora Geral da OMS fazer uma análise do tema da epidemia AH1N1. Ela reiterou-me que a dificuldade com as vacinas é devido a que os laboratórios capazes de produzi-las na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá estão a obter muito menos volume de vacinas do que as necessárias; que a demanda nos países desenvolvidos era grande e as primeiras vacinas disponíveis para os outros países não estariam prontas até finalizar o ano, e seus preços tendem a aumentar consideravelmente. Entre os países que devem ser priorizados ela incluiu Cuba por sua cooperação internacional e sua capacidade de aplicar logo as vacinas a pessoas priorizadas através de sua rede hospitalar.

A doutora Chan sabe que, onde quer que estejam os médicos cubanos cooperarão na rápida aplicação das vacinas.

São notícias logicamente positivas para nosso povo. Apesar disso, devemos ter presente determinadas circunstâncias.

As primeiras vacinas tardarão várias semanas em chegar, ou quem sabe dois ou três meses.

Para a OMS sua maior inquietação é que a capacidade mutante do vírus da epidemia ultrapasse rapidamente o efeito das vacinas e seja necessário iniciar novamente a busca de outra vacina eficaz. Isso, segundo a minha opinião, determina a importância de uma rede adequada de serviços médicos como a que existe em nosso país, e a orientação sistemática de uma população que possui altos níveis de educação para que coopere com as medidas pertinentes.

A carência de serviços médicos adequados em muitos países, incluídos os Estados Unidos, onde quase 50 milhões de pessoas não recebem atendimento médico, eleva consideravelmente o número de possíveis vítimas. Nesse país foi declarada a Emergência Sanitária. Há dois dias escutava a notícia de que nos Estados Unidos, de novembro até março a Gripe AH1N1 poderia causar a morte de 90 mil pessoas, visto que os meses de frio favorecem o desenvolvimento da epidemia. Oxalá esses cálculos resultem equivocados e o dano seja menor. Com uma população que ultrapassa pelo menos 27 vezes a população de Cuba, seria equivalente a mais de 3 mil falecidos em nosso país, e a muitos milhões de pessoas no mundo, apesar dos avanços da ciência.

Os sintomas iniciais d AH1N1 surgiram no México desde o primeiro trimestre do presente ano e quase, simultaneamente nos Estados Unidos e no Canadá. Daí passou para a Espanha, um dos primeiros países da Europa onde se estendeu a epidemia.

Quando o atual Presidente dos Estados Unidos levantou as restrições aos cubano-americanos para as viagens a Cuba, em grande número de Estados dessa nação já a epidemia tinha-se expandido. Desta forma resultou que os quatro países que mais geram turismo ou viagens a nosso país por outras causas, eram aqueles nos quais, em maior grau, estendeu-se a epidemia pelo mundo.

Os primeiros casos portadores do vírus foram viajantes vindos do estrangeiro. As pessoas contagiadas em nosso país eram relativamente poucas, durante meses não houve um só falecimento. Mas na medida em que o vírus foi se estendendo por todas as províncias, principalmente naquelas com maior número de familiares residentes nos Estados Unidos, foi necessário adquirir novos equipamentos para fazer análises para o Instituto de Medicina Tropical “Pedro Kourí”, e multiplicar o esforço ao mesmo tempo em que se lutava contra o dengue.

Foi assim que se produz o estranho caso de que os Estados Unidos, por um lado, autorizou as viagens do maior número de pessoas portadoras do vírus e, por outro, proíbe a aquisição de equipamentos e medicamentos para combater a epidemia. Logicamente não penso que foi essa a intenção do governo dos Estados Unidos, porém é a realidade que resulta do absurdo e vergonhoso bloqueio imposto a nosso povo.

Com os equipamentos de outras procedências estamos em condições de conhecer, com absoluta precisão, o total de afetados pela epidemia e o número de pessoas cuja morte esteja relacionada com a presença do vírus que a origina.

Felizmente, além dos serviços e do pessoal médico bem capacitado de nosso país, no mercado internacional existe um medicamento antiviral eficaz, especialmente se é aplicado às pessoas com inconfundíveis sintomas de serem possíveis portadoras do vírus e àquelas das quais recebem atendimento direto.

Dispomos de esse antiviral e também da matéria-prima necessária para continuar produzindo uma cifra similar à disponível, e para contar com as doses indispensáveis realizar-se-á todo o esforço necessário.

Embora em muitos países, devido à ausência de redes de serviço e de pessoal médico, não se ofereça aos organismos internacionais a informação respeitante sobre a epidemia, conhecemos o firme propósito de nosso governo de comunicar com toda precisão, a esses organismos, o número de casos e as mortes associadas à epidemia, como sempre temos feito com os dados referentes à saúde pública de Cuba.

Nosso país, por seu lado, conta afortunadamente com uma rede de serviços de saúde; a possibilidade de oferecer atendimento imediato às pessoas afetadas é real, e dispõe do número suficiente e da qualidade de seus médicos, muitos dos quais têm cumprido honrosas e inesquecíveis missões internacionalistas.

Fidel Castro Ruz
Outubro 30 de 2009
14h52

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

CABO SUBMARINO ENTRE CUBA E VENEZUELA


Cuba vai se beneficiar com acesso mais barato à Internet.

O embaixador cubano na Venezuela, Rogelio Polanco, disse que nas últimas semanas avançado questões jurídicas e negociações de contratos para a execução do cabo submarino entre este país e a Ilha.

Segundo o diplomata, tal cenário cria expectativas de um projeto de integração maior.

Esperamos, nas próximas semanas, poder anunciar o início das obras, que é muito importante para ambos os territórios, disse Polanco, em entrevista coletiva.

Segundo ele, Cuba vai se beneficiar com um acesso de baixo custo à Internet e aos serviços de telecomunicações.

Especialistas do Ministério venezuelano da Ciência e Tecnologia explicaram que a conexão se dará pelo mar, através de dois pares de fibra óptica, sob responsabilidade da empresa mista Telecomunicaciones Gran Caribe (Telecom Venezuela e Transbit de Cuba).

O cabo atravessará 1.630 quilômetros entre a área Camuri, perto do porto de La Guaira no estado de Vargas, e praia Siboney, nos arredores de Santiago de Cuba, para o qual foram investidos 63 milhões de dólares.

Duas bifurcações permitirão a conexão com a República Dominicana, ilhas do Caribe Oriental, Jamaica e América Central, indicou um comunicado de imprensa repassado pelo ministério venezuelano.

Clique na imagem para aumentar:

Original encontra-se em: CUBA DEBATE

Tradução: Robson Luiz Ceron

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

CONTRA O BLOQUEIO II

Obama vai finalmente eliminar o bloqueio a Cuba?

por Maxime Vivas [*]

Clique a imagem para aceder a CubAhora. Em Julho de 2009, durante uma reunião do Conselho da Defesa Nacional cubana, Raul Castro recordou que na sequência do atentado contra as Torres Gémeas de Nova York a administração Bush anunciou o seu desígnio de atacar se necessário "os rincões mais obscuros do mundo" (cerca de 60).

O governo estado-unidense de então havia reforçado o bloqueio económico e intensificado a guerra mediática contra Cuba, a tal ponto que a sequência lógica era uma acção militar directa.

No decorrer desta reunião do Conselho da Defesa Nacional, Raul Castro mencionou uma informação relatada por Bob Woodward, investigador estado-unidense, acerca de uma pergunta que Bush havia feito a um oficial de alta patente, pouco após a invasão do Iraque. Bush havia-lhe perguntado se queria ir ao Irão e este respondeu que preferia ir a Cuba, onde o rum e os charutos são melhores e as mulheres mais bonitas. "Acertou o alvo, Cuba", respondeu então Bush.

Bob Woodward, no seu livro Bush at War , relata por outro lado que no decorrer de uma reunião do Conselho de Segurança Nacional dos EUA Donald Rumsfeld, então secretário da Defesa, havia proposto um ataque maciço contra Cuba. O investigador sublinha que Bush não só aceitou a proposta como também lhe pediu um plano circunstanciado num prazo breve.

A ordem de atacar não foi dada, talvez porque o exército dos EUA se tivesse empenhado com menos êxito do que o previsto na invasão de um outro. Todos nós sabemos hoje que esse país, se bem que possua petróleo, não dispunha de ADMs (Armas de Destruição Maciça), ao contrário do que havia afirmado a administração dos EUA coadjuvada pelo conjunto dos media mundiais.

Houve um momento em que todos nós acreditámos, não é?

Para destruir Havana, basta premir um botão na Florida e os mísseis farão da capital cubana a cópia de Dresden numa Alemanha vencida. Para invadir a ilha, basta abrir os portões de Guantánamo que é em primeiro lugar, não esqueçamos, uma base militar inimiga.

Militarmente, a guerra é ganha rapidamente. Politicamente, há primeiro que persuadir o mundo da bondade da operação. Aí, as coisas serão mais difíceis. Voltarei a isso.

Além disso, quem conhece Cuba avalia o que a separa do Afeganistão ou do Iraque. Os cubanos têm aquisições inestimáveis para defender, estão orgulhosos da sua revolução, são instruído e de um patriotismo exacerbado que impregna mesmo as camadas mais críticas em relação ao poder. Fidel Castro preveniu em devido tempo: em caso de invasão, a guerra durará cem anos, fará um milhão de mortos e Cuba será o último país que os EUA se atreverão a invadir.

Resta portanto o velho bloqueio.

