quinta-feira, 25 de junho de 2009

LEMBRANÇA DA PRESENÇA CUBANA EM ANGOLA


Honra Aos Heróis

Consta dos manuais das academias do mundo. A batalha do Kuito-Canavale revelou heróis, estrategistas e determinou, em grande medida a África que somos

Nas celebrações do vigésimo aniversário da Batalha do KuitoKuanavale, ocorridas em Março do ano passado, ficou no ar a promessa de se perpetuar a memória dos combatentes angolanos, cubanos e sul-africanos que morreram naquela histórica epopeia que teve o condão de marcar profundamente a geo-política da África Austral.

Este tributo extensivo ainda à população local e sobreviventes dos dois lados da barricada começa, finalmente, a ganhar corpo e, brevemente, quando a data certa for escolhida, Angola poderá contar com este monumento onde ficarão retratadas todas as campanhas da batalha. O PAÍS obteve as primeiras fotos que dão já uma ideia clara deste memorial, podendo-se igualmente ver, ao fundo, parte das infra-estruturas de apoio à actividade turística como hotéis e pousadas. Como bem se pode observar, dois soldados cruzam os seus braços ao alto em sinal de celebração da vitória posicionados acima da torreta de um tanque de guerra de fabrico soviético T-55. O seu interior deverá conter informações precisas sobre os desenvolvimentos das várias fases da batalha iniciada em Setembro de 1987.

A história registra entretanto que o sinal da dureza dos combates teve lugar nas margens do Rio Lomba, quando tropas governamentais tentaram com a 47ª brigada de infantaria fazer a travessia deste curso de água, acabando por ser desarticulada com fustigamentos constantes de fogo de artilharia. Depois de recuos e avanços, os tenazes combatentes apoiados com reforços de tropas cubanas viriam a desferir o golpe fatal ao exército sul-africano a 28 de Março de 1988, fechando-se definitivamente o ciclo de guerras. Naquilo que já se convencionou chamar a mais importante batalha militar jamais travada ao Sul do Sahara, o simbolismo do KuitoKuanavale é ainda marcado pela desarticulação do sistema de apartheid, cujo ponto alto foi a libertação do histórico líder do ANC, Nelson Mandela e conseqüentemente, o desmantelamento de todo o sistema segregacionista de minoria branca na África do Sul. Pouco tempo depois, seriam realizadas as primeiras eleições democráticas ganhas pelo ANC e Nelson Mandela. Os governos de Angola, África do Sul e Cuba acordaram erigir ali este monumento para reverenciar todas as figuras que tiveram papel fundamental no desfecho da batalha comandada pelo falecido general Ngueto.

Eugénio Mateus - Jornal O País
Fonte:http://www.angolabelazebelo.com/2009/06/honra-aos-herois.html

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