Bloqueio ou embargo?

Espíritos preciosistas sustentam que os EUA não aplicam um bloqueio a Cuba e sim um embargo. A prova: existem trocas comerciais com um certo número de países e existe turismo.

Não brinquemos com as palavras: os EUA dedicam meios humanos, financeiros e diplomáticos enormes para "impedir [Cuba] de comunicar com o exterior e de se abastecer" (é a definição de bloqueio).

É para aperfeiçoar o BLOQUEIO que eles trabalham. E este é, de acordo com a própria confissão de todas as administrações estado-unidenses que se têm sucedido desde há 40 anos, uma arma feita para empobrecer e esfaimar a população e incitá-la à revolta.

No interior do Departamento do Tesouro dos EUA, um gabinete (OFAC, Office of Foreign Assets Control, Gabinete de Controle de Activos Estrangeiros) examina todas as transacções comerciais e financeiras suspeitas.

Em 2004, quatro dos seus 120 empregados estavam adstritos ao rastreamento das finanças de Oussama Ben Laden e de Saddam Hussein, ao passo que 25 estavam adstritos à aplicação do bloqueio contra Cuba.

Entre 1990 e 2003, o OFAC efectuou 93 inquéritos sobre o terrorismo e aplicou multas num total de 9.000 dólares. Durante o mesmo período, este gabinete instruiu 11.000 inquéritos visando impedir os estado-unidenses de viajarem a Cuba e aplicou US$8.000.000 de multas àqueles que haviam infringido esta proibição.

Lê-se por vezes, expresso em milhões de dólares para impressionar, o montante das vendas de cereais dos EUA a Cuba. Equivale a dizer que o comércio seria livre porque foi vendido um grão de trigo enquanto era proibida a entrega de produtos anestesiantes sem os quais os doentes serão operados com sofrimento.

As medidas dos EUA não são eficazes a 100%, existem intercâmbios entre Cuba e países do mundo (inclusive com agricultores dos EUA). Isto prova duas coisas:

1- O poder dos EUA tem limites. Eles não são "os donos do mundo" e a cobiça do ganho mergulha-os em contradições.

2- O bloqueio, ainda que seja mais do que um simples embargo, é menos do que uma "colocação em quarentena", ou seja, um isolamento total (nada entra, nada sai) pelo qual se esperava outrora a erradicação das temidas epidemias. Cercada pelo mar, como os malditos galeões, Cuba tem costas demasiado extensas para o seu tamanho. Além disso, conta com inúmeros amigos que juram não haver peste a bordo. E que nela embarcam.

Em muitos domínios (nomeadamente as tecnologias de ponta, os produtos manufacturados complexos) e nos sectores vitais (nomeadamente médicos, farmacêuticos) o seu comércio com o seu parceiro natural (e o mais próximo), os EUA, está BLOQUEADO tanto quanto é possível. Daí a palavra apropriada: BLOQUEIO.

Mesmo que a torneira do meu lavatório deixe pingar algumas gotas quando não está aberta, afirmo que ela está fechada. E está!

Se um raio de luz passa através das minhas persianas fechadas pela autoridade de um vizinho irascível, nem por isso elas estão entreabertas. Ele quer confinar-me na escuridão.

Será que um bandido que nos dá facadas desde 1960 sem nos matar não é senão um "ofensor"?

Será que uma violação (sem gravidez a seguir) não é senão um namoro um pouco brutal?

Empreguemos pois a palavra "bloqueio".

Cada ano, desde há 17 anos, no mês de Novembro, há uma votação na ONU sobre a questão do bloqueio. A comunidade internacional condenou-o a cada ano. Em 2008, 185 países dos 192 membros da ONU votaram contra o bloqueio e 3 a favor (EUA, Israel e um micro-estado de algumas centenas de milhares de habitantes, semi-colónia dos EUA).

O bloqueio contra Cuba perdura, ainda que 79% dos estado-unidenses julguem-no ineficaz e que 55% dentre eles exijam que seja levantado. Uma outra sondagem realizada por uma organização estado-unidense mostra que 70% são favoráveis ao levantamento das proibições de os cidadãos estado-unidenses viajarem na ilha.

Não existe na história nenhum outro exemplo de sanções unilaterais semelhantes mantidas por tão longo tempo contra um outro país.

Em geral, os detractores de Cuba pretendem que "o bloqueio não explica tudo". Após o que, são incapazes de explicar o que ele explica pois nada sabem do bloqueio. Outros pretendem mesmo que o bloqueio é uma bênção para as autoridades cubanas pois serve-lhes de pretexto para o "desastre económico". Ao que os cubanos respondem com um desafio lançado aos EUA: "Faça-nos o mal de levantar este bloqueio, nem que seja só por um ano, para ver".

Sobre que é o bloqueio, que sectores são afectados?

Todos os sectores da vida económica, financeira, cultural. O bloqueio afecta os transportes, as importações e exportações, o desporto, a educação, a construção, os meios de comunicação, a cultura, a investigação, etc. Não há um único domínio que lhe escape.

As autoridades cubanas publicam regularmente um balanço a respeito. Li-o. Não poso vos impor a interminável enumeração das malfeitorias do bloqueio em mil domínios. Vou simplesmente propor-vos um resume da sua ferocidade no domínio da saúde publica:

É feita proibição às empresas dos EUA tendo a exclusividade da fabricação de venderem a Cuba materiais e equipamentos médicos. É feita proibição aos outros países de os venderem a Cuba se eles estiverem sob patente dos EUA. É feita igualmente proibição de intercâmbios científicos, proibição de participação em congressos médicos.

Exemplos de material que Cuba não pode encomendar:

  • Genética médica: aparelhos de análise para estudar a origem de cancros do seio, do cólon, da prostrata, para tratar a hipertensão, a asma, a diabete (fabricados nos EUA).

  • Cirurgia cardiovascular: equipamento de ablação de eléctrodo permanente sem o qual a solução é a operação a tórax aberto. Patente dos EUA. Próteses vasculares, pinças para biópsia (Empresa dos EUA).

  • Equipamentos para hospitais pediátricos: Sondas digestivas e da traquéia, agulha de Huber para traqueotomia e punção lombares (fabricação estado-unidense na maior parte).

  • Medicamento contra a leucemia (fabricação dos EUA).

  • Equipamentos contra as cardiopatias que permitem evitar as operações a coração aberto (fabricação dos EUA).

  • Microscópio electrónico fabricado pela Hitachi, no Japão (recusa de venda por causa da extraterritorialidade das leis sobre o bloqueio).

  • Peças de substituição para equipamentos fornecidos. Recusa por parte da Philips Medical.

  • Equipamentos de ponta, como uma câmara gama utilizada para estudos de isótopos radioactivos em medicina nuclear, aparelhos de ressonância magnética e equipamento de ecografia de alta precisão. Recusa da Toshiba.

  • Uma associação de pastores dos EUA quis oferecer a Cuba três ambulâncias Ford. Foi proibida.

Isto no que se refere à saúde dos homens, das mulheres e das crianças cubanas.

Saibam que estas práticas são generalizadas e referem-se aos menores pormenores em todos os domínios. Foi-me citado o exemplo de uma embaixada cubana na Europa que teve mesmo dificuldade em encomendar toner para copiadoras, pois a sucursal do fabricante estado-unidense recusou a venda com a aplicação das leis extraterritoriais sobre o bloqueio.

O bloqueio é genocida

A Convenção para a prevenção e a repressão do crime de genocídio, adoptada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1948, subscrita pelo governo dos Estados Unidos e por Cuba, entrada em vigor em 1951, subscrita e ratificada por 124 estados, estipula textualmente no seu artigo II:

"Na presente Convenção, entende-se por genocídio qualquer um dos actos enumerados a seguir, cometido com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso...".

Actos considerados: a "Submissão intencional do grupo a condições de existência que devem provocar a sua destruição física total ou parcial".

Apenas oito meses após a adopção desta Convenção sobre o genocídio (1948), as Nações Unidas adoptavam em Genebra, numa conferência internacional convocada pelo governo suíço, uma nova Convenção relativa à protecção das pessoas civis em tempos de guerra, subscrita e ratificada pelos governos dos Estados Unidos e de Cuba, entrada em vigor a 21 de Outubro de 1950 e ratificada hoje por 188 Estados.

A referida convenção estipula no seu artigo 23:

"Cada parte contratante concederá o livre-trânsito de todo envio de medicamentos e de material sanitário, assim como de objectos necessários ao culto, destinados unicamente à população civil de uma outra Parte contratante, mesmo inimiga. Ela autorizará igualmente o livre-trânsito de todo envio de víveres indispensáveis, de vestuários e de fortificantes reservados às crianças de menos de quinze anos, às mulheres grávidas ou em parto".

O Protocolo adicional I à dita Convenção estipula no seu artigo 54 que trata da "protecção de bens indispensáveis à sobrevivência da população civil".

"1. É proibido utilizar contra os civis a fome como método de guerra".

Em 23 de Setembro de 2009, Barack Obama declarou perante a ONU: "Nenhum país deve ser forçado a aceitar a tirania de um outro país, nenhum país pode ou deve tentar dominar um outro país".

Ele parafraseava assim, e bem, um texto que Victor Hugo havia escrito em 1870 para as mulheres cubanas refugiadas em Nova York para escapar aos soldados espanhóis: "Nenhuma nação tem o direito de colocar a sua garra sobre a outra, nem a Espanha sobre Cuba como a Inglaterra sobre Gibraltar. Um povo não possui um outro povo assim como um homem não possui outro homem. O crime é mais odioso ainda sobre uma nação do que sobre um indivíduo; isso é tudo".

"A democracia, prosseguiu Obama, não pode ser imposta a uma outra nação a partir do exterior. Cada sociedade deve encontrar o seu próprio caminho e nenhum caminho é perfeito. Cada país deve buscar uma via ancorada na cultura do seu povo e nas suas tradições, e eu reconheço que os Estados Unidos foram, muito frequentemente, selectivos na sua promoção da democracia".

Ele acrescentou que os Estados Unidos deviam "entrar numa nova era de compromisso baseado nos interesses e no respeito mútuo". E pediu aos cépticos "para dar uma olhadela nas acções concretas tomadas em apenas nove meses".

O ministro dos Negócios Estrangeiros cubano saudou a boa vontade de Obama qualificando-o de "homem político moderno, inteligente e animado por boas intenções", ainda que lamentando que não tenha podido aproveitar "a oportunidade histórica de utilizar as suas faculdades executivas e de estar na origem da eliminação do bloqueio contra Cuba".

Há que deplorar as contradições notáveis entre o discurso e os actos, raros e tímidos.

Em Abril de 2009, Obama havia afirmado querer abrir um novo capítulo de reaproximação com Cuba ao longo do seu mandato.

Ele de facto em Setembro levantou restrições afectando os cubanos a viverem nos Estados Unidos e tendo família na ilha. Doravante, os cubanos podem ir todos os anos à ilha (ao invés de 14 dias a cada três anos anteriores) e efectuar transferências de fundos mais importantes para suas famílias (100 dólares por mês anteriormente).

Mas é preciso saber que com esta medida Obama simplesmente restabeleceu a regra em vigor até 2004. Entretanto, os cidadãos cubanos a viverem nos Estados Unidos e não tendo família no seu país de origem continuam a não poder ir ali. Igualmente os cidadãos estado-unidenses podem ir a toda parte do mundo, mesmo à China, ao Vietname ou à Coreia do Norte, mas não a Cuba.

A administração Obama ampliou igualmente a gama de produtos que podem ser enviados a Cuba (aos vestuários, produtos higiénicos e ao material de pesca, antes proibidos). Ela permitiu igualmente às empresas estado-unidenses de telecomunicações fornecerem certos serviços a Cuba.

Em Setembro de 2009, a sub-secretária de Estado para os assuntos inter-americanos deslocou-se a Havana para entabular discussões sobre a restauração do serviço postal entre Cuba e os Estados Unidos, suspenso desde 1963, e sobre as questões migratórias. Ela foi a mais alta funcionária em visita oficial a Cuba desde 2002. Nota-se também nos discursos da administração Obama uma diminuição na agressividade.

Contudo, Obama não revogou a lei de ajustamento cubano (Cuban Adjustment Act) que favorece a emigração ilegal com destino aos Estados Unidos. Com efeito, todo cubano que entre, mesmo ilegalmente, nos Estados Unidos obtém automaticamente ao fim de um ano o estatuto de residente permanente e diversas ajudas para obter um alojamento e um emprego. Esta legislação, única no mundo, favorece a fuga dos cérebros e priva Cuba de um capital humano considerável. Ela não se refere a outros estrangeiros, apenas aos cubanos. E compreensivelmente: imagine que um mexicano pondo o pé nos EUA disponha dos mesmos direitos de um cubano... Com excepção dos cubanos, todos os estrangeiros que entrem ilegalmente nos EUA são aprisionados e depois recambiandos, quando não são abatidos.

A administração Obama continua a financiar grupúsculos na ilha, financiamento ilegal aos olhos do código penal cubano e da legislação internacional.

Os EUA continuam a inundar a ilha com emissões de rádio e televisão, destinadas a desestabilizar o governo cubano.

Os EUA recusam-se sempre a devolver a base de Guantanamo ocupada ilegalmente desde 1902, contra a vontade dos cubanos.

Um navio que atraque num porto cubano não pode mais entrar num porto dos EUA antes de seis meses.

Cuba continua a ser o único país do mundo a quem os EUA proíbem o acesso à Internet por cabo.

Desde a eleição de Obama, sete multinacionais foram sancionadas financeiramente, num montante total ultrapassando os seis milhões de dólares, por não terem respeitado as restrições de carácter extraterritorial relativas ao comércio ou aos fluxos de capitais com Cuba.

Em Setembro de 2009, Obama decidiu confirmar a Lei de Comércio com o inimigo (Trading with the Enemy Act) que estabelece as sanções económicas contra Cuba.

Cuba continua a figurar na lista dos países terroristas estabelecida pelos Estados Unidos. Como anedota: Nelson Mandela figurava nesta lista até Julho de 2008.

Outros sinais que mostram os limites da descrispação anunciada: as recusas de vistos a cubanos que querem participar em congressos ou manifestações culturais nos EUA, ou recusas a permitir que médicos estado-unidenses participem em congressos internacionais em Havana.

Entretanto, 161 representantes e 33 senadores, querem aprovar uma lei para por fim a esta proibição de viajar a Cuba. Para ser aprovada, ela deve reunir 218 votos na Câmara e 60 no Senado. Contudo, Barack Obama dispõe das prerrogativas necessárias para dar um fim a esta interdição assinando uma simples ordem executiva. Cuba declara-se pronta a acolher dois milhões de turistas estado-unidenses que poderão circular livremente na ilha.

O antigo presidente Bill Clinton, marido da secretária de Estado Hillary Clinton, qualificou as sanções económicas de política "absurda" e de "fracasso total".

O presidente Obama não dispõe de poderes para eliminar o bloqueio, mas pode em grande medida suavizá-lo por intermédio de decisões executivas e de licenças.

Enquanto isso, o estado de sítio prolonga-se contra um pequeno país pobre que jamais cometeu a menor agressão contra os EUA.

Desde 1960, o bloqueio custou cerca de 96 mil milhões de dólares à economia cubana.

Mas Cuba permanece de pé, independente, soberana às portas de um império. É uma situação inédita pois a lei histórica natural é que os pequenos países, e com mais razão as ilhas, caiam na órbita das potências vizinhas (veja-se a Córsega, veja-se a Sardenha, etc). Ora, os EUA, desde que existem, reivindicam Cuba como uma parte do seu território.

Cuba paga um preço terrível por esta resistência, mas preserva o essencial da alma da sua Revolução.

Apenas uma anedota para reforçar esta afirmação, sem me afastar da questão do bloqueio. Tenho-a de uma testemunha directa. No decorrer de uma reunião cimeira em Cuba, um participante disse: "O bloqueio do Iraque imposto por Bush pais durante dez anos levou à morte pela fome de 500 mil criança iraquianas". Fidel Castro interrompeu-o para retorquir: "Não, não foi o bloqueio que matou 500 mil crianças iraquianas, foi Saddam Hussein. Nós, aqui, sofremos um bloqueio desde há mais de 40 anos e nenhuma criança cubana morreu de fome".

Quando será levantado o bloqueio?

Tudo depende de vários factores:

1- A pressão da opinião pública mundial. Ela existe. Os países do terceiro mundo têm para Cuba os olhos de Chimène para Rodrigue [1] . Aquando da primeira viagem de Barack Obama à América Latina os representantes dos países do sub-continente pediram-lhe, através de moções, resoluções ou de olhos nos olhos, para levantar o bloqueio contra Cuba.

Há que saber que a França é um caso particular, no que respeita à questão cubana. Nos grandes países da Europa, como a Alemanha, a Grã-Bretanha, a Espanha, a classe mediático-política está melhor informada que a nossa. Vêem-se jornalistas a escreverem artigos sobre, por exemplo, "os cinco cubanos" , estes anti-terroristas presos nos EUA, vêem-se parlamentares intervir nestes países sobre esta questão, lêem-se artigos, até na imprensa estado-unidense, mas nada em França. Doze prestigiosos prémios Nobel já intervieram sobre Cuba, mas nem um único deputado ou sub-ministro francês ou presidente de região ou jornalista de renome. É a excepção francesa cuja causa atribuo a uma falsa ONG francesa que se chama Reporters sans frontières, que publica a cada ano um milhar de comunicados escritos para os media (um corta e cola basta para difundi-los) e que se encarniça desde há mais de 20 anos, sem cessar, contra Cuba. Intervém a seguir o fenómeno a que Pierre Bourdieu chamava "a circulação circular da informação". Os jornalistas lêem-se entre eles, um discurso auto-constrói-se. Tomemos o exemplo da expressão "líder máximo" que é uma invenção da CIA para dar a entender que os responsáveis cubanos falam assim de Fidel Castro, como os chineses falaram do "grande timoneiro" ou os russos do "paisinho dos povos". Nunca um cubano utilizou esta expressão (de alto abaixo, todos dizem "Fidel"), mas não se pode escapar num artigo ou reportagem sem que o jornalista a sirva.

Retorno aos factores que poderiam favorecer o levantamento do bloqueio:

2- A pressão dos industriais e agricultores dos EUA. Ela não cessa de aumentar. A das petroleiras, que vêm companhias venezuelanas, espanholas, chinesas empreenderem furagens do golfo da Florida nas águas territoriais cubanas e que temem ver-lhes escapar esta fonte de aprovisionamento que pode jazer diante da sua porta.

Último factor:

3- A coragem política e física de Barack Obama.

Coragem física que tiveram dar provas sempre as grandes figuras políticas do continente americano: veja-se José Marti, Bolivar, Sandino, o Che, Raul e Fidel Castro, Chavez, Allende, veja-se o hondurenho Zelaya que retornou clandestinamente a Tegucigalpa depois de ter sido expulso do país pelo exército, veja-se Martin Luther King...

O escritor estado-unidense Wiliam Blum explicou no seu livro L'Etat voyou o que faria se presidisse os EUA.

"Se eu fosse presidente, pararia em alguns dias os ataques terroristas contra os Estados Unidos. Definitivamente.

"Primeiro, apresentaria as minhas desculpas a todas as viúvas, aos órfãos, às pessoas torturadas, àquelas caídas na miséria, aos milhões de outras vítimas do imperialismo americano.

"A seguir, anunciaria aos quatro ventos que as intervenções americanas no mundo estão definitivamente terminadas e informaria Israel de que ele não é mais o 51º estado dos Estados Unidos mas doravante — coisa curiosa para dizer — um país estrangeiro.

"E depois, reduziria o orçamento militar em pelo menos 90% utilizando o excedente para pagar reparações às vítimas. Isto seria mais que suficiente. O orçamento militar de um ano, ou seja, 330 mil milhões de dólares, equivale a mais de 18 mil dólares por hora desde o nascimento de Jesus Cristo.

"Eis o que faria nos três primeiros dias.

"No quarto dia, eu seria assassinado".

No dia 18 de Setembro de 2009, sete antigos directores da CIA exortaram o presidente a encerrar os inquéritos abertos contra os excessos cometidos nos interrogatórios de terroristas sob a era de Bush (tortura).

Vê-se que interesses poderosos, que conservadorismo, por vezes que obscurantismo, Barack Obama enfrenta. Mas na margem de manobra estreita de que dispõe ele pode cortar ou um vestuário de gestor ou um vestuário de grande homem de Estado.

O antigo senador de Illinois obteve o prémio Nobel da paz de 2009. Fidel Castro julgou esta atribuição positiva pois ela, a seu ver, é "uma crítica à política genocida seguida por numerosos presidentes deste país que conduziram o mundo à encruzilhada em que hoje se encontra, uma exortação à paz e à busca de soluções que permitiriam à nossa espécie sobreviver".

A maior parte dos cidadãos do mundo encorajam Obama a merecer este prémio, inclusive o seu compatriota Michael Moore quando lhe diz: "Minhas felicitações, presidente, pelo prémio Nobel da paz. Agora, por favor, ganhe-a!"

O que nos traz de volta ao bloqueio. Por fim a este acto de guerra genocida seria um pequeno passo para Obama e um grande passo para a humanidade.

28/Outubro/2009
[1] Alusão a personagens da peça "Le Cid", de Corneille.

[*] Escritor. Conferência pronunciada a 22 de Outubro de 2009 no Instituto de Estudos Políticos de Toulouse.

O original encontra-se em http://www.legrandsoir.info/Et-c-est-ainsi-qu-Obama-sera-grand.html


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

CONTRA O BLOQUEIO!


Arrassador apoio a Cuba na Assembleia Geral da ONU.

Nações Unidas, 28 oct (Prensa Latina) Os Estados Unidos ficaram mais uma vez em ridículo em frente das Nações Unidas ao ser emitida pela Assembleia Geral da ONU o apoio por arrasadora maioria da suspensão do embargo norte-americano a Cuba.

A Assembléia Geral da ONU aprovou nesta quarta-feira por 187 votos a favor, três posicionados em contra e dois abstidos (Micronesia e as ilhas Marshall), a resolução titulada "Necessidade de pôr fim ao bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos de América contra Cuba".

Dessa forma o apoio a Cuba aumentou em dois sufragios, em comparação com o ano passado, enquanto Estados ficou só com o apoio de Israel e Palau.

Trata-se da decimaoitava ocasião que o plenário da Assembleia rejeita o cerco implantado por Washington contra a ilha caraibense desde há quase meio século.

O texto adoptado faz um chamado para todos os Estados a se abster de promulgar e aplicar leis e medidas desse tipo em cumprimento da Carta da ONU e do direito internacional, instrumentos que reafirmam a liberdade de comércio e navegação.

Também exorta mais vez os Estados em que existem e continuam a ser aplicadas leis e medidas desse tipo a que, no prazo mais breve possível e de acordo com seu ordenamento jurídico, tomem as medidas necessárias para derrogá-las ou deixá-las sem efeito.

Igualmente inclui uma nova análise do tema no programa provisório de seu sexagésimo quinto período de sessões, no próximo ano.

Na sua parte inicial, o documento reafirma, entre outros, os princípios de igualdade soberana dos Estados, a não intervenção e não ingerência em seus assuntos internos e a liberdade de comércio e navegação internacionais.

Faz referência ás declarações nas diferentes Reuniões de Cúpula iberoamericanas relacionadas à necessidade de eliminar a aplicação unilateral de medidas de carácter económico e comercial contra outro Estado que afectem o livre desenvolvimento do comércio internacional.

E expressa preocupação ante a promulgação e aplicação de leis e disposições como a cruel lei conhecida como Helms-Burton, cujos efeitos extraterritoriais afectam a soberania de outros Estados, os interesses legítimos de entidades ou pessoas e a liberdade de comércio e navegação.

Ao respecto, faz menção às 17 resoluções aprovadas pela Assembleia Geral a cada ano desde 1992 até 2008 e às declarações e acordos de diferentes foruns intergovernamentais, órgãos e governos em rejeição à promulgação e aplicação de medidas desse tipo.

Assim mesmo, adverte que continua a aplicação de novas normas dirigidas a reforçar e ampliar o assédio e expressa preocupação pelos efeitos negativos dessas disposições sobre a povoação cubana e os nativos cuabanos residentes em outros países.

yg/leg/vc

terça-feira, 27 de outubro de 2009

COMO O BLOQUEIO ECONÔMICO A CUBA OCORRE...


Cuba não pôde cobrar participação no II Clássico de beisebol devido a embargo


HAVANA, Cuba, 27 Out 2009 (AFP) - Cuba não pode cobrar a parte que cabe ao país por sua participação no II Clássico Mundial de Beisebol, realizado nos Estados Unidos, devido ao embargo, afirmou nesta terça-feira Tomás Herrera, dirigente do Instituto de Deportes (INDER) estatal, em entrevista à imprensa.

"Ainda não repassaram o dinheiro à equipe cubana por participar do evento", explicou.

Ele disse não saber o montante mas que, segundo as normas do evento, Cuba deveria cobrar 300.000 dólares por estar presente na primeira fase (50% para os jogadores e o restante para a Federação); outros 300.000 por liderar seu grupo, e 400.000 por competir na segunda fase, o que soma um milhão de dólares.

"No entanto, não foi dado o estímulo correspondente a nossos rapazes", apesar de o torneio ter sido realizado em março, disse Herrera.

No primeiro Clássico de beisebol, cabia a Cuba 7% do lucro do campeonato por ter ficado em segundo lugar, mas ante a impossibilidade de cobrar, devido ao embargo, o governo de Havana decidiu doar o dinheiro para as vítimas do furacão Katrina nos Estados Unidos.

As medidas restritivas em vigor desde 1962 incidem, também, com força, sobre o desporte e seu desenvolvimento, com a impossibilidade de importar implementos, e a necessidade de recorrer a outros mercados como China, com o frete triplicando os custos.

A velocista aposentada Ana Fidelia Quirot, subcampeã olímpica e rainha mundial, disse que "entre 2002 e 2009, os Estados Unidos negaram vistos a 32 delegações cubanas e a 117 pessoas, entre treinadores, esportistas e pessoal técnico".

Fonte: UOL ESPORTE

CAMILO CIENFUEGOS

A lembrança de um dos mais significativos guerrilheiros já está presente na Praça da Revolução. O povo cubano presta a devida homenagem a Camilo Cienfuegos.

CAMILO, PRESENTE!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

MANIFESTAÇÃO DE REPÚDIO


Salvador-Bahía, 24 de outubro de 2009

MANIFESTAÇÃO PÚBLICA DE REPÚDIO À TRAIDORA DO POVO CUBANO Yoani Sánchez, AO SENADOR DEMÓSTENES TORRES E À REVISTA Veja.


A Revolução cubana saudada pelos revolucionários, trabalhadores e intelectuais progressistas de todo o mundo, conquistou a soberania nacional, a independência política e tomou o rumo do socialismo, pouco tempo depois da derrubada da ditadura de Fulgêncio Batista e seus lacaios. Em 19 de abril de 1961, a frustrada tentativa de invasão de Cuba com desembarque na Praia Girón que teve a organização e o apoio dos Estados Unidos, foi uma derrota estratégica do imperialismo estadunidense.

Em 03 de fevereiro de 1962, o Governo dos Estados Unidos decreta o genocida e criminoso bloqueio econômico à Ilha, com mais arrocho a cada governo que passou pela Casa Branca; Todos os governos democratas ou republicanos, durante todos esses anos, bancaram a organização da contra-revolução em Miami/Flórida; Decretaram a prisão

Injusta e ilegal dos cinco antiterroristas cubanos: Fernando Gonzáles, René Gonzaez, Gerardo Hernandez, Ramon Labarino e Antonio Guerrero, que se infiltraram na contra-revolução, em Miami, há 11 anos, para evitar a ação de terroristas cubano/americanos no território de Cuba; Acolheram o terrorista Luis Posada Carriles, mentor da explosão de um avião em pleno vôo, proveniente de Caracas com destino a Havana em 1973, com 76 pessoas a bordo, em sua maioria jovens desportistas. Nos anos mais recentes, ataques terroristas em hotéis, seqüestro de barcos e aeronaves cubanas, e o descumprimento de todas as resoluções das Assembléias Gerais da ONU contra o bloqueio, com o voto contrário apenas dos próprios Estados Unidos e seu capacho no Oriente Médio, Israel.

Mas o bravo e solidário povo cubano não se verga ante o império.
Cuba erradicou o analfabetismo nos primeiros anos da revolução, e o governo socialista declarou a saúde, a educação a cultura e o esporte como bens inalienáveis de todo o povo.
Existem mais de 100 milhões de crianças nas ruas em todo o mundo, nem uma em Cuba, apesar de todo o cerco imperialista.
Em 2003, “Entre todos os países, grandes ou pequenos, ricos ou pobres, Cuba já ocupava o primeiro lugar no campo da educação. À época do triunfo da Revolução, 30% de pessoas com idade suficiente não sabiam ler nem escrever e havia 60% de analfabetos funcionais, se considerarmos os jovens e adultos desprovidos de conhecimentos e cultura, não tinham passado da terceira ou quarta série de um ensino primário extremamente deficiente.
Na Cuba revolucionária e socialista todos falam no mínimo duas línguas. Na área da saúde, como é do conhecimento de todo o mundo, Cuba deixa para trás os países mais ricos do planeta.

São muitas as conquistas do povo cubano na educação e na saúde gratuitas para todos, no acesso a cultura geral, no esporte, e em particular na democracia popular que permite a organização do seu povo para ajudar a construir uma sociedade solidária e livre da exploração do capital.
Cuba envia médicos e outros profissionais da saúde e da educação para muitos países na América Latina, África e até para países da Ásia.
E, como se não bastasse, construiu a Escola Latino Americana de Medicina – ELAM, para bolsistas de vários países desses continentes e até dos Estados Unidos.
O Brasil tem quase 1000 bolsistas estudando medicina em Cuba, destes, mais de 180 já voltaram formados e o governo e o Congresso Nacional brasileiro discutem formas de encaminhamento para revalidação dos diplomas para que esses profissionais possam começar a trabalhar, já que no Brasil há mais de 1000 municípios que não dispõem sequer de um médico.
O Apoio político e militar de Cuba foi decisivo para a luta anticolonial de muitos países na África, no Congo Belga, com Che Guevara à frente de centenas de soldados cubanos, o apoio à luta contra a segregação racial na África do Sul e apoio militar determinante para a independência total de Angola.
O solidário povo cubano agora, ainda mais que antes, precisa da solidariedade de todo o mundo para derrubar o criminoso bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos; para libertar os seus cinco heróis das masmorras estadunidenses e para ajudar a reconstruir os estragos na infra estrutura do país causados pela própria natureza.
Neste cinquentenário da vitoriosa Revolução Cubana, a direita brasileira e sua imprensa golpista, nocauteada pelo vitorioso governo do presidente Lula, se volta contra a avalanche política progressista em toda a América Latina e aproveita a oportunidade para atacar Cuba, tecendo loas a uma traidora do seu povo, a imitação de blogueira Yoani Sánchez, que, sendo vítima também do cerco econômico genocida por parte do império, renega o esforço dos seus compatriotas nesse meio século para superar as dificuldades, e se alia com a direita mais reacionária aqui no Brasil para atacar o seu próprio país.
No Congresso Nacional, o senador Demóstenes Torres, direitista do DEM, ex-PFL, partido sucedâneo da ARENA que sustentou os vinte anos de ditadura militar no Brasil, de 1964 a 1984, convida essa traíra para uma Sessão Especial no Senado e a revista Veja, panfleto reacionário que não se conforma com a as mudanças voltadas para o benefício popular no nosso país e em toda a América Latina.


A Associação José Martí Bahia-ACJM-Ba, vem a público manifestar o seu repúdio à postura da traidora Yoani Sánchez, bem como a iniciativa desse senador que pertence a um partido em fase de extinção, o DEM/PFL; o planfleto Veja e toda a imprensa golpista, que infelizmente ainda domina os meios de comunicação de massa concedidos pelo Estado brasileiro.
Cuba e o seu bravo povo apesar de tudo, continúa firme na luta para construir o socialismo como modo de produção e de vida do seu povo. O povo cubano já decidiu: jamais voltará a ser subjugado pelo império do norte ou qualquer outro.
Cuba que cultua o seu herói maior, José Martí, quer continuar sendo um país independente, soberano e socialista.

Toda solidariedade a Cuba
Viva longa a Fidel, Raul e a todos os verdadeiros revolucionários da Ilha rebelde.
Viva Cuba!
Viva o socialismo!
Diretoria da Associação José Martí - Bahia – ACJM-Ba.

domingo, 25 de outubro de 2009

TURISMO EM CUBA

Turismo em Cuba: Cultura, História, Paisagens de grande beleza junto à alegria e hospitalidade de seu povo.

Em 1982, a UNESCO distinguiu o centro histórico com o título de Patrimônio da Humanidade. Reconhecia assim os valores patrimoniais da cidade antiga e seu sistema de fortificações coloniais, a elegância de sua igrejas e casarios coloniais, a beleza dos parques e praças que fazem de La Habana Vieja um lugar de referencia obrigatória para o turista.

Havana é a principal cidade-cultura de Cuba. As opções na capital abarcam todas as manifestações das artes, literatura, ciência e desporte.A cidade é a sede de importantes instituições de prestigio internacional como festival internacional de Ballet, do Cinema Latino-Americano, da Guitarra e do Jazz Latino.

A cidade possui infra-estrutura hoteleira avaliada pela alta profissionalidade de serviços.Conforto de pousadas, hotéis 2,3,4 e 5 estrelas, entre eles o famoso Hotel Nacional de Cuba.

Motivo de inspiração de músicos e poetas, em lugares como o famoso Cabaret Tropicana, Restaurantes Floridita e La Bodeguita Del Médio, Teatros como García Lorca y Auditorium Amadeo Roldán, as mornas Praias do Este, Varadero e centros de Eventos como o Palácio de Convenções de La Habana, o turista visitante poderá encontrar uma capital e um país que transmite alegria e cultura.

Contudo, muitos não podem desfrutar dessas bondades por causa do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos EUA a esta Ilha, vigente há quase 50 anos.

A medida, que constitui uma verdadeira guerra econômica, prejudica em vários aspectos a indústria turística, que deixou de receber no último ano por esse motivo cerca de 1,2 bilhões de dólares.

Os cidadãos norte-americanos não podem fazer turismo em Cuba, porque o próprio governo dos EUA não os autoriza a viajar a esta Ilha. Além disso, os navios que entram em portos cubanos, seja qual for sua bandeira, têm de esperar seis meses para tocar o território norte-americano, segundo as leis do bloqueio.

Dados oficiais indicam que pelas águas vizinhas de Cuba passam três milhões de turistas a bordo de cruzeiros que não fazem escala aqui por causa dessa medida restritiva, além de que 90% dessas companhias têm capital norte-americano.

A Associação de Agências de Viagem da América considera que, se não existisse o bloqueio, 1,75 milhão de norte-americanos poderiam ter visitado Cuba no ano passado.

Por outro lado, as agências que oferecem viagens turísticas a esta Ilha não podem colocar seus anúncios nos sites Google, Yahoo e MSN, todos norte-americanos, que se regem pelas leis do bloqueio. Aliás, as restrições influem negativamente até nos eventos do setor organizados em Havana, como a MITM Latin América, a feira de incentivos e congressos mais importante da região.

Com sua política hostil, os EUA buscam por todos os meios fazer colapsar a indústria turística cubana e cortar assim uma das principais fontes de ingressos do país, desconsiderando o fato de que essa renda será aplicada em setores sensíveis como a educação e saúde.

Fonte: KAOS EN LA RED

CONHECENDO CUBA - COMIDAS E BEBIDAS

Os sabores da Ilha.

A história de um povo pode ser lida pela evolução de sua culinária. O que comem, como preparam e servem os alimentos revelam costumes e tradições. Quem chega a Cuba vê na gastronomia da Ilha traços marcantes da identidade de seu povo, como a miscigenação racial.

A cozinha típica cubana, conhecida como cozinha crioula, é uma combinação das tradições culinárias da Espanha – colonizadora da Cuba – e da África – continente do qual vinham os escravos. Nela encontram-se também traços dos nativos que já habitavam a Ilha antes da chegada de Colombo, em 1492, e dos chineses que migraram para trabalhar nas lavouras.

Chama-se cozinha crioula a combinação da cozinha espanhola com os produtos mais característicos de Cuba. O ajiaco é um bom exemplo: o tradicional cozido espanhol com um colorido cubano. Neste caso, cozinham-se as carnes com produtos da terra – como a batata, a mandioca, o inhame, a batata-doce, a banana, a abóbora e o milho.

Portanto, nada mais natural que se vejam nos pratos, inicialmente tão exóticos, a mesma gênese da culinária brasileira. É o caso do prato “moros y cristianos”, um cozido cubano de feijão carioquinha com arroz branco, bem parecido com o nordestino baião-de-dois.

Em Cuba existem diversos restaurantes de culinária internacional, como espanhóis, italianos, árabes e asiáticos. Mas se o turista deseja realmente partilhar dos hábitos gastronômicos dos cubanos, existem os restaurantes familiares. O governo permitiu que fossem abertos esses empreendimentos, mas exige que tenham uma estrutura familiar para evitar a relação patrão-empregado. São restaurantes pequenos, cerca de 12 lugares, em residências de cubanos, onde come-se bem e paga-se pouco. Começaram a proliferar na década de 1990, quando ocorreu o Período Especial e a população enfrentou severa crise financeira.

O solo de Cuba é fértil e nele nascem diversos frutos e legumes subtropicais. A banana, o ananás, a laranja, a goiaba, a manga e o mamão são facilmente encontrados em qualquer estação do ano.

Os mares têm abundância de peixes e crustáceos, mas os cubanos não consomem muito esses alimentos. As carnes mais utilizadas são as de porco e frango.

Elas geralmente são temperadas com suco de limão e alho várias horas antes do preparo para apurar o sabor. A banana também é consumida largamente, em receitas doces ou salgadas.

Restaurantes badalados:


El Floridita, em Havana Velha, é um dos restaurantes mais famosos de Cuba.

Fundado em 1817, serve os daiquiris mais tradicionais da Ilha. Dentre seus frequentadores ilustres está o escritor norte-americano Ernest Hemingway, que também era visto com frequência no La Bodeguita Del Medio.

Conhecido internacionalmente por seus mojitos, La Bodeguita é uma visita obrigatória para os turistas. Em uma das ruas mais belas de Havana Velha, o Café Del Oriente é um ótimo restaurante.

Para quem deseja aproveitar para apreciar a belíssima vista de Havana, o Sierra Maestra, no 25º andar no Hotel Havana Livre, em Vedado, é a melhor opção. Serve pratos cubanos e culinária internacional.

Também no Vedado, o bar temático Habana Café recebe muitos turistas. A decoração é inspirada nos anos de 1950, com carros antigos e um pequeno avião que fica pendurado no teto. No mesmo bairro, também fica a sorveteria mais famosa da Ilha, a Coppelia, que serviu se cenário para o filme Morango e chocolate.

Nos finais de semana, a sorveteria geralmente tem enormes filas. Um detalhe: os preços são menores para os cubanos, mas os turistas não enfrentam filas.

Fonte: www.emporiovillaborghese.com.br

O que comem e bebem os cubanos

PRATOS E PETISCOS

  • Moros y cristianos – arroz e feijão carioquinha cozidos na mesma panela;
  • Congrís – arroz e feijão preto cozidos na mesma panela;
  • Picadillo a la habanera – carne bovina ou de porco temperada com tomates, pimentão, azeitonas e uvas-passas. Pode ser servido com banana frita e arroz e ainda ovos;
  • Ajiaco – é o prato nacional. Guisado de vegetais feito de raiz de mandioca, cenoura, ervas, alho, cebola, pimentão verde. Pode ser feito com carne de porco;
  • Chicharrones de cervo – torresmos de porco;
  • Tostones – bananas fritas cortadas bem finas servidas salgadas.
SOBREMESAS
  • Guenguel – doce feito com milho moído, açúcar e canela;
  • Frutas frescas ou em calda – coco, goiaba e mamão papaia;
  • Sorvetes – baunilha e canela;
  • Arroz doce;
  • Pudim de leite;
  • Goiabada com queijo;
BEBIDAS
  • Champola – feita com graviola, sumo de açúcar-de-cana e leite;
  • Guarapo – sumo da cana-de-açúcar com gelo;
  • Pru – refresco originário do oriente do país feito à base de raízes. É digestivo e toma-se bem gelado;
  • Limonada – bebida feita com gelo batido;
  • Café – servido muito forte;
  • Sucos de fruta – preparados com água ou leite;
  • Rum – elaborado a partir do extrato da cana-deaçúcar. O processo de envelhecimento é natural feito em tonéis de carvalho branco em ambiente com umidade e acidez controladas. O de maior prestígio internacional é o Havana Club, antes chamado Bacardi, fundado em 1878. Tem diversas categorias: Silver Dry, Añejo, 3 años, Añejo 5 años, Añejo 7 años e Añejo Reserva;
  • Cerveja – as mais famosas são Bucanero e Cristal;
  • Daiquiri – feito com açúcar, suco de limão, gotas de marrasquino, rum branco e gelo picado. É servido em copo de champanhe;
  • Mojito – drinque feito de rum branco e seco, suco de limão, açúcar, gelo picado, soda e yerbabuena, uma erva parecida com hortelã para decorar e dar sabor ao ser amassada;
  • Cuba libre – rum branco, cubos de gelo, refresco de cola e limão.

Fonte: SÍNTESE CUBANA. EDIÇÃO Nº 110 – ANO III. Boletim Informativo da ASSOCIAÇÃO CULTURAL JOSÉ MARTÍ - CASA DE AMIZADE BRASIL‐CUBA, RIO GRANDE DO NORTE – BRASIL.

Contato: CABCRN@gmail.com

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

LIBERDADE PARA OS CINCO HERÓIS CUBANOS PRESOS NO IMPÉRIO

O boletim a seguir, enviado pelo nosso amigo, o Solidário Max Altman, traz um relato sucinto de quem esteve assistindo à audiência de re-sentença de Antonio Guerrero. Como Altman mencionou em seu e-mail, muito interessante!


Boletim do Comitê Nacional pela Libertação dos Cinco

Uma audiência memorável

Por Andrés Gómez

A recente audiência celebrada em Miami de redução da pena de Antonio Guerrero foi a primeira das audiências no processo judicial imposto aos Cinco a que tive oportunidade de assistir estano um deles presente. O motivo principal que me levou a aí estar é que queria conhecer pessoalmente a Antonio.

Lá na frente e de costas para nós, o tivemos pelo espaço de quase quatro horas. Entrou por uma porta lateral situada à frente da sala e todos nós que nos encontrávamos ao fundo, acompanhando sua mãe e sua irmã estávamos presentes para apoiá-lo, nos olhos com satisfação e aprumou-se, enquanto caminhava com seus tornozelos acorrentados até seu lugar diante de uma mesa ao lado de seu eminente advogado Leonard Weinglass.

Em nenhum momento foi permitido ao preso estabelecer contacto algum com outras pessoas na sala, sequer visual, com exceção de seu advogado. Terrível castigo este mais parece tortura. Mais pressão e frustração por essa razão tinha que ter sentido Antonio durante a audiência.

Antonio aparenta sua idade. Cumpre hoje precisamente 51 anos de vida. E como recordou à juiza, durante a audiência, o dr. Weinglass, esteve preso e separado de seus entes queridos durante onze anos, os últimos sete numa prisão de máxima segurança, desde seus 39 anos, "o coração de sua vida", como eloquentemente qualificava o dr.Weinglass a esses longos anos da vida de Antonio sofrida em prisão.

Está pálido devido à falta de sol, parte do cruel regime diário nesse tipo de cárcere. Permanece magro e um tanto fisicamente frágil, embora os que o conhecem intimamente que é normal nele. Durante o transcurso da audiência se manteve firme e tranquilo. Irradia a serenidade daquele que está consciente de sua responsabilidade com seu povo e diante da história. A mesma postura ven galhardamente demonstrando seus outros quatro irmãos.

Há outras duas questões que merecem ser abordadas com relação a esta audiência. A primeira é o motivo do acordo entre a defesa e a procuradoria, que recomendava ao Tribunal que a nova pena fosse de 20 anos de prisão. Deve ficar claro que este acordo nada tem a ver com a acusação falsamente imputada pelo governo dos Estados Unidos a Antonio Guerrero por 'conspiração para cometer espionagem'.

Este acordo somente diz respeito com a condenação a prisão perpétua que arbitrariamente lhe foi imposto tendo por base esta acusação. Acordo que obrigou a terrível juíza Joan Lenard –quem presidiu o julgamento em 2001 e lhes impôs aos Cinco essas bárbaras condenações - a impor essa tarde a Antonio 21 anos e 10 meses de prisão, o limite mínimo recomendado pelas normas federais de condenações. A todos os presentes na sala ficou patente que a juíza Lenard se retorcia de raiva porque, obrigada pelas circunstancias, não pôdo impôr a Antonio uma pena mais cruel ainda.

Mente a direita, enfurecida ao saber que no pior dos casos Antonio agora sairia da prisão em aproximadante sete anos -- em vez de poder mantê-lo encarcerado pelo restante de sua vida como era o propósito de sua condenação anterior- ao afirmar desavergonhadamente que Antonio reconheceu sua culpabilidade ao aceitar esse acordo. O acordo só teve de ver com a condenação. Nada mais.

A segunda questão a tratar é realmente assombrosa. É a explicação da Procuradoria do governo dos Estados Unidos, descrita pela procuradora, Caroline Heck Miller, a mesma procuradora que representou o governo no processo levado a efeito contra os Cinco, das razões pelas quais a procuradoria chegou ao acordo com o advogadode Antonio sobre a pena de 20 anos recomendada por ambas as partes ao Tribunal.

As razões são de caráter político e não de caráter jurídico nem humanitário. É o reconhecimento por parte do governo dos Estados Unidos que a opinião pública neste pais e no mundo, lhes é adversa e condenatória como resultado da natureza falaz e arbitrária do processo judicial contra os Cinco e de suas resultantes condenações. Estado de opinião que é de tal magnitude que prejudica os interesses dos Estados Unidos. Em nada exagero seu extraordinário pronunciamento.

Assim é que a juíza Lenard, irritada com a procuradora, a increpou dizendo-lhe que “como era possívelque ela mantivesse agora esta opinião quando por seis meses, durante o trnscurso do juízo em 2001, qualificou Antonio como “perigoso inimigo cujas ações havia posto em perigo a segurança nacional e que foi a base de considerá-lo culpado da acusação de ‘conspirar para Cometer Espionagem e por isso condenado pela própria juíza Lenard a prisão perpétua.

Foi assim que neste momento da audiência se tornaram evidentes todas as mentiras assacadas contra os Cinco. O governo pôs a descobertoque este foi sempre um processo político que nunca teve a ver com a verdade.

A afirmação da procuradora Heck Miller constitui-se num evidente reconhecimento do êxito dos resultados obtidos pelo movimento político em todo o mundo que por todos esses anos vem denunciando o caráter arbitrário e mendaz deste processo seguido por parte do governo dos Estados Unidos contra os Cinco e inalteravelmente exigindo sua imediata liberdade. Agora mais que nunca este movimento tem de redobrar seus esforços até que possamos vê-los livres.

*Andrés Gómez, líder da comunidade progressista cubana que reside em Miami e diretor de Areítodigital. Começando esta semana, Gómez viajará pela Europa, incluindo Bélgica, Holanda, França e Dinamarca, para falar sobre o caso e sobre a luta pela libertação dos Cinco.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

DENÚNCIA!


Florianópolis, 21 de outubro de 2009.


A Associação Cultural José Marti de Santa Catarina, vem a público denunciar a campanha midiática levada a cabo pelos grandes meios de comunicação contra a Revolução Cubana, suas conquistas, nestes 50 anos, e, seu povo. O crime cometido por Cuba foi o de se afirmar como nação soberana, auto-determinada e solidária com os povos desta grande humanidade.


Nestes momentos, os meios de “informação” (a expressão mais correta é desinformação) dão páginas e páginas para a blogueira cubana Yoani Sanchez difundir suas mentiras e atacar seu povo e seu país, desde o próprio território cubano.


As mentiras difundidas por ela são as mesmas que há décadas o imperialismo estadunidense e seus aliados e capachos, nos diferentes países e nos grandes meios de desinformação, se utilizam para detratar a realidade cubana e a magnífica obra construída pelos mais de 12 milhões de habitantes da maior das Antilhas.


A primeira mentira que cai por terra se relaciona à liberdade de expressão, visto que esta senhora vive em Cuba e posta as “suas opiniões” (entre aspas por que não são nada originais) desde Cuba.


O bloqueio econômico contra Cuba atinge todas as esferas da vida, inclusive com relação à internet. Mas a blogueira em vez de denunciar este bloqueio criminoso que persiste há quase 50 anos, culpa seu país e seu povo pelas conseqüências, pois ela nutre o sonho de fazer voltar a roda da história, sonha com o seu país como colônia norte—americana, submisso, prostituído, analfabeto, com a máfia dominando a vida social. É um sonho vão, pois o povo cubano trilha seu caminho pelos ideais de seus heróis que tombaram na luta pela independência e pela libertação nacional, pelos ideais de Marti, de Camilo Cienfuegos, Ernesto Che Guevara e, pelos heróis vivos, em particular Fidel Castro. Homens que construíram e constroem um projeto assentado no ser humano e na humanização da vida.
São imensuráveis as conquistas da Revolução Cubana em todos os aspectos da vida social do seu povo. Uma nação submissa com um povo espezinhado pelo imperialismo no final dos anos 50, se transformou em um exemplo para toda a humanidade de que é possível construir um mundo melhor baseado em valores autenticamente humanos no qual governa a satisfação das necessidades básicas e não as vis leis do mercado que submetem, subjugam, matam e agridem povos e nações inteiras em nome de um desenvolvimento e da riqueza para poucos.


Apesar da falta de recursos e do criminoso bloqueio, Cuba, há muito tempo, é um exemplo na solidariedade aos povos da humanidade. Médicos cubanos estão em quase cem países prestando seus serviços aos mais humildes e necessitados. O povo cubano através de seu governo prestou ajuda humanitária em grandes catástrofes e terremotos, em vários países. Em Cuba estudam jovens de várias nacionalidades, inclusive brasileiros, que gratuitamente podem ter acesso ao ensino universitário, que por muitas vezes não teriam em seus países.
Somos, eternamente, gratos a Cuba e seu povo, por nos ter brindado com vagas para que jovens de nosso estado e país possam cursar medicina em Cuba. Sonho quase inatingível para quem provém das camadas mais humildes do nosso povo.


Somos eternamente gratos a Cuba por ser uma referência, por seu exemplo, por sua obra, por seu povo.


Denunciamos e repudiamos o papel desempenhado pela nossa grande mídia sempre disposta a defender as piores causas, os golpes de estado, as manobras das elites, as agressões aos povos. A mesma grande mídia que hoje transforma em heroína a blogueira Yoani Sanchez. A mesma grande mídia que a cada vitória de um povo latino-americano está na linha de frente para defender os interesses do imperialismo norte-americano.


Assim foi e assim continua sendo, a grande mídia está do lado dos perdedores, está do lado do imperialismo. Com toda certeza os povos derrotarão o imperialismo e a grande mídia continuará a lamentar qualquer vitória popular, continuará a lamentar as vitórias dos povos de El Salvador, Nicarágua, Venezuela, Bolívia, Equador. Continuará a lamentar qualquer avanço no terreno político que nossos conquistem. Cada vez mais lamentarão.


A nós nos resta defender a verdade, o direito dos povos construírem seus rumos com soberania a auto-determinação, zelando pelos valores autenticamente humanos e solidarizando-se com qualquer povo agredido.


Ao final, e estranhamente, agradecemos aos grandes meios de comunicação que tão zelosos em sua vil tarefa de desinformar e transformar bandidos em heróis, nos ensina com seus exemplos como não devemos ser, como não devemos agir. Não deixa de ser um contra-exemplo.


Cuba continua cada vez mais merecendo e angariando o carinho e a solidariedade dos povos. Cada vez mais se criam, nos cinco continentes, comitês e associações de solidariedade a Cuba que dinamizam as relações, que fazem intercâmbios e troca de experiências. Nossos povos se conhecem mutuamente e crescem os laços de solidariedade
Reafirmamos nosso compromisso na defesa dos povos, em especial de Cuba e seu povo.


Viva a Revolução Cubana!
Viva Fidel!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

REFLEXÕES DO COMPANHEIRO FIDEL


A ALBA E COPENHAGUE


Nos actos festivos da Sétima Reunião Cimeira da ALBA, que teve lugar na histórica região boliviana de Cochabamba, pôde-se observar quão rica é a cultura dos povos latino-americanos e quantas simpatias inspiram nas crianças, nos jovens e nos adultos de todas as idades, os cantos, bailes, roupas autóctones e rostos expressivos dos seres humanos de todas as etnias, cores e matizes: indígenas, negros, brancos e mestiços. Ali se expressavam milénios de história humana e a rica cultura, que explicam a decisão com que os líderes de vários povos das Caraíbas, da América Central e da América do Sul convocaram essa Cimeira.


A reunião constituiu um grande sucesso. A sua sede foi a Bolívia. Em dias recentes escrevi sobre as excelentes perspectivas desse país, herdeiro da cultura aimara-quíchua. Um pequeno grupo dos povos da área está empenhado em demonstrar que um mundo melhor é possível. A ALBA - criada pela República Bolivariana da Venezuela e Cuba, inspiradas nas idéias de Bolívar e Martí, como um exemplo sem precedentes de solidariedade revolucionária tem demonstrado quanto se pode fazer em apenas cinco anos de cooperação pacífica. Esta começou pouco depois da vitória política e democrática de Hugo Chávez. O imperialismo o subestimou; de forma grosseira tentou derrocá-lo e eliminá-lo. Por ter sido a Venezuela o maior produtor de petróleo do mundo durante um longo período no século XX e uma propriedade virtual das multinacionais ianques, o caminho trilhado era particularmente difícil.


O poderoso adversário contava com o neoliberalismo e a ALCA, dois instrumentos de domínio com os quais esmagou sempre toda resistência no hemisfério depois da Revolução em Cuba.
Indigna pensar a forma grosseira e depreciativa com que o governo dos Estados Unidos impôs o governo do milionário Pedro Carmona e tentou eliminar o presidente eleito Hugo Chávez quando a URSS tinha desaparecido e a República Popular China estava a poucos anos de constituir a potência económica e comercial que é hoje, graças ao crescimento de mais do 10% durante duas décadas. O povo da Venezuela, como o de Cuba, resistiu a brutal investida. Os sandinistas se recuperaram, e a luta pela soberania, a independência e o socialismo ganhou forças na Bolívia e no Equador. A Honduras, que se havia incorporado a ALBA, foi vítima de um brutal golpe de Estado, inspirado pelo embaixador ianque e impulsionado desde a base militar dos Estados Unidos de América em Palmerola.


Hoje somos quatro os países latino-americanos que eliminamos radicalmente o analfabetismo: Cuba, a Venezuela, a Bolívia e a Nicarágua; o quinto, Equador, avança rapidamente até atingir esse objectivo. Os planos de saúde integral marcham nos cinco países a um ritmo como nunca tinha acontecido nos povos do Terceiro Mundo. Os programas de desenvolvimento económico com justiça social se têm tornado em projectos dos cinco Estados, que já possuem um reconhecido prestígio no mundo pela sua valente posição perante o poder económico, militar e mediático do império. À ALBA se somam três países caribenhos de origem negra e expressão inglesa, que lutam decididamente pelo seu desenvolvimento.


Por si só, isto constitui um grande mérito político, se no mundo de hoje este facto fosse o único grande problema da história do homem.


O sistema económico e político que em uma breve etapa histórica tem conduzido à existência de mais de um bilhão de famintos, e de muitas outras centenas de milhões cujas vidas apenas ultrapassam a metade da média do que desfrutam os dos países privilegiados e ricos, era até este momento o principal problema da humanidade.


Na Cimeira da ALBA se exprimiu com grande força um novo problema de extrema gravidade: a mudança climática. Em nenhum outro momento da história humana se apresentou um perigo de tal magnitude.


Enquanto Hugo Chávez, Evo Morales e Daniel Ortega se despediam da população nas ruas de Cochabamba ontem domingo, esse dia, conforme informações divulgadas por BBC Mundo, Gordon Brown presidia em Londres uma reunião do Foro das Grandes Economias do mundo, integrado na sua maioria pelos países capitalistas de maior desenvolvimento, máximos responsáveis das emissões de dióxido de carbono, gás que origina o efeito estufa.


A importância das palavras de Brown é que não as pronuncia um representante da ALBA ou um dos 150 países emergentes ou subdesenvolvidos do planeta, senão da Grã Bretanha, onde se iniciou o desenvolvimento industrial e um dos que mais dióxido de carbono tem injectado à atmosfera. O Primeiro-Ministro britânico advertiu que se não se atingir na Cimeira das Nações Unidas em Copenhague um acordo, as consequências serão “desastrosas”.


Enchentes, secas e ondas de calor letais são algumas das consequências “catastróficas”, afirmou por sua vez o grupo ecológico Fundo Mundial para a Natureza, referindo-se ao assinalado por Brown. “A mudança climática ficará fora do controlo nos próximos 5 a 10 anos se não são recortadas drasticamente as emissões de CO2. Não haverá um plano B caso Copenhague fracassar.”


A mesma fonte de notícias afirma que: “O especialista da BBC, James Landale, explicou que nem tudo está acontecendo como se esperava.”


Newsweek publicou que: “Parece cada dia mais improvável que os Estados se comprometam a alguma questão em Copenhague.”


O Presidente da reunião, Gordon Brown, declarou ― segundo informou o importante órgão norte-americano de imprensa ― que “se não se atingir um acordo, sem dúvidas o prejuízo das emissões descontroladas não poderá ser reparado com um acordo futuro”. A seguir enumerou conflitos como “emigração descontrolada e 1 800 milhões de pessoas com escassez de água”.
Na realidade, como informou a delegação cubana em Bangkok, os Estados Unidos de América estava na frente dos países industrializados que mais se opuseram à redução necessária das emissões.


Uma nova Cimeira da ALBA foi convocada na reunião de Cochabamba. Desse modo, o cronograma será: 6 de Dezembro, eleições na Bolívia; 13 de Dezembro, reunião da ALBA em Havana; 16 de Dezembro, participação na Cimeira das Nações Unidas em Copenhague. Ali estará o pequeno grupo de países da ALBA. Já não é questão de “Pátria ou Morte”; realmente e sem exagero, é uma questão de “Vida ou Morte” para a espécie humana.


O sistema capitalista não apenas nos oprime e saqueia. Os países industrializados mais ricos desejam impor ao resto do mundo o peso principal da luta contra a mudança climática. A quem vão enganar com isso? Em Copenhague, a ALBA e os países do Terceiro Mundo estarão a lutar pela sobrevivência da espécie.


Fidel Castro Ruz
19 de Outubro de 2009
18h05

segunda-feira, 19 de outubro de 2009


Cuba, a história é outra

por Regina Ferreira - jornalista


Estou humano, em Cuba, é o maior valor que a revolução produziuIr a Cuba é sentir um êxtase demasiado, isso porque são tantas coisasque se falam negativamente que na verdade a realidade é outra.

Quando resolvemos ir a Cuba, quando digo nós, é que fui acompanhada pelo fotografo profissional Alberto Coutinho, que teve a idéia, e eu me sentir atraída por fazer minha primeira viagem internacional para um país onde a educação e a saúde são prioridades do governo.


Ficamos maravilhados em poder sair às ruas a qualquer hora da noite com equipamentos fotográficos sem se quer sentir receio ou medo. Não vimos pedintes nem mendigos. Conhecemos pessoas hospitaleiras, atenciosas, parecidas com os brasileiros. Nas ruas, nas casas, nos prédios, nos bares, nas esquinas, nas praças reina o patriotismo e é muito forte o nacionalismo no dia a dia do cubano, há fotos dos revolucionários e bandeiras em cada canto da cidade.


Fidel Castro, Che Guevara e Camilo Cienfuegos. estão por toda parte. Afinal de contas o povo comemora 50 anos da Revolução. A historia de um pais que fez história que abalou o mundo e manteve-se em um regime socialista, apesar de toda uma evolução global. No entanto, conseguiu que a educação e a saúde fossem prioridade e fundamental, onde o capital humano é o maior valor que a revoluçãoproduziu. Ah! Se nós brasileiros pelo menos tivéssemos educação o país não penaria tanto com tanta corrupção, com a falta de impunidade que impede o desenvolvimento do Estado.


O clima! bem parecido com o nosso, o entardecer é quase às 20 horas, e pode ser contemplado sentado na balaustrada do Malecon, é a orla dos cubanos, parecida com a Barra, onde a qualquer hora tem gente admirando a brisa, o mar, namorando, tomando rum, pescando, dançando e jogando conversa fora. As praças bem conservadas onde as crianças podem brincar no local reservado só pra elas. Constatamos também a dedicação dos professores dentro e fora das salas de aulas e quando levam seus alunos para uma aula de arte em plena praça na antiga Havana Velha.


Durante uma semana que passamos em Cuba não teve uma só vez que não me confundisse com a mulher cubana, pois as características físicas são bem semelhantes com as das brasileiras e com as baianas. Mulheres morenas, nadégas e seios grandes e o jeito descontraído. Acredite, lá não existe racismo. Eles não fazem distinção do preto ou branco, pra eles somos todos irmãos. As cubanas tem um jeito muito familiar, além disso, se vestem com roupas coloridas e fazem penteados bem criativos.


E não é que nas caminhadas pelas ruas de Havana Velha encontramos uma barbearia com o nome da Bahia? Em direção a Praça da Revolução, onde acontece grande concentração populacional para ver e ouvir o comandante Fidel, conhecemos o musico cubano Pedro Rodriguez, 56, (que fez questão de nos acompanhar até a Praça da Revolução), fomos conversando durante o caminho sobre de como é viver em, Cuba, falamos da política, da musica, e das dificuldades que país passa com o bloqueio econômico. Pedro foi taxativo ao dizer que a vida é muito difícil devido o bloqueio econômico, ‘falta calçados, roupas, produtos de higiene e são poucos os países que manda ajuda.’e falta dinheiro, dinheiro... Pedro, falou ainda do sucesso das novelas brasileiras, (atualmente está passando As três irmãs) que o povo cubano adora assistir pelas paisagens queaparecem e pelos artistas, e disse ainda do sonho de conhecer oBrasil. “Brasil mui interessante, samba, mulher brasileira,cantar no Brasil.”


Havana recebe turistas de quase todos os lugares, que ficam encantados com a beleza da cidade, com os bares com música ao vivo de boa qualidade, musica caliente, rumba, salsa, e boa gastronomia, sem falar da cerveja “Bucanneiro”. Os turistas também ficam encantados com a quantidade e a qualidade dos artesanatos que são produzidos e vendidos na Havana Velha que lembra o Pelourinho, diferencia na arquitetura colonial, onde os prédios imperam com suas colunas monumentaisformando uma harmonia incomparável.


Quem não foi a Cuba, aproveite para ainda andar nos carros dos anos 50, em perfeito estado de conservação que não deixa nada a desejar comos atuais carros que temos no Brasil. Ainda andar no exótico CocoTaxi, que é mais barato que o convencional, ou ainda andar decharrete ou bicicleta fazendo um percurso agradabilíssimo. E ainda tomar o delicioso e famoso sorvete na Copellia. Isso sem falar dos charutos que podem ser adquiridos diretamente da fabrica, no Centro deHavana.


DicasPara ir a Cuba é melhor verificar os preços de pacotes, saindo de SãoPaulo ou do Rio de Janeiro. As agências de turismo de Salvador não tempacotes diretos (e ficaram surpresas em saber que o destino era Cuba), isso porque o destino não é procurado pelos baianos.


Roteiro que fizemos: Salvador X São PauloSão Paulo X PanamáPanamá X Cuba.


A moeda para o turista é o peso cubano convertível, o euro é fácil decambiar, em cada esquina tem uma agência de cambio. Uma semana (foi otempo que passamos), é suficiente para conhecer os pontos turisticosmais visitados. É preciso tirar o visto para entrar em Cuba, o que não é difícil, pois o Consulado que fica em Brasília, oferece todas asinformações por telefone ou pessoalmente. O melhor período para viajar para Cuba é de abril a dezembro.



516 FOTOS DE CUBA